Notas iniciais
[edit em 2016: tenho o prazer de informar que ano passado eu consegui finalmente assistir a peça do National Theatre quando ela passou nos cinemas Cinesystem no Brazil. Foi incrível, uma das melhores experiências cinematográficas que tive em 2015 junto com a aparesentação de Ivan o Terrível do Ballet Bolshoi.

“I should be Adam. God was proud of Adam. But Satan’s the one I sympathise with. For I was cast out, like Satan, though I did no wrong."

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Humanos são criaturas esquisitas. Criaturas as quais estão sempre tentando se elevar mais e mais no patamar da sabedoria, tentando mostrar para todos que são superiores uns aos outros em uma constante disputa de cabeças. Quem é o mais inteligente? Quem inventa a máquina mais interessante? Quem descobre a coisa mais útil? Quem se eleva mais? Quem é o melhor?

É engraçado ver até aonde eles vão para alcançar o que querem. Pesquisas e mais pesquisas, teorias esquisitas, experimentos insanos e bizarros... Posso falar de experimentos, afinal, sou um deles. Sou o resultado de uma dessas criaturas dotadas de inteligência tentando igualar-se ao seu Deus. Uma experiência , devo dizer, bem sucedida de criar vida a partir do nada.

Vida a partir do nada... Se formos olhar por um lado, posso ser considerado um Adão, não estou certo? Um homem, uma vida criada a partir de coisas inanimadas, diferente dos milhares de seres humanos que nascem todos os dias depois de serem concebidos por um pai e uma mãe. Eu não tenho mãe e nem pai, não tenho parentes, não tenho nada... Se bem que talvez possa considerar como pai aquele que me criou, ou será que não? Ele é meu criador, mas será que posso considerá-lo meu pai? Se ele é meu criador, alguém que criou vida com as próprias mãos, seria ele algum tipo de Deus para mim?

Se ele é Deus, então eu sou Adão, mas então por que é que não me tratam como tal? Por que sou excluído como algum tipo de demônio?

Eu deveria ser Adão e, ainda assim, identifico-me mais com o demônio, pois, assim como ele, fui excluído mesmo sem ter cometido mal algum. A única coisa que fiz — o meu maior pecado — foi nascer... Mas como podem me culpar por tal coisa se nascer não fora uma escolha minha? Eu não tinha controle sobre minha vida naquela época, não podia decidir se queria ou não nascer, assim como toda criança não tem essa escolha: uma hora ela tem que deixar o confortável útero de sua mãe e encarar o cruel mundo real. Acho que se essa escolha entre nascer ou não existisse muito poucos humanos estariam caminhando sobre a Terra, afinal, só os mais corajosos – e talvez também os mais metidos – escolheriam deixar um lugar aconchegante e seguro para se aventurar em um ambiente frio e sombrio que é essa nossa Terra... Mas essa escolha não existe então se é para você nascer, você nascerá, não é como se sua opinião importasse muito nesse momento.

Pergunto-me se sequer passou pela cabeça de meu criador se o seu experimento chegaria a tal estágio de perfeição... Eu não só respiro e me mexo como qualquer criatura viva, mas penso tão bem quanto qualquer ser humano, tenho consciência, tenho minha própria personalidade... Gostaria de saber como ele se sente sabendo que criou um ser humano perfeito... Como Deus? Muito provavelmente.

Agora, se ele se sente como um Deus, como eu deveria me sentir? Deveria acreditar que sou o que? Um Adão? Um Lúcifer? Um homem qualquer? Ou apenas um monstro perdido em um lugar aonde não pertence?

Notas finais
Não me perguntem o que foi isso, nem eu sei da onde surgiu tamanha piração '-' Okay, eu sei, foi inspirado pelo trailer... principalmente pela quote que está no inicio: "Eu deveria ser Adão. Deus tinha orgulho de Adão. Mas é Satã com quem me identifico, pois fui excluído como ele, apesar de não ter feito mal algum." (aliás, quem quiser ver o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=2P77enDJY7k ) Bom, é isso '-' agora eu vou tentar ir ler Frankenstein pra entender do que eu to falando
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!