Crests of Waves
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Nathan já estava na porta da garagem quando Anne e Catherine apareceram prontas para o pequeno passeio que fariam no dia. Ele teve que desviar o olhar quando se viu tendo pensamentos indecentes com as longas pernas de Cath. Ela usava um short jeans irritantemente curto, com alguns fios desfiados. Obviamente era moda, porque sua irmã usava um igual e Anne Tanner não usava nada que não estivesse nos catálogos do ano.
Cath parou ao seu lado encarando as motos na garagem. Não havia somente as motos, mas também alguns tipos de carros que eles gostavam de ter. Sua mãe sempre achou um local grande demais para ser desperdiçado com carros, mas ele e seu pai faziam questão de manter tudo aquilo.
Quer dizer, ele ainda fazia, não sabia seu pai. Fazia tempos que não tinham uma conversa decente e tudo piorara quando aconteceu o...incidente. Sua mãe não percebera ainda que ele sabia de tudo, por isso ainda tentava ao máximo fingir que estava tudo bem. Nathan não tinha certeza se ela conseguiria manter aquilo por muito tempo, principalmente trancada no escritório. Não dava uma semana para Anne ou até mesmo Cath começarem o interrogatório.
–Então Nathan? Qual das duas é a sua? -perguntou com um sorrisinho de canto, levantando os óculos escuros para vê-lo melhor.
–Qual você acha que é?
–Bem, eu aposto na esportiva. -falou apontando para uma moto preta bem cuidada, com pneus bons o suficiente para quantas corridas fossem necessárias. Ao lado dela, tinha uma Harley Davidson também completamente preta.
–Errou! -Anne falou rindo e se encaminhando para sua moto. Usava um coturno rosa que destoava completamente do resto da roupa. E Nathan não pôde fazer outra coisa, a não ser acompanhar sua irmã na risada. Ela era uma quebra de paradigmas. Por um lado uma patricinha, por outro aquela pessoa que estava colocando um usava coturnos e tinha motos esportivas.
–Não acredito! -Cath falou surpresa, tentando esconder sua expressão boquiaberta.
–Meu orgulho. -falou para Cath com um sorriso, enquanto a empurrava levemente com o ombro tentando ajuda-la a sair do estado de surpresa que se encontrava- Só quero dizer uma coisa, se não fosse por mim, Anne não teria esse lado dela tão Bad Girl. Fui eu que fiz nascer o interesse dela por motos, eu que a ensinei a atirar e a lutar. Quem a vê nas festas mal sabe que ela é tão legal assim.
–Eu não luto! Nem atiro! Eu só aceitei aprender porque acho necessário como uma precaução. Se um dia alguém tentar me estuprar, eu vou saber como me defender.
Cath franziu o nariz cheio de sardas, em um sinal que deixava claro que ela estava magoada por não saber daquilo, e disse:
–Por que você nunca me contou que sabe atirar? E que gosta de motos como essas?
–Você nunca perguntou. -Anne respondeu dando de ombros, ajeitando sua mochila beje nas costas. Tinha roupas extras, comida e dinheiro, para mais tarde.
–E preciso perguntar?
Nathan sabia o que Anne queria dizer "Essa é uma parte de mim do verão, Cath, e o que acontece no verão dos Tanners, permanece no verão dos Tanners". Antes que ele pudesse interromper a irmã com alguma frase melhor, Cath respirou fundo e deu um sorriso para a sua melhor amiga.
–Quer saber? Tudo bem, esquece que fiz essa pergunta. Estou só surpresa com um lado seu que eu nunca tinha conhecido, mas eu consigo digerir as informações com rapidez.
–Essa é minha garota. -disse Nathan dando uma piscadinha para ela, enquanto a puxava lentamente para perto da moto. Anne novamente riu e subiu em cima da própria moto, esperando por eles dois.
Nathan fez Cath esperar enquanto pegava um capacete para ela.
–Então...-ela falou, se aproximando dele, que permanecia curvado sobre um baú, no canto da garagem, com vários capacetes- Tinha como você ser mais clichê?
Ele virou o rosto por cima do ombro e levantou uma sobrancelha.
–Explique-se.
–Uma Harley Davidson? Sério? Por que eu sinto que essa parece ser a única marca que as pessoas conhecem quando vão falar sobre motos custom?
Ele se levantou com um capacete preto na mão direita e se virou, parando para encará-la.
–Você está insinuando que eu não sei de motos?
Ela deu de ombros e esboçou um sorrisinho. Os olhos azuis brilhavam de divertimento e por mais que ela quisesse enganá-lo com aquela encenação, ele já sabia que ela estava brincando.
–Eu só estou dizendo que é muita coincidência sua moto ser da mesma marca que os leigos em motos só sabem falar.
–Pois a senhorita fique sabendo que eu fiquei em dúvida entre uma Yamaha e uma Honda. Quem me ajudou a decidir foi Anne, dizendo que minha melhor opção seria uma Harley Davidson, por conta da qualidade, não por questão de fama.
–Exatamente. -Anne concordou animada, como sempre.
–Agora vem aqui, para eu colocar isso em você. -pediu Nathan se aproximando com o capacete até estar a menos de três passos de distância de Cath. Quando estava pronto para colocar, ela franziu as sobrancelhas.
–Ei! Por que eu sou a única que vai usar capacete?
–Porque você não gosta muito de motos. -Anne explicou.
–E também, porque é mais seguro.
–Não precisa. -Cath disse, afastando o capacete de perto do seu rosto- Confio em você.
–Devo dizer que me sinto muito lisonjeado com o elogio, mas isso não vai me fazer mudar de ideia.
–Isso não é justo. Vocês estão indo sem capacete, quero ir também.
–Catherine. -falou sério, a fazendo parar com o que quer que ela fosse retrucar- Isso daqui não é uma discussão. Você vai de capacete porque sim, é para sua própria segurança. Pelo menos na primeira viagem, depois, se você não quiser mais usá-lo, tudo bem, nós aceitaremos sua decisão.
Ela desviou o olhar de Nathan para Anne e ele sabia que um debate mental estava acontecendo naqueles poucos segundos. Até que ela puxou o capacete de suas mãos e colocou rapidamente, sem tomar o cuidado de tirar os fios loiros do rosto. Talvez a irritação de mais cedo ainda estivesse um pouco presente.
–Calma ai, garota. -pediu com o sorriso de lado, enquanto, com seus longos dedos, a ajudava a tirar os fios de cabelo que ficaram presos na frente do rosto dela.
Houve um momento, naqueles poucos segundos de contato, que Cath ergueu os olhos para encará-lo e ele não conseguiu tirar seus dedos de cima do rosto dela. Sabia que já tinha tirado todos os fios desarrumados, mas mesmo assim continuavam naquela situação.
Novamente, o episódio da cozinha voltou a sua cabeça e seu olhar se direcionou à boca de Cath. De onde vinha aquela vontade irritante e completamente louca de beijá-la? Ele nunca tinha pensado em Cath daquela maneira, nem ao menos uma vez. Nem mesmo nas inúmeras vezes que seus amigos curtiram com sua cara por nunca ter ficado com Cath, afinal, nas palavras deles, a irmã dele tinha uma amiga "gostosa" que vivia em sua casa e o mínimo que ele poderia fazer era dar uns amassos nela. Mas não, ele não pensava nela dessa maneira, porque para ele, ela sempre fora uma segunda irmã.
Não pensara nela daquela maneira nem mesmo, quando em uma noite, ela voltara, com Anne, bêbada de uma festa, completamente sem blusa, apenas com o sutiã preto aparecendo. Lembrava que seu primeiro instinto fora tirar a própria blusa para cobri-la e protegê-la do frio, apenas depois que ele reparara que os seios de Cath eram maior do que ele pensava.
E agora, depois de todo aquele tempo sem vê-la daquele modo, passara a nota-la por causa de uma porcaria de uma festa? Isso era mesmo verdade?
Não. Não tinha sido por causa da festa.
Tinha sido por causa daquele maldito beijo que ela dera com o albino ridículo. Tinha sido por causa daquele maldito gemido que ela soltara na sua frente. O maldito gemido que, por caso, o irritava até mesmo naquele momento.
Ele passou a começar a vê-la de maneira diferente porque desejou, como nunca havia desejado antes, que fosse ele a pessoa que ela estivesse beijando e que fosse por causa dele que ela tivesse soltado aquele gemido.
Na hora, culpou a bebida, mas ele não havia bebido, não é mesmo? Então, culpou o ambiente que estavam. Aquela festa realmente tinha um som muito alto e poderia ter atrapalhado algo na sua sanidade.
Porém, naquela hora da cozinha, em que eles estiveram tão próximos, ele só conseguia pensar em beijá-la e o aquilo não saia de sua cabeça. Ela estava irritada e ele queria beijá-la. Ela soltava algum comentário irônico e ele queria colocar sua mãos na cintura. Ela ria e ele tinha vontade se inclinar.
Ela devia estar ficando completamente louco, porque aquela era a mesma garota que havia crescido ao lado da sua irmã.
Por deus! Ela era como uma irmãnzinha!
Só que não era.
Nathan sabia que se ela não o tivesse parado naquele momento, com a mão em seu peito, ele teria continuado a se inclinar, até estarem se beijando. Ele teria colocado a mão em sua nuca e se aproximado até não ter mais nenhum espaço disponível entre eles. Teria aprofundado o beijo da melhor maneira que ele sabia fazer, e isso era grande coisa porque ele era realmente bom no que fazia, e pensado nas consequências apenas depois.
Talvez tenha sido melhor assim, pensou. Mas agora, olhando para Cath que tinha as sobrancelhas franzidas de confusão e um pequeno, e ele sabia, inconsciente, bico de reflexão, Nathan duvidou de seu próprio pensamento. Ele queria beijá-la. Agora. Naquele exato momento.
Ela é como se fosse uma irmãnzinha para você, algo falou de dentro da sua cabeça e foi o bastante para fazê-lo voltar para a realidade.
Qual era o problema dele? Ela era como se fosse uma segunda irmã para ele! Pensar em Cath daquela maneira era errado de tantas inúmeras formas que ele se irritou consigo mesmo.
Nathan balançou a cabeça e tirou rapidamente seus dedos de rosto de Cath, levando-os para o fecho do capacete, tomando o cuidado de apertar, mas não ao ponto de machucá-la. Depois, ao criar coragem, olhou para sua irmã.
Anne tinha levantado o próprio óculos e encarava os dois, calada. Os olhos verdes ora encaravam as mãos de Nathan, ora encaravam seu próprio rosto. Quando ele a encarou de volta, pôde receber um sorrisinho bem discreto de lado.
Era apenas um sorriso normal. Porém, enquanto Nathan subia na moto e esperava Cath se ajeitar as suas costas, algo em sua mente fervilhava.
Era mais que um sorriso normal, era como se Anne soubesse de tudo que havia se passado pela mente de Nathan naqueles segundos e risse de sua situação. Risse pelo que ele estava se metendo. Era como se Anne estivesse rindo do grande problema que Nathan sabia que se meteria se continuasse pensando besteiras toda vez que encarasse a boca, ou as maravilhosas pernas de Cath.
Mas não tinha como ela saber. Tinha?
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