Notas iniciais
Uma fic curtinha, uma ideia que surgiu do nada.
Só via ter dois capítulos, mas o próximo só será postado quando a foto de capa também o for (assim que conseguir instalar o programa).
Boa leitura.

O telefone tocou de Sasuke tocou.

_Sim?

E do outro lado escutou uma voz feminina.

_Sim. Sasuke?

_Sim. Quem fala?

_Não conheces a minha voz?

_Não consigo identifcar. Quem fala?

_Bem, foi realmente fácil para ti esquecer-me. Parece que não significamos nada...

_Sakura?

_Olá...

_Que surpresa ligares-me. Para quem dizia que me queria esquecer para sempre...

_Vais ofender-me? Eu desligo.

_Força, querida. Quem ligou foste tu.

_Não, espera, eu não vou desligar. Desculpa. Estou aborrecida, só isso.

_Está bem. E o que queres?

_Nada. Só queria ouvir a tua voz.

_Só? Já ouviste. Mais alguma coisa?

_Espera, pára de ser agressivo comigo. Não, desculpa, não desligues. É que estou a sentir-me muito sozinha.

_Foste tu quem quis assim, querida. Prova do teu próprio veneno.

_Realmente, tu não mudas. Só sabes acusar...

_Bem, vou desligar. Adeus...

_NÃO! Pelo amor de Deus, não desligues, espera. Preciso de te dizer uma coisa...

_Diz logo, Sakura. Tenho de trabalhar.

_Eu estava errada. Perdoa-me.

_ERRADA? Estavas errada? Tens a certeza? Será que não é um pouco tarde para dizeres isso?

_Mas eu agora reconheço...Por favor, amor. Perdoa-me!

_Agora? Depois de acabares comigo, querida? Até hoje sou apontado pelo papelão que me fizeste passar...Convites distribuídos, comida encomendada, viagem paga, o meu casamento contigo, tudo perdido... – Sasuke suspira. – Sofri, sofri mesmo. Queria matar-te! Bolas, porque tive de te amar? Mas tudo bem. Já se passaram dois anos. Meu deus, dois anos...

_Sasuke, pelo amor de Deus, perdoa-me.

_Para que queres o meu perdão? Nem me ligaste para dizer que já estavas com outro. Para quê perdão? Vai viajar com ele, viver com ele, meu bem...Mas deixa-me em paz, por favor!

Sasuke chorava baixo.

É então que Sasuke percebe alguém na porta do escritório. Era ela. Sakura. Estava a olhar para ele. Falando ao telemóvel.

Sasuke fica perplexo, alegre e triste. Sasuke está linda, belíssimo, muito elegante. Mas o seu rosto está abatido, cansado e doente. Na mão tinha um saco. Aproximou-se da mesa de Sasuke e, com os olhos chorosos, desligou o telemóvel, olhou para ele e disse:

_Olá amor.

_Olá, Sakura. Para de me tratar por amor. Estás péssima.

Cabisbaixa, Sakura começa a tirar do saco algumas coisas: uma caixa de correio com um CD, que Sasuke lhe havia entregue como presente de aniver´sario, uma boneca de porcelana numa casinha de papel, um telemóvel, alguns livros devocionais, uma bíblia e um pacote de fotografias.

Sasuke observava-a, perplexo, triste e via as lágrimas de Sakura a caírem na sua mesa. Cada objeto retirado era uma facada no coração sofrido de Sasuke. Algumas coisas foram bastante caras, e ele fizera um grande esforço para as pagar. Mas se era para Sakura, valeria a pena o esforço.

Quando tudo terminara, arrependera-se de tanto dinheiro desperdiçado.

_Pensei que tivesses deitado fora as coisas que te dei, Sakura.

_Eu nunca me esqueci de ti, Sasuke. Eu errei. Errei muito, perdoa-me.

Sasuke, um jovem advogado, lutador da vida, saba que Sakura poderia estar mentindo, como tantas outras vezes, quando namoravam e até quando estavam noivos. Mas havia algo diferente no olhar vermelho de Sakura.

_Porque viste aqui hoje, Sakura? Ficaste louca? O que te traz aqui?

Sakura suspirou, chorou, recompou-se e disse:

_Tenho cancro, Sasuke.

_Cancro? – Sasuke parou, ficou estático.

_Sim, amor. Vim despedir-me. Saí do hospital à força para falar contigo e para morrer em casa.

Sasuke não esperava por esta. Veio-lhe à memoria uma das discussões, onde Sakura, nervosa disse:

_”E então Sasuke? Que se lixe a igreja. Que se lixe o padre. Que te lixes tu. E se Deus achar que estou errada, que me castigue.”

Era como se a cena voltasse a acontecer na mente de Sasuke.

_Como, Sakura?

_Depois que te deixei amor, fui caindo no abismo. Afastei-me de Deus, fui viver com o Kakashi, abandonei Criste. Eu estava cega. Mas Deus amava-me, Sasuke. Se eu não fosse Dele, estaria mal, assim como o Kakashi, pronta para ir para o Inferno. Mas, por amor, Deus corrigiu-me. Ele repreende e castiga aqueles que ama. Ele ama-me, Sasuke. Estou doente. Mas estou bem, porque pude vir até ti e pedir-te perdão. Nunca fui feliz, nunca tive paz. Sai de casa 3 meses depois de começar a vida a dois. O Kakashi batia-me, e traía-me. Fugi.

_Ele não foi atrás de ti?

_O Kakashi foi assassinado, Sasuke. Por tráfico de drogas.

Sasuke estava perplexo.

_Sasuke, estou a voltar para Deus, estou a preparar-me para partir. Mas preciso de receber o teu perdão, amor. Sei que nunca irei compensar pelo que te fiz, mas...por favor...perdoa-me, amor!

Sasuke olhou para aquela mulher — outrora tão orgulhosa, ostentando tanta beleza, confiando tanto no seu corpo e na sua beleza, e agora, bonita ainda, mas notadamente pálida, enferma, cheia de hematomas nos braços, pescoço e pernas, e triste, profundamente triste, a implorar-lhe perdão para morrer em paz!

Cena patética! Ali estava quem Sasuke mais amara na vida, quem mais o fizera sofrer, a depender de uma palavra apenas, para morrer em paz!

"Hora da vingança", veio-lhe à mente.

Mas Sasuke era um homem crente, de bom coração, e seria incapaz de reter a bênção para aquela a quem tanto amara e que, infelizmente, ainda tanto amava e tanto o fazia sofrer...

_Queres que te perdoe, Sakura?

_Sim, pelo amor de Deus, Sasuke! Nunca mais tomei a Ceia do Senhor, nunca mais louvei ao Senhor com alegria, nunca mais fui membro de igreja, não aguento mais! Aceito as consequências, mas, por favor, diz que me perdoas!

Enxugando as lágrimas, refazendo-se, Sasuke olhou-a no fundo dos olhos, tomou as suas duas mãos, que estavam frias como as de um defunto, e disse, num terno sorriso misericordioso:

_Querida, estás perdoada desde o dia que te foste embora. Mas, se queres ouvir e sentir paz, ouve. Eu perdoo-te por tudo o que me fizeste. Estás livre em nome de Jesus.

Sakura tremeu. Gritou “aleluia”, sorriu, chorou e desmaiou.

O secretário de Sasuke veio ajudá-lo, e colocando-a no carro, levaram-na para o hospital. Sasuke ainda tinha os números de telemóvelde toda a família e ligou-lhes.

Uma hora depois todos estavam na receção do hospital. Tristes, aflitos e alguns desesperados.

Chegou o padre.

A família implorou-lhe que fosse até à UCI orar com ela. O padre, que conhecia Sasuke, olhou para ele e pensou, fechou os olhos em oração.

_Quem tem que entrar é o Sasuke. Vá lá, Sasuke. Eu conheço o diretor da UCI, pedirei autorização a ele – disse o padre.

_Eu, padre?

_Sim, filho. Ela é o teu amor.

_Foi, padre...

_Não, filho. Deus uniu-te a ela denovo, mesmo que seja na despedida.

Sasuke não sabia o que fazer. A família, desconsolada, chorava, mas a mãe, certa do que tinha que ser feito, empurrou Sasuke até a porta, dizendo: "Vai, filho, corre, antes que seja tarde!"

Ah, aquele corredor que dava para a UCI parecia não ter fim! Cada passo dado era uma lembrança: o primeiro beijo, o primeiro jantar, o primeiro por-do-sol juntos; o dia em que foram juntos à praia e que ele deu de presente a primeira rosa! O jantar de noivado, os telefonemas, tudo. Não sobraram recordações da tragédia, da traição, do desprezo. Na verdade quem ama guarda as más experiências num saco furado. E Sasuke fê-lo.

Vestido com a bata, a máscara e os sapatos de pano, entrou.

Lá estava Sakura, no número 6. Estava ligada ao respirador artificial, que funciona como um pulmão e faz um barulho horripilante. Estava linda, mas totalmente ligada a aparelhos, notadamente cansada, em coma, morrendo. Sasuke sentiu a sua dor. Chorou. Tremeu. Segurou forte a mão de sua amada.

Pensou em Cristo, que dera a vida pela noiva, pensou em Oséias, que aceitou a esposa adúltera novamente, pensou em Deus, que tantas e tantas vezes tratou a Jerusalém com compaixão. Quem era ele para não perdoar? Quem era ele para não acolher?

Então orou.

_Senhor, o que posso dizer? A minha paixão está a morrer! Ex-paixão, claro. Mas mesmo assim está a doer, Pai! E eu sou impotente diante de tudo isso! Estas máquinas, este cheiro de éter e de carnes inflamadas, este barulho infernal, meu Pai, o que posso dizer? Que deixe a minha paixão morrer em paz? Sim, Senhor, leve-a para a tua glória! Eu a amo! Mas sei que tu a amas mais do que eu! Abençoa a Sakura. Em nome de Jes...

Subitamente Sasuke pensou em completar a oração com o seguinte pedido:

_Mas, Senhor, se ainda houver um espaço para ela viver para ti, recuperar parte do tempo perdido, se na tua infinita misericórdia não for demais, por favor, Senhor, cura a tua serva. Ela já sofreu bastante, ela aprendeu, Senhor. Até eu, que fui o mais ofendido, já a perdoei! Por favor, Senhor, se der, devolve-lhe a vida! Mesmo que não seja pra viver comigo. E agora sim, em nome de Jesus. Amém.

Minutos depois...

_Por favor, avisem-me — disse Sasuke aos familiares de Sakura, quando chegou à receção. — avisem-me quando tudo terminar. Quero estar presente.

E foi embora.

Tirou a tarde para viajar, o seu hobby preferido: foi para uma cidadezinha próxima, ver o pôr-do-sol.

Notas finais
Capítulo final deve sair amanhã ao fim do dia, ou só quarta.
Beijocas e espero por comentários ;)
SaKaEternalLover.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.