Creepy World.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa é uma fic original apenas por falta de história. Eu queria fazer algo grande e interessante, mas me falta tempo e coragem, então ficou apenas uma one-shot chatinha ):
Boa leitura~~
– Sabe por que luzeletas não andam? – ela me perguntou com sua voz fina e rouca, porém extremamente melodiosa e doce, após me cumprimentar educadamente. Olá, viajante do espaço, bem vindo ao meu mundo dos sentimentos. Ela parecia segurar um riso escandaloso enquanto falava, mas pronunciou cada palavra com suavidade e maestria, deixando qualquer música parecendo um texto maçante e sem vida. Sem esperar minha resposta, que provavelmente não viria, ela respondeu – Porque elas são pernetas!
Ao invés do riso teatral e elevado que eu esperava, ela levou os dedos finos e delicados à boca, abafando uma risada baixinha e mágica, fazendo brilhos de todas as cores aparecerem à minha frente, querendo encantar ainda mais aquela cena.
Paralisado demais para ter alguma reação, eu apenas observei-a continuar a rir e falar sobre coisas que eu nunca imaginaria existir, coisas que eu não entendia.
Acho que se eu morresse naquele exato momento, seria a pessoa mais feliz do mundo. Se eu morresse, não haveria mais um depois, apenas aquele momento. Aquele magnificente momento. Se eu morresse, poderia ter a certeza de que vi a coisa mais angelical e ouvi o som mais sinfônico do mundo. Sentir-me-ia absolutamente completo e satisfeito com minha morte.
Mas eu não queria isso. Morrer significaria nunca mais vê-la, nem ouvi-la. Isso seria torturante demais para a minha covarde índole. Observá-la era tudo que eu queria, sem atrapalhar sua áurea encantada com as minhas palavras atrapalhadas e bobas.
Era tudo tão excepcionalmente perfeito que ofuscava qualquer traço de normalidade que pudesse haver no local. O simples brilho do luar caído exatamente sobre sua encantadora figura transformava-se em água seca, ondulando sob uma superfície inexistente, adentrando por uma das janelas com talhos dourados. Aquela era a única luz do pequeno quarto onde estávamos, antes de ela começar a rir. Quando o fez, minúsculos brilhos se espalharam pelo aposento, saindo de toda ela, misturando-se com a inexplicável luz do luar, deixando tudo mais colorido, mas não o suficiente para aplacar a vazia e fria escuridão restante, onde seu pequeno corpo não alcançava.
Ela usava um vestido volumoso, deixando-a ainda menor do que parecia. Era azul bebê, com muitos babados brancos em forma de laço, presos por flores rosa que pareciam se mover de acordo com seu riso. Abaixo da cintura, o vestido se abria como se fosse um coração posto de ponta cabeça, e o que o preenchia eram tutus coloridos – da cor do arco-íris –, que brilhavam alternadamente. De suas pernas muito finas, subia uma meia de renda prendida por uma cinta-liga à saia. Seu calçado era indescritível, pareciam apenas babados coloridos, mas era possível ver o formato pequeno de seu pé acima deles. Estranhamente, asas, que mais pareciam extensões dos babados, saíam dos lados de seu adorável sapato.
E seus cabelos, ah, o que era aquilo? Nunca, nunquinha mesmo, eu havia visto algo assim! Era azul, quase branco, e não era – ou não parecia – sólido. Ele... Não existia! Caía livremente sobre suas costas e também sobre a parte abaixo de si onde seu corpo não estava presente, sobre o ar. Mas seus movimentos eram tão vivos, tão leves, que pareciam ter livre-arbítrio. Eles, como todos os pequenos detalhes nela, brilhavam levemente, iluminando poucos centímetros ao seu redor.
Continuava a contar coisas engraçadas que eu nunca havia escutado, parecia falar para ninguém especial, apenas queria soltar o que estava dentro de si – que realmente saía, em forma de brilhos. Suas pernas agora estavam cruzadas, sentada em uma superfície que não existia, invisível.
Seu riso era realmente contagiante, sem me conter, ri junto a ela. Não havia mais nada que eu pudesse fazer sem estragar a situação.
- Você me encanta... – comentei baixinho, entre uma risada e outra, não contendo minhas palavras atrevidas.
Ela parou de sorrir e me encarou, com a expressão séria. Mas seus olhos estavam diferentes, eles expressavam o que não precisava ser dito: Estavam agradecidos. Segura de cada movimento, ainda com os olhos amendoados agradecidos, ela apoiou as mãos em uma superfície que eu não via, descruzou as pernas e me olhou decidida.
No segundo seguinte, como mágica, o quarto onde estávamos sumiu. Tudo mergulhou em escuridão total, mas não era como se eu realmente me importasse com o fato de que não sentia mais o chão abaixo de mim.
Flutuando poucos centímetros à minha frente, lá estava ela. Eu poderia observar mais atentamente os detalhes de seu rosto de boneca, mas tudo o que eu enxergava eram seus olhos amendoados, quase verdes, brilhando, formando diversas imagens que se moviam desesperadamente, querendo sair.
Ela se aproximou teatralmente, como se soubesse que cada movimento seu era uma batida a menos no meu frágil coração. Me deixando descrente da situação, ela encostou levemente seus lábios na ponta de meu nariz.
O que eu senti, não pode ser descrito nem a metade em palavras.
Desespero.
Todo o desespero que já senti na vida, toda perda, cada lágrima que já chorei eu senti naquele momento, exatamente ao tocar de seus lábios. Quis chorar, gritar, correr, mas só o que consegui foi ficar estático, sem conter pequenas lágrimas que caíram.
A última coisa que vi antes da escuridão total, foi pior do que senti. Vi um olhar triste, magoado, sozinho e ainda mais desesperado do que eu, pois aquele desespero não era momentâneo, aquilo era o que ela sentia sempre.
Senti que a culpa fosse minha.
Mas acordei no meu quarto gélido no meio da madrugada.
Notas finais
Obrigada pela atenção e por terem lido, até~~
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