Crazy Bout' You
38 Capítulo 38 - Heartbreaker
Notas iniciais
Peter acordou com o barulho do seu celular despertando. Abriu os olhos um pouco confuso com a decoração do quarto. O moreno olhou para o lado, vendo Wade ressonar e lembrando-se de que havia dormido no quarto de Loki porque sua cama já estava muito bem ocupada.
– Argh... eu vou matar aqueles dois... — dizia Peter se levantando da cama.
Wade bocejou, abrindo os olhos e encontrando um Peter furioso abrindo a porta do quarto com força para sair.
– Ei! Espera! Eu quero ver isso! — falou Wade se levantando às pressas.
Peter andava com passos pesados e calculados até o próprio quarto, mas não foi preciso abrir a porta, pois assim que ele se aproximara, ela se abriu cautelosamente revelando um Matt já vestido, provavelmente tentando sair escondido.
– Hã-hãm... — pigarreou Peter, fazendo Matt paralisar. — Volta.
Matt deu longo suspiro, voltando para o quarto. Wade deu uma risadinha maldosa e entrou junto do namorado. Peter olhou para sua cama, encontrando Harry ainda dormindo, provavelmente nú por baixo das cobertas. Suas cobertas. Sua cama.
– HARRY! — gritou Peter de uma vez, fazendo Matt, Harry e até mesmo Wade darem um pulo de susto.
Harry coçou os olhos atordoado com o jeito como fora acordado. Sua cabeça parecia que ia explodir e tudo parecia girar ao seu redor.
– Merda... qual o seu problema, Peter?
– Qual o meu problema?! — exclamou.
– Fala mais baixo — implorou Harry, tapando os ouvidos, enquanto fazia uma careta de dor.
– Não, você bebeu ontem porque quis, e saiba que hoje você vai pra aula, pra aprender a ser mais responsável. Agora o que eu quero saber é que merda deu em você, Matt, pra transar com esse idiota!
– Ei!
– Peter...
– Não — interrompeu -, quer saber? Deixa pra lá, eu prefiro nem saber.
– Ué, não é óbvio? Ele gosta de mim — disse Harry.
– Mas chegar ao ponto de ir pra cama com você, depois de tudo o que você fez pra ele, ainda mais bêbado daquele jeito, já é loucura.
– Peter, isso nem é da sua conta — rebateu Harry.
– Ah, é claro que é. Começou a ser da minha conta a partir do momento que os dois fizeram isso na MINHA cama!
Harry tentou segurar a risada, finalmente se dando conta de onde havia transado. É claro que ele se lembrava de boa parte do ocorrido, mas o detalhe de estar na cama de Peter nem lhe passara pela cabeça.
– Tá achando engraçado, é? — disse Peter, pegando um travesseiro e tacando na cabeça de Harry, que gemeu de dor.
– Peter! — repreendeu Matt.
– O quê? Vai defender esse pervertido agora? E não pense que eu esqueci que você também tem culpa no cartório!
– Será que dá pra você fazer alguma coisa? — indagou Matt para Wade.
– Eu? Nem pensar, depois sobra pra mim e eu tô adorando isso.
– Para, Peter! — dizia Harry se protegendo das travesseiradas do moreno.
– Ótimo — suspirou Matt indo até Peter e o afastando de Harry. Peter não era tão forte, então não fora uma tarefa tão difícil.
– Me solta, Matthew!
– Será que dá pra você se acalmar? Foi mal, eu nem reparei que foi na sua cama e o Harry tá de ressaca, alivia.
– Vocês dois vão limpar minha cama. Eu quero colchão, travesseiro e cobertas muito bem lavados!
– Justo — concordou Matt, soltando-o.
Peter cruzou os braços olhando para os dois com reprovação.
– E então? Vocês estão juntos agora?
– Não — riu Harry, revirando os olhos. — Vamos chamar isso de "fizemos as pazes", não vou mais implicar com o Matt.
– Pelo menos isso — falou Peter.
– Alguém viu minha cueca aí? — indagou Harry olhando para os lados.
Peter a pegou com certo nojo, jogando na direção de Harry que a vestiu rapidamente por baixo das cobertas antes de se levantar da cama.
– E você não vai faltar de novo, Harry!
– Você precisa parar de falar alto — disse Harry massageando as têmporas. — E também precisa parar de ser tão chato.
Harry saiu do quarto, indo tomar um longo banho enquanto Peter encarava a própria cama com nojo.
Wade observava um líquido branco que parecia ter secado no lençol e no colchão.
– Aquilo não é...?
– Não fala — disse Peter entredentes.
Matt naquele instante se sentiu extremamente constrangido, mas não se arrependia de nenhum minuto passado naquela cama.
oOo
Sam saía da sala de aula cabisbaixo, não havia ido muito bem num seminário que apresentara aquele dia e aquilo estava começando a irritá-lo. Ele sempre fora independente, até mesmo quando gostava de Chris. Apesar de ser estúpido o bastante para aceitar ser agredido pelos amigos do loiro, ele nunca deixara aqueles sentimentos interferirem nos seus estudos. Só que agora ele estava ali, péssimo pelo término com Harry, deixando toda aquela tristeza evidente até mesmo em aula.
A raiva que ele sentia naquele momento começava a se chocar contra o próprio Harry. Sam sabia que a culpa daquilo tudo era dele, mas era impossível não sentir raiva de Harry, por fazê-lo ficar tão triste e indisposto em relação à tudo.
– Ei, você!
Sam parou de andar, olhando para trás e encontrando Felícia no meio do corredor, indo até ele.
– Posso saber qual é o seu problema?
– Depende, o que você andou ouvindo por aí?
– Chris me contou tudo. Aquele idiota me pediu até para ajudá-lo com você.
Sam riu fracamente, revirando os olhos. Christopher não tinha nem coragem de agir sozinho, se fosse o Harry, já estaria no seu pé.
– Mas, para o azar dele eu sou team Harry. Então me diz, ele terminou mesmo com você?
– É claro que ele terminou. Eu o traí, eu fui fraco e burro, não pensei na hora de agir.
– Você não pensando? A coisa devia estar feia mesmo, tem certeza que não gosta do Chris?
– Tenho — suspirou Sam. — Ele conseguiu me seduzir, sabe? Era tudo o que quis um dia, que ele me notasse e gostasse mesmo de mim. Por um momento ele trouxe de volta tudo aquilo que eu senti por ele, mas vendo agora a pessoa que ele é, não me atrai mais. É estranho, é como se fossem só resquícios, sobras do que eu senti que agora ele já usou, acabou.
– Isso quer dizer que ele beija mal?
– Felícia!
– O quê?
– Você não entendeu nada do que eu disse, não é?
– Eu entendi, só não entendo como o Harry não veio na sua cabeça na hora.
– Como eu disse, eu não estava pensando, ninguém parece me entender em relação a isso, então esquece. Eu só entendi que o Chris nunca vai ser bom pra mim, não importa o que ele sinta agora. Talvez ele tenha mudado, mas já é uma página virada há muito tempo.
– Que você resolveu voltar na pior hora.
– Exatamente.
Os dois andaram pelo campus um bom tempo, antes de se sentarem na grama perto do chafariz.
– Você não devia estar em aula, aliás? — indagou Sam.
– Não, hoje eu também tive seminário, saí mais cedo. Mas e então, o que você vai fazer?
– Fazer?
– Sim, sobre o Harry, você vai fazer alguma coisa, não vai?
– Não sei, tô com raiva dele.
– Você tá com raiva dele? — perguntou Felícia, desacreditando.
– Sim, hoje eu mal consegui fazer meu seminário, devo ter tirado uma nota horrível — resmungou.
– Não, para tudo! Samuel White não conseguiu estudar por causa de alguém? Meu Deus!
– Pois é.
– Então quer dizer que você ama ele?
– Eu não quero falar sobre isso.
– Você ama ele! — exclamou a morena, surpresa e um pouco histérica.
– Fala mais alto! — reclamou Sam sarcasticamente.
Felícia riu, balançando a cabeça em negação.
– Você precisa fazer alguma coisa.
– Sinceramente, eu duvido que ele me perdoe.
– É claro que ele vai, ele é louco por você. Você só precisa de um bom estímulo, precisa ser convincente e demonstrar muito arrependimento.
– Não entendi onde você quer chegar.
– Sam, você vai correr atrás dele, igualzinho como ele fazia com você. Vamos inverter os papéis.
– O quê?
– E não vem com frescura, você quer ele de volta ou não?
Sam encarou a morena com certo desespero. Correr atrás de Harry? Aquilo parecia um pouco demais, mas infelizmente ele tinha de concordar que tanto Harry quanto ele mereciam aquilo.
– N-Não sei...
– Você precisa é de um estímulo. Vamos pro refeitório almoçar, quem sabe quando você olhar pra ele não te bate uma coragem?
– Ah, não. Felícia, eu não quero ver ele agora, eu não o vejo desde o término.
– Melhor ainda, vamos logo! — dizia a morena puxando Sam para se levantar.
Sam tentava andar devagar para prolongar sua entrada no refeitório, mas Felícia o puxava com afinco. Ela se ofereceu a pegar os almoços, o que fez Sam suspirar em alívio, poderia ao menos ficar quieto na dele em sua mesa. Não encontrando ninguém na mesa Aesir, ele olhou para os lados vendo Hogun sentado na mesa das Bravatas junto de Jane. Chris sabe-se lá onde estava e Wade provavelmente sentaria com Peter.
Sam não se atreveu a olhar para a mesa do Vórtex, apenas baixou a cabeça, apoiando-a sobre os braços, e fechou os olhos, esperando por Felícia.
[...]
Na entrada do refeitório Peter e Harry discutiam sobre Matt, cujo ombro apoiava o braço de Osborn. Peter reclamava que os dois estavam juntos demais para apenas amigos. Aquilo desencadeou uma zoação de Harry sobre Peter, acusando-o de estar com ciúmes.
– Na boa, o que ele tem que vocês brigam tanto por isso? Ele nem vê vocês dois!
– Wade! — exclamou Peter, dando um tapa na cabeça do loiro.
– O quê? Tô mentindo?
– Outro ciumento — disse Harry. Matt riu, achando o comentário engraçado, motivo pelo qual Wade mostrou a língua para a Peter, fazendo-o cruzar os braços, zangado.
– Não fica assim, Pet, você sabe que é sempre muito bem-vindo para um ménage — zombou Harry.
Matt deu uma cotovelada na barriga de Harry e Peter encarou o amigo com severidade.
– Cala a boca — disse Peter.
– É isso aí, fiquem longe do Petey — disse Wade puxando o menor para mais perto de si.
Os quatro foram até a mesa do Vórtex, fazendo com que um relutante Wade fosse pegar os almoços junto com Ian, que já estava na mesa quando eles chegaram. Peter olhou ao redor do refeitório, observando o movimento do lugar até que seu olhar foi parar na mesa Aesir, onde Sam, de cabeça baixa, se apoiava na mesa, quase dormindo.
– Harry...
Harry olhou na direção onde Peter indicava, encontrando o garoto agora levantando a cabeça e olhando ao redor até encontrar Felícia, que voltava com os almoços.
– Ele parece péssimo — comentou Peter.
– É pra ele estar mesmo — disse Harry, indiferente.
– Não devia falar assim — falou Peter.
– Queria ver se fosse o Wade te traindo, se você iria pensar assim.
– Ele ainda gosta de você.
– Problema é dele, foi ele quem escolheu isso.
– Ele podia estar confuso na hora — argumentou Matt.
– Até você? — indagou Harry, indignado.
– Esquece, Matt, ele tá certo — rendeu-se Peter. — E é ele quem sabe o que quer da vida, pelo menos a amorosa.
– Até que enfim! — disse Harry suspirando, aliviado.
O loiro mirou mais uma vez para a mesa da Aesir, sendo encarado de volta por Felícia e Sam. Ele desviou rapidamente o olhar, colocando o braço sobre o ombro de Matt de propósito.
[...]
– Ele não parece muito próximo daquele cara de óculos, não? — indagou Felícia, desconfiada.
– Eu não entendo...
– O quê?
– Harry odiava aquele cara.
– Jura? Então você tem chances! Quero dizer... não que o Harry te odeie agora... ãhn... deixa pra lá.
Sam revirou os olhos, quase desistindo de ter Felícia Hardy como conselheira.
– Ele é bem gato, né? O de óculos escuros. Você conhece?
– Parece ser um amigo de infância do Peter que o Harry odiava. O nome dele é Matthew Murdock.
– Será que eles estão juntos?
– Por quê? Gostou dele? Vai mudar de time? — zombou Sam.
– Não, seu babaca. Mas ele pode estar com o Harry, sei lá.
– Seria no mínimo surreal, levando em conta que ele o odiava.
– Você também odeia o Chris e beijou ele — alfinetou a morena. — E falando no maldito...
Sam não se deu ao trabalho de olhar para trás, já imaginava quem estava vindo.
– Seu namorado supera rápido, não é? — perguntou Chris sentando-se ao lado de Sam.
– Vai se ferrar.
– Delicado como sempre — sorriu o loiro apertando o queixo de Sam.
Sam deu um tapa na mão de Chris, fazendo-o gemer ao sentir a ardência do impacto.
– E aí, o que você acha? — indagou Felícia ainda encarando Harry.
– É claro que ele tá pegando o cara — disse Chris os encarando também. — Quem é ele, afinal?
– Sam disse que se chama Matthew. Ele é bonito, não é?
– Gostei dos óculos, mas não tá tão claro assim — comentou Chris.
Sam e Felícia se encararam prestes a rir, mas com um olhar cúmplice decidiram não dizer a Chris o detalhe da cegueira de Matt.
– Ih, acho que a coisa tá esquentando ali — disse Felícia.
Sam observou a mesa por fim, encontrando Wade e Ian junto deles agora. Harry ria de alguma coisa com Matt. Ele baguncou os cabelos de Matt, logo em seguida sorrindo enquanto encarava os lábios dele. Sam franziu a sobrancelha, confuso com toda aquela intimidade que agora eles pareciam ter. Antes de Harry fazer o que Sam achava que ele faria, ele o encarou. Sam segurou a respiração, nervoso. Harry contraiu um pouco a boca, o encarando de modo vingativo antes de desviar o olhar e selar os lábios aos de Matt.
– Filho da puta — soltou Felícia encarando a cena, boquiaberta.
Sam ficou um tempo paralisado, chocado demais com aquilo. Ele observava os lábios de Harry se moverem contra os de Matt com certo reconhecimento. Nenhum deles parecia surpreso com aquilo, então já havia acontecido antes. Sam se negava a acreditar que Harry já havia ficado com outro em questão de horas após o término.
Levantou-se da cadeira, saindo da mesa e daquele lugar o mais rápido que podia. Felícia largou o próprio almoço também, deixando Chris para trás e seguindo o amigo.
[...]
Na mesa do Vórtex, enquanto beijava Matt, Harry observava a reação de Sam, sentindo-se mal ao vê-lo sair quase correndo do refeitório. Ao encerrar o beijo por fim, Harry foi imediatamente rechaçado pelos olhares reprovadores de Peter e Wade.
– Você é ridículo — falou Wade.
– É claro que você vai defender o seu querido "Sammy", não é? Novidade — disse Harry revirando os olhos.
– Não é só pelo Sam, não tá vendo que o Matt gosta de você, seu idiota? — disse Peter.
– Não tem problema, eu...
– Não defende ele, Matt — interrompeu Peter.
– Não estou defendendo, eu só...
– Você devia ter vergonha de ser tão infantil e cruel.
– Será que dá pra parar de interromper ele?! — disse Harry aumentando o tom de voz.
– Gente... calma — disse Ian, que apenas observava tudo.
– Vê se abaixa o tom quando for falar com o Petey.
– Eu falo do jeito que eu quiser, eu já beijava o seu namoradinho antes mesmo de você pensar em fazer o mesmo — provocou Harry.
Wade se levantou da cadeira, pronto para dar um jeito no sorrisinho imbecil de Harry, mas Peter puxou o seu braço o fazendo se sentar novamente.
– Você tá rindo?! — indagou Wade à Matt de modo ameaçador.
– Não — disse Matthew, disfarçando com a mão direita em cima da boca.
Harry riu, sem nenhuma cerimônia em disfarçar de Wade.
– Não ri, não, o que você fez foi errado — falou Matt.
– O quê? Achei que estivesse do meu lado — resmungou Harry.
– Eu não ligo de você ficar me beijando, eu já disse que não crio expectativas. Mas, pelo que parece, fez isso pra provocar o seu ex. Pagar na mesma moeda não vai te fazer melhor do que ele, você só está se rebaixado.
– Até que enfim alguém sensato — disse Peter.
– Não ligo de me rebaixar ao nível dele, eu quero que ele sinta o que eu senti.
– O que você sente — corrigiu Peter.
– Você ama de um jeito bem estranho, Osborn — resmungou Wade.
Harry perdeu a paciência com aquele assunto, levantando-se da cadeira e levando Matt consigo antes de sair dali.
[...]
Felícia havia achado Sam em frente à Aesir, sentado na porta da república com a cabeça pousada sobre os joelhos e os braços escondendo-o. Ela se aproximou aos poucos, abaixando-se e notando que ele chorava, mesmo que não emitisse som algum.
– Não acredito que estamos passando por isso de novo, Sam.
– Sai daqui — disse com uma voz embargada.
– Você precisa parar de chorar e fazer alguma coisa. Não acha que já chorou o suficiente com o Chris? Ele nem merecia as suas lágrimas. Talvez o Harry mereça, mas você podia fazer muito melhor. Podia levantar daí e dar um jeito de recuperá-lo antes que esse Matt o ganhe.
– Ele não é um prêmio, Felícia.
– Você me entendeu — suspirou a morena.
– Eu odeio ele — disse Sam, magoado.
[...]
– Dá pra acreditar? Agora eu que sou o "vilão" da história. Aqueles dois só sabem julgar também — dizia Harry, nervoso.
– Certo você não agiu — devolveu Matt dando de ombros.
– Nem errado. Eu não estou mais namorando, eu fico com quem eu quiser, independente do Sam estar olhando ou não.
– Não vem dar uma de vítima porque você fez de propósito — falou Matt.
– Fiz mesmo, e faria de novo.
Matt deu uma risada nasal, balançando a cabeça em negação.
– O Chris estava sentado do lado dele, disso ninguém fala. Isso sim é muita cara de pau, depois do que ele me fez.
– Você está mesmo apaixonado por ele, hein.
– Cala a boca, não te trouxe junto pra concordar com o casal vinte.
– E você quer que eu fale o quê? Eu não conheço esse Sam direito pra poder julgar. Além dos fatos, eu preciso do histórico de ambas as partes para definir quem é culpado ou inocente.
– Falou o advogado — zombou Harry.
[...]
– Vamos, levanta daí.
Sam levantou-se, enxugando as lágrimas.
– Você não chorou isso tudo porque odeia o Harry, então vamos pular a parte do "odeio ele" para o que interessa. Você vai ou não fazer o que eu disse?
– Eu não sei fazer isso, Felícia.
– Ah, não sabe? E aqueles tempos que você se deixava apanhar pela companhia do Chris?
– Eu não sou mais daquele jeito.
Felícia bufou, se irritando com a relutância do moreno.
Naquele momento, Harry e Matt se aproximavam do Vórtex. Harry pôde notar mesmo de longe os olhos meio avermelhados de Sam o encarando, isso significava que ele havia chorado. Ele havia feito Sam chorar. Por mais que aquilo fosse de certa forma uma boa notícia — tanto pelo significado de Sam ainda gostar ele, quanto por seu plano ter dado certo em atingí-lo — ele não se sentia tão bem quanto gostaria.
Já Sam mal se importava em como ele devia parecer naquele momento. Harry ainda estava com Matt. Estava o levando para o Vórtex. O que tudo aquilo significava? Estariam mesmo juntos? Ele não queria saber, talvez fosse mesmo hora dele tomar uma atitude por Harry.
[...]
– Ele está aí, não está? — indagou Matt despertando Harry.
Harry parou de prestar atenção em Sam, pegando sua chave e abrindo a porta da república por fim.
– Esquece ele — disse Harry, mais para si mesmo do que para Matt.
Ao fechar a porta atrás de si, Harry se virou, levando um susto e ao mesmo tempo um certo prazer em ver a paisagem mais sexy que seu olhos podiam processar.
Ele vestia apenas uma bermuda, mostrando todo o peitoral e abdômen definidos. A pele era meio bronzeada, a barba rala e os cabelos longos e loiros. A visão do paraíso.
– Ãhn... oi?
– Eu realmente lamento que você não possa ver, Matt — comentou Harry não tirando os olhos do loiro.
– Você é o...
– Harry Osborn, a todo o seu dispor.
– Eu ouvi isso — disse Loki voltando da cozinha, encarando Harry de modo assassino.
– Ah... você é o Thor — disse Harry, entendendo.
– Sim — sorriu o loiro coçando a cabeça meio intimidado, enquanto Loki o encarava.
– Agora entendi porque não te vi hoje, espertinho — disse Harry de modo malicioso.
– Você não tem mais o que fazer, não? — indagou Loki.
– Tenho, o mesmo que você aliás. Vamos, Matt.
– Espera — falou Loki, fazendo-o parar no primeiro degrau. — Cadê o Sam?
– Terminamos.
– Como é que é?
– Ele me traiu com o ex — disse Harry como se não fosse nada, fazendo Loki o encarar confuso. — Já to cansado de dizer isso, ok? Só saiba que agora eu to de rolo com o Matt.
– Prazer — disse Matt, sendo logo puxado por Harry para que o seguisse até o andar de cima.
– Ele é igualzinho ao Stark — disse Thor balançando a cabeça em negação.
– Vou ter que concordar.
– É melhor a gente voltar pro seu quarto antes que mais alguém chegue.
– Nem pensar, eu preciso pegar a matéria com o Ian.
– Ah, Loki...
– Você não cansa, não? Estamos nessa há dois dias, perdi até aula só pra ficar com você.
Thor bufou, cruzando os braços. Loki revirou os olhos sabendo que ele ficara chateado.
– Para de fazer birra, olha o seu tamanho — zombou Loki.
– Ah, é? Pois então agora você vai ver — disse Thor num tom de voz vingativo.
Loki franziu o cenho, sentindo um frio na barriga.
– Não! — exclamou o moreno, sendo agarrado pelo loiro que o deitou no sofá da sala, ficando por cima dele e o impedindo de fugir.
– Não adianta, sou mais forte que você — sorriu Thor.
Loki se debatia, tentando escapar, mas era em vão. Ele nunca conseguiria se soltar de à menos que Thor quisesse soltá-lo.
– Ótimo, me leva logo — revirou os olhos.
– Hã-Hã, essa é a sua punição.
– Thor, me solta, alguém pode chegar.
– Essa é a graça — sussurrou o loiro.
Naquele momento, a porta da república se abriu mais uma vez, revelando um Ian boquiaberto com a cena no sofá.
– Que saco! — reclamou Thor.
– Eu disse — riu Loki.
– Seus safados! Pessoas sentam nesse sofá, ok? Vão caçar um quarto — falou Ian.
– Que tal você ir pro seu? — sugeriu Thor.
– Não, to falando sério, saiam já daí porque é hora do meu videogame.
– Ele tá zoando, né? — indagou Thor.
– Pior que não — disse Loki.
– Ei... ouviram isso...? — perguntou Ian olhando o vazio enquanto colocava a mão atrás da orelha.
– O quê? — indagou Thor.
"- Ah...!"
– Isso! — exclamou Ian, olhando para cima, assustado.
Thor segurou o riso, já entendendo do que se tratava, já Loki fazia uma careta desgostosa.
– É o Harry — disse o moreno -, ele está com um tal de Matt. Ele não odiava esse cara, aliás?
– Ah, é uma longa história — anuiu Ian.
Mais um gemido foi audível vindo do andar de cima, fazendo Ian fazer uma careta, enojado.
– Eu vou ter que colocar o volume do videogame no máximo pelo visto.
– Vai mesmo porque serão dois — disse Thor erguendo Loki de repente, carregando-o no colo.
– Ei!
– Maravilha — falou Ian ironicamente.
Thor subiu às escadas carregando um rendido Loki até o quarto. Ian ligou a TV aprontando o guitar hero no volume máximo. Ele só esperava que Peter e Wade não aparecessem com a mesma ideia, já que o único quarto disponível agora era o seu.
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