Crazy
17 Confissões
Notas iniciais
POV — Rose Weasley
– O que estamos indo fazer na casa de Al? — perguntei a Scorpius pela milionésima vez aquele dia.
– Você vai ver, é parte do plano de Alvo, mas todos só estão pensando no melhor para você.
– Espera! — disse arregalando os olhos — Você sabia qual era o plano o tempo todo e não me contou nada?
– Você iria se recusar a vir — disse ele parando em frente a casa da minha família e me encarando — Aah Rose! Você não está com raiva de mim está? Poxa, eu só quero te ajudar de verdade!
– Não estou chateado — disse bufando — Apenas surpresa, você poderia ter me contado.
– Ai você não viria.
– Talvez seja melhor eu não entrar mesmo — disse dando de ombros e ele saiu do carro dando a volta e abrindo a minha porta.
– Vamos lá, estão te esperando — revirei os olhos e peguei a mão dele saindo do carro e olhando para casa — Se você quiser eu te levo para casa, mas promete que vai pelo menos escutar.
– Escutar o que?! — perguntei irritada e Scorp tocou a campainha, segundos depois Lilían já estava na porta.
– Oi — ela disse sorrindo — Ela já chegou!
– Ela quem caramba? — perguntei e Lilían olhou para Scorpius e depois suspirou chegando para o lado de modo que eu pudesse vê-la. Hermione Granger, minha mãe, a mulher que me abandonará a treze anos estava parada do outro lado da sala.
– Deus — sussurrei apertando com força a mão de Scorpius e ele a acariciou como se para me confortar, não adiantou.
– Rose? — ela chamou e eu recuei — Como você está crescida, minha menininha.
– Foram treze anos — disse entre dentes — E não férias de verão.
– Eu sinto muito, senti tanto a sua falta — ela disse emocionada.
– Sério? — perguntei ironicamente — Porque não foi isso que me pareceu nos últimos anos. Nenhum telefonema ou uma carta. Nada! E eu nem sei o motivo. Ronald sempre disse que eu fiz algo errado, mas o que poderia ter feito? Só tinha cinco anos, como poderia ter sido minha a culpa de você ter partido? Mas levando em conta que você levou Hugo e me deixou, ele deve estar certo de fato.
– Não Rose, não é isso — ela disse parecendo estar em desespero — Por favor, me deixe explicar! Ou... ou pelo menos tentar.
– Tudo bem — disse friamente — É para isso que está aqui, não é?
– Seja paciente — disse Scorpius beijando minha testa e eu atravessei a sala indo para os braços de tia Gina que me guiou até o escritório.
– Querida, tenho certeza que você a entenderá.
– Como pode ter tanta certeza? — perguntei com as sobrancelhas arqueadas, ela abriu a boca para responder mas tio Harry e Hermione entraram fechando a porta atrás deles.
– Rose, entenda — ela disse já chorando — Eu não podia te levar comigo.
– Isso eu percebi — disse friamente demais, me assustei com minha frieza, mas não estava nem aí, afinal ela merecia — Agora que tal contar sua tão nobre decisão de largar a filha de cinco anos para trás. Faça-me entender isso!
– Eu não tinha sua guarda, Rose, não tinha! Como iria levar você comigo?
– Como não tinha minha guarda?! Você é minha mãe! E pelo o que eu saiba ele era o bêbado!
– Eu não sou sua mãe! — ela gritou e eu engoli em seco, ela afastou involuntariamente as lágrimas do rosto — Não sou sua mãe.
– O que você quer dizer com não ser minha mãe? — perguntei dando um passo para frente e tia Gina me abraçou fazendo com que eu sentasse em uma poltrona junto a ela.
– Seu pai e eu sempre brigamos, desde os tempos de escola — ela começou a dizer respirando fundo — Mas começamos a namorar e eu fui morar com ele depois de um tempo. Um dia brigamos feio, feio mesmo. Eu disse a ele que iria sair de casa e que nunca mais queria vê-lo que estava tudo terminado. Ele saiu de casa irado, ficou bêbado e passou a noite fora, só depois fui descobrir que ele tinha dormido com uma prostituta — ela dizia tudo e parecia se lembrar claramente de cada detalhe, como se tivesse acabado de acontecer e não a mais de dez anos atrás — E então, ela apareceu depois de alguns meses, dizendo que você era filha dele e que falaria tudo à família dele se ele não te aceitasse.
– Você quer dizer que? — perguntei assustada e ela balançou a cabeça afirmativamente, tapei a mão com as bocas e permiti que lágrimas grossas e solitárias escorressem por meu rosto.
– Eu te acolhi, te amei desde o primeiro momento, você era minha menininha, e eu te amava tanto Rose, tanto. Convenci seu pai a registrar você como minha filha e ele fez isso. Mas bebia cada vez mais e mais, ele passou a jogar na minha cara que você não era minha filha e eu passei a avançar nele falando o contrário, nossas brigas só pioraram com isso e depois de dois anos Hugo nasceu. Acho que ele pensava que eu iria largar um pouco de você quando seu irmão nascesse, sabe? Mas não foi o que aconteceu e ele ficou ainda mais irado. Ele passou a me bater, não suportava o fato de eu te amar tanto sendo que você não era nem minha filha de sangue, mas você era minha princesinha e eu não podia te deixar. E eu sabia que, se eu saísse de casa, não poderia te levar comigo. Então aguentei, aguentei por três anos até que ele... ele... — ela não conseguia mais parar de chorar e tia Gina parou de me abraçar e foi até ela.
– O que ele fez? — perguntei chorando — O que ele fez em seguida?
– Ele tentou matá-la Rose — disse tio Harry, suas mãos fechadas em punho — Chegou a apontar uma arma para ela. Eu queria denunciar, mas ela não deixou, então tirei vocês duas e seu irmão de lá. Mas ele veio atrás de você, e tivemos que deixar ele te levar, mas o fiz prometer que não tocaria em você e que iríamos poder te visitar. Ele não queria Hermione perto de você, continuou a ameaçando e eu a mandei para França junto com Hugo, eu e Gina íamos te ver todos os dias, conferir se estava bem. Hermione tentou voltar e te ver quando você fez doze anos, mas ele não deixou, então ela voltou para França e ficou lá até Alvo, James, Dominique e Scorpius irem atrás dela e dar a notícia que ele morreu.
– Eu voltei assim que soube, Rose — ela disse chorando e eu me levantei indo até ela e me ajoelhando em frente a sua poltrona.
– Eu sinto muito que teve que passar por tudo isso por minha causa — disse e ela balançou a cabeça negativamente.
– Nada disso é sua culpa, eu fiz tudo isso porque quis e teria continuado se Harry não tivesse me tirado de lá. Fiz isso porque te amo.
– Eu também te amo — disse entre lágrimas — Mamãe.
Hermione me encarou com as sobrancelhas erguidas de surpresa e chorou ainda mais me abraçando.
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