Cravo & Canela
2 Capítulo 1 - St. Mungus
Notas iniciais
Já se completara uma semana desde que o Lord das Trevas fora derrotado de uma vez por todas. Os vestígios da guerra ainda surtiam efeito nos cidadãos da comunidade bruxa. O luto e o sentimento de perda ainda eram vistos por todas as partes. Perdas irreparáveis, inocentes foram mortos,muitos foram torturados ou mesmo morreram da pior maneira possível.
Por sorte, uma das poucas famílias que não foram devastadas, eram os Greengrass. Nenhum dos membros havia sido morto ou torturado a ponto de perder a sanidade, todos estavam respectivamente bem, exceto pelo patriarca, Publius Greengrass, que há uma semana fora torturado por um Comensal da Morte, ao tentar defender sua filha mais nova, Astoria. Por sorte, a moça conseguira salvar o tempo de ser torturado pelo feitiço Sectusempra . Valente e determinada, a garota de apenas quinze anos, não somente vencera um comensal , não só muito mais velho e experiente do que ela, como também conseguira levar o corpo do pai para o St. Mungus, claro que ela não aparatou, já que não é capaz de aparatar. Mas como levou-o para o hospital, nem ela mesma saberia responder.
Uma semana depois deste acontecimento, Publius ainda continuava no hospital. Ele já havia melhorado e muito, mas ainda assim os curandeiros achavam que era melhor mantê-lo em observação, pois acreditavam que algo poderia ter acontecido à ele.
O Sr. Greengrass estava sob efeito de uma poção sonífera -realmente forte-, que fez com que dormisse durante uma semana toda . Preocupadas com a saúde e a recuperação do bom homem, Helena, Daphne e Astoria revezavam-se em ir ao hospital para poderem acompanhar a evolução do quadro de saúde do Sr. Greengrass.
Era a vez de Astoria fazer companhia ao pai. Ela estava lendo a edição matinal do “ Profeta Diário”, cuja a manchete do dia era : “ Malfoy e família foram inocentados perante a Suprema Corte” , quando seu pai pigarreou baixo. Ela não percebeu que Publius havia acordado depois de tantos dias dormindo profundamente.
– Ham, Ham – O homem pigarreara alto, de modo que tirou a atenção da filha que estava absorta lendo o jornal. A jovem imediatamente reparou que ele estava agitado. Então, ela levantou e foi até a cama onde o encontraria.
– Papai? — Chamou Astoria, quando se aproximou da cama onde o senhor repousava. O encarou e percebeu que o pai não tinha os olhos abertos – Papai, o senhor acordou? – Cutucou-o levemente nas costelas e o homem que jazia no leito, remexeu-se.
– Acho que a senhorita já ouviu o som da minha voz, não? – Publius abrira os olhos lentamente. Seus olhos doeram quando abriu-os completamente por conta da claridade do dia que há tempos não via. Queria brincar com a filha, sempre adorou fazer isso com Astoria, pois ela sempre caía.Tolinha. – E pode concluir se estou ou não dormindo .
Publius gostaria de poder dormir mais, pois sentia-se cansado como se um bando de centauros tivesse passado por cima dele. Por isso estava tão agitado.
– Desculpe. – Dissera a garota.
– Tudo bem, como tudo aconteceu? Quero dizer, até onde lembro-me estávamos na guerra e eu fui torturado. Ai, minha cabeça dói ...- Disse ele, meio confuso.
– Sim papai, por sorte consegui tirá-lo de lá antes que Macnair o torturasse. – Astoria sentou-se a uma cadeira ao lado pai e antes que perguntasse por mais, ela logo tratou de lhe explicar tudo o que aconteceu – Voldemort fora destruído. Potter conseguiu vencê-lo e já se passou uma semana desde que tudo aconteceu. A grande maioria dos aliados do Lord das trevas foram mandados a Azkaban, muitos ficaram por lá até morrerem. Acredito que os únicos que se livraram de ir para a prisão foram os Malfoy.
Levou certo tempo até Publius Greengrass absorver todas estas informações. Astoria dizia tudo rápido demais.
– Eu dormi durante todo esse tempo?
– Sim. Os Curandeiros acharam melhor sedá-lo , pois queriam ter certeza de que não fora atacado ou torturado. – Explicou-lhe Astoria. A jovem garota estivera ao lado do pai desde que tudo aconteceu e passou vários dias ao seu lado, fazendo companhia a ele. – Mas nada disso importa mais papai e graças à bondade de Merlin, o senhor não foi mais uma das vítimas desta terrível guerra. – Ela se aproximou dele e depositou um beijo em sua testa. – Estou feliz que esteja bem.
O moreno sorriu. Adorava a companhia da filha mais nova e também adorava a maneira que ela o poupava de determinados assuntos. Claro, que perguntaria depois tudo o que acontecera enquanto dormia.
– Também estou feliz. E sua mãe e Daphne? Onde estão?
Antes que Astoria pudesse responder, a porta da enfermaria — que o Sr. Greengrass estava hospedado-, fora aberta. Um bruxo franzino, muito jovem, mas com boa aparência adentrara o local e fora em direção ao lugar onde se encontrava Publius.
– Fico feliz que o senhor acordou, Sr. Greengrass – Disse o Curandeiro pacientemente.
– Como o senhor soube? Ninguém foi lhe contar...- Esses dias que passou dormindo deixou Publius um pouco perturbado, era como se estivesse viajado para um lugar distante onde não tinha meios de se comunicar com os demais.
– Lancei um feitiço sobre a vossa senhoria – Disse o homem. – Com o consentimento de sua família, é claro. Que ao despertar do sono eu saberia que o senhor acordara. É uma nova política do St. Mungus.
– Ah, interessante. – Greengrass limitou-se a dizer.
Antes que Publius falasse alguma coisa, o Curandeiro logo foi dizendo:
– Dentro de um ou dois dias, creio eu, que já poderá voltar a sua casa. –Pye tirara os seus óculos de meia-lua – Sabe senhor Greengrass, teve muita sorte nesta batalha, o senhor e toda a sua família. Estou tratando de outras bruxas e bruxas que lutaram na batalha e muitos deles...Bom... Não há muita coisa que possamos fazer por eles. – Astoria achou aquele comentário desnecessário, porém nada disse.
– Obrigada senhor Pye. – Disse Astoria. – Por cuidar de meu pai.
Com um breve aceno de cabeça e com um sorrisinho de lado, Augustus Pye caminhou até a porta, retirando-se dos aposentos, antes de sair comunicara aos dois Greengrass que ali estavam que iria avisar a esposa e filha do senhor Greengrass que ele acordara.
No andar de cima onde encontrava-se Publius e Astoria Greengrass, Daphne e a mãe, Helena, bebericavam um pouco de chá verde com alguns biscoitos de chocolate, numa mesinha qualquer . Ambas estavam realmente cansadas e Helena, cuja aparência sempre fora impecável, trazia hoje uma expressão de cansaço e preocupação. Ela chorou muito ao longo desta semana, que foi muito tortuosa para ela e as filhas. O medo de perder seu amado marido era imenso e seu coração doía só de pensar que Publius poderia partir. Ele não estava em estado de risco, é verdade, mas ainda sim temia pelo marido.
Já Daphne estava apreensiva, queria muito que o pai melhorasse logo e fosse embora para sua casa. Ela tinha horror a hospitais e também sentia muita saudade de seu noivo, Theodore Nott. Sabia que o momento não era o mais adequado para pensar nele e sim em seu pai, mas ela de se preocupar com Theodore, afinal, a família do moço estava realmente abatida com o mandado do pai dele para a prisão.
– Filha, se quiser ir para casa descansar pode ir. Você está com uma aparência muito abatida. – Disse Helena para a filha.
– Não mamãe, vou ficar. Quero ver o papai bem. – Mentiu Daphne. Ela queria ver o pai bem, mas o seu horror a hospitais fazia com que ela tivesse vontade de sair correndo dali. Este ambiente doente lembrave-lhe morte. A Sra. Greengrass, que não percebeu que a filha mentira sorriu docemente e procurou a mão de Daphne e apertou carinhosamente em sinal de apoio.
Antes que qualquer uma das duas pudesse falar alguma coisa, o Curandeiro Augustus Pye — que cuidava de Publius-, adentrou a Sala de Chá para Visitantes, com um sorriso estampado em seu rosto. Aproximou-se da mesa onde se encontrava Daphne e Helena Greengraas para lhes dar a boa notícia.
– Sra. Greengrass, senhorita – Cumprimentou gentilmente. — Trago boas notícias. O Sr. Greengrass finalmente acordou.
Helena mal pode se conter em felicidade. Logo levantou-se, derramando chá em cima da mesa.
– Verdade? Como ele está? Posso ir vê-lo?
– Aparentemente está bem, ainda meio perdido por estar tanto tempo dormindo. Poderá vê-lo sim. – Pye disse sério. – Se quiser, podemos ir agora mesmo.
Daphne nada disse. Estava contente pelo pai e apreensiva pelo noivo. Assim como a mãe, levantou-se e ficou parada ao lado da mãe.
– Claro. – As duas loiras saíram marchando da sala, logo atrás delas vinha Augustus Pye. Desceram as escadas rapidamente e ao chegarem perto da porta da enfermaria, Benjamin Blavatsky, que fora fechada para atender somente o Sr. Greengrass, ouviram as vozes de Astoria e Publius. Helena e Daphne , seguidas do Curandeiro Pye, entraram e encontraram Publius e Astoria conversando. Sem muita cerimônia, Helena correu até a cama onde estava seu marido e sorriu ao vê-lo bem. Uma enorme onda de felicidade tomou conta de seu coração quando ele sorriu de forma carinhosa para ela.
– Como se sente, meu bem? – Perguntou-lhe.
– Bem. – Respondeu o moreno, ele ainda estava com as pálpebras dos olhos cansadas, eram uma canseira de ficar tanto tempo deitado sem poder fazer nada. – Poderia estar melhor ou poderia estar pior. Pye disse que estou bem e logo voltarei para casa. Não aguento mais ficar aqui sem fazer nada.
– Oh querido, você não muda mesmo, não é? – Ela inclinou-se para o marido e depositara um beijo em sua testa. – Astoria já lhe contou tudo o que houve? – A Sra. Greengrass lançou um olhar à filha, que estava de frente dela, do outro lado da cama.
– Em partes. Sei o porque de estar aqui, mas ela não me contou tudo o aconteceu.
– Melhor assim, não é hora nem o local para tratarmos deste assunto. – Disse.
Logo começara todo o ritual de beijos e troca de carinhos entre os Greengrass. Entre todas as famílias puro-sangue do mundo mágico, talvez a mais carinhosa fossem os Greengrass. Eles não tiveram nenhum tipo de laço com Lord Voldemort, embora prezassem os ideais elitistas do Lord. Eram bem vistos perante toda a sociedade bruxa por sempre serem discretos e terem uma opinião peculiar sobre tudo. Publius Greengrass nunca quis, de fato, aliar-se a Você-Sabem-Quem, pois sabia que ele acabaria perdendo um dia, mesmo que este demorasse e quando indagado por sua esposa e filhas porque nunca fora um partidário do lord ele sempre respondera “ Ele é cegado pelo poder que tem. E entrar nesta guerra ao lado dele quer dizer que iria perder o que mais prezo no mundo: A minha família” .
Apesar da fama de “moscas mortas”, a família mantinha ótimos contatos com as famílias mais poderosas da sociedade, dentre elas os Malfoy. Uma amizade que atravessou gerações e permanecera até mesmo depois da guerra. Os Greengrass sabiam que terrível reputação da família de Lucius Malfoy, ainda assim os laços afetivos entre eles permaneciam intacto. Pois sabiam que poderiam tirar proveito disso.
Enquanto no St. Mungus, Publius recebida todos os mimos possíveis, na nobre mansão Malfoy, em Wiltshire , a nostalgia prevalecia.
Em nenhum cômodo da casa era possível ouvir algum som, tudo permanecia em silêncio.
Exceto o arranhar da pena de Draco sobre os pergaminhos. O garoto estava a dias escrevendo cartas anônimas para seus ex-colegas, pedindo desculpas. Sabia que eles não entenderiam e muitos nem leriam uma carta anônima, mas o garoto precisava fazer aquilo, para que pudesse ficar de consciência um pouco mais tranquila.
Draco tinha de escrever e enviá-las rapidamente, pois logo sua mãe entraria em seu quarto e começaria a mimá-lo. Ultimamente, Narcissa, andava o paparicando mais que o normal, talvez fosse pelo fato de que ela temera muito em perdê-lo.
Não demorou muito e Draco despachou algumas corujas.
Quando despachou a última coruja, sua mãe adentrou em seu quarto. Trazia um leve sorriso formado nos lábios e uma expressão de carinho no rosto.
– Draco, querido. Venha, vamos tomar chá... – Disse ela, aproximando do filho que se levou da escrivaninha. Percebera que Draco não estava mais tão abatido. Já não era sem tempo, pensou. O garoto ficara extremamente atordoado após a batalha e se culpava por tudo o que aconteceu e Narcissa não gostava nada desse sentimento de culpa do filho e tentava ao máximo fazer com que ele deixasse o passado para trás.
– Claro, mãe. – Limitou-se a dizer.
– Papai não virá? – Draco sentou-se em uma poltrona de frente a mãe.
– Não, querido. Ele está trancafiado naquele escritório e não há Merlin que o tire de lá. – Narcissa serviu-se de chá verde com alguns biscoitos.
Draco odiava tomar chá sozinho com sua mãe, pois ela sempre falava de assuntos que para o garoto eram banais. Mas ele nada dizia a mãe para não magoá-la, sabia que era importante para Narcissa.
O garoto beliscou alguns biscoitinhos de chocolate feitos pela mãe. Enquanto Draco fingia que prestava atenção em tudo o que Narcissa falava, ele estava mais interessado em contemplar o chão de mármore da sala de visitas.
– Draco, está tudo bem? – A Sra. Malfoy percebera da desatenção do filho.
– Hã? Está sim. Só estou um pouco ....
Ele mal teve tempo de completar a frase, pois um pio de coruja fora ouvido vindo da janela. A Sra. Malfoy fora até a janela e tirou da perna da pequena coruja o pequeno pergaminho que ela trazia. Abriu- a e leu lentamente:
“Queridos Lucius e Narcissa,
Venho por meio de esta pequena carta informar lhes que Publius está bem e que amanhã mesmo saíra do St. Mungus. Graças a Merlin ele passa bem. Narcissa, obrigada por suas flores e sua carta. Suas palavras acalmaram-nos um pouquinho. Sei que você, Narcissa, e Publius são realmente muito amigos e ficaríamos contentes que viesse vistá-lo amanhã. Assim que sair do hospital. Lucius e Draco também estão convidados.
Com carinho,
Helena Greengrass"
Narcissa ficara muito feliz com o que leu. Era bom saber que ainda tinha amigos mesmo depois de tudo o que houve.
E assim como combinado no outro dia. Lucius, Narcissa e Draco foram vistar os Greengrass.
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