Notas iniciais
Boa leitura!

Caminho até a cozinha com a maior velocidade que ouso. Os cozinheiros estão para lá e para cá fazendo seus serviços. Estão tão ocupados que mal prestam atenção em minha movimentação.

Caminho até o enorme fogão em que um caldeirão maior ainda esquenta alguma coisa. Mas é o fogo que me interessa. Vejo o dragão deitado no meio das chamas. Ele está assustado, mas assim que estou perto, ele se acalma. Tento fazer sinal para que ele venha até mim e se esconda no meu vestido. Depois do que parece ser uma eternidade, ele entende.

Rapidamente ele sai do meio das chamas, suas escamas não estão em fogo, e entra na barra do meu vestido:

— Senhorita Areaes, o que faz aqui? – pergunta o Chefe Bernard.

— Eu vim ver o que terá para o almoço.

— Senhorita... – ele inclina a cabeça para a direita e me encara com um sorriso divertido. – Eu te conheço um pouco mais que isso.

Reviro os olhos:

— Tudo bem, eu estou fugindo daqueles dois.

—Sua mãe te pegou não foi?

— Ainda não acredito que não vi esse golpe chegando.

Escuto o som de sapatos de salto se aproximando. Vou para perto da dispensa e me escondo da pessoa que chegou:

— Algum de vocês viu Luna? – pergunta minha mãe. Sua voz não demonstra raiva, mas sei que ela está explodindo por dentro.

Um coro de nãos se eleva e escuto-a suspirar:

— Se algum de vocês a vir, pelos deuses, digam que eu quero vê-la.

— Sim senhora. – responde o Chefe por todos os outros.

Depois de alguns minutos, ele faz sinal para que eu saia. Seu rosto é uma máscara de preocupação:

— Dessa vez você está muito encrencada.

— Ela vai me matar. – digo, já aceitando meu destino.

— Provavelmente. – diz ele com um sorriso. – Acho que você deveria ir de uma vez para evitar sofrimento.

— Se eu sobreviver, venho roubar outra tortinha. – digo me afastando.

Pego uma das tortas de morango feitas para depois do almoço e me distancio da cozinha. Andar com Chad é até que fácil.

Encontro minha mãe perto da sala de música, assim que ela coloca os olhos em mim, vejo o brilho da raiva. Ela está muito, muito irritada. Seus passos são controlados, e sua postura continua perfeita. Ela é uma dama, e nada no mundo poderá mudar isso:

— Luna. Precisamos conversar.

— Mãe.

Ela me segura pelo braço e me puxa em direção a sala de música. Tenho dificuldade para acertar meus passos com os de Chad.

Assim que entramos, ela me manda sentar e fecha a porta. Ela continua segurando a maçaneta, sem me olhar:

— O que você espera para seu futuro Luna? – sua voz sai tão calma que eu a preferiria gritando.

— O que?

Ela se vira e se senta na cadeira à minha frente:

— O que você espera para seu futuro?

— Eu... Eu não sei. – digo sinceramente.

— Exatamente. – ela segura minhas mãos entre as dela, e as encara como se fossem as coisas mais impressionantes do mundo. – Eu e seu pai não seremos eternos, e mesmo a sua beleza um dia acabará. O legado da nossa família está em suas mãos e nas do seu irmão. Precisará encontrar um marido Luna, e ainda precisará ser fértil. Precisa de um herdeiro.

_ Mãe, eu...

— Eu não terminei. – sua voz é cortante como gelo, e ela levanta os olhos, me encarando. – Esses dois rapazes que estão aqui são os únicos que poderão manter sua condição de vida, e eles são os únicos que aceitam seu amor pela espada. Então, por favor, tente. Pelo menos tente se entender com um deles.

_ Entender? Mãe, você lembra o que Skins fez no baile? Ele me...

Ela faz sinal para que eu me cale:

— Eu sei o que ele fez, e ele foi punido por isso. Por você e pelo pai dele. Não fique remoendo o passado.

—Mãe...

— Essa conversa está encerrada Luna, vá encontrar aqueles rapazes.

Faço uma reverência e me afasto dela. Pelos deuses, como ela consegue ser tão insuportável. Quando ela vai entender que eu não sou como ela? Eu não nasci para sentar em uma sala e tricotar e conversar com mulheres que depois falarão mal de mim. Meu corpo clama por ação e a espada é uma extensão do meu braço.

Devolvo Chad para o quarto e dessa vez tranco a porta e a janela.

Fecho meus olhos e me encosto à madeira da porta. Eu posso fazer isso. Abro um sorriso e volto para o meio daqueles dois idiotas.

Caminho até a cozinha com a maior velocidade que ouso. Os cozinheiros estão para lá e para cá fazendo seus serviços. Estão tão ocupados que mal prestam atenção a minha movimentação.

Caminho até o enorme fogão em que um caldeirão maior ainda esquenta alguma coisa, mas é o fogo que me interessa. Vejo o dragão deitado em meio às chamas. Ele está assustado, mas assim que chego perto, ele se acalma. Tento fazer sinal para que ele venha até mim e se esconda no meu vestido. Depois do que parece ser uma eternidade, ele entende.

Rapidamente ele sai do meio das chamas, suas escamas não estão em fogo, e entra na barra do meu vestido.

― Senhorita Areaes, o que faz aqui? ― pergunta o chefe Bernard.

― Eu vim ver o que terá para o almoço.

― Senhorita... ― Ele inclina a cabeça para a direita e me encara com um sorriso divertido. ― Eu te conheço um pouco mais que isso.

Reviro os olhos.

― Tudo bem, eu estou fugindo daqueles dois.

― Sua mãe te pegou, não foi?

― Ainda não acredito que não vi esse golpe chegando.

Escuto o som de sapatos de salto se aproximando. Vou para perto da dispensa e me escondo da pessoa que chegou.

― Algum de vocês viu Luna? ― pergunta minha mãe. Sua voz não demonstra raiva, mas sei que ela está explodindo por dentro.

Um coro de nãos se eleva e escuto-a suspirar.

― Se algum de vocês a vir, pelos deuses, digam que eu quero vê-la.

― Sim, senhora ― responde o chefe por todos os outros.

Depois de alguns minutos, ele faz sinal para que eu saia. Seu rosto é uma máscara de preocupação.

― Desta vez, você está muito encrencada.

― Ela vai me matar ― digo, já aceitando meu destino.

― Provavelmente ― diz ele com um sorriso. ― Acho que você deveria ir de uma vez para evitar sofrimento.

― Se eu sobreviver, venho roubar outra tortinha ― digo, me afastando.

Pego uma das tortas de morango feitas para depois do almoço e me distancio da cozinha. Andar com Chad é até que fácil.

Encontro minha mãe perto da sala de música. Assim que ela coloca os olhos em mim, vejo o brilho da raiva. Ela está muito, muito irritada. Seus passos são controlados, e sua postura continua perfeita. Ela é uma dama, e nada no mundo poderá mudar isso.

― Luna, precisamos conversar.

― Mãe.

Ela me segura pelo braço e me puxa em direção à sala de música. Tenho dificuldade para acertar meus passos com os de Chad.

Assim que entramos, ela me manda sentar e fecha a porta. Ela continua segurando a maçaneta, sem me olhar.

― O que você espera para seu futuro, Luna? ― Sua voz sai tão calma que eu a preferiria gritando.

― O quê?

Ela se vira e se senta na cadeira à minha frente.

― O que você espera para seu futuro?

― Eu... Eu não sei ― digo, sinceramente.

― Exatamente. ― Ela segura minhas mãos entre as dela e as encara como se fossem as coisas mais impressionantes do mundo. ― Seu pai e eu não seremos eternos, e mesmo a sua beleza um dia acabará. O legado da nossa família está em suas mãos e nas do seu irmão. Precisará encontrar um marido, Luna, e ainda precisará ser fértil. Precisa de um herdeiro.

― Mãe, eu...

― Eu não terminei. ― Sua voz é cortante como gelo, e ela levanta os olhos, me encarando. ― Esses dois rapazes que estão aqui são os únicos que poderão manter sua condição de vida, e eles são os únicos que aceitaram a besteira que teu pai fez de te ensinar a usar uma espada. Então, por favor, tente. Pelo menos tente se entender com um deles.

― Isso não é justo, a senhora sabe usar armas também ― digo, brava.

― Eram outros tempos, Luna. ― Ela solta minhas mãos, revirando os olhos. ― Você, agora, precisa entender que vai ter que escolher um deles.

― Entender? Mãe, você lembra o que Skins fez no baile? Ele me...

Ela faz sinal para que eu me cale.

― Eu sei o que ele fez, e ele foi punido por isso. Por você e pelo pai dele. Não fique remoendo o passado.

― Mãe...

― Essa conversa está encerrada, Luna, vá encontrar aqueles rapazes.

Faço uma reverência e me afasto dela. Pelos deuses, como ela consegue ser tão insuportável? Quando ela vai entender que eu não sou como ela? Só porque ela não usa mais as armas que ela sabe e tem, não significa que eu também tenha que seguir pelo mesmo caminho.

Não é porque as mulheres da família Skins jogaram no lixo a linhagem das guerreiras que elas foram, que todas temos que fazer isso.

Antes de Werneck subir ao poder e destruir todos os antigos montadores, a família Skins era comandada por Eleonora. Os poucos relatos que consegui ouvir dela foram que seu dragão Kasnuf era um dos menores de Merindell, com as escamas de ouro derretido, mas era o mais rápido do reino. Dizem que ela morreu avisando as Estelares, mulheres guerreiras e imortais, que Werneck estava atrás dos ovos, e assim, conseguiram salvar os três últimos.

Devolvo Chad para o quarto e, desta vez, tranco a porta e a janela.

Fecho meus olhos e me encosto à madeira da porta. Embora eu esteja irritada com tudo que está acontecendo, sei que tenho que manter a aparência que esperam de mim, se não por mim, pelo menos por meus pais. Eu posso fazer isso, eles não ficarão muito tempo. Abro um sorriso e volto para o meio daqueles dois idiotas.