Minta, baby, minta!
Agora eu entendo a mentira: é a forma de se deixar tudo mais belo de acordo com os seus sonhos. É a puta que se intitula dama pois isso a faz sentir-se menos ferida, os becos e vielas são sus palácios e jardins.
A mentira cria uma nuvem de empoderamento para quem a conta, o tira do lugar comum onde os oceanos são profundos e sua existência patética. Me sento e observo as boas intenções, a boa vida, as belas palavras e sinto um misto de pena, nojo e até chego a compreender que, no final das contas, a mentira não é pra mim e sim pra si mesmo.
As pessoas valorizam demais sua importância no mundo, a sua existência, a necessidade dos outros diante de si e para si.
Que diabos, invejo a capacidade de olharem-se no espelho, apoiarem a cabeça no travesseiro e conviverem tão bem com tamanha banalidade! Aquela que esta tatuado nos braços, no rosto e na alma.
Agora eu entendo a mentira: conviver numa realidade tão penosa, fraca e sem proposito é desgastante para o décimo vida que ainda aparenta existir.
O que seria de mim sem estes abutres para dar-me conteúdo para escrever? Seria mais falida do que sou.
Desce mais uma dose de absoluta falta de bom senso, descontrole e podridão que hoje promete.
–In crônicas de uma velha louca.
Fale com o autor