Crônicas de uma galáxia
41 Paz
Depois daquilo, eu me sentia em paz.
Não tinha mais medo de que nada nos acontecesse, ou que algo desse errado. Sentia-me, pela primeira vez, deitada em um campo florido absorvendo a carinhosa Luz do sol, tranquila e serena. Me sentia no abraço dele.
Nossas últimas semanas juntos voaram.
Nós nos preocupamos em terminar todas as séries que começamos a assistir juntos, acima de qualquer outra coisa. Passávamos horas deitados nos braços um do outro assistindo os personagens contarem suas histórias, episódio após episódio, enquanto eu me deliciava com a risada solta e perfeita do homem ao meu lado.
Passamos um fim de semana em um sítio e, graças à piscina, saímos de lá completamente queimados. Alternávamo-nos para poder passar creme contra queimaduras nas costas e pernas um do outro, e era praticamente impossível dormir em qualquer outra posição que não fosse de bruços e com os braços e pernas esticados. A experiência rendeu muitas risadas.
Fiz, e isso me deixou em total e completo êxtase, o desenho da quarta tatuagem dele, que foi marcada na pele alguns dias depois. E em seguida, também eu fiz minha primeira tatuagem.
Enquanto íamos para o tatuador, o ouvi exagerar um pouco sobre a dor que sentiria, e ri das suas tentativas de me assustar. Três horas depois, eu saía de lá com um balão de ar quente no ombro esquerdo. Desenho que, talvez nem se lembre mais, ele mesmo tinha sugerido.
Passamos madrugadas sentados no quintal olhando as estrelas, cozinhamos nossas últimas receitas, e aos poucos os minutos finais foram se aproximando.
Fale com o autor