Crônicas de uma galáxia
40 O resultado da conversa com o mediador
Quando chegamos, murmurei um cumprimento a minha sogra antes de me arrastar até o quarto, e ela pediu licença para falar com o meu sogro.
Eles ficaram pelo menos uma hora parados na calçada, conversando, e quando ela voltou, entrou no próprio quarto. Eu observava a movimentação de dentro do abraço do Marco, no sofá, enquanto um episódio qualquer passava pela televisão sem ser percebido. Minutos depois, ela saiu, telefone na mão.
— É a sua mãe. – Me disse, estendendo o aparelho. – Fala com ela.
— Oi mãe. – Murmurei, cansada demais para qualquer reação que exigisse mais energia do que isso. – Que foi?
— Conversei com o a Ângela. – Ela começou. – E com seu pai.
— Hum. – Disse, olhando o piso.
— Decidimos que tu podes ficar até uma semana antes das aulas, e aí volta.
— Okay. – Contei mentalmente. Eram três semanas. – Obrigada. – Disse, sem nenhum esforço para parecer realmente grata por tudo aquilo.
— E queremos que o Marco venha nos ver também. – Ela continuou. – Decidimos que é melhor para todos aceitar o relacionamento de vocês.
Duas coisas aconteceram, simultaneamente. Eu tentei entender o que ela estava tentando dizer com aquelas palavras, e só cheguei à conclusão óbvia: nada mais de fugas e encontros escondidos.
E também, o que eu gostava de chamar de “fenômeno gatinho”. É bem simples e instrutivo: assim como um gatinho, se você pisar no meu pé ou me irritar, eu vou morder e arranhar até achar que está bom. E se você me der exatamente o que eu quero, como carinho atrás da orelha, eu vou ronronar e deixar claro que está tudo bem.
Inconscientemente, também é um método bastante eficaz de treinar as pessoas para fazerem o que eu quero, e já tinha me acostumado a agir assim sem nem perceber.
A partir daquele momento, eu voltei a ser um amor de pessoa com todos à minha volta que antes me irritavam – meus pais, basicamente.
Quando desliguei o telefone, contei aos dois o resultado da conversa, e para minha surpresa e alegria minha sogra vibrou comigo ao saber que eu ficaria mais tempo, e que tudo parecia estar bem.
Sentei novamente no sofá, me sentindo aquecida mais uma vez, e pude murmurar ao Marco que o amava para sempre e que ele era tudo para mim, enquanto um filme romântico começava e nós nos abraçávamos debaixo das cobertas.
A batalha estava ganha.
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