Crônicas de uma galáxia

19 No meu ponto do vácuo


Eu estava cansada.

Essa situação toda é extremamente cansativa.

Eu o amo tanto.

Nos primeiros meses, a coisa toda era suportável. Eu ainda acreditava que tudo daria certo sem muito esforço, e que as coisas ruins iam passar. Agora eu percebia que teria que lutar uma guerra.

O Marco continuou sendo meu ponto de paz, minha constelação perfeita. Ele não era o problema.

Era exaustivo lutar, todos os dias, uma batalha que eu nem sabia se eu ganharia. Eu não sabia qual estratégia daria certo, quanto tempo levaria ou quais seriam as minhas perdas, mas eu sabia que faria tudo pra vencer e que valeria a pena.

Por nós, eu aguentava tudo. Todas as alfinetadas, as brigas, os sermões e castigos sem sentido. Todas as indiretas, olhares de reprovação, ironia e sarcasmo. Por nós, porque eu não podia mais viver sem ele.

Aos poucos, minha família foi se afastando de mim. Meu pai já não abria a boca, a menos que fossem para me criticar por alguma coisa. Minha mãe só falava comigo sobre casualidades, como se tudo estivesse bem e o mundo fosse um arco-íris cor de rosa, e meu irmão parecia simplesmente alheio a tudo que estava acontecendo. Eu me sentia sozinha.

Nem meu namorado para abraçar e chorar em paz eu tinha. Então, eu abraçava uma camisa dele, e a lavava com lágrimas.

Eu acreditava que nós poderíamos nos ver, que eu poderia ir vê-lo mesmo assim – com as minhas economias, mas essa esperança parecia uma flor que não podia pegar sol, e estava destinada a morrer.

Do meu ponto no vácuo, eu observava tudo que eu prezava na vida ir desaparecendo, como areia levada pelo vento. Com aquela guerra sendo lutada em casa, eu ia perdendo a vontade de conversar, rir e me divertir. Estudava para ocupar a mente, e conversava com o Marco.

Minhas amigas começaram a me dizer que eu estava estragando toda a minha vida namorando com ele, e eu as perdi também.

Sozinha no vácuo. Vagando. Uma constelação perdida no espaço-tempo, sem saber o que ser ou fazer. Com saudade de casa.