Crônicas de uma galáxia
32 Bonança
Quando o avião pousou, eu me senti ansiosa. Mas era uma ansiosidade boa. Ansiosa porque sabia que o amor da minha vida me esperava a alguns metros dali, pela primeira vez em cinco meses.
Desci e liguei o celular. Sem chip, me vi refém das redes wifi do aeroporto para poder avisar ao Marco que eu havia chegado. Peguei a minha mochila em meio a milhares de malas que corriam pelas esteiras, e fui até o banheiro.
Olhando meu reflexo, eu via o brilho distante das estrelas nos meus olhos, que só ele conseguia trazer. Tentei pentear o cabelo mais uma vez, alisar a blusa e, de algum jeito, parecer mais bonita para ele. Não deu muito certo, mas me sentia feliz.
Caminhei devagar até o portão de desembarque, prendendo o fôlego e sentindo milhares de borboletas baterem suas asas felizes no meu estômago. Não conseguia nem controlar o sorriso automático do meu rosto, ante a ideia de finalmente vê-lo e poder passar todo o tempo do mundo com ele.
Mas, quando saí, não o vi. Dei mais alguns passos, achando que talvez ele tivesse se atrasado, mas não o vi de nenhum dos lados do aeroporto. E senti uma onda de medo tomar conta de mim de novo.
Caminhei até alguns bancos alinhados contra a parede, e me sentei. Continuei olhando para os lados, o procurando, enquanto pegava meu celular de um dos bolsos e digitava “cadê? ” rapidamente, e enviava para ele.
Dois minutos depois, eu o vi. Vinha caminhando em direção ao portão de desembarque por onde eu saíra, com o rosto na direção das enormes telas que informavam a situação dos voos, e que dizia que meu avião já havia pousado há quinze minutos. E então, ele me viu.
E ambos sorrimos.
E ele abriu os braços, e andei até ele, e finalmente me senti completa e feliz, enquanto ele me abraçava.
E tudo estava bem no mundo.
Andamos de mãos dadas até o estacionamento, conversando sobre a minha experiência, e pude dizer-lhe que o amava e desejar-lhe feliz 21 um anos, antes de entrarmos no carro do seu pai.
E aí eu conheci meu sogro.
Eu me sentia muito nervosa por ter que conhecer a família dele. Preocupava-me que não fossem gostar de mim, e não queria por nada no mundo que Marco tivesse que passar pelo que eu passei. Tentei ser agradável e gentil, e descobri que não era difícil.
O pai dele não parecia em nada com ele, mas conquistou minha simpatia. Ele nos levou para almoçar em uma lanchonete, perguntou coisas sobre mim e depois nos deixou em casa, visto que ele e a minha sogra são divorciados.
Mal conseguia exprimir a minha felicidade em entrar naquela casa.
Marco me guiou por um leve tour, e eu observava tudo como quem observa o cenário de uma história que ouviu a vida toda e é apaixonado por. Tentava absorver todos os detalhes, e tinha medo de que tudo fosse um sonho. Não conseguia acreditar que realmente tinha acontecido, e nos deitamos no sofá e assistimos a um filme juntos e nos beijamos, sem medo de sermos separamos, e era perfeito.
Pouco depois, minha sogra chegou do trabalho, e depois de um ano eu pude conhecê-la. Era como conhecer a Branca de Neve. E poder abraçar e conversar com a Branca de Neve. E a avó dele, que morava em uma casa nos fundos, também foi apresentada a mim. Ela comentou que eu era mais bonita do que nas fotos, e me fez corar. Perguntou-me se eu queria ser sua neta, e foi quase rápido demais que respondi que sim, e todos rimos.
E era tudo tão bom.
Eu me sentia em casa. Sentia como se realmente tivesse uma família. Observava a preocupação com o fato de minha alimentação ser vegetariana – uma coisa que nunca aconteceu na minha casa -, e as perguntas sinceras sobre como tinha sido a viagem e se eu estava bem, e tudo parecia bom demais pra ser verdade. A vida com ele parecia ser um sonho mais perfeito ainda do que eu nunca tinha imaginado, e meu coração antes tão pequeno e maltratado agora parecia explodir de felicidade.
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