Ele olhava ao seu redor e via os cadáveres de seus amigos, daqueles que ele havia passado a vida inteira junto. Empunhava sua espada, segurando-a firme com as duas mãos e mostrando ao seu oponente que ele não estava sentindo medo, que a morte de seus companheiros não fizera ele recuar.

Mas era uma pena… Que seu oponente sabia que era mentira. O medo estava estampado na sua testa.

Suor frio, corpo trêmulo, respiração pesada. Aquele samurai percebeu que era o seu fim… Que os Seis Samurais Grandes acabaram de ser derrotados por apenas um homem.

Com um movimento suave e rápido, o inimigo do samurai sumiu do campo de visão daquele homem amedrontado, sem ele perceber… Retornando com a mesma velocidade bem na sua frente e fincando sua fina espada no estômago do samurai. O homem a girou e o feriu por dentro, por todo o interior da barriga do guerreiro, que num reflexo feito sem pensar, levantou sua espada e cortou a boca de seu adversário. O samurai sentiu mais dor quando a espada foi retirada de sua barriga, ele apenas percebeu que toda sua visão se tornava cada vez mais embaçada, até que ele não sentiu mais nada… e caiu no chão, ficando a cada segundo mais próximo da morte.

→ … ←

Tudo estava escuro, não tinha como saber há quanto tempo, era como se gradativamente a consciência fosse retornando. Era estranho voltar a viver depois de ter morrido, não tinha como saber por quanto tempo esteve morto. Ser acordado de seu descanso não é algo que as pessoas gostam, então por que o fazem? Conforme a consciência voltava a dor vinha junto, talvez o inferno fosse menos torturante do que sentir tudo aquilo, dores em todo o corpo, membros pesados como se nunca mais fossem funcionar e uma sensação de prisão, como se quisesse acordar mas não conseguia. Havia algo no fundo, um grito, internamente algo implorava para ser libertado. Poucos minutos naquela agonia pareciam horas, dias… mas como sempre, tudo acaba no final.

—Aaai!

Ele acordou, e junto com o retorno de sua consciência, seu estômago também voltou, mas a sangrar. Ele sentiu algo parecido com a ponta de uma lança perfurando sua barriga. Não conseguia se mexer, nem entender o que estava a sua volta, ele apenas gemia de dor na esperança de conseguir forças para fazer algo.

Alguém entrou no quarto mas ele não conseguia ver quem era. Ele sentia que aquela pessoa tirava curativos de sua barriga e aplicada um remédio líquido que ardia mais que qualquer espada que já o havia cortado, aquilo o corroía por dentro e ele tentava se mexer para aliviar a dor. Os gritos de dor eram incessantes.

Poucos segundos depois a dor foi se esvaindo e ele parou de gritar e começou a respirar rápido para recuperar o fôlego, aos poucos ele abria os olhos e sua visão demorou para se adaptar, mas logo conseguiu enxergar aquele velho na sua frente, um homem baixo, careca e com poucos dentes na boca sorria para ele como se tivesse encontrado a resposta para todos os problemas do Universo. Ainda não conseguia fazer nenhum movimento significativo, ele apenas era capaz de contrair levemente os dedos dos pés e das mãos.

—Como eu vim parar aqui?

Quando observou o quarto em que estava, viu que era o quarto de um hospital, ou pelo menos a tentativa de um. Possuía a cama em que estava deitado, uma cômoda velha com remédios em cima, uma poltrona e um velho com luvas e uma roupa marrom, típica de médicos do Reino do Sul. As paredes eram horríveis, mofadas, janelas com vidros quebrados e rachaduras, o local era deplorável.

—O que importa é que está vivo, Hanzou! -Disse o velho, ainda com o sorriso no rosto.

—O que aconteceu com minha barriga e onde estou? -Ele não notou que o velho tinha deixado o quarto correndo.

Como um flash, uma memória caiu e se encaixou no lugar certo, fazendo-o lembrar…

“-Que os Deuses abençoem os nossos protetores, os Seis Samurais Grandes! -Disse um homem alto, forte, com roupas caríssimas, uma coroa e um cetro de ouro. O rei. Ao fundo, a população gritava de felicidade, parabenizando os samurais por mais uma missão cumprida.

—Agradecemos ao senhor e ao nosso povo. -Disse o que estava ao lado de Hanzou.

Ao olhar para o rei, Hanzou avistou um homem ao lado dele, seu rosto estava borrado, mas ele era mais alto e encorpado que o rei, de cabelos brancos… Quem era aquele homem?”

—Senhor, voltei com algumas roupas. -A volta do velho interrompeu o flash de Hanzou. ele se virou para seu cuidador e o encarou com um olhar que se compunha metade de desprezo e metade de surpresa. -Quando o senhor recuperar seus movimentos, vista-as.

—Seis Samurais Grandes, protetores do reino… Eu era um deles… Tobi, Kagani, Sidoh, Graf e Hana, eram meus parceiros. -Ele olhava fixamente para um ponto aleatório enquanto as memórias voltavam. -Trauma, foi isso que me deixou assim, eu passei por um trauma… Como fomos perder aquela luta?! -Ele bateu na cama com seus braços e apertou os lençóis. Estava fazendo força com os braços, pernas, seria péssimo se o ferimento em sua barriga abrisse.

—Não se preocupe, senhor, pelo menos está vivo, isso é ótimo, poderá nos ajudar agora. -Hanzou o olhou, em dúvida.

—Ajudar com que?

—Desde que Barthos assumiu, apenas os ricos, os amigos dele conseguiram algum posto em seu mandato… Lá no centro do reino, muitos perderam os empregos devido à isso. Ele virou um ditador, seu exército usa a coerção contra os civis, não aguentávamos fazer tudo que ele queria e nem apanhar, por isso temos que viver aqui, isolados e sem dinheiro… Existem vários desses centros rebeldes mas o nosso com certeza é o maior.

—Mas o que eu posso fazer? Caso o senhor não tenha percebido, eu não consigo nem mesmo me levantar, mal movimentar minhas pernas eu posso agora, espera que eu faça o que? -Não deixava de apertar os lençóis, o velho ficou de olho no curativo no abdome do seu paciente para caso o ferimento abrisse, ele agisse rápido. A cabeça de Hanzou estava confusa, não sabia o que pensar direito ainda, não tinha se tocado do que ele era capaz como um dos Grandes Samurais.

—Você é o único remanescente do último governo que pode ter alguma autoridade… Em apenas cinco meses tudo virou um caos… Estamos dispostos a lhe ajudar mas não temos muitas condições.

Hanzou olhou bem para o velho, não tinha gostado de sua atitude mas entendia o que devia ser feito, porém, sentia que algo estava faltando ali, uma motivação, um sentimento. Ele não se lembrava perfeitamente de tudo que aconteceu, mas entendeu quem ele era, o que ele fazia, e para fazer o que ele fazia, era necessário gostar, era preciso querer proteger um Reino inteiro. E esse não é o sentimento que ele estava tendo.

Talvez Hanzou não lembrasse de tudo, mas lembrava que seus companheiros tinham sido assassinados, soube agora que seu rei sofreu um golpe e agora seu Reino vive uma ditadura, isso não deveria ser algo que desperta um sentimento de vingança? Ou de altruísmo pelo seu povo ou pelas pessoas que o estão ajudando?

—Vocês me salvaram, muito obrigado, mas eu não tenho motivos para fazer o que me pede, não tenho mais ninguém e mais nada. -Ele começou a conseguir sentir suas pernas. -Com sorte eu ainda mantenho todos meus membros funcionando,e está me pedindo para salvar “nosso” Reino? Não tenho mais Reino, velho, se me ajudaram com o intuito de eu fazer um favor a vocês, morrerão achando que eu o farei. Deveriam ter me deixado morrer.

O velho ficou estático, não acreditava que ouviria aquilo de Hanzou quando ele acordasse, foi algo cruel e acabou com suas esperanças. Se aquilo que aquele homem moribundo disse era realmente o que ele pensava e que iria fazer, todos que viviam naquele refúgio estavam com seus dias contados.

—Suas pernas estão voltando. -Disse o velho. -Meu nome é Garon, quando elas melhorarem, coloque as roupas e grite meu nome, vou te levar para conhecer a vila.

→…←

Aquele homem colocava medo em qualquer um. Tinha mais de dois metros, era forte, possuía um semblante sério e era o rei, quem iria discordar dele? Barthos passava a maior parte do tempo na sala principal de sua mansão, analisando como toda a economia do reino estava indo, transações comerciais, apreensões de bens pelo exército e todos os outros assuntos que envolviam seu território. Barthos era o rei do sul, também conhecido como reino de Athlon, que envolvia diversos vilarejos e cidades. O sul era a região mais rica em todos os tipos de recursos, seu reino era o que possuía maior força bélica e maiores limites de terras, ou resumindo, era o reino mais desenvolvido de todos, enquanto o norte lutava contra o frio, o oeste contra o calor e o leste contra as consequências de sua evolução prematura. Sua roupa era extravagante, com jóias por todo seu colete, em sua cabeça, ele deveria mostrar a todos como é superior e por quê ele é o rei e não qualquer outro.

—Barthos, é incrível como fizemos isso em cinco meses! -Um rapaz bem mais baixo que o rei entrou na mesma sala em que ele estava. O rapaz tinha cabelos longos e loiros, um pouco mais pálido que o normal, mas o que chamava a atenção era a enorme cicatriz que tinha em seu rosto, que lembrava muito um sorriso. -O povo agora é educado, aprendeu a obedecer, não temos mais criminalidade nenhuma! Se aquele verme imundo ainda estivesse no poder, nada disso teria acontecido, mole do jeito que ele era.

—Recebi uma notícia preocupante, Ganeshi. -Barthos estava de costas para seu seguidor. Falava numa voz grossa que assustaria qualquer um. -As vilas dos exilados estão conseguindo se comunicar entre elas… Se elas se juntarem, a rebelião será um problema.

—Não vejo como eles nos afetariam, são pobres que não tem o suficiente nem mesmo para se manterem alimentados..

—Os civis não podem saber as condições em que os exilados estão por causa da evolução, isso gerará revolta, precisamos conter isso antes que se espalhe… Aqueles bostas são uma doença.

—Dê-me as ordens, vossa alteza! -Ganeshi sorriu enquanto fazia um pequeno gesto de reverência, tirando sarro de seu rei.

—Ordene a um general para ir com um esquadrão encontrar esses vilarejos e matar todos.

O subordinado de Barthos soltou uma risada sádica, se levantou e saiu da sala, deixando o rei lá, sentado em sua mesa, olhando todos aqueles comunicados do exército e pensando em como continuar lucrando em cima da ditadura que ele estava coordenando.

→…←

“-Hanzou. -Sidoh chegou com duas xícaras de chá, colocou-as numa mesinha baixa que se encontrava entre dois sofás individuais circulares, em um deles, Hanzou estava sentado. -O rei passou o dia todo conversando com Barthos, a sós… Tem algo muito estranho nisso.

—O rei sabe o que está fazendo e creio que Barthos não faria nada com ele, sempre foram fiéis um ao outro. -Ele tomou um gole do seu chá.

—Hanzou… Já parou para pensar o que acontecerá quando morrermos? -Disse o samurai que estava vestido com roupas verdes claras, seu cabelo era negro e curto, com certeza era o mais baixo entre os seis. -Somos guerreiros, não temos uma expectativa de vida alta… Tudo que quero levar para o pós-vida são minhas memórias, quero me lembrar de tudo que conquistei aqui. -Ele olhava para o chá, conseguindo ver seu reflexo. Sorriu. -Eu, Sidoh, Samurai das Florestas, um dos protetores do Reino de Athlon… Incrível, não? Somos importantes.

—Ninguém lembrará de nós, amigo. -Hanzou olhava sério seu amigo, que mesmo ao ouvir essas palavras, não tirou o sorriso do rosto. Ele estava orgulhoso. -Sou Hanzou, Samurai dos Ventos, e isso não vai mudar o fato de que virarei comida de minhoca.”

Mais uma memória se encaixava na coleção da mente de Hanzou, olhar aquela vista que tinha das montanhas pela janela de seu quarto no hospital era bem reconfortante, acalmava todos os sentimentos intensos que ele sentiu mais cedo. Já estava a noite, ele estava vestindo apenas uma camisa sem abotoar, pois seu machucado na barriga ainda incomodava, uma calça e um chinelo simples. Aquele velho cuidou até de seu cabelo, ia até o pescoço, completamente negro, com certeza foi cortado regularmente.

—Disse para me chamar, senhor. -O velho entrou no quarto.

—Sabia que viria. Quero conhecer o lugar logo. -Ele se virou e seguiu Garon.

O hospital era inteiro do mesmo jeito que aquele quarto, cheio de rachaduras e partes podres, mas era o que podiam fazer com os recursos que tinham, pelo menos os pacientes eram bem tratados e pareciam ter muitos remédios naturais, o que significava que ao menos o solo ajudava. Ao saírem do hospital, Hanzou olhou todas aquelas casas pequenas e humildes, eram cubículos que deveriam caber uma cama e uma mesa no máximo, essas casas faziam filas até os limites da vila, uma atrás da outra. As roupas eram colocadas em varais presos nas próprias casas, as vezes até mesmo atrapalhando o caminho de quem andava.

Ali perto tinha um estabelecimento do tamanho de mais ou menos dez daquelas casas, era onde ficava a escola para as crianças, totalmente deplorável. Tinha um rio estreito no final da vila, provavelmente dali tiravam água para beber e banhar, mas em épocas de sol, aquilo deveria secar completamente, felizmente nestes cinco meses não estava incluído o verão.

As pessoas eram completamente miseráveis, algumas nem mesmo roupas tinham, nem lençóis para cobrir o corpo tinham, quem diria comida ou equipamentos para trabalhar. Garon andava e Hanzou o seguia olhando para todos os lados, enxergando cada detalhe daquele lugar, até que o velho parou quando chegaram nos portões. Eram grandes e formados de madeira, assim como os muros, tinha uma torre que um vigia ficava, para ver quando chegavam invasores. O hospital era no extremo oposto do portão, de lá era possível ver a vista da montanha da parte da trás da vila, onde não tem caminho acessível e por isso não possui muros.

—Está vendo? -Começou o velho. -Pode nos dizer que o deixamos vivo por egoísmo ou o que for, mas a verdade é que… Você pode estar certo. -Hanzou o olhou nos olhos. -Precisamos de ajuda, você está vendo como vivemos, mas você também precisa, olhe-se no espelho e me diga que você não é o mesmo de antes, pode não enxergar certas coisas mas você ainda está aí, ainda é um dos seis que nos protegeram com suas vidas por anos, então se não for para fazer por nós, faça por você, para se encontrar novamente, pois te garanto que por mais fácil que seja aceitar quem você está sendo agora, você vai se encontrar quando fizer o mais difícil.

Hanzou não precisou pensar mais que alguns segundos para decidir, mas o velho continuou falando antes que aquela figura magra, cansada, pudesse responder.

—Ninguém sabe ao certo como Barthos aplicou o golpe, como ele fez o que fez, mas aqueles de classe baixa são tratados como lixo, pior que isso, somos caçados e assassinados pelos seus soldados… E aquele rapaz, o líder dos soldados, Ganeshi, o que fez isso a você e matou seus amigos, ele é o que mais gosta dessa carnificina. -Nos olhos de Garon era possível ver todas as suas emoções, desde medo e falta de esperança até a persistência que ele tem para cuidar de seus pacientes. -Não só nós, mas qualquer um que se oponha a ele é morto, os outros reinos também não estão felizes mas não tem forças para derrotar seu exército de Athlon.

—Arranje-me mais uma calça e uma camisa, uma espada, um pouco de água e algo para eu manter os cuidados na minha barriga, partirei amanhã de manhã.

Garon permaneceu ali, enquanto Hanzou se virou para voltar ao hospital para dormir. O velho ficou olhando enquanto ele andava, claramente enfraquecido. Havia mesmo uma chance para ele fazer algo contra Barthos?

→…←

—Acho que é hora de ir. -Ele vestia uma camisa azul, carregava uma espada simples numa bainha na cintura, além de um recipiente com água que tinha alças longas, ele colocava no ombro e ficava na altura da cintura também. -Deseje-me sorte, velho. -Estava também com um saco com algumas ervas para passar no seu machucado e para comer.

—Você não está com nós por coincidência, tem um motivo de ter se recuperado justamente aqui, tudo tem seu propósito. -Todos que viviam ali naquela vila estavam nos portões para desejar sorte para o samurai.

—Chega de conversa inspiradora. -Ele virou as costas e saiu andando. -Eu vou fazer isso por mim, como você mesmo disse, e não voltarei mais aqui. -No mesmo instante em que disse isso, começou a se perguntar como ele foi parar justamente naquela vila quando se feriu. Mas ele já havia sido arrogante, não podia voltar e perguntar.

—Hanzou sempre foi desse jeito. -Disse Garon. -Ele mudou sim, e muito, não vejo mais bondade nenhuma nele… Mas ele sempre foi alguém que não lutou pelos objetivos dos outros, não explicitamente, tentava mascarar que lutava pelos outros dizendo que lutava por si mesmo… Mas agora… Não sei se ele realmente está fazendo isso. Só sei que, apesar de tudo, eu confio plenamente nele.

O samurai descia toda a trilha que levava ao alto da montanha, o caminho não tinha segurança, um piso em falso e você caía ladeira abaixo. Já na metade, ele olhou para um ponto longe e viu algumas coisas se moverem, ao prestar mais atenção, viu que um grupo de pessoas iam a cavalo em direção à montanha em que estava, será que descobriram a localização do refúgio dos exilados?

Eles ainda estavam longe, Hanzou desceu a trilha devagar, embora estivesse preocupado por não treinar há muito tempo, não deveria se apressar, era melhor ser cauteloso e sair vivo dali. Quando chegou no nível do terreno ele parou, preferiu permanecer na defensiva.

“-Deixe-me fatiar esses caras, Hanzou, há tanto tempo que não luto, o rei me deixou de segurança no reino enquanto vocês foram para fora, deixa eu ter um pouco de diversão também! -Disse Graf. Cabelos laranja, corpo forte, o Samurai da Fumaça.

—A vontade, amigo.

Ver Graf lutando era um espetáculo. Seus movimentos eram rápidos e imprevisíveis, era como se estivesse lutando no meio da névoa, você só percebia quando já havia sido cortado.

Aqueles bandidos tiveram o azar de enfrentar o Samurai da Fumaça e não o dos Ventos, Graf não era tão misericordioso. Missão dada era missão cumprida, sem exceções.”

—Tenho que ser como ele. -Pensou, Hanzou. -Não posso mais sentir medo como naquele dia.

Aqueles homens a cavalo se aproximavam e quando avistaram aquela pessoa parada, sozinha, um dos soldados gritou para ele abrir caminho, se não o fizesse, seria mais fácil simplesmente ignorá-lo. Eles continuaram avançando, como se Hanzou não existisse, mas ao passarem por ele, um movimento suave com sua espada cortou um soldado facilmente, fazendo-o cair do cavalo no chão, levando a mão na perna e gritando de dor. Os outros pararam o avanço.

—Ei, quem é você? -O soldado, que aparentemente era capitão, desceu do cavalo e sacou uma pistola, apontando para o samurai. -Você está preso, sob custódia do Reino de Athlon! Renda-se.

Que arma era aquela? Ele nunca havia visto antes, era diferente, seria algo que gerava um projétil mortal? Parecia haver um botão que acionava alguma coisa e um cano para a saída de um projétil. Há cinco meses só se usavam espadas, lanças, e agora eles usam esse negócio tão pequeno e aparentemente inofensivo?

—Precisará de mais que isso para fazer alguma coisa.

Hanzou se virou para os soldados, um deles, que estava no cavalo, arregalou os olhos, ele reconheceu o samurai. Aquilo era um problema, Hanzou precisava utilizar da surpresa para ter vantagem, se soubessem que ele está vivo, seria um problema. Ele teria que matar todos.

—Hanzou! -Disse o soldado. -Você deveria estar morto! -Todos sacaram suas armas.

—Atirem! -Ordenou o capitão.

Eles dispararam. Hanzou viu tudo em câmera lenta, aqueles projéteis vindo na sua direção, ele desviava de um por um, sua velocidade sempre foi a maior de todos os samurais, mesmo não usando ela em combate do mesmo modo que Graf. Ao chegar perto dos soldados, ele usava sua espada para cortar as armas de cada um. Ao terminar, estava atrás deles.

—Hein? Onde ele está? -O capitão o procurava, quando viu o cano de sua arma caindo por ter sido cortado, começou a suar frio.

—Estou aqui!

Eles olharam para trás. Hanzou segurou a espada com as duas mãos na altura da cabeça, deitada para a esquerda, ele preparava um golpe para vencer todos ali de uma vez.

Vendaval de Lâminas! —Com movimentos rápidos, ele projetava rajadas cortantes de ar que fatiava as armaduras dos soldados, atravessando-as e os cortando, eles caíram no chão, alguns feridos e alguns mortos, o capitão ainda estava de pé, não havia sido atingido mas tremia de medo. -Veja, soldado. -Hanzou passava e cortava o pescoço dos que estavam vivos. -Eu quero saber, quanto tempo é daqui até o reino.

—Mais ou menos… Dez horas, a cavalo.

—Ótimo… Agora você pode morrer. -Ele enfiou a espada na barriga do soldado.

—Seu… Amigo….

O capitão não teve tempo de falar algo que provavelmente remeteria aos seus antigos parceiros samurai.

—Não tenho amigos, não mais.

Hanzou guardou sua espada, subiu num cavalo e partiu, em direção ao reino de Athlon.

Fim do primeiro capítulo