Dois invernos vieram e se foram.

Os Nordoriões, como eram chamados, após o ataque à vila, voltaram para os seus barcos e desapareceram no mar.

O Rei Trove, senhor do reino que fora atacado, alertou aos seus vassalos que habitavam as regiões costeiras e aos outros reinos vizinhos. O Rei Trove queria propor uma aliança com o seu inimigo mais poderoso, o Rei Mertro, visando unir seus reinos com a união de seus filhos para então usurpar o trono do Rei Mertro. Porém, Mertro duvidava da informação dada pelo rei Trove.

Depois que o inverno deu lugar para a primavera, os Nordoriões foram vistos nas praias do reino de Mertro, o Rei, então, mandou emissários para tentar negociar com os Nordoriões, mas o que retornou foi só um cavalo com as cabeças de seus emissários amarradas em seus flancos.

Os espiões do Rei Mertro, avisaram-no que os Nordoriões estavam montando uma base próxima à praia. Disposto a dar uma resposta clara e obvia aos Nordoriões ele mandou vários soldados para um ataque.

Durante a tarde, observando atentamente o exercito Nordorião, estava o comandante Frecius com sua tropa armada até os dentes, mas cansada da marcha da capital do reino de Mertro, ele não teve escolha senão acampar em um local próximo e lutar com os Nordoriões no dia seguinte.

Enquanto isso, os Nordoriões, silenciosos e calmos como sempre foram desde que pisaram naquelas terras, montavam o acampamento deles.

O mesmo líder que mandara decapitar os arqueiros indisciplinados comandava o exercito de Nordoriões, ele estava com mais uma cicatriz em seu rosto e estava acompanhado pelo seu filho mais velho. Eles dois junto ao comandante do exercito Nordorião discutiam em uma colina cheia de pedras próxima ao acampamento, assuntos de guerra.

— Meu senhor — dizia o comandante na língua deles – o acampamento ficará pronto antes de anoitecer.

— E enquanto aos nossos inimigos? – perguntou o filho.

— Montaram um acampamento ao oeste dessa colina, meu príncipe.

— Então devemos atacá-los! – disse o jovem.

— Ra’Tas’Wan! – gritou o líder batendo com o cabo de sua lança na cabeça do menino – Enquanto eu liderar fará o que eu mandar! Entendeu!?

O menino com as mãos na cabeça e olhando para o seu pai, não respondeu.

— Nunca haja sem minha autorização, senão irei decapitá-lo por indisciplina!

— Sim, meu senhor Ra’Tas’Kan – disse o menino se ajoelhando e erguendo sua mão.

Ra’Tas’Kan passou sua mão em cima da do menino e o levantou em um puxão.

— Não envergonhe os Deuses, meu filho – disse ele encarando os olhos de seu filho – insultar-me é o mesmo que insultar à Nordória.

O menino concordou com a cabeça e sentou-se novamente em uma das pedras daquela colina.

— Fa’Han’Too – disse Ra’Tas’kan olhando para o comandante – mande os homens se prepararem, porquê essa noite honraremos nossas cicatrizes.

— E você – disse Ra’Tas’Kan dirigindo-se para o seu filho – lembre-se que a cicatriz não o deixa mais forte, mas prova que você é digno de se nomear Nordorião.

— Sim meu pai – disse Ra’Tas’Wan.

Durante a noite, enquanto o exercito do comandante Frecius dormia, os Nordoriões caminhavam silenciosamente pelo acampamento, todos se comunicavam por meio de sinais e ao comando do Rei Ra’Tas’Kan iniciaram a chacina.

Quando o sol chegou para iluminar o campo de batalha, assustou-se com o que vira e se escondeu por entre a névoa. Os Nordoriões massacraram o exercito inimigo e fizeram do comandante um prisioneiro. O sangue dos inimigos derrotados era posto numa bandeja e todos os Nordoriões passavam a mão naquele sangue e pintavam suas faces com o sangue inimigo.

Após todos os Nordoriões pintarem suas faces com o sangue inimigo, começaram a bater em seus escudos e a gritar:

— NORDÓRIA! NORDÓRIA! NORDÓRIA!

O sol emergiu da neblina e saudou aos triunfantes Nordoriões.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.