Crônicas de um duelista: o despertar de lâminas

4 Estilo lâminas das sombras: O primeiro assassino é revelado.


Notas iniciais
Fiz uma pausa daquele momento no acampamento, e agora vou começar a explicar um pouco da história de cada um dos assassinos.

Os dias não andavam nada fácil pelas ruas de Noxus. O vento trazia um estranho ar gélido que exalava morte e destruição. Nos bares, mais da metade do movimento à essa hora estavam em suas casas, descansando para mais um dia de trabalho. O que restava eram apenas alguns antigos lobos-do-mar e prostitutas desesperadas por novos clientes. O toque de recolher na grande cidade-estado tinha virado uma realidade obrigatória desde que a possível guerra com Demácia deixou de ser algo utópico para tornar-se algo mais presente e corriqueiro nos secretos assuntos do auto comando.

Noxus era aquele tipo de cidade onde quem tinha poder e dinheiro, literalmente comprava à lei, e consequentemente a imunidade a ela. O sistema político noxiano baseava-se em disputas pelas chamadas famílias políticas, dentre as quais a de maior destaque sem dúvidas era a casa Du couteau, composta pelo General Du couteau, chefe do alto comando noxiano e por suas duas filhas Katarina e kassandra. O general era um homem experiente, que havia obtido a sua fama e fortuna por meio de muito sangue derramado e muita corrupção no alto comando noxiano. Apesar disso tudo, sua figura era necessária em Noxus, homens com a sua personalidade e o seu conhecimento não foram feitos para serem figurantes, tinham o dom natural para política e além disso, Du couteau era o melhor espadachin da história noxiana.

Há exatamente dois anos, a casa Du couteau havia ganhado um novo membro. Ao sair para resolver assuntos pendentes no submundo noxiano, o general, juntamente com os seus dois guarda costas, havia resolvido entrar em uma taberna que ainda encontrava-se aberta para poder tomar algo que lhe refresca-se a garganta. Todavia ao entrar no lugar, o general fitou de olho aquela espelunca como uma besta feroz a procura de seu jantar, até parar o seu olhar em um jovem rapaz que estava sentado em uma mesa mais afastada tomando a grandes goles uma dose de uísque barato.

– Homens, estão vendo aquele pobre rapaz ? E apontou para o jovem magro, cuja face estava escondida por um capuz.

– Sim, senhor General. O que é que tem ele? Retrucou um dos soldados.

– Traga-o a mim, vivo ou morto. Estarei o esperando aqui em minha mesa, e leve o meu outro guarda costa com você, irá precisar.

– O senhor está me menosprezando, achas que eu não consigo dar conta de um pobre coitado como ele ?

– Cuidado com sua língua meu bom homem, pois você é que está menosprezando o desconhecido, lembre-se: nunca julgue aquilo que julgas desconhecido. O general tinha um tom muito calmo em sua voz, falara de um jeito como se escondesse ou soubesse alguma coisa.

O soldado caminhou por dentro do bar, lá dentro havia homens de todas as espécies que bebiam e gargalhavam sem se preocuparem muito com a vida ou com o quem os rodeavam. Fitou com olhar aquela espelunca, até achar o jovem misterioso sentado em uma mesa distante de todos, tomando uma boa dose de Uísque barato enquanto se divertia com uma discussão local.

– Levante-se daí verme, há uma pessoa lá fora que deseja falar com você. Brandiu o soldado com um ar de superioridade.

Todavia o jovem parecia ter ignorado a presença daquele homem, continuava com os pés em cima da mesa bebendo como se nada estivesse acontecendo, e naquela altura da noite pouco importava para ele quem era ou o que queria aquele ser de armadura reluzente.

– Você é surdo ? Levante-se agora isso é uma ordem ! Gritou o soldado enquanto pegava o copo com uísque e jogava na cara do jovem rapaz que como um gato assustado, levantou rapidamente da cadeira.

– Que pena, parece que joguei sua bebida fora. E aí você vai fazer o que ? Ah é lembrei, você não vai fazer nada porque é um pobre cachorro de merda, que passa o dia inteiro bebendo. Pessoas como você deveriam morrer.

O jovem rapaz observou atentamente aquela cômica figura de cima a baixo e reparou que pelo uniforme que usava, não deveria se tratar de um mero soldado comum, deveria ser algum guarda costas de alguém importante no auto comando noxiano. Sorriu, sabia que naquela noite haveria uma diversão para aquele seu dia monótono.

– Eu devo ser de muito interesse para algum peixe grande, pois mandar um cachorrinho de merda como você atrás de mim... Suponho que o seu dono deva ser no mínimo do auto comando noxiano, Patético.

Naquele momento, todo o bar tinha parado para prestar atenção na discussão daqueles dois homens, o soldado estava visivelmente vermelho de raiva pensando consigo mesmo que a morte era o mínimo que aquele verme merecia. Onde já se viu ? Isso era um ultraje, um desrespeito á sua pessoa, ele tinha que pagar pelo atrevimento. Com um rápido movimento, desembainhou sua espada que estava em sua cintura e praguejou em direção do magrelo que ousara lhe fazer passar vergonha.

– Seu verme, como ousas me desafiar ? vou separar a sua cabeça do resto do corpo, deixando seus restos empalados na floresta negra como um aviso á todos atrevidos e engraçadinhos como você.

O jovem rapaz não pôde se conter e soltou uma irônica gargalhada para aquele soldado que gritava, gritava e gritava e nada fazia. Resolveu então o provocar:

– Não achas que está muito velho para segurar uma espada ? Você nem ao menos consegue se manter em pé, por favor poupe-se de passar mais uma vergonha pública. Você não dá nem para eu começar a me divertir. Recolha a sua insignificância e vá procurar um asilo.

Naquele momento, todo o bar havia caído na gargalhada devido à tamanha ousadia do jovem e misterioso rapaz. O soldado enlouquecido pela fúria partiu para cima dele com tanto ódio, que todos no bar o escutaram bufar feito um touro. Porém, ao partir para cima dele, o soldado não conseguia acertar um golpe se quer naquele jovem, que aparentemente desarmado desviava de cada movimento com enorme graça e agilidade. Mais a hora da brincadeira estava acabando, era hora de mostrar para aquele soldado infeliz que ele mexera com a pessoa errada.

– Estou cansado dessa brincadeira, você jogou minha bebida fora e eu não gostei dessa atitude, mas para a sua sorte te mandarei para um lugar ainda melhor que o asilo: o inferno.

Ao terminar de falar isso, o jovem sacou um punhal que estava escondido em sua bota e com tamanha destreza, sumiu entre as sombras, reaparecendo atrás daquele pobre soldado. Em questão de segundos, retomou em mãos seu punhal e com um golpe meia lua, cortou a garganta daquele pobre homem que a essa altura, só podia lamentar por sua morte, rogando uma praga ao seu assassino.

Após o banho de sangue, o jovem assassino se voltou em direção ao corpo estirado no chão e pegou todos os seus pertences, mostrando-se mais do que contente com sua pilhagem.

– Isso é mais do que suficiente para pagar minha conta de hoje. Muito obrigado seu velho falastrão.

Ao terminar de saquear os bens do soldado morto, o jovem rapaz não pôde deixar de notar a presença de um homem e seu guarda costa que o observavam desde o assassinato daquele pobre homem.

– Você é muito habilidoso meu rapaz, que pena desperdiçar esse talento matando soldados noxianos. Guarda, pegue esse homem.

O guarda costas desembainhou sua espada e como um touro sedento pelo vermelho-sangue, partiu para cima daquele jovem rapaz que acabara de matar o seu amigo. Mais sangue tingiu o chão daquele bar de vermelho. O que o general não esperava era que o seu guarda costas fosse abatido em tão pouco tempo.

– dez segundos é um novo recorde para mim, agora meu alvo é você, falou o jovem assassino enquanto limpava o sangue do seu punhal.

– Bravo, bravo ! Você realmente é espetacular, meu jovem rapaz. Tenho uma proposta irrecusável para você: Aqui em meu cinto há um saco com 10.000 peças RP de ouro. Se me matar pode ficar com tudo, porém se eu lhe vencer, serás meu servo e só responderá ao meu chamado.

O general sabia que o jovem rapaz era pobre e que possuía um ego muito forte, e que mesmo com qualquer recusa, ainda tinha um trunfo na manga para convencê-lo a segui-lo:

– Me vença que além da fortuna, lhe revelo o seu passado. Achas que eu não sei quem eram seus pais ?

O jovem rapaz, agora movido pelo ódio e pela curiosidade de saber mais sobre o seu passado, tomou em mãos o seu punhal e partiu para cima daquele misterioso homem como se fosse a luta mais importante de sua vida, iria vencê-lo a qualquer custo, conseguiria as informações que necessitava, e depois cortaria a garganta daquele homem.

Após alguns minutos de luta, o general resolveu parar de brincadeiras. Era hora de retornar ao auto comando, não podia mais perder tempo brincando com aquele rapaz. Era hora de mostrar para ele um pouco de seu poder, com um misterioso selo de mãos, o general se tele transportou, dentre as sombras, para trás daquele rapaz, apontando sua espada para o seu pescoço. Estava tudo acabado, não havia como o garoto sair daquela posição. O duelo havia terminado

– Você deu sua palavra, sirva-me e eu lhe darei dinheiro e a resposta para as todas suas perguntas, ou então morra pela espada de quem o venceu, Talon, lâminas sombrias.

O jovem rapaz ficou assombrado com aquele misterioso homem. Como ele sabia o seu nome ? Quem ele era ?

– Como você sabe o meu nome, Quem é você ?

– Sou o general Du couteau, chefe do auto comando noxiano e agora seu mentor. Vamos, tenho que dar um jeito em você: Olha essas roupas, agora você me representa, não pode sair com esses trapos pelas ruas.

Talon engoliu em seco aquelas palavras. Seu ego havia sido o seu verdadeiro inimigo naquela noite, agora não passava de um cachorro do auto comando noxiano e aquilo o enojava. O que seria de sua vida agora ? Iria acabar como um daqueles soldados mortos ? Talon não parava de pensar um só segundo.

– Perdido em seus pensamentos ?Acalme-se meu jovem, você não será um mero cachorro. Tenho planos muito melhores para você. Para mim você é um diamante que precisa ser lapidado e após eu te ensinar algumas coisas sobre o estilo sombra, você será o melhor. Venha, vamos tem um banquete nos esperando em minha casa.

Aquelas palavras de alguma maneira consolavam Talon, ele não podia negar que havia despertado interesse nos ensinamentos e nas informações que aquele homem haveria de confiá-lo. Saber que mais alguém conhecia o estilo da lâmina das sombras era algo que deixava Talon entusiasmado, pois o que ele sabia era só a ponta do iceberg comparado com as habilidades do general.

O Palácio Du Couteau era enorme, uma estrutura tão grande que lembrava castelos medievais. A entrada era toda esculpida em marfim e os pisos eram tão polidos, que se era possível ver o próprio reflexo no chão. As paredes continham um estofado clássico, decoradas com algumas lamparinas orientais e quadros com horrendas criaturas do vazio. Sem dúvidas nenhuma esse general era um homem culto e misterioso e de muito bom gosto, pensou Talon boquiaberto com o palacete.

Ao subir por um vão de escadas enormes e bem esculpidas com o mais puro mármore, o general parou em frente a uma porta de carvalho.

– Esse é o seu quarto, virou o general ao rapaz.

O quarto seguia o mesmo estilo do resto do palácio, porém Talon estava maravilhado com o que via: Uma cama de casal imensa forrada com os mais caros lençóis e com travesseiros de penas de ganso importadas de Iônia, um banheiro particular composto por uma piscina de águas termais, e para finalizar, uma adega ao lado da cama com os uísques mais caros de toda Noxus.

– Eu poderia me acostumar com essa vida. Pensou Talon enquanto sentava na cama testando sua maciez.

O general se virou para Talon antes de sair do quarto, e disse com uma voz paterna:

– Tome um banho e durma, vou providenciar um banquete para você. Quero que descanse, pois amanhã teremos muito trabalho pela frente.

Mais uma vez aquelas palavras tocaram Talon de uma maneira curiosa, ele nunca havia tido o amor dos pais, pois nunca os conhecera e nem sabia nada a respeito. Agora vinha esse homem chamado Du Couteau, o derrotava facilmente em um duelo e em vez de lhe matar, lhe da um abrigo ? casa ? comida ?

Realmente o dia havia sido de forte emoções para Talon, tudo o que ele queria fazer agora era tomar um banho e dormir, pois o dia seguinte com certeza seria de fortes emoções.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.