Crônicas de um assassino
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Eles já me procuravam. Graças às câmeras que gravaram o incidente no camburão, conheciam meu rosto.
Eu acompanhava de longe seu progresso; avançavam lentos como tartarugas. Nenhum deles foi capaz de unir dois mais dois e encontrar meu passado, descobrir todo o resto.
Aquilo estava me deixando louco.
No dia em que minha mente começou a entrar em colapso, apenas corri. Para longe das pessoas, do perigo, do medo, da culpa.
Era fim de outono. Caminhei por tanto tempo que cheguei a uma estrada que não conhecia, ladeada por árvores. Folhas mortas chiavam sob meus pés. Em certo ponto, quando minhas pernas começaram a arder pelo esforço, sentei-me sob uma delas.
Gotas de suor escorriam pelo meu rosto, mas a maior parte delas não se devia ao cansaço.
Eu estava sozinho. Isso era, ao mesmo tempo, assustador e reconfortante, se é que faz sentido. Algo estranho me corroía por dentro, me queimava, tornava tudo escuro.
Meu único desejo era que acabasse, mas não era tão simples.
A consciência me atingiu com mais crueldade do que eu julgava ser possível: era esse o castigo pelos meus atos. Eu nunca me livraria dele... seríamos só eu e aquela dor pela eternidade.
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