Crônicas de luz e sombras

17 Parte 13: O reino de Deus. Mais um segredo a ser revelado.



—Não tenha medo pode se aproximar. Quando passamos dessa região, seremos redirecionados para o nimbus. Disse a entidade estranha que Zen tinha seguido até o medalhão. Ele esticou suas mãos para frente e sentiu que algo balançava entre seus dedos, como uma cortina gigante. deu alguns passos e passou para uma espécie de escadaria muito parecida com a de templos construídos em montanhas, a entidade que ele seguia estava a alguns degraus acima.

—Ei você. Zen grita fazendo com que ela olhe para trás.

—Vamos, suba. E a propósito meu nome é peris, pode até parecer um nome meio estranho mas é que meus pais não tinham bom gosto.

—Pensei que você fosse algum tipo de demônio.

—Já viu algum demônio de luz?

—Nunca vi um demônio.

—Pois vários deles destruíram muitas cidades no seu mundo, tenha cuidado com sua filha quando voltar.

—Espera. Quer dizer que o destino da minha filha não é vir até o Nimbus?
—É sim, mas não aconselho que traga ela aqui, o ponto chave para o sucesso de vocês será derrotar todos os obsidianos que existem, se ela viesse ao Nimbus não iria conseguir muita coisa.

—Agora minha mente está meio contorcida, ela disse que minha esposa entregou o medalhão para ela e que talvez seu destino fosse vir até o Nimbus e pedir ajuda ao Deus da luz.
—Não fale bobagens Zen, sua esposa não sabia da origem do medalhão. Ela apenas o entregou a sua filha por que você havia pedido isso. Mas por que razão você quis dar uma coisa tão perigosa a sua filha?

—Me lembro desde a primeira vez que o toquei, que tinha sentido uma sensação estranha. Eu estava muito longe de casa quando fugi dos obsidianos, minha magia de teleporte era muito fraca mas eu tive certeza que aquele medalhão iria me ajudar a encontra minha esposa.

—Não precisa dar detalhes extras, por que fez com que o medalhão fosse entregue a sua filha?

—Você estava no medalhão durante todo esse tempo, deve ter sido você que falou comigo naquela noite. Ouvi uma voz vinda de minha mente, dizendo que eu entregasse o medalhão para minha filha quando tivesse sete anos de idade.

—Não fui eu que falei com você. Os únicos seres presentes no Nimbus eram apenas eu e Deus. Sinta se privilegiado por ter sido o primeiro homem a falar com uma divindade.

—Eu não falei com ele exatamente, apenas ouvi o que ele disse e fiz o que pôde.

—Bem Zen, Deus é capaz de prever o futuro das coisas, ele prefere não intervir no que os humanos fazem mas dessa vez ele conseguiu sentir um grande perigo para ele. como viu que você tinha o medalhão e que se ele caísse nas mãos dos obsidianos seria perigoso, ele fez com que sua filha ficasse com o ele e evitasse problemas muito maiores.

—Mas os kanjis atacaram a aldeia de virulia, por que não levaram o medalhão que estava com a minha esposa?

—A magia dos que os criaram deveria está instável e fraca, se pegassem o medalhão naquele momento, iria acabar caindo na floresta ou em qualquer outro lugar, quando a magia para preparação dos kanjis é fraca, eles explodem. Não seria uma boa idéia danificar o medalhão.

—Mas...

—Guarde suas perguntas para outra hora, veja. Ela aponta para o início das escadaria. Zen olha para trás e vê que os degraus estava sumindo de um por um, se ficassem ali acabariam caindo.

—Viu Zen?, Se demorarmos mais um pouco vamos cair no infinito desse medalhão, posso ser um espírito mas se cair dessas escadarias nunca mais conseguirei voltar, isso se aplica a você também.

Eles então começam a caminhar para chegar até o topo, foi possível ouvir os roncos de alguma pessoa não muito longe dali.

—De quem são esses roncos tão altos, Peris?

—Isso é a Aiko roncando, é difícil conseguir relaxar quando ela começa a roncar.

—Essa é a primeira vez que a escuto roncando.

—Eu já faz uns dias que venho escutando.

Os dois riem. Passado alguns minutos subindo, eles chegam no portão do Nimbus, um portão grande e brilhante, Peris toca no seu centro fazendo com que ele abra. A forma que Zen via o Nimbus era muito diferente da que havia pensado, um lugar feito de nuvens, com Deus sentado logo a frente em um trono de ouro deu lugar a uma floresta grande e cheia de árvores. No centro, tinha um lago enorme de água cristalina, Zen não sabia demonstrar o quão grande era sua emoção em ver algo tão bonito. Peris se senta sem algumas rochas próximas ao lago e pede a Zen que também sentasse.

—Esse é o Nimbus?

—Sim, pelo menos uma camada dele.

—Camada?, Como assim Peris?

—O Nimbus é composto por cinco dimensões ou camadas se preferir, a última delas é onde Deus está. Com o poder do medalhão, não foi possível penetrar as outras camadas.

—Então se já passamos pela outra, essa é a segunda camada, certo?

—A escadaria que passamos e aquele infinito branco que você viu não era uma camada, era o medalhão.

—Então essa é a primeira camada do Nimbus. Pra onde vão as pessoas que morrem em meu mundo?

—Isso é muito complicado para explicar Zen, trouxe você aqui somente para lhe dizer sobre a origem do medalhão e o que eu estou fazendo aqui.

—Então que seja, me diga o que tem a dizer.

—Não seja tão grosseiro homem, eu sei que um de seus maiores desejos era vir para encontrar sua esposa, mas ela não está aqui, Deus fez um lugar diferente para as pessoas que morrem, não é no Nimbus que elas estão.

—Tudo bem, tudo bem. Me diga o que você queria dizer.

—Quero que preste bastante atenção. Eu já fui um ser humano como você e...

—Espera um ser humano?, Como assim?

—Não interrompa. Bem, como eu estava falando eu era um ser humano sim, mas fiz parte de um sacrifício a vários anos atrás, quando o medalhão seria criado. Eles precisavam de uma garota jovem de no máximo uns 20 anos de idade e virgem. Eu fui a escolhida para isso e fui sacrificada em nome da ordem dos cinco clãs que se uniram para criar o medalhão. Eram eles o clã kai, Bara, Futsu, Nanji e Giran. Logo após minha morte, minha alma foi selada com a magia deles no medalhão, me fazendo assim o guardião dele. Depois disso esses criaram um local chamado ponte, que abriria os portões do Nimbus e mostraria a escadaria, a mesma que subimos agora pouco. Mas eles erraram em seus cálculos, eles pensaram que no momento em que minha alma fosse selada no medalhão, eu não conseguiria mais sair, só que a magia de sua filha foi capaz de quebra-lo fazendo com que eu pudesse sair. Nós duas juntas ficamos bastante fortes quando nos unimos mas ela nunca notou minha presença, como ela falou sobre o medalhão com um estranho, tive medo de me apresentar e ela acabar entregando informações que iriam colocar sua vida em risco.

—E esse estranho, onde ele está?

—Nós duas matamos ele. com uma espécie de arma ele atingiu a perna dela fazendo um ferimento muito doloroso, pude ouvir seus gritos daqui mas não conseguiria fazer nada. Seu ódio por não conseguir salvar as pessoas que amava, fez com que ela despertasse uma magia desconhecida até por mim, quando notei estávamos juntas no mesmo corpo, mas eu era apenas uma espectadora, ela que assumiu o corpo.

—Aiko me disse que a magia dela era sugada pelo medalhão a deixando fraca só que não havia mais sentido isso.

—Havia uma espécie de cristal dentro do medalhão que sugava essa energia, com a ira de Aiko ele foi quebrado poucos segundo antes de me unir com ela.

—Muito embaraçoso entender tudo isso, mas me diz uma coisa, por que diabos mataram uma moça como você para isso?, É muita loucura.

—Errado, não há resultados sem sacrifícios primeiro. Se fui sacrificada foi por que eu me indiquei para isso, não fui obrigada nem manipulada.
—Mas então qual foi o motivo?

—Curiosidade Zen, curiosidade. Sabendo que meu corpo tinha uma alma e que sentiria dor apenas antes de morrer eu quis saber o que tinha do outro lado. Aqui não sinto fome nem sede e posso apreciar essa vista maravilhosa, não vou envelhecer, muito menos morrer pois já estou morta. Esse era o desejo dos que se uniram para fazer o medalhão, viverem além da morte no Nimbus, a terra de Deus.

—E por que só você está aqui.

Peris olha para baixo alguns segundos e começa a sorrir de forma macabra.

—Bem Zen, isso aconteceu por que começou uma guerra para quem ficaria com o medalhão, dando início a 2 guerra mágica.

Aquilo deixou Zen um pouco nervoso, mesmo a guerra tendo acabado, várias pessoas queriam o medalhão que estava com a sua filha, ele sentiu que mais pesado seria sua jornada daqui pra frente. Peris então se levanta e pega Zen pelo pescoço, o sorriso macabro continuava em seu rosto, não era a mesma pessoa que Zen conheceu.

—M-mas... Por que está fazendo isso comigo?

—Prestei muita atenção que as pessoas gostam de te pegar pelo pescoço, hahaha, máscara negra... Você não passa de um lixo. Se importa se eu te prender aqui um pouco?

—S-sua traidora, e tudo que me disse antes?

—Aqui no Nimbus é legal mas gosto da agitação do mundo humano. Vou me apossar do corpo de sua filha quando tiver a chance.

—Ela vai s-sentir minha falta e vai procurar por mim.

—Deixa que ela sinta sua falta, assim que ela acordar, falarei com ela pessoalmente e vou traze-lá para dentro do medalhão, mas claro que vou mentir para ela e prender os dois aqui, assim poderei drenar magia espiritual dos dois e usar o corpo de criança dela. Será maravilhoso!

Zen não contava com a traição de Peris, que pra ele parecia ser uma boa pessoa. Aiko estaria correndo perigo e se caísse na armadilha dela, colocaria o destino do reino em jogo.