Ok, definitivamente Hinata era a minha melhor e mais única amiga. Notem que eu estou sempre pulando alguns anos, então, eu farei isso novamente: eu estava com onze anos na época e não poderia estar mais feliz, levando em conta que eu já poderia ser considerado o mais jovem a se tornar perito em Ninjutsu e Taijutsu, creio que eu só estava inferior a Hatake Kakashi e ao Gai-sensei em tais, respectivamente. Mas enfim, voltando... aos onze anos, eu e Hinata estávamos muito próximos — ela tinha habilidades até bem comuns, nada grandiosas, embora tivesse um controle de chakra refinado e espetacular.

Eu, em contrapartida, dominava os ninjutsus da Academia, o estilo de taijutsu do Gai-sensei, conseguindo abrir até o terceiro portão — sim, eu fui procurá-lo depois de dominar o Hiraishin no Jutsu, então ele me ensinou ainda mais, claro que foram mais alguns anos de intensos treinamentos. Como eu disse, dominei e ampliei o Hiraishin no Jutsu, sendo capaz de me transportar para locais facilmente, apenas apontando para eles. Eu ainda não sabia ao certo o mecanismo estranho do Edo Tensei, então deixei esse jutsu para depois.

Hinata e eu convivíamos bastante, apesar do clã dela ser extremamente rígido, frequentemente ela me visitava em minha casa e nos divertíamos. Ela era uma pessoa espetacular e eu tinha em mente um método para ajudá-la, eu decidi lhe ensinar o Kage Bunshin. Ela se tornou mais livre comigo com o tempo, apesar de ainda ter uma timidez extrema, mesmo que eu a visse como uma pessoa esplêndida naquela época e ainda hoje. Bem, deixando isso para lá, nós estávamos naquele dia sentados na minha cama, eu fiquei surpreso ao saber que meditação era um treinamento básico dos Hyuuga para afinar o chakra e concentrá-lo melhor.

Ela lia algumas anotações da Academia silenciosamente, enquanto eu olhava para ela vagamente. Decidi interromper, afinal, eu tinha planos muito melhores para ela do que deixá-la ler as besteiras do Iruka.

– Hinata — eu a chamei. Ela se virou para mim, me olhando.

– Sim, Naruto-kun? — ela questionou.

– Eu posso lhe ensinar algo bem melhor do que essas baboseiras da Academia — eu declarei. Ela me olhou sem entender. — Você já dominou o mecanismo do Bunshin no Jutsu, né? Em que você deve concentrar uma imagem no ar e dá-la um nível parcial de consistência, formando uma imagem falsa sua.

– Dominei, Naruto-kun, mas o que você quer dizer? — ela perguntou. Eu sorri.

– Faça o selo do bode, entre em um vazio mental momentâneo, concentre chakra para fora de você, formando uma imagem, e diga "Kage Bunshin no Jutsu" — eu proferi.

– Tudo bem, Naruto-kun — ela disse, eu fiquei surpreso com a facilidade que ela acatou o que eu disse. Ela fechou os olhos, fez o selo e disse o jutsu.

Uma explosão. Eis que surgiu uma cópia exata de Hinata na nossa frente, na frente da cama em que estávamos sentados. Eu senti vontade de gargalhar da expressão perplexa da Hinata e eu realmente o fiz, gargalhando alto. Hinata me olhou, ainda assustada.

– Você parece que viu um fantasma, Hinata! HAHAHAHA!!!! — eu ria muito, nossa.

– M-mas Naruto-kun, e-esse clone é real!? — ela questionou.

Eu ri por mais alguns instantes, parando em seguida e começando a explicar.

– Sim, sim... é um clone real, pode inclusive lutar, não é, clone da Hinata? — eu perguntei, olhando para o clone diante de nós.

– É... acho que sim, Naruto-kun — o clone disse.

– Mas o clone pode ser desfeito se levar um golpe, mas a maior utilidade desse jutsu para mim é a coleta de informações: toda a experiência coletada por ele será passada para você quando o clone deixar de existir — eu disse.

Hinata desfez o clone e deve ter notado que recebeu as informações dele.

– E-então isso torna possível eu estudar por kage bunshin e até mesmo aprender jutsus, né? — ela perguntou. Eu, olhando para ela, mostrei o polegar, em sinal afirmativo (acho que estava falando demais com o Gai-sensei).

– Exatamente! Pode me agradecer depo... — eu ia dizer, mas senti algo ir em minha direção, era Hinata. Demorei uns instantes para perceber o que era.

Era um abraço. E durou alguns vários segundos, enquanto Hinata falava:

– Obrigada, Naruto-kun! Realmente me ajudou — ela disse. Eu fiquei sem ação por um tempo, mas decidi retribuir o abraço, não deixando que ela se afastasse.

Era, afinal, algo especial, eu nunca fui abraçado por ninguém antes, não queria que ela me soltasse. Mas logo após, eu a soltei e ela se afastou, olhando para baixo, provavelmente envergonhada.

– Ah, desculpe... é que eu nunca recebi um abraço antes, já que, como você sabe, todos me odeiam — eu me desculpei, um pouco incomodado.

– E-eu não te odeio, Naruto-kun, mas eu realmente já vi como t-todos te olham, eu só não entendo a razão — Hinata respondeu, ainda olhando para o seu colo.

– Olha, Hinata, algum dia eu posso acabar te contando o motivo, só que você vai me odiar também — eu respondi e lhe lancei um sorriso sem humor. Hinata me olhava, sem entender.

– Não acho que esse dia irá chegar, Naruto-kun — Hinata respondeu.

– Não, um dia eu vou acabar te contando e...

– Não é isso. Não acho que um dia serei capaz de te odiar — ela me interrompeu. Eu acho que a olhei como se ela fosse uma alienígena por muito, muito tempo, incontáveis instantes.

– É, eu realmente não acho que você seja o tipo de pessoa que odeia alguém — eu finalizei. Ela realmente era um anjo de pessoa, afinal, e eu... estava caminhando para me tornar um demônio, o que todos me diziam ser.

Notas finais
Reviews?