Antonny está em choque observando Katherine se afastando cada vez mais, ele tentava desesperadamente organizar seus pensamentos, afinal o que havia acontecido? O brilho dourado nos olhos, significa o quê? Seus pensamentos são interrompidos por uivos. “Não!”- pensou, e saiu em disparada para encontrar sua princesa antes dos lobos que seguiam seu rastro.

Ele corre numa velocidade fora do normal, os lobos que corriam atrás de Katherine tinham a vantagem, eram muitos e Antonny estava sozinho, ele para no alto da colina, fecha os olhos e inspira o ar a fim de sentir seu cheiro, não encontra e quando abre os olhos vê Jenevive presa à garganta de um cervo que jazia no chão. Percebendo a preocupação nos olhos de Antonny, assustada ela diz:

“Meu Senhor! Aconteceu algo? Onde está Katherine?”

“Ela se transformou, a perdi de vista, não sei para onde foi, mas há lobos seguindo o seu rastro, eu temo que Sirius esteja por trás dessa caçada. Vá atrás dos guardas e mande-os me encontrar. Rápido!”

Com isso e aos sons de uivos Antonny voltou a correr para encontrar sua princesa. Ele segue cada rastro que encontra, mas não consegue encontra-la “como ela pode correr tão rápido? E onde estaria? Será que os lobos a encontraram?” – pensou e logo tentou afastar esses pensamentos da sua mente, nunca iria permitir que alguém a machucasse, ele iria encontra-la e traze-la para segurança de seus braços.

Jenevive finalmente chega até Antonny com a guarda. O príncipe dá instruções e forma pequenos grupos para o resgate da princesa, ele olha pra Jenevive e pensa se deve ou não leva-la, ela percebeu o que estava se passando na cabeça de Antonny e interrompe:

“Por favor meu senhor, deixe-me ir, conheço Katherine melhor que ninguém, posso ajudar na busca.”

“Acho que você deveria voltar para o acampamento, caso ela volte.” – respondeu Antonny.

“Por favor, eu insisto.”

“Tudo bem, venha no meu grupo – assentiu Antonny – O restante de vocês faça como eu disse, quando encontrarem a princesa levem-na de volta para o acampamento e façam o sinal de fumaça... que os deuses nos ajudem! Vão!”

Katherine corria sem controle, como se uma bomba de adrenalina acabasse de ser explodida dentro de si, ela está confusa, desnorteada, mas não consegue parar de correr, ela pensa em como é linda a luz do luar, e em como se refletiram nos olhos de Antonny, e na força que a chamava para correr naquela direção, que força era essa? E como se sentia tão atraída por ela?

De repente ela percebe que correu para uma armadilha, viu que estava cercada por lobos que não reconhecia, o lobo do meio, era totalmente preto, com grandes olhos azul-cobalto que a encarava, ela o reconheceu da noite no jardim, e soube naquele momento que ele era o alfa, e a força que a atraiu até lá, vinha dele. Mas... como?

“Olá Katherine, estava ansioso para revê-la.” – Disse Calebe tranquilamente.

“Como está falando dentro da minha cabeça? Como me atraiu para cá? Quem é você? E pode me ouvir?— respondeu Katherine confusa.

“Sim, posso ouvi-la, é uma coisa interessante de lobo, podemos nos comunicar assim, e eu não a atraí para cá Katherine, fui atraído para você na mesma intensidade em que você foi atraída por mim, é o nosso sangue chamando... E aproposito, meu nome é Calebe.”

“Como nosso sangue?” — perguntou ainda mais confusa.

“Digamos que somos parentes, saiba que é uma grande honra finalmente conhece-la.— ele nota a safira azul brilhando no pescoço de Katherine e continua – Vejo que está usando o cordão de Ellara, não sabia que ele ainda brilhava.”

“Conheceu minha mãe também?” – Perguntou ainda mais confusa.

“Não, mas ouvi histórias.”

“Meu avô mandou você! Não foi?— acusou – Não sei o que pretende Calebe, mas não vou com você!”

Katherine sai em disparada, mas agora com outra motivação, ela sentiu perigo, não vindo de Calebe, mas do restante dos lobos que estavam lá, seus instintos diziam que tinha que sair de lá depressa, sem rumo outra vez, correndo para se afastar dos lobos ela sobe mata adentro. “Será que essa noite nunca vai terminar?” – pensou.

Katherine está completamente perdida, não sente mais os lobos atrás dela, e pensa “Como Antonny me encontrará?” Ela olha a sua volta, sua visão está perfeita, vampiros não enxergam muito bem à luz da lua, mas como loba, ela via tudo nos seus mínimos detalhes, fecha os olhos na esperança de localizar e escuta o som da corrente do rio. “É isso! O rio.” Concluiu sua estratégia e correu em direção ao rio enquanto os primeiros raios de sol cortavam o horizonte.

“ Graças aos deuses!” — murmurou Antonny ao avistar Katherine adormecida no leito do rio, seus longos cabelos formaram um manto sobre parte do seu corpo nú, ele hesita em continuar, não queria constrangê-la, olha para Jenevive, e agradece aos deuses por ela estra lá.

Jenevive avista Katherine e entende a hesitação do Príncipe, ela tira a capa vermelha que a protegia do sol, e cobre o corpo exposto de sua amiga. Antonny se aproxima e toma a princesa adormecida em seus braços para leva-la de volta ao acampamento.

Sem perda de tempo, Antonny já voltou ordenando aos guardas e desmontem todas as cabanas exceto a da princesa. Ele adentra no aposento improvisado, deita Katherine na cama e diz a Jenevive:

— Tente vesti-la o mais rápido que puder, sinto cheiro de lobos por essa redondeza, temos que sair logo daqui. Quando assim o fizer, me comunique e virei busca-la.

— Sim meu senhor – respondeu Jenevive.

Antonny está apressado, tem que relatar o que houve a Tyson, o bilhete não podia ser longo, ele escreve:

“Lobos, emboscada, de alguma forma sabiam quando ela se transformaria, já está a salvo, vamos prosseguir.

Antonny de Thorne.”

Ele enrola o bilhete e o lacra com o selo de Thorne que carrega como anel em seu dedo, prende numa pomba branca e a solta para que volte a Viranno.

— Tudo pronto meu senhor. – o surpreendeu Jenevive.

— Ótimo, vamos sair daqui.

As pressas tudo é colocado em seu lugar nas carruagens. Katherine ainda está desacordada nos braços de Antonny na carruagem do casal. A ordem é dada e as carruagens começam a andar.

Tonny com sua princesa nos braços começa a pensar em como será dali por diante, se Katherine estava relutante em aceitar o destino que lhe coubera, agora, com o temperamento de loba seria ainda mais difícil, ahhhhh por qual razão os lobos tinham de ser teimosos? Não conseguia entender, e será que seu lado vampira se manifestaria? O que a fraternidade faria a respeito? O que mais Sirius tentaria?

Seus pensamentos foram interrompidos quando notou a safira brilhando no atraente pescoço de sua prometida. Ele estica a mão para tocá-la, mas antes que consiga Katherine abre os olhos assustada, se dá conta de que está deitada no colo de Antonny, e tonta, tenta se sentar.

Katherine está confusa, não lembra direito o que aconteceu, ela facha os olhos para tentar lembrar-se, mas em vão... Uma dor latejante aflige suas têmporas, com as mãos na cabeça ela diz:

— Por favor... me diga o que houve...

— Do que se lembra? – perguntou Tonny.

Com os olhos fechados ela responde:

— De sair da cabana para vê-lo... Ah! Não lembro de mais nada.

— Saiu da cabana para me ver? – perguntou Tonny com um sorrisinho contido – Lembra como descrevi o dia em que sua mãe se transformou? Eu pensava que jamais veria uma cena tão linda quanto aquela... Até ontem a noite... Você é a loba mais bela que já ví.

Fingindo não escutar o que Tonny dissera e numa tentativa de mudar o rumo que a conversa levara, ela diz com as mãos na cabeça:

— Minha cabeça não para de doer...

Se aproximando Tonny responde:

— Deixe-me ver. Antes que ela pudesse reagir, ele toma seu rosto em suas mãos, observa que ela está suando, mas sua pele é fria.

— Olhe pra mim Kate. Pediu Antonny. Ele olha em seus olhos e percebe que estão tomados por tons de vermelho.

— Já esperava isso... – suspirou Tonny preocupado – o veneno de lobo em seu corpo está em confusão com sua parte vampira – notando o cordão pendurando no pescoço de Katherine, ele continua – Acho que talvez deva tirar essa safira um pouco, não entendo perfeitamente os efeitos dela em você, mas rezo para que alivie seu mal estar... Deixe-me ajuda-la.

Sem forças para protestar, Katherine permanece imóvel. Tonny com delicadeza afasta seus longos cabelos do seu pescoço, e, retira o cordão de safira, que logo perdeu o brilho, o que pareceu um grande alívio para a princesa, ela nunca havia notado como aquela safira pesava.

— Melhor? – perguntou Antonny – vou mantê-la em segurança, quando se sentir bem eu a devolvo.

— Acho que sim... Meu pai soube? – perguntou Katherine.

— Sim vossa graça, eu lhe mandei um bilhete antes de partirmos. Agora durma, descanse, se sentirá melhor quando acordar. Sem chance de protesto ele a toma em seus braços de modo que seu olhar ficou fixo no dela, por uns segundos podia jurar que o lampejo de luz dourada passou pelos olhos dela outra vez. Traída pelo seu corpo, Katherine relaxa e adormece...

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.