“E agora?” – perguntou Rodrick .

“Esperamos.” – Respondeu Calebe.

“Vamos pega-la agora! a carruagem está parada.” – sugeriu Seth.

“Não, ela virá até nós, só temos que ficar por perto!” – insistiu Calebe.

“Como sabe? É o seu instinto alfa?” – retrucou Seth.

“Hoje é noite de lua cheia, tenho quase certeza de que ela está com a safira de Ellara, e como a mãe, vai se transformar aos dezessete anos.” – Afirmou Calebe.

“Ahhhh nada como a memória da primeira lua cheia...” – falou Rodrick.

“Ela não saberá conter, e quando o momento chegar, estaremos aqui.” – concluiu Calebe.

“Como tem certeza de que acontecerá? Ela é metade vampira, não se esqueça Calebe.” – Contrariou Seth.

“Eu sinto meu sangue chamando, você sabe quão forte é a ligação entre a linhagem.” – Revidou Calebe.

“Na verdade acho que o que está sentindo por essa mestiça não é apenas o sangue chamando.” – Falou Seth com a intenção de provocar seu alfa.

Pronto, Seth tinha acertado em cheio, era exatamente o que Calebe pensava desde a primeira vez em que viu Katherine em Viranno. Era essa a realidade que não queria aceitar, só a conhecia de vista, porém seu instinto lobo sabia que ela era perfeita para ser sua fêmea, sua companheira e a pior parte era que Sirius também queria isso. Não! Não daria esse gostinho a ele, nunca. Também não podia deixar que um Beta falasse dessa forma com ele, Seth passara dos limites tocando em sua ferida.

“Seth volte para o restante da alcateia, está dispensado por hoje!” – Disse Calebe de forma ríspida.

Seth pôde sentir a ira de Calebe em sua ordem, achou melhor não discutir, afinal ele era seu alfa e mesmo se o enfrentasse a alcateia o defenderia, então como um bom lobo que estava longe ser, saiu dali de volta para alcateia.

O sol já estava quase se pondo quando resolveram parar para acampar. Encontraram um lugar na beira do leito de um rio, assim, a guarda pessoal do casal começou a levantar acampamento enquanto Antony punha os cavalos para descansar. Katherine caminha até a beira do rio e lembra que a noite seria clara pela tão esperada lua cheia, e a forte atração que sente por ela voltaria no mesmo instante, algo que em sua compreensão seria natural, mas mesmo assim temia a ideia de se transformar em loba.

Jenevive caminha até Katherine e pergunta:

“Tudo bem?”

“S..Sim.” – respondeu Katherine insegura.

“Não se preocupe, não será essa noite.” – disse Jene num tom tranquilizador. Katherine tinha orgulho do nível de intimidade que as duas tinham uma com a outra, quase nunca era necessário explicar, pois só com um olhar elas se entendiam.

“Como pode saber? Todas as luas me deixam nervosa, mas dessa vez é diferente é como se... algo em mim estivesse esperando a luz do luar essa noite...” – confessou Katherine

“Tudo bem, não se preocupe, você não está sozinha.”

Katherine sorrir e Jenevive a abraça, por fim, olhando para ela diz:

“Kate, nossa tenda está pronta, vamos?”

“Sim, é claro.”

As tendas foram armadas em meia lua, e no meio delas ficava a da princesa. Elas passam pelos guardas que descansavam sentados enquanto outros traziam lenha para a ascender a fogueira, Katherine procura Antony com o olhar mas não o encontra e conclui que ainda não havia terminado de cuidar dos cavalos. Elas entram na tenda e começam a revirar os baús em busca de vestes mais confortáveis. Katherine encontra um vestido azul claro longo que se encaixava perfeitamente em seu corpo e deixava seus ombros nus, ela vê o seu reflexo no espelho e decide usar uma tiara discreta de pérolas em sua cabeça só para deixar seu cabelo solto pra trás, ela passa a mão em seu pescoço e sente falta do cordão da sua mãe.

“Jene.” – chamou Katherine.

“Sim” – respondeu Jenevive enquanto se arrumava do outro lado da tenda.

“Você viu o cordão da minha mãe?”

“Ah sim, está no pequeno baú de joias.”

Katherine caminha até uma mesinha onde o pequeno baú estava e encontra seu cordão precioso.

“Sabia que você tinha guardado.” – disse com um sorriso enquanto o colocava em seu pescoço e deitava-se na cama que a guarda havia montado para ela.

“O que está fazendo Kate?”

“Estou descansando Jene.”

“Mas ainda é cedo, vamos Kate, não durma, ainda temos que comer.”

“Ahhh pelos deuses, poupe-me de ver vampiros se alimentando.”

“Tudo bem, mas você tem que se alimentar também.” – rebateu Jene.

“Jene eu não estou com fome, só muito cansada, prometo pra você que amanhã me alimentarei bem.” – mentiu tentando convencer a amiga, na verdade Katherine estava faminta, mas o seu cansaço e a repulsa que sentia ao ver vampiros se alimentando a fizeram decidir que seria melhor dormir.

“Tudo bem, se precisar de algo estarei lá fora.”

“Obrigada.”

Na verdade Katherine estava faminta, mas estava atônita, nervosa, e com medo de ver a lua. “ Hoje não por favor, por favor” – pediu. Algo dentro dela gritava pela lua, ela sabia que a noite não seria fácil, por isso ela fecha os olhos e tenta sentir-se sonolenta, tinha que dormir, ela sabia que a lua já estava surgindo lá fora, mas tinha de ser forte.

Antony volta ao acampamento e procura por Katherine, mas não a encontra, fica desapontado mas acha melhor assim, tudo que tinham de fazer era não chamar a atenção. Então ele vai até a guarda.

“Se quiserem caçar e se alimentar, fiquem à vontade, mas não vão muito longe.” – Lhes disse Antony.

“Meu senhor?” – Chamou Jenevive.

“Sim.”

“Tenho que caçar também, cuidará de Katherine?”

“Ela não se alimenta?” – perguntou Antony preocupado.

“Oh não! Oh... quer dizer, sim, ela se alimenta meu senhor, mas ainda não passou pela transformação, e nesse momento está sem fome, já foi para o seu leito descansar.”

“Tudo bem, pode ir.”

Então assim como a guarda fizera antes dela, Jenevive sai correndo em uma velocidade fora do normal, enquanto corre pensa em como amava ser vampira, sentir tudo da forma como sentia. Era incrível ser vampira! Mal esperava a hora de Katherine se transformar e elas caçarem juntas um delicioso jantar.

Jenevive sentiu um cheiro estranho, estava sendo seguida, instantaneamente parou, inspirou fundo afim de sentir onde estava o seguidor e como poderia ter um cheiro tão forte e peculiar? Jene não era medrosa, mas sabia quando não devia pagar pra ver, quando tenta correr outra vez uma figura negra e imensa está parada diante dela, ela se assusta mas não grita, “droga!” – pensou Jene.

“Você é um...”

“Lobo – disse Seth Calmamente – Muito tolo de sua parte sair por ai em plena lua, mesmo sendo assim, tão bonita.”

“Não se aproxime.” – Alertou Jene.

“Ah não seja assim tão sem graça, é noite de lua cheia, e os lobos só querem se divertir.” – Disse Seth maliciosamente.

A visão de vampiro era uma droga, não enxergavam muito bem à luz do luar, Jene tenta enxerga-lo mas as sombras tomam a face de seu perseguidor, ela pensa que seria tolice enfrentar um lobo em lua cheia, mas talvez se corresse o máximo que pudesse poderia despista – lo, não podia voltar para o acampamento, não podia levar aquele lobo até lá. “ E agora?” – pensou.

“Nem pense em fugir gracinha – disse Seth adivinhando seus pensamentos – Normalmente eu não gosto de vampiros, mas você cheira tão bem, e é tão bonita, vou deixa-la em paz por agora, minha alcateia vai precisar do beta.”

E com isso o lobo misterioso sumiu floresta a dentro, jene pensa que tem que ser rápida, se a lua atingisse o seu ápice enquanto ela ainda estivesse caçando correria sérios riscos, então volta a correr em busca de algo que satisfaça sua sede.