Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
6 Capítulo especial: Velha e doce infância... Não, pera, como assim Mark?
Notas iniciais
– E assim fica o nosso sistema tático até os reforços chegarem, todos de acordo? – Pergunta Steve já cansado depois de 3 horas de reunião.
– Acho que esta bom, pelo menos provisoriamente... – Disse Karol com sua cabeça apoiada em seus braços na mesa redonda que eles sentavam.
– Okay, então esta reunião esta oficialmente encerrada, agora vamos comer “crianças”! – Falou animadamente Martha.
E num passe de mágica todos já haviam saído da sala de reunião, que na verdade era apenas uma mesa redonda e “tocos” de madeira que serviam como cadeira em baixo de uma enorme árvore. E foram comer com todos os outros.
Como boa parte das casas foram destruídas pela batalha, e muitos perderam tudo, as refeições agora seriam em grupo. Quem tivesse comida a traria para a equipe de cozinheiros, e eles preparariam para todos. O espírito de “família” agora reinava entre os faunos. Um por todos e todos por um. Foi uma ideia de Peg, pois ela viu a situação das famílias dos feridos e se comoveu.
O jantar foi servido numa mesa comprima bem no meio da vila, onde haviam várias panelas cheias de comida. As pessoas faziam fila para pegar o alimento, e depois de fazê-lo, sentavam-se em roda na grande fogueira. Eles comiam, conversavam, cantavam e se conheciam, pois apesar de viverem a vida toda como vizinhos não interagiam entre si. Ao fundo deles, o cenário de destruição deixado pela Feiticeira. Escombros de casas queimadas, muitas ferramentas entulhadas num canto para a reconstrução, e, é claro alguns guerreiros vigiando em seus turnos.
Após comer junto à fogueira, Natasha um pouco pensativa saiu silenciosamente em direção ao rio. Apesar de todo seu cuidado uma pessoa percebeu sua saída, e a seguiu até lá. E depois de observá-la tomou coragem para lhe dirigir a palavra:
– Ei! O que você pensa que esta fazendo? Você pode cair no rio sua louca. – Disse uma voz incrivelmente familiar.
– A me deixa Mark! Vai lá comer seus trevos vai! – Natasha rio e disse sem virar, pois conseguiu reconhecer de cara a voz do amigo.
– O que faz aqui? Todos estão comemorando a vitória de hoje. Você deveria estar também, foi muito corajosa, apesar de ser tão desajeitada. – Ele andou até o lado da menina e lhe deu um soquinho no braço.
– É que... Eu precisava de um tempo pra mim. Estou preocupada com esse início de guerra, essas pessoas confiam em mim. Finalmente depois de tanto tempo, eu consegui conquistar a confiança deles. Mas tenho medo de fracassar, de que muitos morram por minha causa... Oras, por que estou te contando isso? Você não precisa se preocupar, pode ir lá, daqui a pouco eu volto.
– Como assim não preciso me preocupar com isso? Você é a minha amiga de infância, lógico que eu preciso me preocupar. Se lembra do que eu te falei naquela noite na árvore? Aquela em que você descobriu que foi adotada?
– Huuum, “Que eu pareço com um peixe por gostar tanto de água”? – Diz ela brincando.
– Lógico que não, eu disse “Mesmo que todos desconfiassem de você, eu ficaria do seu lado, confio em você”. Sinceramente, sua memória se parece com a do peixinho dourado. – Diz ele com ar de um quase insulto, mas mantendo a descontração entre amigos.
– Ah, sim, lógico que eu lembrava, só queria testar você. – Se explica a jovem.
– E aquela vez em que Marlom, o menino metido da casa de trás da minha, foi te chingar, quem foi te defender?
– Um fauno bobo e desengonçado chamado Mark Sansart, que quando surgiu para me proteger caiu por causa dos próprios cascos. – Disse ela rindo ao se lembrar.
– Bom, tirando essa parte, eu te protegi. – Retrucou um pouco vermelho. — E a vez em que você ralou o joelho, quem foi que limpou o machucado? – Ele tenta fazê-la esquecer de sua proeza desastrosa anterior.
– Você... – Ela respondeu se lembrando de tantas outras situações onde ele sempre a ajudava. – Mas eu também te salvei, por exemplo quando você caiu rolando montanha a baixo, ou quando a sua mãe ficou brava com você e te deixou de castigo eu fui conversar com você, e...
– Okay, okay, você também me ajudou ALGUMAS vezes. Mas o que eu quero dizer não é quem salvou quem mais vezes, mas sim, que em todos esses momentos nós estivemos juntos, em nenhum momento a gente se abandonou. E que isso vai continuar por toda a eternidade. E se por um acaso “eles” ficarem contra você, eu vou estar lá pra te proteger. Ou se a Feiticeira te sequestrar, eu vou caçar ela até te encontrar. Por isso não tenha medo de se tornar a maior líder de faunos de toda a história de Nárnia.– Ele disse num tom mais amável que normalmente.
–... Para de falar assim, se não eu coro seu bobo... – Diz a pequena guerreira cobrindo o rosto para que ele não perceba o quanto ela estava corada em ouvir isso do amigo... Ou talvez algo mais que amigo... Ela já não sabia definir.- Mark... – Diz ela olhando para o amigo, que agora estava sentado ao seu lado. – Você promete uma coisa pra mim? – Ela se vira para ele. – Prometa em nome de Aslam, que nunca, nunca mesmo, vai me deixar?
– Sim. Em nome de Aslam, eu juro. – Diz ele baixinho, se aproximando cada vez mais dela.
E numa noite clara, sem nenhuma nuvem. O rio com águas calmas refletiu Natasha e Mark no exato momento em que seus lábios se tocaram. Mas eles rapidamente se afastaram, Natasha olhou para ele surpresa com o que aconteceu ela ficou sem palavras. Mark entretanto envergonhado e confuso pelo que acabou de acontecer disse:
– M-Me desculpa... E-Eu... Não... Quer dizer...- Diz Mark corado.
–Eu preciso ir... A-Acho que esqueci meu arco lá na roda da fogueira. Depois a gente se fala. – Ela sai correndo, deixando seu amigo de infância sozinho na borda do rio, que agora, só refletia a lua cheia...
A confusa menina pegou suas coisas e foi para casa, e nesta noite, Natasha foi para cama cedo, ela deitou e ficou pensando no momento em que os lábios de Mark tocavam os seus, apesar de não ter durado nem 5 segundos. Ela não sabia se estava gostando de Mark como amigou ou realmente o amava. Então ela ficou se revirando, até finalmente decidir que iria procurá-lo na manhã seguinte, pois eles estavam no mesmo turno para vigiar, e perguntar o que foi aquilo para ele.
Ela teve que se levantar cedo, seu turno iria começar às 5:30. Mas como não dormiu muito bem, ela acordou atrasada. Levantou correndo, disse bom dia para a mãe que se levantara cedo também, para fazer o café da manhã da filha:
– Bom dia mãe. – Ela lhe dá um beijo no rosto. – Obrigada por acordar tão cedo, acho que eu estou um pouco atrasada. – Falou a menina afobadamente.
– Que surpresa filha – a mãe ri de forma calorosa. — Aqui estão as suas coisas. – Disse Jasminien gentilmente entregando uma mochila, um arco e a sacola onde tinham várias flechas. – Ah! Sua maçã, seu pedaço de frango-selvagem e suco de amoras do campo. – Entregou-lhe a paciente fauna.
– Nossa mãe! Obrigada, achei que teria que passar fome até acabar o meu turno. – Agradece ela ao colocar suas botas.Deu-lhe um beijo de despedida e saiu correndo, deixando uma mãe muito orgulhosa. Então a casa volta ao seu silêncio habitual.
Ao chegar no lugar onde seria seu posto, Natasha encontrou Mirna, irmã gêmea de Mark, sentada em baixo de uma árvore muito bonita, que estava florida, assim como todas as outras ( pois estava na época). O posto de vigia ficava ao norte, onde é o local mais provável da próxima invasão. Mesmo assim tinham vigias por todos os lados, pelo menos até os mensageiros trazerem os reforços.
– Desculpe à demora, eu acabei me atrapalhando. – Diz Natasha soltando uma leve risada com um pouco de desconforto por ter corrido o caminho inteiro.
– Tudo bem, agora você precisa ficar aqui até as 7:00. Então a Karol vai assumir. – Ela diz bocejando.
– Okay obrigada, bom descanso! – Natasha se despede da amiga.
Então, ela vê que Mark já esta no seu posto, e depois de muito respirar e de finalmente se acalmar. Ela vai ao encontro dele:
– O-Oi Mark... Eu queria falar com você...- E então ela é interrompida.
– Eu queria falar com você também... É... EU TE AMO. – Então ele fica em silêncio até tomar fôlego de novo- Eu fiquei pensando ontem a noite, aquele beijo realmente me fez acordar, já fazia um tempo que eu estava querendo te falar, mas não queria te assustar... Lembra que eu queria te mostrar algo depois da reunião... Então, eu ia te dar uma carta, que falava justamente sobre isso.
– Eu... – Começou a falar Natasha corada.
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