Crônicas de Mikvar - As Chuvas de Inverno
5 Capitulo 5 - Lysara II
Notas iniciais
Lysara
A manhã chegará cinza e lúgubre, como um pesadelo nada desejável. Enquanto corria, a bainha de couro de cavalo tremulava no alto da cintura, e uma ou duas gotas de suor escorria lentamente pela testa. O bosque era imenso, percorrerá já muitos metros, porém parecia interminável, não via mais o castelo que viveu toda sua vida, mas sabia que agora estava em pedaços, um enorme entulho chamuscado e cinzento. Ergueu o olhar e viu que o sol estará no alto, com os galhos íngremes das árvores tapando-o, porém a sua luz seria bem vista por Lya, e agradecerá aos deuses pela visão. Tinham dormido em uma caverna úmida, e o cheiro de estrume congestionava seu estomago, e ver o sol finalmente era realmente uma visão extremamente agradável, e também, longe das fezes. Bekka conseguirá fugir junto a Lysara com a ajuda de Lorde Newort, porém foi decapitado quando lutou para proteger as garotas, mas já tinham corrido o suficiente para não ser pegas. Bekka providenciou trajes e mantimentos para a viagem, não sabiam quando voltar, ou se iriam sequer retornar. Lya olhava constantemente sobre o ombro de relance para a garota, pelo aspecto do seu rosto, estava cansada. Lysara se aproximou da garota e ajudo-lhe a se sentar em um tronco partido.
– Está bem, Beki? – Perguntou-lhe pelo apelido.
– Só um pouco cansada, me dê...um pouco de água – Respondeu ofegante.
Lya levou à mão a cintura aonde pendia um odre cheio de água e entregou a garota. Bekka deu um gole rápido de forma que uma gotícula de água escorreu pelo canto da boca.
– Beki, precisamos de um lugar para descansar. Não uma caverna, só vai lhe prejudicar mais, precisamos de camas.
– Senhorita... Não... Temos... Valarines suficientes – A voz de Beki estava rouca de cansaço
– Mas precisamos de um lugar. Garanto-lhe que se eu disser ser filha de Jormund, as portas se abriram.
– Não... Acho uma boa... Ideia – Bekka se levantou e limpou a poeira da sua toga – Nem todos... Consideram seu pai como amigo senhorita – Comeram pão duro e queijo, e beberam um pouco de vinho, rápido demais. Prosseguiram fora da estrada, introduziram-se na colina de mata alta, onde vários tipos de árvores cresciam pinhos, carvalhos, castanheiros viram os tipos de arvores que nunca viram em Callan. Seguiram fora da vista da estrada, entraram mais na floresta abundante agora com grama baixa, uma vegetação desgrenhada crescia entre as rochas partidas que se amontoavam em cima de um curso de água em linha reta. Prosseguiram durante algum tempo o curso sinuoso da água, até que o curso terminou, e então subiram uma rampa estreita que deu em outra estrada. Quando chegaram na estrada, tropeçaram algumas vezes na vegetação rasteira que tapava a enorme estrada. As árvores eram cobertas de musgo, e a grama já não era tão baixo, e as prejudicavam muito as deixando com leves coceiras, as forçando a parar. O tempo voou rápido demais, e não deram tempo de conseguir uma estalagem para que pudessem ter cama e água quente. Tomaram um pouco de água que estava ali perto do rio, e reabasteceram o cantil. Entraram novamente na floresta pouco a frente da estrada, e se deitaram ali mesmo no meio do mato, o sono tomou Lya assim como o tempo passou, rápido de mais.
Pela manhã, saborearam um pedaço de pão duro e queijo tendo só a água para fazer com que aquilo descesse, então prosseguiram ainda na floresta. O sol pendia no alto, como se estivesse observando-as a cada passo. Os deuses estão conosco. Lya nunca tinha sido tão devota, passará a crer nos deuses quando os inquilinos invadiram sua casa e mataram aqueles que passaram a sua vida inteira ao lado da sua jovem senhora. Siga a Torre, para mais ao Sul, temos aliados lá que iram lhe proteger, irão lhe ajudar a recuperar Callan. Dissera o pai, e depois nunca mais o verá, provavelmente estará morto, e só de pensar nisso, as lágrimas chegavam, sem ser ao menos, convidadas. Lya não chegará a ver a quantidade de inimigos, mas enquanto vagueavam pela batalha, saberá que era realmente muito, ao menos o suficiente para quebrar a impenetrável muralha de Callan. Longos arcos circulares de madeira as protegiam do enorme calor que pairava sobre o ar, pelos feixes de luz encontravam seus olhos enquanto caminhavam, e Lya usava um pedaço de madeira para afastar qualquer coisa perigosa no caminho. Na noite passada, teriam sofrido muito por cascavéis ocultas na mata, e tiveram e deslocar para outro local, para que pudessem descansar longe das venosas cobras. Um ranger de madeira atrás de Lya fez com que virasse em um rápido e único movimento com a madeira erguida na defensiva, mas ao virar-se sua respiração parou...
Beki estava caída no meio no matagal.
Lya correu para socorrê-la deixando a madeira para trás, apertou seus braços ao corpo de Beki já de joelhos no chão de terra úmida. As lágrimas se apertavam nos olhos de Lya, quando sentiu a leve mão fria de Beki no rosto, a primeira lágrima escorreu.
– O-oque foi irmã? – Disse Beki, em tom lúgubre – Por que chora?
– Você está mal, Beki – Lya respondeu em tom tristonho, com as lágrimas escorrendo pelo rosto, passando pela leve mão de Beki — O que aconteceu?
Beki levou a mão direita até o braço esquerdo e ergueu a manga da longa toga cor creme, empoeirada, e uma picada se erguia, vermelha e onde uma bolha de pus tampava quase todo o local. Uma onda de agonia percorreu Beki, e fez com que lágrimas enchessem seus olhos.
– Lugubris – Lembrou-se Lya. A maldita cobra negra que causará uma dor infernal poucos minutos depois do individuo ser picado. O mestre de Lya, explicou-a um dia que o veneno causará a diminuição a dopamina , e faz com que o sangue ferve, e tal entra em colapso com o sistema nervoso, as artérias derretem, fazendo o individuo sofrer falência de todos os órgãos, por sorte, Beki não sofrerá os ataques da insanidade – Por que não me disse, Beki? Por quê? – As lágrimas escorreram mais rápido.
– Me desculpe irmãzinha – Fechou o olho quando um ataque de dor á percorreu – Me d-desculpe – E soltou um risinho – Pelo visto não vou me casar.
– Não fale isso, irmã – Sorriu em resposta. Beki levou ambas as mãos a mão de Lya, que acariciava o rosto pálido, e gelado – Me dê um fim rápido, agora, irmãzinha. Descansarei nos Salões de meus ancestrais, e serei sua guia para sempre, sempre estarei ao seu lado.
Novamente a dor percorreu a garota, já sem forças. Lysara sacou um velho punhal enferrujado, que ganhará de Lorde Newort, antes de fugirem de Callan. Colocou a na garganta da garota, que serrou os olhos para dar um leve relance para sua irmã...
– Te esperarei nos salões de Gundur, irmãzinha.
E a faca serrou a garganta levemente, o suficiente para cortar a jugular. Após o ato, Lya se entregou a chorar, enquanto o sangue de Beki jorrava pela toga e ensanguentava as mãos de Lya.
No final da tarde, Lya tinha enterrado o defunto, que um dia chamará de irmã, recitou algumas palavras da fé de seu povo, e partiu após lavar as mãos ensanguentadas. O luar já era eminente, quando parou para descansar, e aproveitou para fazer uma espécie de lança com o punhal e um pedaço esguio e largo de madeira que encontrara junto a si quando parou para descansar, e também acendeu uma fogueira; Só que nessa noite, não dormiu. Na manhã seguinte, prosseguiu após apagar o fogo, e beber água. A vegetação rasteira para o caminho mais a frente era grande, e Lya sofreu uns tropeções, pois em várias vezes, esquecera do seu caminho, e se lembrará do sorriso de sua irmã, que jaz agora de baixo da terra, isso fez com que se entristecesse. Se não fosse aqueles malditos... Bastardos! Por mais que provavelmente o pai, e mãe morrerão em Callan, teria certeza que Jormund tinha lutado para proteger sua mãe, e seus irmãos, e agora poderiam estar a sua procura, mas Bekka, justo a sua querida irmã, Beki tinha morrido, ali em sua vista e em seus braços, lamentará cada segundo, e também ficará furiosa, e jurará, que um dia iria retomar Callan e se vingará em nome de Beki, e isso pareceu dar certo, todas as promessas e juramento que cumpriu, a levou para a esguia Torre branca, e Lya saberá, que o destino estava ao seu lado.
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