Crônicas de Kyloth
3 O Solar de Ferro
Notas iniciais
Na entrada da Floresta do Norte, foi onde os três magos estabeleceram sua morada até que o mal fosse expurgado do Mundo. Eles viviam em uma cabana simples em que eles estudavam o lugar e seus povos.
Mas os animais que sempre lhes acompanhavam ficaram acuados de uma hora para outra, se escondendo ou fugindo.
— O que foi amiguinho? – perguntou Feuron, o mais amigável dos magos. Ele tinha um amor especial com os animais e plantas daquele lugar.
— Eu ouvi! – disse Danaron, o líder deles e o mais poderoso.
— O quê? – perguntou Eurion. Ele não era o mais amigável ou o mais poderoso dos magos, porém era o mais sábio.
— Um grito perverso, quase uma risada. Veio do norte – disse Danaron.
— Você acha que veio do Solar de Ferro? – perguntou Eurion.
— Os animais estão muito assustados – disse Feuron – Algo muito ruim está no mundo outra vez. Só isso para fazê-los ter medo.
— Temos que ir conferir a fortaleza – disse Eurion.
— Feuron, você deve ir até a Cidade dos Reis e depois até Valenya. Os povos livres devem ficar em alerta. Eurion, eu você iremos até o Solar de Ferro para investigar – ordenou o líder dos magos.
***
O sol já estava se pondo. O que era de fato uma coisa impressionantemente linda de ser ver de uma das partes mais altas da Grande Pirâmide. Dela, também era possível ver algumas das outras cidades do Império Valen, mesmo que ainda muito pequenas. E ao norte, era possível ver no horizonte uma “faixa” branca. “O Deserto de Sal”, pensou Strella enquanto estava na sala de banhos dos hóspedes e observava a linda vista.
Ela estava quase que completamente vestida, com um vestido de cetim. Sentia-se colocando sua última roupa, pois levá-la à força para selar um casamento era como levá-la para a forca.
Strella terminou de se arrumar e saiu da sala de banhos para voltar ao quarto, mas quando saiu deste, deu de cara com um rapaz não tão alto, porém exatamente de sua altura. Ele possuía olhos azul-esverdeados e seus cabelos eram do mais lindo e claro tom de louro.
— Me perdoe moça! – disse ele se recompondo.
— Nossa! Você não olha por onde anda? Está fazendo o que nesse lado da pirâmide? Aqui é a área para o banho das mulheres – explodiu Strella envergonhada.
— Bom, eu posso ir onde eu quiser. Até porque eu moro aqui – o rapaz respondeu ainda muito cortês.
— Ah... Ah... Ah... – ela gaguejou – Você... É o...?
— Príncipe? Sou – disse ele rindo – Alekey Valarr.
— Meu Deus, me perdoe Alteza! – naquele momento, a garota poderia se atirar do topo da Grande Pirâmide de tanta vergonha.
— Está tudo bem! – disse ele tentando acalmá-la. – Me chame de Alekey, não precisa me tratar assim a menos que estejamos na corte.
— Tudo bem. Mas desculpe por falar com você daquele jeito. Eu não sabia quem era o Príncipe. Aliás, sou Strella Blu.
O queixo do rapaz caiu.
— Você é a garota que veio do norte? – perguntou Alekey. – É com você que vou me casar?
— Se nossos pais aceitarem o acordo, sim – respondeu ainda com vergonha.
— Me desculpe pela ousadia, mas você é muito bonita. Mais bonita do que eu pensei – disse Alekey.
— Ah... Ah... – Strella estava gaguejando outra vez – Eu preciso ir. Nos vemos no banquete. – falou, e sem se despedir, saiu correndo na direção de seu quarto.
— Até mais... Lady Strella Blu. – disse o Príncipe Alekey sorrindo.
***
Danaron e Feuron tinham chegado a cavalo no Solar de Ferro. Seus enormes portões enferrujados permaneciam fechados e o lugar estava silencioso.
— Eu vou entrar. É melhor que você também vá para o sul e alerte todos. – disse Danaron indo na direção da fortaleza.
— Espere! E se for uma armadilha? – perguntou Eurion.
— Com certeza é uma armadilha, meu amigo – disse Danaron segurando bem seu cajado, pois ele iria ajudar muito.
O Solar de Ferro era um lugar em que o ar era sufocante. E o mago sentia-se constantemente vigiado.
— O mal que está aqui escondido – disse o mago em voz alta – Eu ordeno que saia das sombras. Eu ordeno que se revele! – mas nada aconteceu. O lugar permanecia quieto. Então o mago continuou sua caminhada.
Aquele lugar era sem dúvidas um labirinto, mas o mago sabia exatamente para onde estava indo: o centro. Lá poderia encontrar as raízes do problema.
— Quem está aí? – perguntou Danaron em voz alta assim que ouviu passos rápidos atrás de si.
Ele continuou andando, mas alguém pulou sobre ele e tentou estrangulá-lo.
O mago com seu cajado conseguiu derrubar quem estava sobre ele e colocar o cajado na cabeça dele.
— Volte! Você não é assim. – disse Danaron, fazendo o homem de meia idade ficar mais calmo.
O homem era um pouco baixo, e suas roupas não passavam de trapos e sua aparência estava deplorável. Ele com certeza tinha sido surrado e torturado por muito tempo.
— Me fale quem é você – disse Danaron ajudando o homem a se levantar.
— Eu era... – disse ele com dificuldade – O senhor... de uma grande família... das Terras... das Terras Douradas.
— Lorde Marken Gollde? – perguntou o mago perplexo com o homem que estava desaparecido há quase dois anos. – Seu filho também sumiu. Onde ele está?
— Eu... não sei. – disse Lorde Marken.
— Como veio parar aqui? Vocês estavam indo para Valenya!
— Foram os Soldados dele. Eles nos emboscaram no Deserto de Sal. Ele quer ter seu antigo poder outra vez. Ele queria o que eu tenho.
— Quem?
— Orys! O Mestre das Trevas ainda existe, Danaron. Ele roubou de mim. – Marken levantou sua mão direita e o mago pôde ver que seu dedo maior estava vazio. Era nele que o patriarca da Casa Gollde usava o anel de poder de sua família. Orys havia roubado-o.
— Onde está seu filho? – perguntou o mago.
— Ele conseguiu fugir uns dias atrás. Mas não consegui ir com ele. Eu não estava com a mente boa. Obrigado por ter me ajudado, aliás. Mas temos que sair daqui. Agora! – Marken começou a correr.
— Me espere! – disse Danaron, porém, de trás de uma pilastra, Sopespyam pulou e deu um chute no peito do mago, que fez ele cair no chão.
— Chegou tarde, velho! – disse o traidor com sua voz inumana.
— Onde está seu mestre? – Danaron levantara-se e com seu cajado causava um terrível dor de cabeça no traidor – Me diga onde ele está! Quantos vocês são? O que querem?
— Nós somos legiões e vamos destruir o mundo. E meu mestre... fique à vontade para procurá-lo – debochou Sopespyam.
— Corra Lorde Marken! – gritou o mago, enquanto juntava-se ao Lorde e ambos corriam na esperança de encontrar uma saída.
— Matem-nos! – ordenou o Cavaleiro, e os Soldados começaram a correr atrás dos fugitivos.
Danaron e Marken viam uma luz e a seguiram. Talvez fosse a saída. Mas não era. Tudo o que tinha ali era uma ponte semi-destruída sobre um desfiladeiro.
Foi aí que uma figura envolta por sombras os emboscou.
— Não existe força o suficiente em você mago! Que possa derrotar minhas trevas – disse Orys para Danaron.
— Ele está aqui! – disse Marken Gollde desesperado – Por favor, ache meu filho! Ajude ele a se tornar um grande homem, e, por favor, diga que eu o amo! Vai fazer isso? Prometa-me!
— Nós vamos sair dessa e você mesmo pode fazer isso! – disse Danaron levantando seu cajado.
— É tarde demais para mim. Minha luta acabou e estou voltando para Khazak-Ir! – disse Lorde Marken Gollde antes que Orys jogasse suas sombras e o agarrasse. O homem gritou e foi sugado pelas trevas.
— Não! – gritou Danaron, levantando seu cajado e jogando uma espécie de jato de luz contra o Mestre das Trevas.
Orys não facilitava para o mago, pois jogava suas trevas com toda força contra o velhote. Mas ele conseguia, com muito esforço afastar as trevas, mas o Mestre recuou apenas para jogar sua magia contra o mago mais uma vez.
A força do ataque fez Danaron cair. Ele tentou se levantar a tempo. Mas era tarde, pois Orys estava saindo da sombra que o envolvia. Ele estava começando a pegar fogo e sua forma era um pouco mais visível.
Danaron não conseguia sentir mais seu corpo e quando tentou usar seu cajado, Orys simplesmente explodiu o pedaço de madeira. A única coisa que permitia o mago de se defender.
O velhote caiu mais uma vez no chão, e com sua magia, Orys jogou-o contra uma das paredes de pedra.
— Há quanto tempo, velho? – disse Orys para Danaron enquanto gargalhava.
— Orys! – foi a única coisa que o mago pôde dizer, pois ele logo perdeu a consciência.
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