Crônicas de Ghost River #Wayhaught
13 #SaveWaverly
Notas iniciais
#SaveWaverly
A cidade estava um caos, Gus tinha vendido o Shorty's para um sujeito chamado Bobo Del Rey. As pessoas pareciam ter medo dele, mas quem ia negar uma inauguração com tudo na faixa? Já era de se esperar que o local ia estar lotado e ia ser o foco principal de brigas, principalmente porque metade das mesas estavam reservadas para pôquer e pôquer espetacular. Jogo e bebida de graça, a gente ia precisar de reforços.
Julia apareceu para o jogo, mas eu ainda não tinha encontrado com a Dini. A sensação artificial logo voltou quando ela veio tentar flertar comigo. Eu estava trabalhando, mas dessa vez de uniforme, ela não poderia me fazer passar por uma policial imprudente. Dickenson disse ao Nedley que não estava se sentindo bem e não foi trabalhar, mas eu o encontrei em uma das mesas bebendo intercalados tequila e whiskey. Julia se sentou com o guarda para jogar e outros dois homens, que não parecia que iam reagir bem se perdessem. Eu estava sozinha ali, como ia separar uma briga de bar?
O xerife chegou um pouco antes da partida terminar, as pessoas o respeitavam e não só por ele ser o xerife. Era isso que eu queria.
Depois de esvaziar os bolsos de todos os competidores, Julia se levantou vitoriosa e foi me procurar, eu alternava entre a fila, o quarteirão e a parte de dentro do shorty's. Ela me encontrou quando eu virava o quarteirão.
— Sabia que você estava me esperando. — Tentou me encurralar na parede.
— Não — A empurrei sem muita força — Estou trabalhando. — Voltei a caminhar, sabia que ela iria me seguir.
— Você não é tão fácil quanto a maioria. — Andou mais rápido até parar de frente para mim. O sentimento artificial aumentou um pouco, do tipo que me fazia querer conversar com ela.
Enquanto eu tentava passar por ela, mesmo contra vontade, começamos ouvir gritos, a voz era conhecida. A moça deixou que eu passasse, sem maiores problemas. Quando entrei no shorty's, Wynonna estava com sua arma apontada para o teto e os amigos do Bobo apontando as armas para ela. O xerife pediu que ela abaixasse a arma, ela não obedeceu. Wynonna não era muito boa com figuras de autoridade. Dolls não estava lá para ver a cena. Andei até o Nedley e perguntei o que tinha acontecido. Ele ficou um pouco pensativo e me entregou um papel.
— Waverly achou esse bilhete nas coisas do tio dela e ela foi procurar essa Mattie, mas ela não chegou até lá e a Wynonna acha que o Bobo e a Cece levaram ela. Até agora ele não faz ideia do que ela está falando. — Peguei o bilhete, mas não estava escrito em uma língua que eu pudesse entender além do nome Mattie.
— Você sabe quem é Mattie e Cece? — Perguntei, guardando o papel no bolso.
— Mattie é a ferreira, ela quase não sai de casa. Cece é a Constance Clootie, conhecida também como a bruxa de Stone. — Wynonna abaixou a arma e começou a gritar que se a irmã não aparecesse em 2h ela ia interrogar cada um.
— E onde a ferreira mora? Eu não posso ficar parada quanto levaram a Waverly. — Minha mão começou a ter um leve tremor quando pensei no que poderia acontecer.
— Isso não é assunto do nosso setor, Oficial Haught. Com licença. — Andou até a outra ponta do bar. Julia tentou falar comigo, mas eu não conseguia pensar em outro caso que não fosse a Waverly perdida. Fui até a Wynonna que conversava com o Henry.
— Você sabe de mais alguma informação? Eu posso ajudar em alguma coisa? — Wynonna e Nedley trocaram olhares discretos.
— Obrigado, Oficial Haught. — Agradeceu Doc tirando o chapéu — Caso a gente precise, com certeza a gente vai te avisar. — Se retiraram do bar.
A fila do lugar só aumentava, eu tinha que me manter focada apesar de tudo. Wynonna salvaria a irmã, certo? Certo? Olhei meu celular para ter certeza que ela não tinha me mandado nenhuma mensagem. Ela havia me mandado uma mensagem, mas eu primeiramente não consegui entender. Me sentei na cadeira do bar, Julia se sentou ao meu lado sem que eu percebesse.
— Aprendendo código morse nos intervalos? — Perguntou, olhando a tela do meu celular.
— Claro. Claro. — Levantei e avisei o Nedley tinha me enviado uma mensagem e que precisava ir para a delegacia. Quando eu cheguei lá, Dickenson estava no corredor, um pouco bêbado. — O que você veio fazer aqui?
— Nedley disse que ia me dar advertência se eu não saísse da mesa de jogo.
— Eu vou entrar, mas qualquer coisa eu não estou aqui. -Fui para minha mesa e descodifiquei a mensagem "--. /.-. / ...../.----/....-/-...." e ".--. /.... /..."
O primeiro código parecia uma placa de carro e o segundo uma sigla. Avisei no rádio a placa, para que não deixassem sair da cidade, enquanto eu procurava a sigla. Mandei uma mensagem para Wynonna dizendo que tinha recebido uma mensagem da irmã dela e para ela me encontrar em frente a antiga escola dela. Eu não podia e nem ia usar a vida da Waverly para tentar entender o que estava acontecendo, mas eles precisavam da minha ajuda e eu precisava saber o que estava enfrentando. A essa altura eu já imaginava de tudo. O que o Nedley quis dizer com "Bruxa", afinal?
Estacionei o carro em frente a escola e Doc, Wynonna e Dolls estavam lá.
— O que minha irmã te mandou? — Perguntou Wynonna, andando em minha direção com sua arma na mão direita.
— Eu vou te mostrar o que ela mandou e o que eu descodifiquei, mas antes e que seja rápido para a gente não perder mais tempo, eu preciso entender o que a gente está enfrentando. A gente está preparado para isso?
— Oh minha querida. — Disse Doc — Você não faz ideia. — Dolls o olhou com ar de desaprovação e Wynonna só não voou em cima de mim porque o Doc estava entre a gente.
— O que minha irmã te mandou? — Perguntou com pausa entre as palavras e com o tom de voz mais alterado. Doc afastou Wynonna.
— A gente não sabe porque a Constance Clootie levou a Waverly, mas eu posso te garantir que o que você vai ver, nunca viu antes. — Avisou Doc — Não é a toa que ela é chamada de bruxa.
— Ah, claro. — Respondi irônica. Wynonna e Dolls permaneceram em silêncio, olhando para o Doc, como se ele não pudesse ter dito. — Espera, isso é sério? — Wynonna levantou uma das sobrancelhas e olhou para o chão, impaciente. — Ok. — Concordei, tentando acreditar que aquilo realmente existia. Peguei o celular e mostrei a mensagem para Earp e um papel com a tradução. Depois devolvi o bilhete que eu tinha guardado que o Tio Curtis tinha deixado para Waverly, para Wynonna. — O primeiro código é a placa de um carro, já deixei as viaturas em alerta e o segundo código são as iniciais de Purgatory High School, mas ela pode estar aqui como também pode ter mandado a mensagem quando estava passando.
— A gente tentou rastrear o celular dela, mas o último sinal foi perto da casa da Mattie. — Avisou Dolls, pensando no que a gente deveria fazer. — No Shorty's o Bobo disse que a Constance não ficava no mesmo lugar, pois ela tinha muitos inimigos, isso quer dizer que ou ela invade os locais ou fica em hotéis. — Pegou o celular — Segundo o GPS têm 3 hotéis aqui nessa região.
Eles começaram a se movimentar, como se soubessem para onde estavam indo e qual era o plano, apenas os segui. Wynonna entrou nas três recepções e mostrou a foto da Waverly, ninguém a tinha visto, mas aqueles hotéis normalmente as pessoas não passavam pela recepção, então provavelmente não tinham visto nem a tal da Cece. Peguei o celular e mandei mensagem para o Nedley, avisando que a gente precisava de um mandado de busca para entrar nos quartos, não que a Wynonna não estivesse fazendo isso, mas era melhor formalizar. Em menos de meia hora hora ele estava em frente a escola com o mandado assinado pelo juiz Cryderman. Wynonna estava invadindo o segundo hotel, com o Dolls, mas o carro que a Waverly tinha enviado a placa não estava no estacionamento, a gente estava no local errado. Doc vigiava um lado do quarteirão e eu o outro. Não havia nenhum vestígio da Waverly.
A gente voltou para a delegacia sem nenhuma pista nova. Eu estava começando a ficar desesperada por não saber o que fazer para encontrá-la. Doc levou Wynonna até um canto e ele saiu de lá com algo nas mãos, não pude ver o que era. Depois de alguns minutos, informaram pelo rádio que o carro, da placa informada, estava parado no acostamento da estrada, sem ninguém, saindo fumaça do motor. Fomos até o local, revistamos o carro e não encontramos nenhuma pista.
— Eles devem ter trocado de carro. Droga! — Disse Wynonna se agachando no chão, com as mãos apoiadas sobre a cabeça. — Espera. — Colocou a mão na neve e tirou algo de metal. Era um dos anéis que a Waverly usava e mexia quando estava nervosa. — Se eles tivessem trocado de carro isso não estaria aqui.
Andamos sentido oeste, mas em meu campo de visão não havia nada além de muito gelo. A temperatura estava começando a cair. Wynonna andava rápido e parecia que tinha visto algo. Logo avistei uma cabana de madeira, no meio do nada. Dolls entrou na frente, não tinha nada além de algumas cadeiras, uma mesa com rum e muito sal pelo chão. Wynonna chutou uma das cadeiras e parou para pensar no que faria em seguida.
Começou a escurecer e resolvemos voltar para a delegacia. No meio do caminho Doc ligou para ela, mas o sinal estava ruim, ela não conseguiu entender.
— Onde ele foi? — Perguntei, entrando na delegacia. Ela me olhou e continuou andando.
— Ótimo, sem respostas. — Respirei fundo.
— Ok, o Doc foi buscar ajuda de uma forma não convencional. — Respondeu e esperou para ver se eu aceitava a explicação.
— Desde que a gente ache sua irmã... — Wynonna olhou para mim de uma forma que nunca tinha olhado antes.
— Por que o interesse repentino em achar minha irmã? — Parou no corredor e cruzou os braços.
— Não é como se eu não me importasse, eu gosto dela. — Wynonna me encarou por alguns minutos, até que descruzou os braços e voltou a andar até a sala dela. — Vocês já tentaram traduzir o bilhete? — Perguntei.
— Ele está escrito em alguma língua morta, só a Waverly saberia traduzir isso. — Respondeu Dolls. Wynonna tirou o bilhete do bolso e se sentou de frente para o computador. Em uma das prateleiras peguei um livro que era como um dicionário em latim e tentei ajudar a traduzir.
Depois de quase uma hora terminamos e não sabíamos se o texto que não fazia sentido ou se a tradução que realmente tinha ficado péssima, além do tempo que tinha deixado o papel com algumas manchas ocultando algumas palavras.
"Querida Waverly, se você recebeu (alguma coisa) essa carta, quer dizer que algo (alguma coisa) comigo.
Cuidado com a Cons....(provavelmente Constance), ela sabe que você importante. Caso você precise de ajuda, (alguma coisa) com a Mattie.
Com amor, tio Curtis."
— Acho que a gente precisa conhecer essa moça. — Comentei e logo em seguida Doc ligou novamente. Wynonna anotou um endereço e apenas disse "vamos".
O endereço nos levava até uma casa entre os hotéis e a cabana. Wynonna quebrou a porta do local com um chute e entramos. Não havia nada e nem ninguém na sala. Entramos em todos os cômodos do térreo. Dolls achou a entrada para um porão e avisou a gente, quando chegamos lá, havia um bilhete escrito "Olá, Wynonna. Vocês estão atrasados." Dolls encontrou uma câmera de escondida dentro de um pote de vidro transparente, com pregos dentro.
— Vamos sair daqui, agora! — Ordenou Dolls, correndo escada a cima.- Vou tentar achar a memória da câmera e vocês duas saiam daqui. — Saímos do porão e quando a gente ia sair da casa, demos de cara com o Doc que não entendeu porque estávamos indo embora.
— Waverly está lá dentro. Eu posso te garantir isso. — Disse Doc, entrando na casa e subindo as escadas para o quarto, a gente já tinha ido lá, não havia nada.
O celular da Wynonna tocou, ela tinha recebido uma notificação de rastreio do celular da irmã e sumiu novamente.
— Se ela não estiver aqui, ela está muito perto. — Comentou e subiu junto com o Doc. Dolls estava no escritório da casa tentando acessar o computador. Resolvi ir para o lado de fora, poderia ser que tinham algum cômodo sem uma porta "normal" para acesso. Contei as janelas e depois entrei para verificar a parte de dentro novamente. Doc e Wynonna tentavam acessar o sótão.
Era revoltante como não parecia ter nada errado naquela casa, até a falta de ruídos era estranho.
— Doc, como você conseguiu esse endereço? — Perguntei, depois de checar todas as paredes e armários.
— A ferreira me passou. — Wynonna estava com os pés nos ombros do Doc, para tentar puxar a escada do sótão, mesmo assim ficava um pouco mais para cima do que ela alcançava.
— E como ela conseguiu o endereço?
— Feitiço de localização, claro. — O primeiro pensamento que me veio foi "Feitiço, ahan", mas depois de ter passado horas atrás de uma "bruxa", parecia prudente acreditar.
Fui até um dos quartos e peguei um banco de madeira, de pelo menos 15cm e dei para o Doc subir. Wynonna conseguiu puxar a escada e entrar no local. Waverly não estava ali, mas talvez ali tivesse alguma pista do motivo da Constance ter sequestrado ela. Não tinha nenhum grande mistério por ali, apenas livros antigos e fotos de pessoas que a gente não conhecia.
— Você reconhece alguém? — Perguntei.
— Além da Constance e do marido dela que era o Xerife antes do Nedley? Não. — Respondeu Wynonna apontando a foto onde haviam 5 pessoas.
— Esses dois podem ser filhos dela? Ou os três?
— Ela tinha dois filhos, mas eles foram mortos. — Respondeu Wynonna, enquanto o Doc subia as escadas.
— Seu avô matou os filhos dela para se vingar do xerife. — Respondeu Doc, pegando o porta-retratos. — Essa moça, eu não sei quem é.
— Bom, espero que o bebê tenha se salvado. — Apontou para a barriga da menina ao lado de um dos irmãos.
— Eu vim avisar que o Dolls conseguiu as imagens daquele negócio. — Desceu as escadas logo após Wynonna.
Aparece que a Constance tinha levado a Waverly para lá, mas logo cobriram a câmera e só continuava com o áudio. A bruxa reclamava que não era para tê-la machucado e que precisava dela viva. O rapaz que estava com ela pedia desculpas. Waverly não gritou em nenhum momento. Não ficaram ali por muito tempo, antes de saírem Clootie disse "Estão tentando nos achar".
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