Notas iniciais
Ei, obrigada a todos que chegaram até aqui. Espero que gostem do final!

Sai correndo para o endereço da mensagem. Quando cheguei no hotel e abri a porta do quarto, vi Wynonna algemada, coberta parcialmente por um lençol. Vida sexual agitada a dela...

— Se você rir vai demorar mais para me tirar daqui. — Reclamou enquanto eu ria.

— Onde está a chave? — Comecei a procurar pelo quarto.

— Onde está minha comida? — Peguei na bolsa uma barra de cereal.

— Se reclamar eu te deixo aqui. — Abri a embalagem e coloquei o conteúdo na boca dela para ela morder. — Onde está a chave?

— Use seus talentos de futura oficial Haught e se vira sem ela. — Revirei os olhos e olhei no canto da cama, na mesa, no armário e não encontrei a chave ou nada que pudesse abrir a algema. — Vê se tem algo que te ajuda na minha bolsa. Isso se deixaram algo dentro dela... — Olhei para ela.

— O que aconteceu aqui? — Peguei a bolsa e joguei o que tinha dentro em cima da cama.

— Ah, a gente estava se divertindo. — Deu de ombros.- Ele começou a falar umas besteiras que mulher dele tem que ficar em casa e coisas do tipo. Começamos a discutir, quando eu vi ele saiu e me deixou aqui.

— Espera, vocês começaram a discutir enquanto transavam? — Coloquei a mão no quadril e esperei ela responder.

— Ele achou que eu ia ficar mais animada se ele dissesse que eu seria bancada para o resto da vida. Um idiota total. — Ri e voltei a procurar algo para tirá-la de lá.

— Spray de pimenta, corda, calcinha, documentos falsos, ingressos e um tarja preta. — Olhei para ela — Você realmente é uma pessoa precavida. — Logo achei um grampo de cabelo e o abri.

— Eu já não sinto minhas mãos. — Peguei o resto da barra de cereal que eu tinha deixado em cima da barriga dela e coloquei em sua boca, para ela parar de reclamar por alguns segundos. Comecei a mexer o grampo para abrir a algema e depois de longos minutos, consegui. — Ela desceu os braços lentamente, tentando fazer o sangue voltar a circular.

— Você vai ser uma boa policial. — Puxou o lençol para o lado e se levantou. Me virei, ficando de costas para ela.

— Ou uma boa criminosa.

— Aposto que é seu sonho ficar presa num lugar cheio de mulheres. — Pegou a roupa dela na cadeira e começou a se trocar.

— Ladras, sociopatas e assassinas? Não foi bem isso que eu planejei para minha vida. — Voltei a olhar para Wynonna. Ela começou a olhar as coisas em cima da cama e viu que o celular não estava.

— Droga, aquele imbecil levou meu celular.

— Então como você me ligou? — Perguntei me sentando na cama.

— A camareira entrou, eu pedi para ela me ajudar, mas ela não tem seu talento. Depois que ela me emprestou o celular disse que estava com pressa para ir embora e saiu. — Jogou os objetos na bolsa. — Vem, vamos sair daqui que eu quero saquear uma lanchonete e comer todas as panquecas possíveis. — Saímos do quarto e no corredor, enquanto esperávamos o elevador, ela olhou para mim — Agora a gente tem uma ligação, oficial Haught e eu estou te devendo uma.

Quatro anos depois eu me formava na academia de polícia, primeira da turma e com proposta para trabalhar algumas cidades próximas. Decidi por voltar para Maldito.

Charles, que estava na academia de polícia, mas em outra turma, resolveu me fazer uma festa de despedida. Ele estava doido para me apresentar a irmã dele. Minha mãe não estava muito contente em me deixar sozinha, mas já estava na hora de andar com as próprias pernas, afinal eu não ia conseguir virar uma detetive respeitada vivendo na barra da saia da mamãe. Eu tinha que me arriscar.

Nos anos seguintes a viagem, Wynonna e eu havíamos mantido contato. Aquela garota realmente sabia se meter em confusão. A convidei para minha festa de despedida, assim como ela havia me convidado quando deram uma para ela ano passado.

Charles reservou parte de um restaurante e logo a festa começou. Exceto por Charles, Heloíse, Olivia e Wynonna eu não conhecia ninguém. Logo Chris chegou e pediu para dançar com Wynonna. Heloíse cuidava dos drinks enquanto seu olhar furioso "queimava" minhas costas, enquanto eu dançava com Olívia. Charles andava o caminho da entrada até a gente puxando uma moça pelo pulso.

— Nicole Haught, essa é a Joan Clarissa Cohen. — Clarissa estava com a cara fechada e deu uma cotovelada nele. — Ela odeia o primeiro nome, mas perdeu uma aposta, então eu vou chamá-la de Joan a semana toda. — Ela revirou os olhos e cruzou os braços. — Mas não liga para a cara dela não, ela normalmente é uma pessoa gentil.

— Prazer, Clarissa. — Enfatizei que não ia chamá-la pelo primeiro nome e estendi a mão. Clarissa? Aquele nome não me era estranho. — A gente vai sentar, quer vir com a gente? — Encostei nas costas dela e a conduzi até a mesa, junto com Olívia, que não parecia muito feliz em dividir minha atenção com outra pessoa. Depois de alguns minutos todo mundo pode ver que Clarissa era a pessoa mais engraçada do lugar. Então me dei conta que Wynonna tinha sumido, procurei por Chris, também não o encontrei. Wynonna não perdia nenhuma oportunidade. Eu podia ser mais como ela.

— ... é sério, a montanha russa parou e eu estava bem na parte de cima. Pelo menos não estava de ponta cabeça. — Continuou — Mas foi ótimo.

— Você ficou presa em um brinquedo, há mais de 50 metros do chão e achou ótimo? — Questionou Olívia, a cutuquei para ela parar de implicar com a recém-chegada.

— Sim, foi ótimo, estou saindo com o bombeiro que me tirou de lá. — Todo mundo começou a rir, inclusive Olívia. Fiquei levemente chateada pela moça dizer que está saindo com um homem. Talvez, só talvez eu quisesse conversar por mais tempo com ela, sozinha, mas Olívia não ia se afastar e nem facilitar para isso acontecer.

— Por que você não gosta do seu primeiro nome? — Perguntei depois de algumas horas de conversa e bebidas.

— Ficavam zoando o nome dela na escola, falavam que era de menino. — Disse Charles.

— Até o dia que eu peguei a cabeça de um dos meninos e bati no extintor, ele sangrou até chegar no hospital e eu fui expulsa da escola. — Continuou.

— E ela ia todos os dias na escola para me buscar e fazer eles abaixarem a cabeça. — Respirou fundo — Eu amo minha irmã. — Deu um abraço forçado.

— Joan me lembra sangue, então não é algo que eu goste de ficar ouvindo ou escrevendo. — Pegou a garrafa de cerveja pela metade e virou. Fizemos o mesmo. Clarissa ao terminar de beber começou a me encarar, depois a música mudou. Ela se levantou e me puxou pelo braço para dançar. Como se não bastasse a Heloise me queimando com os olhos, por não ter ligado para ela semana passada, depois de ter passado o final de semana em sua casa, Olívia parecia me julgar.

— Sua namorada não parece muito feliz. — Levantou meu braço e me fez rodar.

— Ela não é minha namorada.

— Então quer dizer que eu não preciso te devolver. — Me puxou pela cintura e ficou com o rosto próximo ao meu.

— Quer dizer que ela não é minha namorada. -Sorri e me afastei sutilmente.

— Minha casa ou na sua? — Me olhou com um tom irônico, mas persuasiva o bastante para saber que era sério.

— Eu não posso simplesmente sair da minha própria festa. — Ri.

— Você é uma pessoa livre. -Apertou minha cintura me puxando para ela, novamente e saiu andando, logo quando a música acabou. Voltei para mesa.

— ... Os caras da minha turma fizeram a única garota desistir da turma. Não divulgaram o que aconteceu, mas parece que foi algo bem violento. — Charles contava algo para as pessoas da mesa.

— Tudo bem? — Perguntou Olívia.

— Tudo bem. — Clarissa sempre dava um jeito de me olhar de forma provocativa. Olivia começou a ficar irritada.

— Eu vou embora. — Levantou e colocou a bolsa no ombro, esperando que eu a acompanhasse.

— Ok. — A olhei, enquanto bebia um pouco de energético. — Quer que eu peça um táxi? — Ela não respondeu, apenas saiu andando. Não parecia muito feliz.

— Você é minha agora ou eu preciso dispensar mais alguém? — Todos que estavam na mesa me olharam, enquanto tentavam engolir o riso.

— Melhor eu me levantar antes que eu me arrependa. — Me levantei — Obrigada pela festa, Charles.

— Amanhã você vai me agradecer por ter trazido minha irmã. — Balancei a cabeça negativamente e sai do local. Clarissa me seguiu até a entrada. Acordei no dia seguinte no quarto dela, um pouco incomodada com a claridade. Comecei a procurar minhas roupas. Clarissa acordou quando eu tentava sair sem fazer barulho.

— Ei, volta aqui. — Estendeu o braço com os olhos semicerrados.

— Eu preciso voltar para casa, termino de me mudar hoje. — Me sentei na cama e esperei ela se sentar.

— Me dá 20 minutos para me arrumar e acordar que eu te ajudo. — Levantou lentamente. — Nossa, quem morreu dentro da minha boca? — Reclamou antes de entrar no banheiro.

Algumas horas depois chegamos à Maldito.

A ressaca era enorme. Antes de descarregar o carro, olhei minhas mensagens. Eu tinha esquecido da Wynonna ou ela que demorou demais para me dar sinal de vida?

Wynonna(13h52): "Desculpa ter sumido na festa e eu não sei onde eu estou. Me diz que essa pessoa que está babando na minha barriga é amigo seu!? FOTO EM ANEXO.

N(18h21): "É o Chris, mas agora você já deve saber disso, né?"

Wynonna(18h25) "Obrigada por me ignorar o dia todo, cretina! Sua namoradinha entrou no quarto sem bater. Foi hilário. Acho que você vai ter que pagar terapia para ela agora."

N(18h28): "Melhor eu nem perguntar o que você estava fazendo."

Wynonna(18h29): "Melhor você perguntar se ela não está traumatizada. Ah! Antes que eu esqueça, acabei de chegar em Purgatory e a Gus me avisou que vai fazer um campeonato de pôquer semana que vem. Quer vir?"

N(18h32): "Fica para a próxima, acabei de pegar minha escala de trabalho. Meu primeiro mês e eu só folgo na semana e no último final de semana do mês."

Wynonna(18h40) "Isso é um convite?"

N(18h42): "Você precisa fazer algo da sua vida, Wynonna. Sério!"

Clarissa e eu subimos a cama de casal para meu quarto e nos jogamos nela, exaustas.

Eu tinha saudade de morar nessa casa, onde eu passei minha infância com meu pai, mas me fez bem sair de lá por uns anos.

— Quando você vai ter tempo para mim, com essa escala de trabalho? — Se sentou na cama e me lançou um olhar provocativo.

— Que tal agora? — Respondi me sentando na cama.

— Não estávamos exaustas?

— Já passou.

Algumas semanas depois, resolvi que faria uma festa de aniversário para mim. Bom, Clarissa me coagiu a isso, mas eu fingi que fui eu. Tentei falar com Olívia para convidá-la, mas ela não queria mas olhar na minha cara. Falei com o Chris para avisá-la.

Wynonna(16h22): "Acabei de conhecer um cara num ônibus, ele pode ir comigo?"

Wynonna(18h45): "Quem cala, consente."

Assim que eu cheguei do mercado com as bebidas, Clarissa e Charles tocaram a campainha. Eu estava toda suada e não tinha feito nem metade do que precisava, mas as bebidas estavam geladas, quem ia se importar com o resto?

Wynonna chegou, eu soube porque ela colocou o dedo na campainha e não tirou até alguém abrir a porta. Ela sempre fazia isso, mas normalmente era de madrugada.

— Esse daqui é o ... — Franziu a testa, tentando lembrar o nome do moço ao lado dela.

— Xavier Dolls. — Estendeu a mão. O comprimentei e os conduzi para onde ficavam as bebidas, embora Wynonna já estivesse levemente alta. Logo minha mãe, minha avó e a professora Tegan chegaram. Me sentei um pouco com elas para conversar. Charles parecia empolgado conversando com Wynonna e Dolls.

— Desculpa atrapalhar a conversa de vocês, mas você precisa conversar com esse cara. — Charles me puxou pelo braço e me levou até os dois. — Você sabia que esse cara trabalha pro governo? — Olhei para ele.

— Não... — Respondi olhando para Wynonna que parecia tão surpresa quanto eu.

— Não olha para mim, eu o conheci há 5 horas. — Disse Wynonna segurando uma garrafa de Whiskey, que eu confisquei.

— Então você estava a caminho daqui ou...? — Perguntei.

— Eu estou indo para Sombrio, mas não tem ônibus direto, então peguei o ônibus para cá e conheci a Earp. — Chris chegou trazendo uma caixa de Donuts. Wynonna saiu correndo.

— O que você faz, exatamente? — Perguntei, tentando entender porquê Charles estava empolgado.

— Ele é tipo da CIA. — Respondeu Charles.

— Não, é só uma divisão secreta da polícia, mas ainda não é nada oficial. Vou ver o que encontro em Sombrio.

— Viu? CIA.

— Deve ser mais divertido do que aplicar multas de trânsito. Não vejo a hora de mudar de setor. — Revirei os olhos. — Bom, fica a vontade. — E foi assim que eu conheci o Agente especial Xavier Dolls, naquele dia eu não sabia, mas tudo ia mudar. Fui até o Chris e a Wynonna. — Olívia?

— Ela não quis vir. Preferiu ficar em casa reclamando da vida. — Respondeu Chris. — Esse era seu presente de aniversário, mas parece que alguém já abriu. — Me entregou a caixa de Donuts.

— Melhor presente, cara. Melhor presente. — Comentou Wynonna com a boca cheia de açúcar.

Quando eu ia completar cinco meses lá em Maldito, me sentia refém das minhas escolhas. Entre porres de vinho e whiskey com Wynonna, Dolls, Charles e pessoas que eu não conhecia, me sentia infeliz. Eu poderia ser qualquer coisa, mas estava presa ali, num setor que parecia me corroer. Wynonna disse para eu encontrá-la na rodoviária às 19.

— Era para você vir com uma mala. — Reclamou Wynonna ao descer do ônibus.

— Por quê? — Eu estava confusa.

— Vamos para Sombrio e não pergunta nada.

Chegamos lá, Dolls nos esperava como se fosse nosso chofer. Por um breve momento achei que ele fosse nos levar para um lugar deserto e a Olívia nunca mais veria meu corpo ou qualquer outra pessoa. Alarme falso. Chegamos à uma garagem e uma moça loira estava sentada numa mesa enorme, no meio do salão vazio.

— Isso é o que você me traz depois de 5 meses? — Disse a moça loira.

— Não julgue um livro pela capa. — Respondeu Dolls. — Wynonna Earp e Oficial Haught, essa é a Lucado, está a frente do setor especial. — Fez sinal para que sentássemos. — Estamos juntando algumas pessoas para começar a Black Badge Division e achei que vocês poderiam ser úteis. — Olhei para Wynonna.

— Você disse que eu precisava fazer algo da minha vida. — Contestou meu olhar antes que eu pudesse perguntar algo. Eu ri antes de voltar a olhar para ele.

— E o que esse setor especial faz? — Finalmente perguntei.

— A gente vai atrás do que as pessoas consideram inexplicáveis.

— E? — Queria mais detalhes.

— Depende do que for. A gente "trata" da situação. — Ele explicou como deveria ser, mas eles ainda estavam montando tudo, não tinha nada oficialmente pronto. Me senti tentada a aceitar. — Vocês têm 2 semanas para pensar ou menos, dependendo do que eu encontrar por aqui.

— Mas e o resto das pessoas? — Perguntou Wynonna.

— Tem o Jeremy, que cuida da parte científica e a uma outra pessoa que vai ficar com a parte burocrática.

Duas semanas depois eu estava subindo no ônibus de Maldito rumo a Sombrio. Quando cheguei lá, Wynonna me recebeu na rodoviária com um copo de 750ml de café. O dia ia ser longo. Todos já estavam há 1 semana trabalhando lá, mas eu estava indecisa.

— Queria muito saber como ele te escolheu para esse trabalho. — Comentei para Wynonna.

— Porque eu fui a única que conseguiu derrubá-lo em uma briga. — Respondeu enquanto tocava a campainha.

— Pronta para começar seu primeiro dia, Oficial Haught? — Perguntou Dolls abrindo a garagem para que a gente pudesse entrar.

— Pronta? Talvez. Com medo e ansiosa, com certeza. — Ele começou a andar antes de me ouvir terminar. Entrou em uma sala com a iluminação azul. — Esse é o Jeremy, normalmente ele fica aqui testando algumas coisas. — Eu ainda tomava o café que Wynonna tinha me entregado. Dei alguns passos a frente para comprimentá-lo. Quando estendi a mão, ouvimos um barulho do outro lado da sala e a porta se abriu.

— Ah, oi. Você deve ser a Nicole. -Disse uma moça de cabelos longos ao passar pela porta e caminhar até a gente. — Eu sou a Waverly.

Notas finais
---------------- Obs: Essa fanfic é muito mais do que a história de um casal. Obs 2: Ninguém é obrigado a gostar. Quem não gostou, paciência. De qualquer forma, foi um prazer estar com vocês. Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!