Notas iniciais
um agrado (cap novo rápido) pra quem segue firme e forte acompanhando

Ela não se lembrava de ver uma cena tão triste desde o ataque a frota Lannister. Cersei estava sob a cama, dos olhos escorriam lágrimas incessantes, enquanto encarava o nada. Ao seu lado, Myrcella se deitou para abraçar a mãe, sendo envolvida por um dos braços da rainha, enquanto apoiava a cabeça em seu ombro. Arya estava sentada do outro lado da mãe, em uma poltrona, afagando seus cabelos enquanto tentava conter o próprio choro, e secando rapidamente qualquer lágrima que ousava cair.

Sansa tinha demorado alguns minutos para entrar nos aposentos da irmã mais velha, ela mesma sendo pega por uma tristeza sem fim. O rei era muito admirado, e mais ainda amado, o reino inteiro choraria por anos aquela perda.

A ruivinha caminhou até o lado de Myrcella, pousando uma bandeja de prata cheia de frutas sobre a cama e trocando alguns olhares com Arya. Limpou uma lágrima que escorreu sem que percebesse, antes de tocar a rainha por cima das cobertas para chamar sua atenção.

—Cersei, você precisa comer. — Sua voz tinha um tom mais suave e dócil do que o de costume. — Você mal se alimentou nos últimos dias. Pense no bebê. — Cersei nem mesmo piscou. — Chegou uma carta do pai hoje. Ele está vindo para Porto Real com tio Kevan.

Quando novamente a mulher não se moveu, Sansa soltou um longo suspiro. Já fazia pouco mais de uma semana desde o ataque, e ainda nenhum sinal do corpo. Provavelmente tinha sido levado por alguma correnteza, como a que levou Brandon a ser encontrado perto de Valdocaso. Príncipe Oberyn e Lorde Varys tinham identificado os autores como piratas, mas não se explicava como eles tinham todo aquele poder de fogo. Catapultas, piche, e quase 15 dracares que se moveram sem ser notados pela costa. Os muros da cidade, assim como o porto e vários pontos do comércio tinham sido atingidos. O desespero estava fazendo a violência se alastrar mais rápido do que a Guarda da Cidade podia conter. Mais de uma vez fora conversar com Tyrion depois de todos se recolherem, apenas para descobrir que ele ainda estava reunido com o Pequeno Conselho tentando restabelecer a ordem e reafirmar os laços de lealdade dos grandes lordes com a coroa. Estavam todos muito fragilizados. Joffrey tinha ficado três dias desacordado, Brandon ainda não abrira os olhos, embora já tivesse falado delirando durante a febre alta.

—Tudo bem, Sansa. Eu faço ela comer. — Arya falou com a voz embargada, já colocando-se de pé para alcançar a bandeja.

A ruivinha assentiu com a cabeça, e depois de se esticar para dar um beijo na testa da irmã, e em seguida das sobrinhas, se retirou. Nem bem tinha saído dos aposentos reais, Sansa já estava em lágrimas. Aquilo lhe parecia tão injusto. O rei Eddard era um bom homem, tinha sido um rei justo, capaz, esforçado, não merecia aquele fim tão violento. Sempre fora gentil com ela, sempre perdera algum tempo entretendo ela e as gêmeas entre uma obrigação e outra. Lembrava-se até de um momento, quando o rei a colocou nos ombros para que alcançasse uma flor que nasceu enroscada em um dos galhos da árvore coração de Casterly Rock. Fora como um tio legal e descontraído, algo entre tio Kevan e tio Brynden, assim não sentia sua perda apenas como súdita. Acabou, sem perceber, perambulando pelos corredores da Fortaleza Vermelha, e indo parar no Bosque Sagrado logo depois de passar direto pelo septo. Ela não era íntima dos deuses antigos. Em casa eles nem eram mencionados. Mas lhe pareceu um gesto de respeito rezar pelo rei na fé que ele seguiu e defendeu por tantos anos.

Estava se aproximando do grande carvalho com o rosto esculpido, rodeado de flores de verão, quando percebeu que não estava sozinha. Ajoelhado bem diante da árvore, com as mãos apoiadas em suas raízes proeminentes, estava o príncipe de Pedra do Dragão. Joffrey tinha todo o braço esquerdo e parte da cabeça enfaixado. O príncipe Oberyn conseguiu tirá-lo da água rápido, sendo socorrido pelos mantos dourados que tinham se aglomerado no porto quando perceberam o ataque.

“Por favor… Por favor, traga-o de volta. Vocês não tem poder no sul, mas só dessa vez. Por favor. Eu quero meu pai de volta.”, ela o ouviu dizer baixinho, as mãos se fechando em punhos que começavam a esmurrar o tronco grosso da árvore. Sansa congelou onde estava, até se encolhendo um pouco, receosa em interromper aquele momento claramente particular. Envolvido na própria dor, Joffrey não se deu conta da chegada dela, e rapidamente, a dor foi se transformando em revolta. O príncipe se colocou de pé, os socos no velho carvalho foram ficando mais firmes, ao mesmo tempo em que pareciam causar mais danos nele mesmo do que na árvore. “Ahhhh!!”, ele gritou tão alto que chegou a assustar a ruivinha, e quando ela conseguiu focar melhor os olhos nele, pode perceber os punhos se enchendo de sangue a cada novo soco que dava na casca grossa.

—Pare!! — Sansa gritou, finalmente denunciando sua presença, e caminhando até ele em passos apressados.

Joffrey se virou para ela num susto, claramente surpreso em ver mais alguém ali. Agora mais perto, Sansa podia ver os olhos avermelhados do príncipe, assim como o rosto tomado por lágrimas.

—Saia daqui! — Ele mandou dando as costa para ela, as mãos machucadas voltando a se apoiar no carvalho. — Saia daqui agora!!! — Tornou a mandar quando ela não obedeceu.

Só havia um homem cujo grito a fazia obedecer, e este não era Joffrey. Sansa se aproximou mais ainda do Stark, estendendo uma das mãos para lhe tocar o rosto, mas sendo impedida quando ele segurou seu pulso. Joffrey a olhava com revolta, e o início de ira por ela ter ousado não obedecê-lo, mas também com um desespero e tristeza profunda que ele claramente tinha vergonha de transparecer. O aperto em volta de seu pulso doeu, mas ela não reclamou, em vez disso, sacou um lenço com a mão livre levou ao rosto dele, dessa vez conseguindo alcançar suas bochechas. Joffrey foi afrouxando o aperto aos poucos, até que Sansa conseguiu desvencilhar o pulso e segurar o rosto dele com as duas mãos. As lágrimas voltaram a cair dos olhos do futuro rei, agora sem barreiras e acompanhada de suspiros e soluços de partir o coração. Os joelhos dele começaram a ceder, e Lannister sentou-se em uma das raízes mais altas, acolhendo a cabeça de Joffrey em seu colo e apoiando o próprio queixo em cima da cabeça dele, enquanto se endireitou para abraçá-lo. Ele a envolveu com firmeza, agarrando-se a ela como um náufrago se agarra a qualquer coisa para não afundar. Não tardou para que ela o acompanhasse nas lágrimas, e assim permaneceram firmemente nos braços um do outro por mais tempo do que conseguiriam contar.

Notas finais
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