Notas iniciais
Por favor tenham paciência com as cagadas narrativas q vocês lerem... fiz esse cap meio no sono pq to ansiosa pra passar pra próxima parte, e minha beta ta meio ocupada e ta corrigindo os caps aos poucos... =***

Os dias que se sucederam ao aniversário da rainha foram surpreendentemente proveitosos. Apesar da conversa que haviam tido, Oberyn ainda acreditava que havia um pouco de mordaça na cadeira que havia recebido no Pequeno Conselho, mas à medida que os dias se passavam e o príncipe dornês ia se acomodando na corte, e com a volta de Lorde Robert para Ponta Tempestade, sua presença era bastante requisitada pelo Stark. Nas cartas que mandou para Doran, amenizou os elogios ao rei nortenho lembrando que aquilo poderia ser meramente uma estratégia para apaziguar Dorne, fazendo-os sentirem-se importantes, mas fosse pela famosa honra nortenha, ou pela sinceridade que achava ter certeza de ver naqueles olhos cinzentos, Oberyn começava a acreditar que aquele rei poderia, de fato, ser digno. Em dois meses acompanhando as reuniões na presença do rei, a Víbora Vermelha pode perceber duas coisas muito importantes sobre aquele jovem lobo. Primeiramente, a pouca idade de Eddard Stark nada interferia na firmeza de suas próprias decisões, que pareciam partir de um conjunto moral muito bem firmado. A Mão do Rei possuía grande influência em cima do suserano, mesmo assim, o rei ainda era capaz de tomar decisões contra a vontade de Lorde Arryn. A segunda coisa, e isso demorou mais a perceber, a cada dia que passava, o jovem rei parecia mais e mais cuidadoso e resignado. Uma seriedade que ele já carregava naturalmente ia aumentando com o peso da coroa, a não ser quando estava perto da rainha.

Quando a condição da rainha a fez começar a rejeitar o marido, a presença de Oberyn acabou sendo requisitada mais vezes pelo rei, às vezes também com a companhia de Lorde Jon, às vezes não. Aquela foi uma das coisas que o surpreendeu no rei… Mais uma. As noites distantes da esposa não eram gastas em bebidas e luxúria, e sim em sóbrias conversas sobre diversos assuntos, sóbrias, mas regadas com um pouco de cerveja ou vinho. Na noite em que ensinou o rei a jogar cyvasse, levaram horas em uma partida, e a quantidade de cerveja que tomaram durante o jogo não deixou a lembrança do vencedor, e o velho Lorde Arryn cochilou em algum momento. Embora permanecesse desconfiado, Oberyn estava quase se rendendo à possibilidade daquele rei ser sinceramente honesto, e ter lhe acolhido sem preconceitos para decidir sua lealdade baseado no que conhecia e não no que ouvia falar. Aquela seria uma perspectiva e tanto, não?

Na tarde em que a rainha passou mal nos jardins, Oberyn teve certeza de que seria acusado de envenená-la. Nada mais óbvio do que o irmão da antiga rainha envenenar a nova… Mas aquele arrepio durou pouco tempo. Nos dias que sucederam a morte do filho não nascido, o rei não dormiu. Ele permanecia com a rainha durante todo o tempo em que ela estivesse acordada, deixando os assuntos do reino nas mãos de Lorde Arryn e do Pequeno Conselho por meia volta de lua. Durante a noite, o homem ainda pedia pela presença do príncipe e de Lorde Jon, atualizava-se do que estava acontecendo e depois ficava vários momentos em silêncio, como se estivesse aproveitando a hora em que podia se concentrar na própria dor. Seu ânimo, porém, foi retornando de acordo com a necessidade, o que não o retirou necessariamente do luto, até que toda a sua tristeza se transformasse em preocupação com a rainha.

As coisas começaram a ficar mais interessantes quando o irmão mais novo de Cersei, Tyrion Lannister, o duende, chegou à corte. Oberyn obviamente tinha alguns servos a quem cedia moedas em troca de uma ou outra informação, não eram muitos, o rei enchera a fortaleza de servos nortenhos cuja lealdade parecia ser dificilmente comprada. Os ratinhos que achara pela fortaleza apenas lhe confirmaram o que podia se perceber de longe, a rainha não suportava o anão, logo, era um pouco estranha a presença do meio-homem ali. Lorde Tywin não disfarçava sua repulsa pelo filho, e com o tempo começou a acreditar que ele apenas queria o anão longe para consagrar seu novo herdeiro. Chegara a perder algum tempo ponderando se Tyrion desejaria questionar a vontade do pai e reivindicar a própria herança, mas se fosse o caso, a irmã não seria de muita ajuda. Por essas razões, quando se encaminhou para uma das salas de Maegor onde o rei o chamava, e encontrou o homem parecendo um pouco mais disposto diante de uma mesa de cyvasse, enrugou a testa de preocupação junto com o sorriso ao ver Tyrion Lannister do outro lado da mesa de jogo. Passou algumas noites daqueles “encontros” ficando tão silencioso quanto Lorde Arryn, observando o Lannister e o Stark conversarem sobre uma possível visita do Regicida para animar a rainha, além daquilo nada muito interessante… Nada que denunciasse o que se passava pela cabeça daquele pequeno homem.

Foi nas vésperas da chegada de Jaime Lannister a Porto Real que o príncipe dornês acabaria fazendo uma das alianças mais irônicas que os deuses já haviam permitido em suas brincadeiras com os homens. O rei não pedira pela sua companhia, fazia um par de noites que o homem se retirava mais cedo do que o comum para ficar com a rainha, talvez estivessem voltando à normalidade, a expectativa da chegada do irmão devia ter funcionado para animá-la. Tendo a noite “livre”, e enfim uma oportunidade para um pouco de distração de verdade em meio a toda a sobriedade de seu suserano, Oberyn não teve dúvidas do que faria naquela noite…

...Não tinha dado nem dois passos para dentro do Chataya quando seu olhar foi capturado pelo gibão carmesim em miniatura. Oberyn ergueu os olhos e então atentou para o guarda de manto também carmesim que estava parado a um canto, aparentemente tentando não ser distraído pelas belas moças que passeavam por ali com olhares e sorrisos. O anão estava sendo apresentado a três belas jovens, duas loiras com ares de pureza e uma de um ruivo forte e penetrantes olhos azuis. A atenção do anão logo voltou-se para ele também, e Oberyn por fim quebrou a distância entre eles, acenando levemente com a cabeça para o homem.

—Jovem Tyrion Lannister. Filho do grande Tywin Lannister. — Sua voz possuía a dose certa de deboche, enquanto os olhos avaliavam o anão de baixo a baixo.

—Príncipe Oberyn Martell. Filho de… — O duende ensaiou uma reverência, parando na metade e então olhando para o homem com uma ruga de dúvida fingida. -Me perdoe, eu nunca fui bom com as genealogias das grandes casas. — Falou com a mesma dose de veneno, mas com mais amargura do que provocação, pode perceber.

Oberyn manteve a expressão um tanto séria enquanto encarava o leãozinho, mas acabou soltando um risinho bem humorado, pegando duas taças da bandeja de um servo que servia a todos os recém chegados. O Martell ofereceu uma das taças a Tyrion, que aceitou, e com um brinde rápido, ambos tomaram todo o vinho mantendo os olhos um no outro. A postura cautelosa que tinham um com o outro era clara.

—Me perdoe, eu não sabia que era um bordel Lannister. — O príncipe comentou com ares de bom humor.

—Tudo bem, eles atendem todo tipo de gente. — O Lannister devolveu, agora com o mesmo tom de bom humor do dornês.

—Esse é meu tipo de lugar. — O príncipe novamente riu, e então fez um sinal com a cabeça para os cavaleiros que o acompanhavam, “dispensando-os”. -Me acompanharia em algumas taças de vinho, milorde? A não ser que já esteja a caminho de um compromisso mais urgente… — Acrescentou a parte final passando os olhos pelas moças próximas a ele.

—É claro, príncipe Oberyn. — Respondeu ao convite com tranquilidade a princípio, embora o olhar de desconfiança persistisse. Tyrion olhou do príncipe para as moças, parecendo um tanto consternado por ter sido pego ali. -Oh… Não, eu estava apenas fazendo preparativos para a chegada do meu irmão. — Explicou-se após desviar o olhar rapidamente na direção das moças.

O olhar do dornês acabou indo na direção das moças ao ouvir a explicação do anão. Sim, Jaime Lannister estava chegando. Oberyn fez um sinal para o anão, e juntos caminharam até uma sala “particular”, repleta de dançarinas e jovens contorcionistas. Os homens foram acomodados em duas espreguiçadeiras a um canto discreto, separadas por uma mesinha baixa ocupada por um apetrecho curioso ligado a duas mangueiras. Algumas das belas moças se aproximaram deles, já começando a retirar a capa e afrouxar o gibão dos homens, repletas de sorrisos e olhares de luxúria. Oberyn pode perceber o deslumbre, bem como o desejo nos olhos do anão.

—Achei que os irmãos negros não pudessem aproveitar desse tipo de companhia. — O dornês comentou enquanto laçava uma das jovens que se contorcia próximo a ele, pela cintura.

—Não podem, assim como os irmãos brancos… — Apesar de “distraído” o anão parecia ter sempre uma resposta na ponta da língua. Pelo menos não era enfadonho. -Tinha um tio na Guarda Real, certo, milorde? — Oberyn pode ver o veneno escorrer no canto dos lábios do Lannister. Era de conhecimento geral que o príncipe Lewyn Martell, da Guarda Real, tinha uma amante.

—Você não desaponta, Tyrion Lannister. — Foi a resposta do príncipe, desviando os olhos do anão e aceitando uma taça cheia de vinho. -Espero que não seja aquela droga da Campina. — Falou com um ar sério para a moça que lhe serviu.

—Diga isso ao senhor meu pai. — Falou com um riso sarcástico, também aceitando o vinho que lhe era oferecido, a atenção novamente nas jovens que lhe massageavam as costas e os pés. -Mas acho que não sei a que se refere, príncipe Oberyn…

—Você não foi treinado em armas, imagino. Mas deve saber o quão benéfico é ao cavaleiro que perde seu tempo analisando o adversário… Vendo seus movimentos, suas fraquezas… Seus vícios. — A última parte o dornês falou um pouco mais baixo, olhando de lado para o anão, mas logo voltando-se para a jovem. -A maneira como um homem joga cyvasse pode dizer muito sobre ele. — Concluiu o comentário junto com o conteúdo da taça de vinho.

Oberyn pode sentir os olhos desiguais do anão deixaram a jovem prostituta e se focarem nele, e durante quase um minuto, ele o ignorou. Quando virou-se para encará-lo, o Lannister o encarava com uma ruga de dúvida nos olhos tortos que, somada ao volume entre suas pernas curtas, o fazia parecer bastante cômico. O príncipe dornês olhou para alguém além de Tyrion Lannister, fazendo um sinal positivo que fez o anão virar o rosto para ver do que se tratava. Uma senhora que já deveria ter lá pelos seus 40 anos bateu palmas no meio da sala, e imediatamente todos os presentes se retiraram, deixando apenas Oberyn e Tyrion com uma grande jarra de vinho e duas taças sobre a mesinha que os separava. O Martell endireitou-se sentado na espreguiçadeira, e depois de um olhar rápido para a porta que ia sendo trancada pelo ultimo servo a passar, serviu as duas taças, entregando uma para o loiro.

—Devo me preocupar? — Foram as primeiras palavras do anão após a porta se fechar, aceitando a taça de vinho, mas sem tirar os olhos do príncipe.

—Não. Eu apenas gostaria de conversar em particular. — Oberyn respondeu com um sorriso agradável nos lábios.

Tyrion parecia incerto sobre aquela conversa, mas Oberyn não sabia dizer se por serem quem eram ou se por sua abordagem pouco convencional. O príncipe relaxou na espreguiçadeira e deixou cair um pó branco no próprio vinho, antes dele mesmo dar uma boa golada no conteúdo. Os olhos castanhos se viraram para o Lannister com um ar de divertimento que, novamente, Oberyn não soube dizer exatamente se desagradou ou não seu “convidado”.

—Suponho que agora eu deva perguntar o que o meu “jeito de jogar cyvasse” tem a dizer sobre mim. — As palavras do anão enfim quebraram o silêncio. Tyrion dava pequenos goles em seu vinho sem jamais tirar os olhos do dornês.

—Sim, é claro… Eu confesso não ter tanta familiaridade com o jogo quanto meu irmão. Mas novamente, eu sou um segundo filho, um braço pra obedecer ordens e não um cérebro para comandá-las. — As palavras do Martell estavam repletas de ironia e sarcasmo. -Claro que nos Lannister tais qualidades podem vir… Trocadas.

—E ouvi dizer que dorneses eram conhecidos por irem rudemente direto ao ponto… — Tyrion ergueu as sobrancelhas, aparentemente impaciente, talvez se sentindo caçoado.

—Você é um bom jogador, Tyrion Lannister. Você superou a mim e ao rei durante todos os momentos do jogo, e ainda assim deixou que ganhássemos. Foi sutil, mas notável… — Falou com tranquilidade. -Minha dúvida é… Por que manter uma baixa expectativa ao seu respeito, se não a usa para nada?

—Eu não entendo onde está querendo chegar, príncipe Oberyn. — A expressão do duende ficou mais séria e vazia.

—Eu estou dizendo que sua cabeça poderia ser usada para coisas mais úteis do que constatar o óbvio, mas o senhor seu pai não parece perceber isso. Ele negou seu direito de herdeiro… — Às vezes Oberyn conseguia sentir a viscosidade do veneno escorrendo pela sua boca.

—E agora é a parte em que me oferece apoio pra reivindicar o meu direito e destruir meu odioso pai? — Surpreendentemente, Tyrion pareceu se divertir com a ideia, e até bebeu todo o conteúdo de sua taça, antes de se levantar. -Eu imagino que deva parecer uma pessoa muito óbvia, príncipe Oberyn… Um filho rejeitado atrás de vingança. Você não está equivocado no que sugere, eu desprezo o senhor meu pai, e por isso eu jamais lhe darei o gostinho de estar certo sobre mim, e me tornar o traidor como o qual ele me trata. Eu não quero Casterly Rock, há muito de Tywin Lannister lá... Mas agradeço pelos elogios, príncipe Oberyn. E pelo vinho…

A resposta do anão fez o dornês erguer as sobrancelhas com um ar curioso, ele definitivamente era mais interessante do que o príncipe esperava. Saboreou enquanto o garoto, sim, garoto, interpretava suas palavras como queria, para então colocar-se de pé junto com ele. Oberyn ergueu uma das mãos em sinal para impedi-lo de continuar a se retirar. A expressão do dornês era calma, e ele encheu o próprio copo de vinho novamente, dando um gole pequeno e então oferecendo sua taça para Tyrion com um olhar significativo.

—Bom saber sua posição, mas não era isso que eu ia dizer. Você não liga para o resultado, Tyrion Lannister… É o jogo que faz seu sangue correr mais rápido, a antecipação do movimento adversário. A ansiedade de ver as peças inimigas caírem em cada armadilha. — Oberyn ergueu um pouco mais a taça de vinho, insistindo até que o anão aceitasse. -Eu não peço que traia seu pai, apenas… Comece a usar seus dons para você mesmo e não para ele. — Oberyn encarou os olhos confusos do Lannister, mas esperou até que ele bebesse o vinho. -Lorde Jon Arryn teme que Lorde Tywin esteja sendo deixado de lado… Ele é pai da rainha, mas não tem lugar no Pequeno Conselho. Imagino que minha cadeira ao lado esquerdo do rei deva doer muito na bunda dele…

—Ele ainda pragueja sobre isso até hoje… — Tyrion fez sua única interrupção, arrancando um riso do Martell e parecendo mais interessado no que o dornês tinha a dizer.

—O rei claramente não quer Lorde Tywin na corte, mas ele parece não se incomodar com a sua presença…

—Ele não parece se incomodar com a sua também… — O anão devolveu, agora ele olhando para Oberyn com um olhar inquisidor. -Por que tudo isso? Mesmo que o rei não se desagrade com a minha companhia, eu jamais estaria no Pequeno Conselho, seria uma ofensa ao meu pai, e todos sabem disso… Iria de encontro ao propósito de Lorde Arryn. Mas em um mundo alternativo em que as faces dos represeiros falassem e pedissem ao rei para me dar uma de suas seletas cadeiras, o que você ganha com isso? Só a satisfação de deixar meu pai frustrado?

—Isso já valeria uma pequena rebelião. — Oberyn respondeu com um ar um pouco mais eufórico graças à mistura, soltando um risinho debochado antes de tomar outra golada de vinho. -O que eu ganho? Nós ganhamos o fortalecimento desse reino… — As palavras soaram estúpidas em sua voz, mais ainda quando ele soltou mais um riso debochado.

—O que? Então Dorne agora é a mais fiel dos aliados do rei Stark? — Tyrion tinha o mesmo deboche divertido na voz ao falar, servindo a si mesmo de um pouco de vinho e voltando a se sentar na espreguiçadeira.

—Eu não falo por Dorne, milorde… Mas ainda há lealistas esperando ansiosos que Viserys Targaryen tenha idade de limpar a própria bunda e reivindicar o trono… Os dragões me custaram muito, diria que Westeros já aguentou loucura o bastante. Dragões certamente são criaturas fantásticas para montar, mas não tanto para governar. Eu também não quero peido de flores no Trono de Ferro, e ver um rei que não tem medo de enfrentar o poderoso Tywin Lannister me despertou o mais próximo que eu poderia oferecer da lealdade que só posso dedicar a minha casa. — Oberyn voltou para a espreguiçadeira quando o anão o fez, uma expressão quase aliviada quando descansou a cabeça na superfície macia. -Este rei tem mais bom senso que o último… Eu sou um leigo, mas pude ver registros dos cofres da coroa. Ele não precisará do ouro do seu pai tão cedo, ele só precisa do nome… Ou melhor, Lorde Arryn precisa do nome, para manter os Tyrells e os lealistas no lugar. Um Lannister no Pequeno Conselho faria o serviço.

Tyrion Lannister parecia um pouco tonto e visivelmente alterado pela mistura que havia dividido com o príncipe. Um pouco de ópio, nada demais, apenas um “tempero” para deixar o vinho mais interessante. Oberyn deixou a cabeça cair de lado, os olhos escuros já meio baixos, mas sustentando-se sobre o Lannister. Mesmo estando visivelmente anestesiado, Tyrion Lannister ainda parecia conseguir se concentrar minimamente no assunto da conversa. Era claro que aquela era a primeira vez que provava algo tão forte, e aquilo divertiu ainda mais o príncipe de Dorne. Quase um virgem… Talentos surgem em qualquer lugar mesmo.

—Você quer me ajudar a chegar ao Pequeno Conselho para ofender meu pai e manter o rei longe da influência dele, e porque acha que eu posso ajudar a fortalecer o reino e impedir possíveis reivindicações ou rebeliões… Eu esqueci alguma coisa? — A esta altura, a voz do anão parecia já um pouco trêmula, certamente graças à segunda taça de vinho que esvaziava… Sede repentina.

—Não…

—Eu ainda não estou convencido. Quer mesmo que eu acredite que você é sinceramente leal a este rei porque… A maioria aprova? — O tom de Tyrion era zombeteiro, e mais uma taça de vinho era esvaziada. -O que você realmente ganha?

—Não, meu caro… É ai que você terá que melhorar o seu cyvasse. Esse rei não é aprovado pela maioria, ele apenas não é desaprovado pela maioria. — Apesar do estado alterado, Oberyn parecia conseguir manter a conversa bastante lúcida. -Os Tyrell, os Greyjoy, os Lannisters, mesmo os Martell, podem até não querer Eddard Stark como rei… Mas nós todos nos odiamos demais para fazer uma aliança, e sozinhos somos fracos demais pra lutar contra três reinos pelo trono… Eddard Stark é uma aposta segura, ele dá uma sensação de estabilidade… Além disso, ele tem quatro reinos com ele, destroná-lo seria trabalhoso e com péssimo custo-benefício apenas para usar uma coroa. E ele me dá ouvidos, por que eu não seria leal a um rei que, de fato, me deixa opinar em uma decisão ou outra? Para um bom jogador de cyvasse, não importa qual a cor das peças…

—Está fugindo da pergunta, príncipe Oberyn… O que você ganha me ajudando? Poderia muito bem oferecer o mesmo “acordo” para qualquer Lannister. — Apesar do visível estado alterado pela mistura de vinho com ópio, Tyrion também parecia conseguir responder de forma lúcida naquela conversa, até conseguindo se servir de mais vinho. Bom, o anão não desapontava.

—Outros Lannister não desafiariam seu pai aceitando isso, você sim. A você esse acordo pode render… Independência, poder olhar seu pai de cima, literalmente… A mim, bom… Me foi chamada a atenção de que poderia ser proveitoso lhe dever um favor. O que você tem a perder? O amor do seu pai?

Os olhos se mantiveram presos um no outro com um ar de seriedade por alguns segundos, até que Oberyn ergueu a própria taça em sinal de brinde. O sorriso vitorioso se abriu e alargou quando o duende correspondeu seu gesto, soltando uma risada embriagada e esvaziando todo o conteúdo da taça... Ainda seria uma longa noite... Longa e promissora.

Notas finais
O que acharam? Comentem e recomendem a fic... vlw flw o/