Notas iniciais
Esse é pra quem tava me pedindo mais Cersed =B

Estava cansado quando chegou na Fortaleza Vermelha, e exausto quando o banquete finalmente acabou. Os anos de reinado e Cersei o obrigaram a se tornar um lobo menos silencioso e contido. Oberyn costumava dizer que ele era o suserano muito sóbrio, mesmo quando bebia bastante. A verdade era que chegaria aos vinte anos no trono, mas ainda não caira a ficha de que era rei. Ele não nasceu para liderar… Brandon sempre foi mais impetuoso, Robert sempre mais forte, e Eddard… Bom, Eddard era só Ned. E desde que a coroa tocara sua cabeça, não havia um só dia que ele não desejasse ser apenas o segundo filho do senhor do Norte mais uma vez.

—Pensando no Norte? — Uma voz suave o tirou de seus devaneios.

Eddard estava despido, escorado próximo a janela do quarto que dividia com Cersei. O corvo branco ainda não chegara da Cidadela, mas ele já conseguia sentir a brisa mais fria. Não importava quanto tempo tivesse passado, ele ainda sentia um calor desconfortável do sul. Mesmo exausto as semanas que passara sem sua senhora deixaram uma fome que precisou ser saciada quando os dois se recolheram. A loira tinha dormido em seus braços, mas incomodado com o calor, Ned tinha se levantado para aproveitar um pouco do vento frio.

—Sou assim tão óbvio? — Perguntou olhando por cima do ombro.

Os olhos encontraram os da esposa na mesma hora que ela deixou a cama. Os lençóis escorregaram por seu corpo nu, enquanto ela caminhava até ele, indiferente a própria nudez. As mãos suaves da rainha pousaram sobre seu peito quando ela o abraçou por trás, os seios comprimidos contra suas costas fazendo o rei se arrepiar. Eddard levou uma das mãos até as dela, enroscando seus dedos rudes entre os delicados da esposa. Quando virou-se para ela, o rei encontrou um sorriso curto que se alargou quando os olhares se encontraram.

—Não… Meu senhor não tem nada de óbvio. — Cersei respondeu colando levemente o corpo no dele, um dos braços lhe laçando o pescoço, enquanto o outro lhe acariciava o rosto. — Mas você tem esse olhar de saudade desde a nossa noite de núpcias. Eu vejo como a neve lhe faz falta… — A última parte saiu em um tom de provocação, tantas vezes já haviam “discutido” sobre os atributos de seus respectivos lares.

—Sim, eu prefiro a neve a pedras, calor e poeira.. — Respondeu com um sorriso um pouco menor que o dela, as mãos envolvendo a cintura da esposa para impedir que os corpos se separassem por qualquer motivo.

As mãos do rei passearam pelo corpo despido da rainha sem qualquer pudor ou hesitação, o rosto se inclinou na direção do dela, desviando de seus lábios assim que a loira fechou os olhos e afundando o nariz em seu pescoço com um ar meio travesso. Era verdade que sentia falta do Norte todos os dias. Era verdade que odiava Porto Real e seu calor, seu cheiro terrível e suas conspirações e traições em cada sombra. Mas também era verdade que nada disso importava quando tinha uma noite como aquela. Sua prole bem guardada em seus respectivos aposentos, e Cersei bem humorada em seus braços. O Norte que ele verdadeiramente queria já não existia… O pai estava morto, Lyanna estava morta, Brandon estava morto, Benjen tinha outra família. Naquela vez, o lobo solitário tinha sobrevivido. Winterfell lhe trazia lembranças agridoces. Todas as recordações felizes ali vinham com o amargor da morte trágica de cada um de seus entes queridos.

Foram anos difíceis, nos três primeiros de casamento, bom... Cersei parecia distante, mas ele sempre se convenceu de que eram efeitos da maternidade. Sua própria mãe era muito mais próxima dele e dos irmãos que do senhor seu pai, era normal. Ele passava muito tempo trabalhando, governando, resolvendo problemas de uma paz frágil. As coisas começaram a melhorar quando Brandon nasceu, a rainha parecia mais segura de si. Mas foi quando ele voltou da guerra que percebeu que alguma coisa tinha mudado drasticamente na sua esposa, mesmo que não soubesse exatamente o que era. Winterfell esteve vulnerável por uma volta de lua. Durante a rebelião Greyjoy vários pequenos grupos de foras da lei se aproveitaram para saquear pequenas vilas, caravanas de comerciantes e carregamentos de mantimentos. As dispensas chegaram a ficar vazias por um tempo, e a alimentação da rainha e dos príncipes dependendo de uma caça escassa nas florestas nos arredores. Os mantimentos comprados na Campina “se perderam” no caminho, até o senhor seu sogro aparecer heroicamente com os mesmos. Tywin não ficou em Winterfell tempo o bastante para recepcionar o rei em seu retorno glorioso, mas Cersei se agarrou em seu pescoço e chorou copiosamente quando o viu atravessando os portões. Eddard dispensou o banquete da noite para acalmá-la, e quando finalmente conseguiu fazer Cersei parar de soluçar, eles fizeram amor por um dia inteiro.

Nos Sete Reinos não havia homem mais controlado do que Eddard Stark. Mas se vinte anos de casamento com ele tinham transformado Cersei em uma mulher mais equilibrada, também tinham afetado inversamente o rei. Eles tinham um equilíbrio único. Ele sabia exatamente como convencê-la, e ela sabia exatamente onde apertar para conseguir o que queria. Não trocavam mais tantas juras de amor quanto quando eram mais jovens, mas a maturidade também tinha criado uma barreira em volta da relação. Havia o rei e a rainha, e havia Eddard e Cersei. E estes últimos só apareciam um para o outro. A corte e suas obrigações os obrigou a se isolarem, mas pelo menos puderam se isolar juntos. Naquele ponto da vida, ele não sabia o que faria se ela não estivesse ali ao seu lado.

—Deveria voltar para sua neve então, Ned Stark! Enfiar-se na geleira onde prefere estar. — A rainha falou em um tom de falsa indignação, uma expressão brava que logo foi tomada por um riso contrariado.

—Eu não disse que preferia estar no Norte… — As mãos do homem passearam pelo corpo da esposa, deslizando por sua cintura e então se afastando, dando espaço para que os dedos grossos e um pouco calejados tocassem o ventre já inchado da rainha. — Eu gosto mais do Norte, é claro… — O corpo foi cedendo aos poucos, até que ele estivesse de joelhos diante dela. — ...Mas um lobo sempre prefere estar onde a matilha está. — Completou com um sorriso doce, beijando a barriga dela demoradamente, e então a abraçando pela cintura, o rosto repousando levemente contra o ventre.

Ele não viu, mas ela chegou a corar quando o viu de joelhos diante de si. As mãos da rainha envolveram a cabeça do rei, e seus dedos iniciaram uma carícia sútil entre os fios negros. Se estivessem deitados na cama, provavelmente dormiria com facilidade nos braços um do outro. Uma brisa mais fria entrou abruptamente pela janela, arrancando um arrepio violento da rainha. Eddard colocou-se de pé imediatamente, guiando Cersei de volta a cama, e envolvendo o corpo dela no seu, enquanto a mulher se encolhia manhosa junto ao calor de sua pele. O Stark puxou as cobertas sobre ambos, beijando as costas palidas. As mãos pousaram protetoramente sobre o ventre da mulher, ao que Cersei pousou suas próprias mãos sobre as dele, os dedos se enroscando quase que imediatamente.

—Espero que este lobinho não exija tanto de você, meu amor. — Eddard sussurrou em um tom carinhoso, os dedos se movendo em uma carícia sútil no ventre da mulher.

—Se for como as gêmeas, então vamos arrumar aposentos separados depois que ele nascer. — Disse em uma falsa seriedade, seguido por um bocejo. — Se for um menino você não o mandará para longe como fez com Joffrey e Brandon. — Essa seriedade não teve nada de falsa, apesar da voz sonolenta

—Vamos dormir agora e pensar no futuro depois. Você sempre fica muito cansada quando tem um Stark lhe enchendo o ventre. — O rei falava com um ar orgulhoso e o peito meio estufado, como qualquer homem diante de expressão da própria virilidade.

Eddard demorou minutos para adormecer, sonhando acordado com toda a família no Norte. A rainha dormiu antes de ouvir o “Stark”.

Notas finais
qual shipper ces mais tão ansiosos pra ver?