Crônicas de Canalt - A Queda de Priston

4 Capítulo 3- “Inspira... Espira...”


Notas iniciais
Boa leitura!!!

O garoto ruivo estava sentado, com as pernas cruzadas, no chão de madeira escura. Ele meditava.

“Inspira...”, ele pensava, “Espira... Inspira... Espira... ”.

–Quanto tempo mais eu vou ter que ficar fazendo isso, vovô?- Ele perguntou com os olhos ainda fechados.

–Até que você atinja a Iluminação, Jin– O velhote respondeu.

O ruivo assentiu.

–E quanto tempo vai demorar pra isso acontecer?

–Se você não se concentrar, vai demorar uma vida inteira- o velhote respondeu e acertou a cabeça do garoto com o cajado que tinha em mãos.

–Ai!

–Para de exagero.Não foi tão forte...

O garoto se levantou. Vestia uma regata preta e um short vermelho. Estava descalço. Os cabelos tingidos de vermelho estavam bagunçados. Posicionou-se na frente de seu avô e serrou os punhos. Estava em posição de batalha.

– Sério?- O velho percebeu o que estava acontecendo.

A sala em que os dois estavam tinha paredes feitas de madeira branca e armários com portas de vidro guardando lanças e espadas.

Jin concentrou-se e, usando sua telecinese, ele abriu as portas de um dos armários e puxou uma lança. A arma estava pairando sobre sua cabeça e apontada para o velhote.

Jin Meyers é um Mentalista. Ele possui telecinese e telepatia. A mente é a sua arma. Um Mentalista precisa ser paciente, calmo e concentrado, resumindo, tudo que Jin não é. Ele não é um ótimo telepata, mas tenta. Porém, ele domina bem telecinese.

O velhote pôs o cajado no chão e manteve-se ereto. Sereno como sempre.

– Tem certeza que não quer desistir?

Jin arqueou uma sobrancelha e disse:

– Tá com medo?

– Não – o velhote respondeu – Mas você deveria.

– Você me treinou por mui... – Sua frase foi interrompida por um ataque.

Um dos armários foi lançado contra o garoto. O mesmo saltou por cima do móvel e caiu no chão e a lança junto. O móvel atingiu uma parede.

O velhote riu.

– Então vai ser assim? – Jin levantou-se

– Você que começou.

O ruivo levantou a arma com sua telecinese e a atirou contra o adversário. O velhote ergueu sua mão e desviou a lança de sua rota. A arma atingiu a parede.

– Eu esperava mais.

– E quem disse que eu terminei?

Jin esticou o braço para trás na direção de dois armários. As portas dos mesmos abriram-se. O garoto, usando sua mente, puxou as armas que estavam dentro dos móveis. Dez lâminas ao todo. Jin começou a levitar e as armas, apontadas para o adversário, giravam em torno dele.

– Eu acabei de começar! – Levantou a mão direita. As armas começaram a girar mais rápido. Apontou para o velhote, e as lâminas dispararam em uma velocidade absurda contra o mesmo.

O velhote rapidamente esticou as mãos e, usando sua telecinese, criou uma barreira invisível. Por pouco ele não foi atingido. Metade de uma lança atravessou o escudo e ficou presa nele. Todas as outras o atingiram e caíram no chão.

O mais velho desfez a barreira e caiu de joelhos no chão. Jin levitava mais próximo do chão nesse momento.

– Você tá ficando velho – o garoto riu.

– E você mais forte – O velhote levantou o rosto. Jin concordou. Ele tem um talento. Aprende rápido. Rápido de mais. – Você já atacou... — Pressionou a palma das mãos contra o chão de madeira – Agora é minha vez!

O chão tremeu. Jin pensou por um momento que era um terremoto. Mas era o seu avô atacando-o. O tremor aumentou e os pregos que uniam as tábuas começaram a se soltar. Elas começaram a flutuar. Jin se assustou e quase perdeu o equilíbrio. Todas as tabus estavam flutuando no ar.

O velhote ergueu-se.

– Impressionado?

– Eu esperava mais – Jin Riu.

– E quem disse que eu acabei?

O velhote esticou o braço para frente. A palma da mão volta para o mais novo. As tábuas se alinharam e dispararam na direção do garoto. Elas se posicionaram ao redor do garoto formando um cubo. Mais e mais tábuas juntavam-se ao cubo, tornando a prisão cada vez mais grossa.

Jin parou de levitar. Estava em pé dentro da prisão. Ele começou a bater nas paredes, mas não adiantava.

– Está gostando, meu netinho? Porque vai ficar melhor ainda!- Movendo os dedos, o velhote fez o cubo girar no ar.

Jin se sentou com as pernas cruzadas no chão de madeira. O cubo girava cada vez mais rápido. E o garoto estava ficando enjoado.

– Vamos lá! – Falava para si mesmo – Inspira... Espira... Inspira... – Juntou as mãos e entrelaçou os dedos. – Espira... Inspira... – Imaginou um campo de força que surgia dentro do seu corpo e se expandia. Um campo de força resistente que crescia cada vez mais – Espira... Inspira... – O campo se tornou real. – Espira... Inspira... – Abriu os olhos e esticou os braços para os lados. – Espira! – Gritou dessa vez. O campo de força expandiu-se mais e pressionou as paredes. O cubo estourou.

Jin levitava cada vez mais baixo. Descia lentamente. Quando chegou ao chão, pôs-se de pé. Perdeu o equilíbrio por um momento, mas não caiu.

– Viu? – O velhote sorria – Eu te disse. Você precisa meditar. Isso te torna cada vez mais forte. Parabéns. Você teve um bom desempenho hoje. Agora fala.

– Você estava certo... – Jin quase sussurrou.

– Eu não escutei.

– Você estava certo! – Falou alto.

– Sim, eu estava e você tem que me escutar quando eu disser que você precisa fazer algo. – Riu – Agora vá encontrar com os seus parceiros de equipe!

– Mas eu tô suado!

– Você vai se atrasar. Vá logo! E não se esqueça de regar as plantas!

O garoto tomou um banho e continuou com a mesma blusa e o mesmo short. Vestiu uma jaqueta branca com labaredas vermelhas e calçou um tênis branco. Pegou sua mochila com tudo que precisava. Estava atravessando o portal para sair de casa quando seu avô o chamou:

– Não está esquecendo-se de nada? – O velhote segurava uma espada embainhada.

– Telécida... – Jin encarava a espada com admiração. — A espada do meu pai? – Aproximou-se – Mas você que eu só poderia usá-la quando eu estivesse pronto...

– E você está! – O velhote entregou a arma ao garoto.

A bainha era feita de um material vermelho e possuía uma alça. Apenas o cabo da espada estava à mostra. Ele era negro e pequenas pedras vermelhas estavam presas a ele.

– Valeu mesmo, vô! – O garoto estendeu os braços para uma, mas o velhote rejeitou.

– Não me agradeça. Você a merece. Só estou cumprindo o meu dever. Agora sai logo daqui!

O garoto prendeu a espada nas costas e saiu.

Notas finais
Gostaram? Digam-me nos comentários!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.