Crônicas de Byron
2 Capítulo 1 - Alfredo Windsor
Notas iniciais
A Estrada de Deus ligava a cidade sagrada de Una até a capital do reino de Cent, Assex, e havia sido construída há muito tempo atrás, nos tempos dos imperadores Altair. Junto da Muralha de Deus, das arquiteturas titânicas de Eduardo, o Belo, e de todo o código civil de Byron, a estrada fazia parte da herança imperial deixada pelos unos.
Ela se constituía de um caminho largo, onde quinze cavaleiros poderiam cavalgar lado a lado, toda feita de pedra polida e cheia de entalhamentos, representando imagens do Deus Uno e seus descendentes nas mais diversas situações. No meio de todo o verde das campinas, bosques e matas, a Estrada de Deus parecia uma lâmina brilhante que cortava qualquer obstáculo.
Alfredo, particularmente, gostava muito de viajar por ela e apesar de ser a terceira vez que o fizesse, continuava deslumbrado com a arte utilizada para tecer a estrada. Ele tinha se separado da comitiva principal e já estava muito a frente na estrada, trotando com seu baio puro sangue, seguido apenas por Albert, seu jovem escudeiro em um pônei.
— Altair Primeiro iniciou a construção dela, que só foi terminada no reinado de Altair Segundo. — O rei disse ao garoto. Alfredo se gabava de conhecer cada detalhe do reinado de cada imperador uno.
— E a Muralha? — Perguntou Albert, se referindo a Muralha de Deus, um paredão de 100 metros de altura que separava o reino de Cent do restante dos reinos mais ao norte.
— A Muralha também foi obra de Altair Primeiro, mas foi finalizada somente no reinado de Altair Terceiro. — Alfredo respondeu, conclusivo. — Você sabe por que?
Albert gesticulou um 'não' com a cabeça e o rei de Cent prontamente explicou os motivos da construção da Muralha.
— Assim que tomou Assex, Altair Primeiro se viu cercado por inimigos. Os reinos da Argentia e Galia planejavam um ataque em conjunto para depô-lo e recolocar um pagão no trono. Como forma de se proteger disso, ele projetou a Muralha de Deus, que protegeria Cent de um ataque e ao mesmo tempo isolaria o reino do restante dos outros reinos, impedindo dessa forma o livre trânsito do paganismo também.
— Eu não entendo... Altair Primeiro não poderia simplesmente lutar contra os invasores? Afinal, ele tinha a Espada Sagrada, não perderia para ninguém!
— Magno Quarto também tinha a Espada Sagrada quando investiu contra os insurretos há meio século atrás. E o que aconteceu? Ele perdeu a espada e a vida... além de seu império. — Alfredo recuou o cavalo para se aproximar de Albert e bagunçou o cabelo loiro do menino. — Não esqueça disso, garoto: às vezes, apesar de julgarmos sermos invencíveis e termos Deus ao nosso lado, o Opositor nos trapaceia e nos derruba. As consequências que virão após essa queda serão todas e exclusivamente suas.
— Até escudeiros como eu precisam saber disso? — Albert perguntou, curioso.
— Você é mais que só um escudeiro. Será um grande homem um dia. — Alfredo sorriu. — Agora vamos voltar, o velho Vincent deve estar arrancando os poucos cabelos que ainda tem.
E trotaram de volta em direção a comitiva, com o comprido cabelo castanho de Alfredo voando e seus olhos verdes fitando o horizonte.
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