Terça-feira,é semana após a semana de provas e todos professores estão corrigindo provas,e se for aquele tipo de professor que durante as aulas a explicação dele é assim :
¨Então se para fazermos o calculo de raiz quinta SHHHHH turma turma,eu NÃO VOU GRITAR HEIN!¨
Geralmente a turma fica como um pandemônio,dessa vez estava mais razoável,todos conversavam baixo,com grupinhos formados por grupinhos de cadeiras coladas umas nas outras e pessoas viradas para trás,e,no máximo,risadinhas que saíam mais altas que o esperado,fiquei orgulhoso da minha própria turma.Enfim,para variar eu estava num canto isolado lendo A Marca de Atena,pensei comigo mesmo que Rick Riordan tinha colocado uns romances muito mimizentos,mas a série é boa,então Gaby estava vindo na minha direção sorrindo,toda vez que eu a olhava sorrindo para mim eu fazia uma mini-ficha dela,era um costume,vamos ver.Gabriella Waldeck,14 anos,já fez aniversário,ou seja ela estava certa e nunca repetira de ano(Oque se tornou um real milagre na minha escola),1,57 de altura,oque como eu tinha 1,65,ficava extremamente perfeito o lance de altura,nós andarmos de mãos dadas e etc.Ou seja,a sala toda achava que no fim do ano nós íamos ficar,porque né?!Ela veio em minha direção e me puxou da cadeira pelo braço e parece que tudo rolou de acordo com os cálculos dela,porque na hora o sinal do intervalo tocou.

–Ahn,Jimin quer sair hoje depois da escola?Eu e a Crystal vamos no Starbucks,e pensamos que um menino com idade mental superior ao do resto ia ajudar no clima.

Ela riu e eu acompanhei ela,respondi ainda com a cara no livro enquanto saíamos da sala de encontro com a multidão que fazia o mesmo.

–Ah sim claro,eu gosto de maionese.

Ela fechou o livro na minha cara e ficou com ele.

–Te devolvo depois que nosso encontro terminar.

–Quem vai mesmo?

–Eu,a Crystal e você.

No mesmo instante eu corei e disfarcei me virando para o outro lado e ajeitei meu casaco que estava amarrado na cintura.Estávamos descendo a rampa que liga ao patio principal,então eu esbarrei em alguém que eu não consegui dizer se era uma pessoa ou uma pilastra.

–Eu...ahn,tenho curso,desculpe mas não vou.

–Você não tem curso hoje.

Ela retrucou já entendendo o porquê.Chegamos no patio e fomos direto para a fila da lanchonete interna da escola.

–Cara,você não esconde de mim que gosta dela,aliás acho que não esconde de ninguém,tipo todo mundo percebe que você fica desconfortável e atrapalhado perto dela.

–Mentira.

–Pergunte ao resto da escola então.

Ela riu e eu achei que ela estava mesmo blefando,compramos nossos cheeseburguers e fizemos nosso habitual ritual,sentamos e falamos sobre assuntos em comum que os dois gostavam,até que ela tocou no nome Crystal,ela sempre me descrevia antes de fazer seu showzinho,algo como Então,Jimin Moore,aquele que se mantém tranquilo até na hora que é chamado na Supervisão ou quando vai entregar as notas pros pais,quase implora para que eu não fale muito na Crystal.Eu odiava aquilo,eu não me importava com ninguém,nem queria me importar com ninguém,mas todas as vezes que eu usava isso de argumento ela falava Sério?A mesma desculpa á oito anos?Acho meio difícil você ainda falar isso,já que nos conhecemos á nove anos.Contra isso eu não tinha mais nada a dizer.O sinal tocou e nós voltamos á sala,não consegui distinguir nenhuma diferença do intervalo para a sala,todos conversavam,comiam,riam e faziam tudo como se não houvesse professores ali.Enquanto eu e Gaby ríamos das piadas um do outro,teve uma hora que a professora de geografia ficou com raiva do falatório e falou algo como ¨ISSO AQUI É UMA SALA DE AULA NÃO UM ZOOLÓGICO¨.Na mesma hora a Gaby murmurou no meu ouvido

–Se isso aqui não é circo porque a calça dela é de onça?

–Boa Gaby,muito boa.

Revirei os olhos mas no fim os dois riram,e finalmente o sinal tocou,enquanto ela foi falar com a Crystal para acertar os últimos detalhes,eu me misturei a multidão que saia na mesma hora das salas e comecei a correr(Quer dizer,tentei correr,todos andavam e não pareciam com nem um pouco de pressa),abrindo espaço entre todos,olhei para as roletas,onde eu só tinha que passar o cartão de identificação de estudante e bolar uma boa desculpa para as duas por ter faltado,Gaby ia ficar furiosa mas tudo era melhor do que ficar mais próximo de alguém(Principalmente da Crystal),e quando cheguei na roleta uma mão com dedos pequenos e unhas pintadas em um preto total segurou meu braço,fechei os olhos e suspirei e tentei meu tom de voz mais amigável.

–Eai Gaby,eu estava,ahn,perguntando as horas para o Johny.

(Johny no caso era o inspetor)Ela me fuzilou com os olhos e me levou pela orelha até o lado de fora onde me soltou e falou curta e grossa.

–Uma tentativa de fugir sequer e eu não falo mais com você.

–Tuuudo bem.

Andamos até o Starbucks onde a Crystal nos esperava,acho que minha mini-ficha apitou de novo.Crystal Argetlam,14 anos,olhos verdes penetrantes e cabelos ruivos até a metade das costas e um sorriso estonteante(E,UAU,que sorriso,toda vez que ela o dirigia para mim a sensação era que minha alma ia deixar meu corpo).E lá estava ela,bebendo pelo canudo uma limonada rosa com aquele slogan de deusa do mar do Stabucks.(Falando sério,eu nunca entendi o motivo do slogan ser aquele,tinha tantas outras coisas,porque uma deusa do mar ou uma sereia ou um bicho estranho de cabelo de miojo?Perguntas que nunca serão respondidas.)

–Oi Jimin,oi Gaby.

–Oi.

Murmurei,juro que usei a força normal da minha voz naquilo então porque soou tão baixo?

–Ooi Crys,já pediu para gente ou só pegou a limonada rosa pra você?

–Ahn,eu já pedi o seu mas não faço a menor ideia do que o Jimin gosta então-

–Pão de queijo.

–Oquê?

Agora que eu devia ter murmurado eu falei normal

–Ah,eu gosto de pão de queijo.

Ela estendeu o saco de pão de queijos dela.

–Então,que comamos juntos.

Ela sorrio de novo,aquele sorriso que por um motivo desconhecido me fazia querer vomitar arco-íris,aquele sorriso que era a única coisa que me prendia tanto a uma pessoa.

–Obrigado.

Quando fui pegar ela pegou minha mão e abraçou com a dela e sorriu.

–Gosto da sua mão,se eu fosse sua namorada,acho que ela me passaria segurança.

–Ahn,tá,obrigado?

Eu devia estar como um tomate,porque Gaby segurava um riso e olhava para os lados procurando algo que a distraísse para que eles esquecessem ela,não rolou clima por muito tempo,assim que ela se virou eu peguei minha mão de volta e a coloquei na mesa,ela riu,devia ser algo engraçado de se ver,não de se viver.

–Ahn,eu vou no banheiro.

Gaby se levantou e foi em direção ao banheiro,eu nunca parei para pensar que um Starbucks que abriu á uma quadra do meu colégio pareceu tão conveniente,virou algo melhor que a barraca onde todos compravam açaí,aí meus pensamentos foram cortados por Crystal.

–Eu gosto do seu estilo,parece que você esta sempre distante,sempre viajando na maionese.

Eu sorri de leve

–Eu gosto de abrir a minha mente á tudo que me sirva de conhecimento algum dia ou tudo á que eu acho interessante,oque resumindo é:Eu não sou Nerd só na escola,é algo natural.

Ela riu,finalmente eu estava tendo oque queria e o que não queria:Sim eu queria,eu queria ser amigo dela,namorar com ela,noivar e casar com ela,queria ser o seu travesseiro e ficar velhinho esquisito e rabugento,contanto que fosse junte dela.Não,eu achava que amizades eram como um cacto que brota em um vaso de gelo,você sabe que um dia você vai escorregar e esse cacto vai caris em cima de você e te machucar,mas você arrisca,porque é legal.E assim esse foi um dos dias mais estranhos e turbulentos da minha vida,depois disso conversamos normalmente e nos despedimos uma hora depois,mais um dia,menos horas de vida,não que alguém se importe.

Atenciosamente,Jimin.