Crônicas da Nova Terra

1 I - Uma Ameça Iminente, Perdida no Deserto.


Notas iniciais
Minha mais nova história, espero que gostem. Boas vindas ao universo de Crônicas da Nova Terra, onde vocês vão conhecer Clás e Mylla, que lutam contra uma nova ameça que pode mudar o rumo da história para sempre. Uma ótima leitura :3 E pra quem gosta de ação, bem vindo a esse meu mundo!

CLÁS

— Finalmente, estou em casa! — Clás sorria imensamente ao sentir pela primeira vez naquele mês a ventania forte que trazia grãos de areia em sua direção, tocou o braço esquerdo, coberto por bandagens, o seu Digenium estava ficando mais forte, havia percebido. Sua força aumentava exponencialmente a cada batalha vencida.

Andava pelas ruas indômitas, totalmente tomadas pela areia do deserto. Seu sobretudo negro com vermelho empoeirado o auxiliavam na proteção contra os dolorosos grãos de areia. Novamente tocou seu braço esquerdo, as bandagens iam do cotovelo até a ponta dos seus dedos, usava uma máscara, já havia perdido as contas de quantas vezes grãos de poeira invadiram seus olhos causando lágrimas e desconforto, eram como agulhas ao tocar na pele.

Clás estava contente aquele dia, era notável no seu andar. Havia acabado de encontrar a Relíquia que o seu cliente havia pedido. Era um grande estilhaço de Vitrum, um tipo de vidro com um efeito cintilante roxo, atuava como uma enorme fonte de energia para automóveis, presentes apenas nas mãos dos homens mais ricos e poderosos da Nova Terra.

— Cheguei! Na próxima eu chegarei mais rápido! – Gritou Clás.
Finalmente havia chegado ao Bar do Steven, praticamente morava ali. Era um antigo prédio com três andares, o primeiro era o bar, no segundo eram os quartos, na janela do quarto de Clás a placa com poucas letras ainda piscando era um sinal de tranquilidade, nostalgia sentia do tempo em que aquela velha e enferrujada placa funcionava totalmente.

— Haha, finalmente Clás, porque demorou tanto? – Disse Steven, ao terminar de beijar uma garota – Sente-se ali, Ryon tem algo pra você – Beijou outra garota, sentada ao seu outro lado.

Steven estava sentado no fundo, rodeado por garotas, como sempre. Como barman estava seu já envelhecido companheiro Ryon, servindo três senhores de respeito... Brincadeiras a parte, eram três porcos, Clás sentou-se a algumas cadeiras de distância, mesmo assim, podia sentir seu cheiro fétido, bebendo e falando de suas aventuras.

— Bem vindo de volta, Clás, pela sua felicidade posso supor que conseguiu o estilhaço de Vitrum, correto? – Ryon era ótimo em dedução e detecção de mentiras, um francês de 56 anos de idade, nunca o tinha visto sem a roupa de barman, usava um monóculo e seu bigode cinzento o deixava com um aspecto de classe, bem estranho para os padrões da Nova Terra.

— Como sempre, certo. – Pegou a maleta, estava algemada ao pulso. Tirou as bandagens do até então coberto braço, e lá estava. Totalmente negro, tinha um aspecto metálico cromado e de vidro, não era como pele. Não havia pelos nem as linhas das mãos, muito menos unhas, era apenas como um pedaço de obsidiana em forma de braço do cotovelo á mão, Digenium.

Clás segurou a corrente com seu Digenium, ela começou a enferrujar rapidamente, até quebrar.
— Clás, não era mais fácil usar a chave? – Disse Ryon.
— É... Até faria mais sentido, mas eu esqueci e acabei enferrujando a chave – Fazia cara de lesado.

Depois das risadas, Ryon pegou o estilhaço e o guardou, o cliente vinha buscar de madrugada, quando o bar estivesse vazio. Alguns momentos depois, entrou pela porta uma linda garota, com cabelos vermelhos de tamanho médio que eram ao mesmo tempo lisos e cacheados, havia olhos que eram negros como a noite mais escura...

Vestia um pano que servia como capa contra a poeira do deserto. Uma bolsa vermelha estava com ela, que ia até a coxa, tocando as tiras de couro que eram amarradas na calça. Havia também uma grande barra de metal nas costas, em forma de lança, que era um pouco maior que Clás, chamada de Perfuratriz.

MYLLA

Mylla. Mylla era rival desde que se conheceram ainda crianças, também se tornou uma caçadora de relíquias, mas nunca vão juntos em uma aventura, pois nunca dá certo, a competitividade entre os dois não permite.

— Olá, Clás, sentiu minha falta? – Disse ao se sentar do meu lado, deixando a Perfuratriz com Ryon, que a guardou.
— Hahaha, oque você acha, bebezinho? –Clás a respondeu ironicamente.

Os dois tinham uma relação de amor e carinho, como irmãos, mas ainda assim se odiavam, o quão complicado é explicar isso? Muito. Mas no fundo, os dois se amavam e queriam o bem um do outro.

— Nossa, mas que corpinho hein bebê, vem cá falar com a gente – Disse um dos porcos que a essa altura já deveriam estar bêbados.
— Não, obrigado, babacas. – Falava de uma maneira tão feliz e tão irônica, típico dela.
— Vem aqui vem! – O Porco que estava sentado ao lado dela agarrou seu antebraço, que estava apoiada no balcão.
— Seu pior erro! – Mylla segurou o braço do Porco com a outra mão e a puxou, o fazendo quase cair da cadeira na direção dela, e teria caído, se o cotovelo de Mylla não tivesse o acertado bem no meio do rosto, quebrando o seu nariz e o fazendo cair no chão. Os outros dois se levantaram.
— Matem ela! – Gritou o Porco, ainda no chão, seu nariz estava sangrando, ele estava vestindo um macacão de mecânico, ele era o menor dos três. Pensando agora, a cena era engraçada, um pequeno gordo no chão revoltado e derrotado. Mylla observou que Clás se segurava para não rir.

Mylla estava sentada, no seu mesmo lugar. Levantou-se quando os outros dois andaram para perto dela, os encarou com um sorriso e um olhar de desafio. Mylla era uma ótima lutadora, extremamente rápida, compensando por não ter tanta força.

Quando o mais alto, que parecia ter mais de dois metros, havia chegado perto, tentou desferir um soco, Mylla apenas estava parada, seu sorriso se abriu quando o punho estava chegando perto do seu rosto. Incrivelmente, em uma piscada, não estava mais lá. O grandalhão ficou confuso, e olhou atrás, apenas para ver que Mylla estava no ar, e girou em 380 graus com um chute, acertando em cheio o queixo, fazendo-o perder a consciência e cair no chão.

Assim que botou os pés no chão, olhou para o outro, que estava com coberto por armaduras de ferro já enferrujado. Ele deu dois passos para trás antes de se virar e correr para as portas do fundo. Ao sair pela porta continuou correndo. Olhou para trás, e não viu nada, apenas sentiu um forte estrondo no seu estômago, olhou para frente, Mylla estava lá, seu chute havia sido tão forte, que havia estilhaçado a armadura que usava, mal podia se mexer, apenas caiu no chão, recolhido segurando sua barriga. Mylla voltou ao bar.

— Voltei, bem, onde estávamos? – Mylla disse enquanto se sentava novamente ao lado de Clás.
— Oque fez com Pete? – Perguntou o Porco, ainda no chão.
— Não o machuquei muito, não se preocupe. – Retrucou Mylla, calmamente.
— Mon Dieu, isso foi realmente necessário? Só precisaria ignorar – Ryon apenas observava, sabia que Mylla entrava em brigas por qualquer motivo, ela não tinha paciência.
— É, até faria mais sentido, mas eu gosto de uma confusão... – Sorria alegremente.
— Já escutei isso hoje... – Ryon ria.
— Eu voltarei! – Disse o Porco, que finalmente havia se levantado, saiu pela porta, deixando seu grande amigo para trás. Sobrou para Clás jogá-lo do lado de fora.

As horas se passaram, agora, quase meia-noite, esperavam o cliente chegar para comprar o produto. Mylla andava de um lado para o outro, sem parar. Ela era hiperativa e impaciente, uma boa combinação. Clás apenas sentado, observando o estilhaço em cima de uma almofada, Ryon estava servindo Steven. Quando um homem de terno entrou pela porta.

— Espero não ter me atrasado. Chamo-me Karth, sou eu que quero comprar o estilhaço.
Sua voz era calma e fria, tinha a pele pálida e seu cabelo era loiro e bem arrumado, havia um bracelete com caveiras e anéis de ouro com espinhos. Mylla o achou estranho e não muito confiável.
— Está com o dinheiro? – Steven disse.
Karth andou até o balcão, abriu uma mala, cheia de dinheiro. Clás pegou algumas notas para conferir, verdadeiras.
— Bem, é isso, foi bom fazer negócios com você. – Karth pegou o estilhaço
— Espere, antes de ir, oque pretende fazer com o estilhaço? – Steven o perguntou.
— Bem, não acho que seja do seu interesse. – Respondeu friamente.
— Oquê? – Steven perguntou. – Nós é que somos donos desse estilhaço. Temos todo o direito de saber para que fim será usado, então, é melhor responder logo!
Karth riu como se tivesse ouvido uma boa piada.
— Abaixe a voz para falar comigo, contrabandista barato. – Karth o segurou pelo pescoço e depois o empurrou.
Mylla já estava com a Perfuratriz em mãos. Observou Clás tirar as bandagens de seu braço e parar em frente a Steven.
— Belo Digenium, mas ainda assim, você é fraco. – Karth tentou socar Clás, que bloqueou usando seu Digenium e, ainda assim, foi arremessado para longe, quebrando a madeira do balcão.
Mylla rapidamente se moveu até sua frente e tentou acertar a Perfuratriz em seu rosto. Karth esquivou para o lado, a fazendo passar direto, e a socou na costela, fazendo-a cair no chão.

— Bem, não importa, vocês serão mortos mesmo.

Karth saiu pela porta, de repente, um som de tique vindo de dentro da mala, Mylla viu o rosto de surpresa nos outros, antes de ser atingida pela explosão e ser lançada pela janela do estabelecimento que por sua vida inteira havia sido seu lar.

Acordou. Estava no meio de um deserto, haviam apenas dunas e o vento forte que trazia os grãos dolorosamente em sua pele. A Perfuratriz estava enfiada na areia, e amarrado nela estava o pano que geralmente a protegia. Não via nada ao olhar em volta, apenas um grande prédio coberto pela areia e destruído pelo tempo, nele, haviam janelas de vidro por toda parte sendo a grande maioria já quebradas.

— Que merda. – Viu que havia rasgado parte de sua calça, perto da panturrilha, o suficiente para que os grãos de areia a incomodassem naquela região. Alguns estilhaços de vidro presos em seu braço, mas nenhum ferimento grave.

— Oque é isso? – Estava checando seu corpo a procura de ferimentos quando encontrou um bilhete preso na cintura, sendo segurado pelo cinto. No bilhete dizia ‘’Siga a direção do sol ao se pôr’’

— Bem, não acho que tenha opção... Vamos lá!

Mylla então partiu, com o sol escaldante sobre seus cabelos vermelhos, que fritava sua cabeça. Ainda assim, não poderia fazer nada, estava muito confusa sobre tudo. Havia apenas aparecido ali sem nenhuma explicação... Mas, estava na hora de descobrir...

Notas finais
Esclarecerei algumas coisas para os leitores, a grande guerra que transformou o mundo foi chamada de A Guerra Dos Elementos, a Rússia descobriu um novo elemento químico, Sanguimer. Com uma radioatividade muito grande, sua característica era mudar o ambiente, apodrecer tudo de vida que encontrasse e até mesmo capaz de contaminar placas tectônicas. Esse material foi usado para construir os mísseis que foram lançados nos Estados Unidos. Eles não sabiam, porém, que os americanos tinham descoberto outro elemento, Malipus, que podia deformar completamente um ser vivo, destruindo suas células e modificando a estrutura genética de maneira aleatória. No final de tudo, não havia sobrado quase nada vivo na terra, desertos de areia e de neve tomaram tudo. As plantas em maior parte sofreram mutações e se tornaram monstruosas, até mesmo uma árvore comum poderia ser uma criatura camuflada, ansiosa para devorar um humano. Surgiram também, Oblinus. Criaturas que foram afetadas pela Malipus, se tornando monstros de várias formas. Entretanto, surgiram os Digenium, que são partes do corpo transformadas a partir da radiação de Malipus, no qual o corpo conseguiu se adaptar. Digenium’s geralmente tem habilidades especiais.