Notas iniciais
Ihul, cumprindo horário aqui estou eu, 1:15 da madrugada em quanto eu deveria estar ferrado em sono. Aproveita aí que eu vou arrumar minha cama. o/

A verdade é que desde os 8 anos que não vejo meu pai, tenho o diário da minha mãe, ela falava bastante do meu velho... Enfim, agora não é essa a parte da história.

Voltando para a parte em que eu fiquei na casa da Julian... Droga, por que ela tava chorando? Mesmo eu não consigo entender o porque...

Entramos, ela falou que ia para o quarto tomar banho e se trocar...

Fiquei na sala de estar, sentado no sofá observando os objetivos, havia uma grande estatua angelical no centro da sala, perto da escada, em tamanho humano. O anjo estava com o joelho esquerdo apoiado ao chão em quanto a perna direita era usada como apoio para um grande escudo redondo, as asas eram abertas, o cabelo era curto, estranhamente militar, algo que eu nunca havia visto em estatuas de anjos. Usava uma toga presa por um cinto, neste havia uma espada de pedra. Aos pés da estátua estava o nome de Julian encravado na pedra: “Juliana IV di Ângelo”, algo estranho pra mim, mas vi que era o seu nome de família. Após algum tempo sentado no sofá dei por falta de Julian, ela demorava demais... Resolvi ir até seu quarto, mas quando subi as escadas uma porta de mármore branco me chamou a atenção, empurrei a porta lentamente, era leve e não fazia barulho. Quando entrei na sala uma luz azul clara e fraca iluminava o ambiente. Vi várias estatuas angelicais, assim como as da sala, cada uma tinha um nome diferente esculpido e o escudo apoiado na coxa também era diferenciado. Uma das estátuas o anjo não estava ajoelhado, estava de pé, completamente ereto e carregava o escudo redondo nas costas, a sua frente estava a espada, segurava o cabo com as duas mãos, na altura do umbigo, que não existia, a ponta da espada encostava no chão. Essa estatua tinha o nome Miguel Di Angelo encravado na sua espada. Depois de observar a estátua resolvi sair dali e voltar pra sala, mas quando cheguei Julian não estava lá. Subi as escadas e fui até seu quarto, a porta estava aberta e corria um vento frio, o que indicava que a janela também estava aberta. Cheguei perto procurando não fazer barulho, pude ouvir a voz de um homem, grossa e forte, onipotente.

-Juli, você não deveria julgar um peixe por sua habilidade de escalar uma montanha – Falava ele num tom calmo. – Você sabe, a garota poderá ser muito útil.

-Mas Mestre, ela não é tão forte nem tão rápida quanto eu, e sem falar que ela não tem nenhuma experien...

-Julian, chegará sua vez. –Interrompeu ele – Espere.

-Eu esperei por 5 anos. Eu deveria ser a primeira. – Julian gritou tão alto que eu poderia te escutado lá de baixo.

Tentei espiar, vi de relance um homem alto, de costas largas, cabelos longos e sobretudo vermelho. Senti uma forte presença ao vê-lo.

-Tudo tem sua hora, criança. Preciso de você hoje a noite. – Falou ele ainda calmo.

-Sim, mestre. E o Icarus? – Perguntou ela, preocupada comigo.

-Você demorou tanto que ele está dormindo lá em baixo. – Senti uma pequena alteração em sua voz, percebi que ele tentava engana-la. – Quando voltar se deite em sua cama e durma, ele irá embora ao amanhecer.

Ao escutar isso senti uma mudança no vento, ele havia ficado mais forte. Entrei no quarto e nenhum dos dois estava lá. Vi a janela aberta e pensei que só poderia ser proposital. Deixei aberta e saí da casa pela porta da frente, corri e virei a esquina, tentando achar um rastro deles, mesmo sabendo que era totalmente inútil. Mais a frente na rua vi algumas penas brancas que pareciam ter luz própria voando. Corri até lá e vi um alto, vestido em um terno branco, esse homem parecia muito com a estatua angelical que estava na casa de Julian e tinha seu nome escrito em seus pés.

-Olá, Senhor W.Side. – Falou ele, muito cortês e calmo, sua voz era onipresente.

-Olá, Senhor anjo. –Retruquei.

-Então já sabes o que sou, então presumo que saibas quem sou.

-Não tenho essa sorte, homem pássaro.

-Cuidado com tuas palavras, nem todos os anjos tem paciência tal como a minha.

-Então me fale seu nome, anjo.

-Sou Miguel XVI, atual protetor da Casa Di Angelo e de sua senhora, Juliana.

-Então presumo que o Miguel XV protegeu o pai ou a mãe de Juliana.

-A notícia não parece te espantar. – Espantava sim, eu que tinha aprendido a manter a calma.

-Estou certo então.

-Sim, estais. Meu pai protegeu a mãe de Juliana, e agora é meu dever proteger a minha senhora.

Todas as palavras do anjo eram calmas e ressoavam serenidade, o que fazia o nosso diálogo ser mais assustador pra mim.

-Se Juliana é sua protegida porque veio me procurar.

-Juliana tem seu sangue corrompido, não posso falar com minha senhora, pois seu sangue angelical não é mais puro.

-E o meu sangue é angelical o suficiente, anjo? –Ironizei o fato de ele ter me procurado.

-Existem coisas da sua família que tu não sabes, Waterside. – Seu tom mudou, era mais desafiador agora.

-Que tipo de coisas, anjo? – Procurei não alterar minha voz, tentei não deixar a raiva subir a minha cabeça.

-Teu pai te contarás no momento certo, agora escuta. –Seu tom era autoritário – Não pude mais observar Juliana ser corrompida cada dia mais, então escolhi a ti para ajudar-me.

-Anjo, seja direto. Você falou da minha família e agora pede para que o ajude, não minta ou se prolongue. – Exigi dele.

-Não posso mentir, e serei breve. – Prometeu-me – Quero dar-lhe três coisas, a primeira é a chave para a biblioteca de tua família. – Falou ele me entregando um amuleto redondo com o lobo azul. – Segundo quero te dar esse livro. – Entregou-me o livro de capa vermelha com o título “A Rainha Carmesim”. Eu conhecia aquele livro, era apenas um disfarce para o diário de meu pai. – E em terceiro um poder dos céus, as chamas brancas. –Falou ele estendendo-me sua mão direita. Apertei-a e senti uma queimação. – Estas chamas combatem qualquer ser que tenha índole contrária a dos anjos.

-Obrigado por isso. –Falei meio vagamente, ele havia me entregado duas coisas que eu sempre precisei. – Posso perguntar como conseguiu isso.

-Tive a felicidade de conhecer teu pai. – Falou ele com muita sinceridade e ternura no olha, mesmo sendo algo um tanto frio ainda. – Ele pediu-me pra entregar-te isso e me explicou que tu também me verias, então procurei sua ajuda.

-Entendo, pode me falar também o que a Julian segue? – Perguntei agora mais preocupado com ela.

-Um demônio que suga vida e infecta aos humanos. Um vampiro.

-Entendo, devo...

-Informo-lhe que deve regressar logo.

Ele colocou a mão sobre minha cabeça e acordei no sofá de Julian, fui até o quarto dela, dormia feito um bebê, escrevi um bilhete e saí dali pra minha casa. O anjo havia me informado mais coisas do que suas respostas diziam, agora entendi a família de Julian, me esperancei pelos presentes também. Acho que vou sumir por uns dias...

Notas finais
As vezes me acho um pouco narcisista por ter dado o meu nome a esse personagem, mas pouco importa. Espero que tenham gostado desse capítulo. Comentem alguma coisa, mostrem que alguém lê minhas histórias. O tio agradece. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.