Vocês já devem ter ouvido inúmeras versões da história da Cinderela, porém, asseguro-lhes que todas são pouco fieis.

Realmente, Cinderela perdeu sua mãe bem cedo, e seu pai casou-se novamente, com uma das piores mulheres daquele tempo: A Duquesa Du Mort. Ela financiava piratas sanguinários e tenebrosos, e os assistia em seus propósitos sujos.

A única distração da jovem era praticar esgrima com Jacques, Marie e Octavius, uma família de aprendizes que sempre a auxiliavam tanto em suas tarefas, como nos caprichos de seu coração, já que a Madrasta nunca estava em casa, tampouco suas meio irmãs.

Numa noite de inverno, já estavam todos da casa aprontando-se para um baile que haveria no Palácio das Amoreiras para comemorar o regresso do Príncipe, que viajara até a Inglaterra para fazer sabe-se lá o que. Cinderela estava se preparando também, com um vestido azul confeccionado por ela mesma, uma armadura dourada foi o que ela usou e sua espada ela fez questão de levar. Um sapato de cristal estava pronto para ela usar, e Cinderela saiu voando de tudo o que era feio e vulgar. Mas, quando chegou ao baile, ela se viu rodeada de piratas. Quanta insolência! Havia o Alf-Mason, tão feio que a mãe o trocou por uma garrafa de vinho Moscatel; Bill Jukes, coberto de tatuagens, e o mais cruel de todos: Gancho! Com seus olhos azuis feito miosótis, menos quando furava uma barriga com o gancho de ferro que ele tem no lugar da mão direita. Nessas horas, seus olhos ficavam rubros. “Mocinha, viemos nos apossar de seu sapatinho de cristal.” Disse Gancho, com um sorriso odioso nos lábios finos.

“E quem é você pra me dar ordens e me chamar de mocinha?” A jovem iniciou então uma luta emocionante com o pirata perverso, nem deu-se conta que o Príncipe observava cada movimento seu, e por fim, foi ajudá-la. “É muita gentileza sua, mas estou indo bem sozinha.” Cindy falou, de forma insolente. “De alguma forma, acho difícil de crer nisto.” O jovem Príncipe replicou da mesma maneira, arrancando um pequeno, mas contagiante sorriso da moça de cabelos dourados.

O relógio marcou doze badaladas, Cinderela preparou-se para alçar voo, correndo até o terraço, onde tinha-se uma vista maravilhosa dos fogos de artifício que soltaram em homenagem ao futuro rei. Futuro rei... O presente rei de seu coração. Bem, como veem, há passagens em todas as versões da Cinderela que são verdadeiras; outras, entretanto, diferem radicalmente do fato que eu – Rosebeth Jenkins Cabot – presenciei, como quando a jovem retorna a sua casa, a Madrasta e suas filhas foram recebidas por três lâminas frias e prateadas na garganta, além de uma carta de Chow-Huan – o Lord Pirata do Japão – cujo conteúdo nunca fora lido. Três dias depois, o Grão-Duque e também amigo do presente rei, enviou a jovem uma carruagem verde-esmeralda e nela havia várias espadas, revólveres e uma armadura dourada; Oh, claro! Um sapatinho de cristal também, mas isso vocês devem ter imaginado.