Crônicas Do Olimpo - O Mar De Monstros

17 Você é Incrível! A Luta dos Filhos de Poseidon


Notas iniciais
Chegando ao fim da temporada meus queridos....De novo!

– E a gente imaginou que o estoque de pedras dele tivesse acabado — resmungou Jake.

– Saiam nadando! — exclamou Hansel.

Ele e Clarisse mergulharam nas ondas. O Velocino pesava em minhas costas. Eu não conseguiria chegar lá a tempo.

- Se Segura em mim. — disse Jake. — Rápido!

Não discuti, me agarrei ao pescoço de Jake, e fomos atrás dos nossos amigos, tentei remar com uma das mãos, inutilmente. Tentei proteger o Velocino enquanto este me protegia. Mas a atenção do monstro não estava no Velocino.

– Você, jovem ciclope! – rugiu Polifemo. – Traidor da nossa espécie!

Tyler se virou para Polifemo.

- Tyler! — chamei. — Não dê ouvidos a ele!

Me livre de Jake e puxei o braço de Tyler, mas era como se estivesse puxando uma montanha. Ele se virou e enfrentou o ciclope mais velho.

– Não sou um traidor.

Esse é o meu irmãozinho, gente...

– Você serve a mortais! – bradou Polifemo. – Seres humanos ladrões!

E esse é meu irmãozão... A ovelha negra.

Polifemo atirou sua primeira pedra. Gritei, mas Tyler desviou a pedra com as costas das mãos.

– Não sou um traidor – disse Tyler. — E você não é da minha espécie!

Polifemo rugiu.

- Morte ou vitória!

Independência ou Morte! Tá, não resisti, desculpem...

Polifemo avançou para as ondas, mas seu pé ainda estava ferido. Ele imediatamente tropeçou e caiu de cara. Aquilo teria sido engraçado, só que ele começou a se levantar, cuspindo água salgada e rosnando.

- Jake! Megan! — gritou Clarisse. — Venham logo!

Jake tentou me puxar, mas me livrei de sua mão.

- Eu não vou deixar Tyler de novo. — falei.

Ele pareceu que ia protestar.

- Você não pode lutar assim!

- Posso sim! — falei.

Jake deve ter percebido que eu não mudaria de ideia, pois este disse.

- Você vai ficar sem o velocino, cinco minutos ou eu volto e te tiro de lá.

- Eu imaginei. — dei para ele o velocino e minhas únicas armaduras eram os mares.

Me senti meio tonta assim que me livrei do velocino, mas eu podia aguentar... Cinco minutos.

Eles já estavam quase no navio com o Velocino. Se eu ao menos pudesse manter o monstro distraído mais um pouco...

– Vá Megan – disse-me Tyler. – Eu seguro o Grandão Feioso.

- Acha que vou deixar você morrer? Já te perdi uma vez, não vou perder de novo. — insisti.

Puxei minha espada.

- Faremos isso... Juntos.

Tyler retribuiu o meu olhar.

- Juntos. — repetiu.

Polifemo avançou cautelosamente, mancando como nunca. Mas não havia nada de errado com seu braço. Ele atirou a segunda pedra. Mergulhei para um lado, mas ainda teria sido esmagado se Tyler não a tivesse arrebentado, transformando-a em cascalho.

Desejei que o mar subisse. Uma onda de seis metros se ergueu, levantando-me na crista. Peguei uma carona em direção ao ciclope e chutei-o no olho, pulando por cima da cabeça dele enquanto a água o atirava na praia.

Segurei um gemido depois de ter feito isso, eu ainda sentia dor, mas pela água, esta foi acalmada.

– Vou destruí-la! – bradou Polifemo. – Ladra de Velocino!

Ladra de Raios, Ladra de Velocino... Eu sempre sou culpada por alguma coisa, não é?

– Você!... Roubou o Velocino – gritei. – Você está usando ele para atrair os sátiros para a morte!

– E daí? Sátiros são boa comida!

– O Velocino deve ser usado para curar e não matar! Ele pertence aos filhos dos deuses!

- Eu sou filho dos deuses! — insistiu ele.

Polifemo tentou me varrer com um golpe, mas eu me desviei para o lado.

– Pai Poseidon, amaldiçoe este ladrão!

Ele piscava muito agora, como se mal pudesse enxergar, e percebi que estava se guiando pelo som da minha voz.

– Poseidon não vai me amaldiçoar – falei, recuando enquanto o ciclope agarrava o ar. – Eu também sou filha dele. Ele não vai escolher um favorito!

Polifemo rugiu. Ele arrancou uma oliveira da encosta do penhasco e golpeou com ela o lugar onde eu estava um momento antes.

- Tá difícil, hein... — resmunguei.

– Os seres humanos não são mais os mesmos! Maus, trapaceiros, mentirosos!

Clarisse acenava freneticamente para mim, me chamando.

Tyler deu a volta, tentando ficar atrás de Polifemo para um ataque surpresa...

– Jovem ciclope! – chamou o ciclope mais velho. – Onde está você? Ajude-me!

Tyler parou.

– Você não foi criado como deveria! – lamuriou-se Polifemo, sacudindo seu porrete de oliveira. – Pobre irmão órfão! Ajude-me!

Ninguém se mexeu. Nenhum som além do oceano e das batidas do meu coração. Eu me preparava para qualquer coisa, eu só tinha três minutos...

Tyler avançou, erguendo as mãos na defensiva:

- Não lute, irmão... — disse ele. — Abaixe a...

Polifemo girou o corpo na direção da voz dele.

- TYLER! — berrei, pude ouvir minha voz ecoando. — Cara... Esse grito foi perfeito!...

Pensei alto demais? Acho que sim... Mas admitam... Eu sei gritar.

A árvore atingiu-o com tamanha força que se eu tivesse levado uma pancada daquelas, seria achatada até virar Pizza de frutos do mar com uma porção extra de azeitonas (Athenas oferecimento)

Tyler voou de costas, cavando uma trincheira na areia. Polifemo avançou atrás dele, mas eu gritei:

- NÃOO!

Convoquei um tornado no mar com o meu grito, o tornado se ergueu me levantando no ar, ataquei com Anaklusmos e joguei o ciclope o mais longe que pude. Esperava atingir Polifemo na parte de trás da coxa, mas consegui pular um pouquinho mais alto... É... Isso ai... Que droga hein Polifemo...

– Béééééé! — baliu como um de seus caneiros.

Então me golpeou com sua árvore. Eu mergulhei, mas ainda assim uma dúzia de galhos pontudos arranhou minha pele. Estava sangrando, tremendo e exausta. Quis fugir assim que senti o sangue escorrendo, mas não ia desistir... Engoli o medo.

Polifemo desferiu outro golpe com a árvore, mas dessa vez eu estava preparada. Agarrei um galho quando ela passou, ignorando a dor que senti em todo o corpo ao ser arrancada do meu tornado (que por acaso, caiu de volta no mar meio que molhando meus amigos no camarote...) e voar para longe. Deixei o ciclope me erguer no ar... Mais uma vez. No topo do arco eu me soltei e caí diretamente na cara do gigante – aterrissando com os dois pés no seu olho já machucado.

Aquilo foi desconfortável e não queiram saber como é pisar em um olho... Imagine-se pisando em um monte de lesmas... Então, é tipo assim. Polifemo urrou de dor. Eu fiz careta ao senti mais uma dor se espalhar pelo meu corpo...

Um Minuto.

Tyler se atracou com ele, puxando-o para baixo. Eu caí ao lado deles – espada na mão, à distância de uma estocada no coração do monstro. Mas meus olhos cruzaram os de Tyler e vi que não poderia fazer aquilo. Era simples, não era certo.

- Solte-o! — gritei para Tyler. — Corra!

Com um último e enorme esforço, Tyler empurrou o ciclope mais velho, que praguejava, para longe, antes de eu correr para as ondas de novo, eu cai, e antes de eu cair, Tyler me segurou.

– Eu vou esmagá-lo! – berrou Polifemo, dobrando-se de dor.

Tyler correu me segurando com a facilidade da qual eu seguraria uma pena, corremos para as ondas. Polifemo pôs as mãos enormes em concha sobre o olho.

– Onde está você? – berrou Polifemo.

Ele pegou o porrete de árvore e lançou-o para a água. Aquilo caiu à nossa direita. Ordenei a uma corrente que nos carregasse, e começamos a ganhar velocidade. Eu estava começando a pensar que conseguiríamos chegar ao navio quando Clarisse gritou do convés:

- Aí, Megan! Se ferrou ciclope!

Cale a boca, eu quis gritar. Mas ouvi Jake gritando por mim.

– Rarrrr!

Polifemo pegou uma pedra. Ele a jogou na direção da voz de Clarisse com toda a fúria, mas ela não chegou até lá, e por pouco eu e Tyler não viramos papel.

– AI! AI! – provocou Clarisse. – VOCÊ JOGA PEDRAS TÃO BEM QUANTO A MINHA VÓ!

Cala a boca, Cala a Boca... Pensei.

- VOU ENSINA-LO A TENTAR SE CASAR COMIGO SEU BABACA! — gritou Clarisse.

- CLARISSE! PARA DE GRITAR! NÃO TÁ VENDO QUE VAI CHAMAR A ATENÇÃO DO MONSTRO?! — gritei eu...

Vem cá... Por que eu sempre faço isso?

Polifemo jogou mais outra pedra, e dessa vez fiquei olhando paralisada (eu posso me mexer?) enquanto ela voava por cima da minha cabeça e acertava o casco do Vingança da Rainha Ana. Antes daquele dia eu nunca acreditei que um navio pudesse afundar tão depressa. OVingança da Rainha Ana rangeu, gemeu e se inclinou para a frente em menos de um segundo, Eu praguejei, desejando que o mar nos empurrasse mais depressa, mas os mastros do navio já estavam submergindo.

- Mergulhe! — eu disse para Tyler que ainda me carregava.

Outra pedra voava por cima de nossas cabeças, e depois disso eu estava abaixo da superfície... De novo.

Meus amigos estavam afundando depressa, tentando nadar, mas sem sorte, na esteira borbulhante dos destroços do navio. Tyler se afastara de mim e a dor tomava conta do meu corpo. Nem todo o mundo quando nada sabe que quando um navio afunda funciona como um ralo de pia, puxando tudo o que está em volta dele para baixo, não dá certo. É tipo a Caribdis... Ou quase isso.

Clarisse era uma nadadora vigorosa, mas nem ela conseguiu fazer qualquer progresso. Hansel agitava freneticamente seus cascos de jegue. (Hansel : BODE!!) (Megan : Senti sua falta menino-jegue *-*) Jake tentava chegar até a mim com o velocino, sem sucesso. O Velocino, brilhava na água como uma onda de moedinhas novas.

Precisamos... De ajuda... Logo... pensei.

Precisamos... A voz de Tyler, alta e clara na minha cabeça.

Eu não estava louca... Olhei para ele, perplexa. Já tinha ouvido nereidas e outros espíritos da água falando comigo embaixo da água, mas nunca pensei que... Tyler era filho de Poseidon. Podíamos nos comunicar! Espera... Isso significa que ele pode ouvir todos os meus pensamentos?

Eu acho que não, mas...

Arco-íris, disse Tyler.

Fiz que sim, e então fechei os olhos e me concentrei, somando minha voz à de Tyler:

ARCO-ÍRIS! Precisamos de você!

(Lay : Babá McPhee precisamos de você!)

Formas tremeluziram na escuridão embaixo de nós imediatamente, não era a Babá McPhee... Aff, enfim. Três cavalos com cauda de peixe, galopando para cima mais rápido que golfinhos. Arco-íris e seus amigos olharam em nossa direção e pareceram ler nossos pensamentos. Eles se moveram com velocidade para o meio dos destroços e, um momento depois, explodiram para o alto numa nuvem de bolhas.

Clarisse e Hansel dividiram um cavalo marinho, Tyler ficara com Arco-íris — que parecia muito feliz em ver o velho amigo... — E eu e Jake dividimos um também, eu estava exausta, conseguira salvar meus amigos mesmo estando quebrada como uma vidraça, me senti puxada, abri os olhos e depois eu estava com o velocino de novo.

Chegamos à superfície e nos afastamos depressa da ilha de Polifemo. Atrás de nós, pude ouvir o ciclope rugindo triunfante:

– Consegui! Eu afundei Ninguém!

Isso ai Polifemo, Você afundou ninguém! Ninguém mesmo!

Esperei que ele jamais descobrisse que estava errado. Deslizamos pelo mar enquanto a ilha ia encolhendo, até se transformar em um ponto e depois desaparecer.

- Conseguimos... — sorri para Jake. — Nos Con...

Eu tombou no pescoço do cavalo-marinho, Jake me observava.

- Você se lembra mesmo?

- Percy... e você... — falei fechando os olhos.

Não sabia aonde estávamos indo. Mas só sei que dormir ali mesmo, instantaneamente.

•••

Jake

Eu realmente não acreditava nisso, estava feliz... Sim, eu acho que sim, devo estar feliz? Quer dizer, finalmente havia saído daquela ilha monstruosa e estávamos todos vivos, Megan quase morreu algumas vezes, e minha irmã, Clarisse quase se casou com o ex-noivo de Hansel... É uma história meio confusa.

Só sei que faria muitas perguntas a Megan mais tarde, e fiquei olhando enquanto ela dormia de modo pacifico, enrolada no velocino. Ai me lembrei que ainda tinha uma divida com os deuses...

Aproximei mais o rosto e disse:

- Você é incrível. Obrigado...

Apenas apoiei Megan para que ela não caísse, Então encostei a cabeça no Velocino e, antes que percebesse, também estava dormindo.

•••

Megan

- Jake... Acorda...

Havia pingos de água salgada em seu rosto, não no meu é claro, é vantagem de ser filha de Poseidon, eu sacudia o ombro de Jake tentando desperta-lo.

À distância, o sol se punha atrás da silhueta de uma cidade. Pude ver uma rodovia litorânea ladeada por palmeiras, fachadas de lojas brilhando em neon vermelho e azul, um porto cheio de veleiros e navios de cruzeiro.

- Miami? — perguntou ele.

- Não sei... Talvez. — falei.

Os nossos amigos marinhos se agitaram, eles tinham reduzido a velocidade e estavam relinchando e nadando em círculos, farejando a água. Não pareciam nada felizes. Um deles espirrou. Pude entender o que estavam pensando.

– Aqui é o mais longe que eles podem nos levar – disse eu. – Seres humanos demais. Poluição demais. Teremos de nadar até praia sozinhos.

Nenhum de nós ficou muito entusiasmado com aquilo, mas agradecemos a Arco-íris e seus amigos pela carona. Tyler chorou um pouco, soltou o alforje improvisado que tinha feito, contendo seu conjunto de ferramentas e um par de outras coisas salvas dos destroços do Birmingham.

Depois abraçou o pescoço de Arco-íris, deu-lhe uma manga encharcada que colhera na ilha e disse adeus. Depois que as crinas brancas dos cavalos-marinhos desapareceram no mar, nadamos para a praia e Eu já me sentia recuperada.

As ondas nos empurraram para a frente e num piscar de olhos estávamos de volta ao mundo mortal. Perambulamos pelos cais dos navios de cruzeiro, abrindo passagem por entre uma multidão que chegava para viagens de férias. Carregadores se ocupavam com carrinhos de bagagem. Taxistas gritavam um para o outro em espanhol e tentavam furar a fila para pegar passageiros.

Eu amo Miami...

Se alguém reparou em nós – quatro (eu não!) crianças encharcadas e com aparência de quem acaba de lutar com um monstro – não deixou transparecer. Agora que estávamos de volta entre mortais, o olho único de Tyler estava velado pela Névoa novamente.

Hansel enfiara seu boné e os tênis. Até o Velocino se transformara, de uma pele de carneiro em uma jaqueta colegial de couro vermelha e dourada com um grande ômega reluzente no bolso, mas não deixava de pesar mais ou menos uma tonelada...

Jake correu para a banca de jornais mais próxima e conferiu a data no Miami Herald. Ele Praguejou em grego antigo, um pouco alto demais pois um casal que passava por ali olhou para ele de um jeito estranho... Mas Jake não pareceu notar.

- Dezoito de junho! Estivemos longe do acampamento por dez dias!

- Impossível... — disse Clarisse.

Mas eu sabia que não era não, lembrei do Hotel e Cassino Lótus e lembrei que em lugares monstruosos o tempo passava mais rápido ou mais lento...

– A árvore de Thalia já deve estar quase morta! — resmungou Hansel. — Teríamos que chegar até lá esta noite!

Clarisse desmoronou na calçada.

- Como Hades faremos isso? — perguntou ela. — Estamos a centenas de quilômetros de distância. Sem dinheiro. Sem transporte. Exatamente como disse o Oráculo. A culpa é sua, Cabeça de Alga idiota! Se você não tivesse se metido...

- Espera... — riu Jake. — Primeira mente, eu que chamo ela assim. Segundo, como pode dizer uma coisa dessas? Você não...

- Calem a boca, vocês dois! — exclamei.

Clarisse enfiou a cabeça nas mãos. Jake bufou. Todos os irmãos são assim? O fato era: eu quase esquecera que aquela missão deveria ser de Clarisse. Por um momento assustador, vi as coisas do ponto de vista dela. Como me sentiria se um bando de outros heróis tivesse se metido e me deixado mal? Pensei no que tinha ouvido na sala das caldeiras do Birmingham – Ares gritando com Clarisse, avisando que era melhor ela não fracassar. Ares pouco se importava com o acampamento, mas se Clarisse manchasse sua reputação...

- Clarisse. — chamei sua atenção. — Qual é a profecia que o oráculo disse?

Ela ergueu os olhos. Pensei que fosse gritar comigo, mas em vez disso ela respirou fundo e recitou a profecia:

- Em navio de ferro, com guerreiros de osso iras navegar.

Teu se tornarás aquilo que procura, o que encontraras...

Mas dirás sem esperança, em pedra enterro minha vida

Voando só retornarás, sem amigos ao fracasso chegarás.

Hansel assobiou.

- Dureza...

- Espere... Não... Eu entendi. — falei.

- É hoje que o Olimpo cai... — resmungou Jake.

Ignorei Jake Vasculhei meus bolsos procurando dinheiro, e não encontrei nada a não ser um dracma de ouro.

- Alguém tem algum dinheiro? — perguntei.

Clarisse puxou do bolso um dólar da época da Guerra Civil encharcado e suspirou. Jake e Hansel sacudiam a cabeça devagar.

- Dinheiro? — perguntou Tyler. — Tipo assim... Papel verde e velho?

- É. — afirmei.

– O que veio nos sacos de viagem?

- É. — suspirei. — Mas perdemos aqueles sacos dias a-tr-tr...

Gaguejei. Tyler vasculhava seu alforje e tirava de lá um saco ziploc cheio de dinheiro que Hermes incluíra nos nossos suprimentos.

- Tyler! — exclamei surpresa e confusa... e surpresa. — Como você... Quando...

– Pensei que fosse um saco de ração para Arco-íris – disse ele. – Achei flutuando no mar, mas só tinha papel dentro...

O Abracei forte.

- Você é demais grandão! — me afastei.

Ele me entregou o dinheiro. Notas de cinco e dez, pelo menos trezentos dólares. Corri para o meio-fio e peguei um táxi que acabava de desembarcar uma família de passageiros de um cruzeiro.

- Clarisse! — chamei. — Vai ficar enrolando ai? Você tem um acampamento para salvar.

Enfiei o dinheiro no bolso do velocino e o coloquei nos braços de Clarisse.

Não sei qual deles parecia mais perplexo...

Clarisse disse:

– Você vai me deixar...

- Ei! A Missão é sua, não é? Pelo menos foi o que você me disse... — falei. — Nós só temos dinheiro suficiente para um voo. Além disso, eu não posso viajar pelo ar. Zeus me explodiria em um milhão de pedaços. É isso o que queria dizer a profecia: você falharia sem amigos, o que significa que precisava de nossa ajuda, mas teria de voar para casa sozinha. Você precisa levar o Velocino em segurança. Entende?

Eu podia ver a cabeça dela trabalhando – desconfiada de início, imaginando que truque eu tinha em mente, depois, finalmente, concluindo que eu queria mesmo dizer o que tinha dito. Ela entrou no táxi.

– Pode contar comigo. Não vou falhar.

- Seria legal...

O táxi arrancou em uma nuvem de fumaça do escapamento. O Velocino estava a caminho.

Me voltei para os meus amigos.

- Bom, agora...

- Megan... Aquilo foi tão... — Hansel procurava a palavra certa.

- Generoso? — sugeri.

- Doido! — disse ele. — Você está apostando a vida de todos no acampamento que Clarisse levará o Velocino em segurança para lá esta noite?

- É. A Missão não é nossa. — lembrei. — E eu não tive tempo de dizer, porque estávamos meio que quase sendo estrangulados naquela ilha...

Abracei o menino-jegue.

- Fico feliz que você não esteja morto, cara... — me afastei e vi o menino-jegue virar pimentão.

- Todo mundo ganha abraço, menos eu. — resmunga Jake.

- Que bom que você entendeu que eu não gosto de você. — falei.

- A é? Quer voltar para a ilha do Polifemo? — perguntou ele.

- Você dividiu um Cavalo marinho enorme comigo, oque mais quer? Cabeça de Javali?

- Você esta pedindo pra morrer Megan? — perguntou ele. — Realmente esta desafiando um legitimo filho do deus da guerra?

- Exibido... — resmungou.

- Megan é Legal! — exclamou Tyler.

- É... — Jake sorriu para mim. — Muito Legal.

Mas eu não pude deixar de pensar que talvez, apenas talvez, ele estivesse um pouco impressionado. De qualquer modo, eu o surpreendi. E isso não era coisa fácil de fazer. Acreditem.

– Vamos – disse aos meus amigos. – Vamos encontrar outro jeito de ir para casa.

- Megan... — chamou Hansel. — Espere!

Foi então que me virei e encontrei uma ponta de espada na minha garganta. Cabelos loiros e uma cicatriz perturbadora...

- Olha se não é a minha prima favorita... — disse Luke. — Seja Bem-vinda de volta aos Estados Unidos!

Notas finais
Então galera?