Crônicas Do Olimpo - O Mar De Monstros

7 Queremos uma Missão! S.O.S Hermes


Notas iniciais
Heeey mais um capítulo

Naquela noite, junto à fogueira, o chalé de Apolo liderou a cantoria. Eles tentaram melhorar o humor de todos, mas não foi fácil depois do ataque dos pássaros naquela tarde. Sentamo-nos em um semicírculo de degraus de pedra, cantando sem entusiasmo e observando a fogueira arder, enquanto os caras de Apolo tocavam seus violões e tangiam suas liras. Cantamos todas as canções tradicionais do acampamento:

- As margens do Egeu, Eu sou meu próprio ta-ta-ta-ta-taravô, Esta terra é a terra de Minos...

(A Autora ficou cantando essa musica durante umas meia-hora...)

A fogueira era encantada – assim, quanto mais alto se cantava, mais alto ela queimava, a cor e o calor variando de acordo com o humor do pessoal. Num dia bom, eu a vira subir a seis metros, tão quente que todos os marshmallows que estavam mais perto explodiram em chamas. Naquela noite, o fogo chegou a apenas um metro e meio de altura, quase morno, e as chamas tinham a cor de uma compressa de algodão. Dioniso foi embora cedo. Depois de aguentar algumas canções, resmungou :

- Até mesmo jogar pinochle com Quiron é mais empolgante que isso...

Então deu uma olhada desagradável para Tântalo e dirigiu-se de volta à Casa Grande. É... Acho que até Dioniso não aguenta mais.

Quando a última canção acabou, Tântalo disse:

– Isso foi adorável!

Ele avançou com um marshmallow assado na ponta de um galho fino e tentou arrancá-lo, com muita naturalidade. Mas, antes que pudesse tocá-lo, o marshmallow saiu voando do galho. Tântalo tentou apanhá-lo no ar, mas o marshmallow cometeu suicídio, mergulhando nas chamas.

Tântalo voltou-se para nós sorrindo friamente.

– Agora, então, alguns avisos sobre a programação de amanhã...

- Senhor... — interrompi.

O olho de Tântalo contraiu-se num espasmo.

- A Garota da cozinha tem algo a dizer? — aquilo soou como um desafio.

Alguns dos campistas de Ares soltaram risadinhas, mas eu não pretendia fugir, aceitei o desafio e me levantei, e graças aos deuses Jake levantou também.

- Nos... Temos uma ideia para salvar o acampamento. — falei.

Silêncio mortal.

- É sério, ah? — perguntou Tântalo. — Bom, se tiver algo haver com as bigas eu...

- Sabemos onde esta o velocino de ouro e sabemos que ele pode salvar o pinheiro de Thalia. — falei rapidamente.

As chamas arderam em cor laranja.

Antes que Tântalo pudesse me impedir, eu despejei meu sonho com Hansel e a ilha de Polifemo. Jake interveio lembrando a todos o poder que o Velocino tem.

– O Velocino pode salvar o acampamento — conclui.

- Idiotice... — disse Tântalo. – Não precisamos ser salvos.

Todos o olharam fixamente, até que ele começou a parecer constrangido.

– Além disso – acrescentou depressa – e o Mar de Monstros? Dificilmente se poderia dizer que esse é um local exato...

- O Triagulo das Bermudas. — falei. — 30 graus, 31 minutos Norte, 75 graus, 12 minutos Oeste segundo as irmãs cinzentas.

Todos pareceram impressionados, pois ficaram me olhando com os olhos arregalados como peixes.

- Eu disse algo errado? — perguntei a eles.

- Precisamos de uma missão. — disse Jake.

– Esperem só um minuto – disse Tântalo.

Mas os campistas embarcaram no coro.

- Precisamos de uma missão! Precisamos de uma missão!

As chamas se ergueram mais alto.

– Isso é completamente desnecessário... – insistiu Tântalo.

– PRECISAMOS DE UMA MISSÃO! PRECISAMOS DE UMA MISSÃO!

– Ótimo! – gritou Tântalo, os olhos inflamados de raiva. – Vocês, moleques, querem que eu lhes atribua uma missão?

– QUEREMOS!

– Muito bem – concordou. – Vou liberar um herói para completar essa missão ou talvez... Morrer tentando!

Meu coração se encheu de empolgação. Quase deixei que um frio na barriga me fizesse sair correndo, mas naquele instante eu tinha certeza de que eu ia salvar Hansel, nada ia me deter.

– Vou permitir que nosso campeão consulte o Oráculo! – anunciou Tântalo. – E escolha dois companheiros para a jornada. E acho que a escolha do campeão é óbvia... O campeão deverá ser alguém que conquistou o respeito do acampamento, alguém que provou ser capaz nas corridas de bigas, e corajoso na defesa do acampamento...

Eu prendi a respiração... Jake parecia que ia vomitar, como se Tântalo tivesse dito algo que não deveria...

- Você liderara a missão... Clarisse! — exclamou Tântalo.

- O que?! — exclamei.

- O que?! — exclamou Benjamin.

- O que?! — Exclamaram os Stoll's em coro.

O fogo tremeluziu em mil cores diferentes. O chalé de Ares começou a bater os pés e a aplaudir:

– CLARISSE! CLARISSE!

Clarisse levantou-se, parecendo atordoada. Então engoliu em seco, e seu peito se inflou de orgulho.

- Eu... Clarisse La Rue, Aceito a Missão.

Os Campistas se agitaram, Benjamin começou a protestar e seus irmãos se juntaram a ele. Alguns atiravam mashmellow's no Tântalo, mas esses sempre cometiam suicídio mergulhando nas chamas... Todos os chalés começaram a discutir até que Tântalo berrou :

- Silêncio! — até dei um pulinho de susto. — Sentem-se e lhes contarei uma história de Fantasma...

Mas eu não fiquei para ouvir a tal história, dei as costas para a fogueira e andei na direção da praia.

No Caminho, eu me lembrei de Hestia, não vi a deusa nem procurando... Ignorei esse fato e me sentei em uma pedra qualquer, completamente chateada, comecei a jogar pedras no mar.

- Esse é seu território... Não deveria fazer isso.

- Não me importo Haley... — falei para o pequeno.

Ele se sentou ao meu lado.

- Você esta chateada não é? Eu sei, eu também... — disse ele.

- Eu não disse que...

- Eu te conheço Megan... — disse Haley.

Suspirei.

- Você pretende ir mesmo assim? — perguntou ele.

Olhei para ele.

- Como...

- Eu disse que te conheço... — revirou os olhos.

- Não faz sentido Haley... Eu não pensei em fazer isso. — falei.

- Bom, eu não sei você, mas se fosse por mim eu colocaria o destino do acampamento em suas mãos. — ele deu de ombros.

- Não sei se isso é bom ou mal. — falei.

Ele riu.

- É Bom, eu confio em você Megan e com certeza não sou o único...

•••

No dia seguinte eu estava treinando equitação novamente, segundo Beatrice, eu poderia faze-lo quando quisesse e como estar na água... Eu me sentia bem. Tyler estava deprimido, mas algumas pessoas aprenderam a conviver com ele.

Eu e Jake estávamos treinando esgrima um dia desses, atacando, desviando, atacando e desviando.. Até que ele disse:

- Tântalo disse quando você se foi "que ninguém parte deste acampamento sem minha permissão. Qualquer um que tentar será expulso para sempre." — disse ele em falsete, irritado. ele atacou o chão.

Suspirou jogando uma garrafa de água sobre a cabeça... A água, que tipo de retardado joga uma garrafa na própria cabeça?

- Indireta bem direta hein... — falei.

- É... — disse ele. — Mais uma partida?

- Claro...

Continuamos treinando até que perdemos a noção a hora, não importava.

A Noite, de volta ao chalé, eu não conseguia explicar minha situação para Tyler, ele sabia o quão chateada eu estava, sabia que a única coisa que me impedia de viajar era Tântalo, e sabia o quanto este me rejeitara na tentativa de salvar meu melhor amigo bode e o acampamento...

– Você vai de qualquer jeito? – perguntou ele.

– Não sei – admiti. – Seria difícil. Muito difícil.

Ele não era o primeiro que me perguntara isso...

– Eu vou ajudar!

– Não. Eu... ahn, não poderia lhe pedir isso, grandão. É perigoso demais. Entende?

Tyler baixou os olhos para os pedaços de metal que estava montando no colo – molas e engrenagens, e pequenos arames. Beckendorf lhe dera algumas ferramentas e peças sobressalentes, e agora Tyler passava todas as noites trabalhando, embora eu não soubesse muito bem como suas mãos enormes conseguiam manejar pecinhas tão delicadas.

- O que esta construindo? — perguntei curiosa.

Ele não me deu resposta. Em vez disso, fez um som lamuriento no fundo da garganta.

- Jake não gosta de Ciclopes... — disse ele.

- Ah... É... Mas, fique tranquilo, no começo Jake também não gostava de mim, vai que ele aprende a gostar de você. — falei.

- Você não me quer por perto? — perguntou ele.

- Não é isso Grandão... De verdade, você... — falei sem entusiasmo.

Ele me olhou com o grande e único olho cheio de lagrimas.

- Você é um bom ciclope, tá? — na verdade não era isso que eu ia dizer.

Tyler enrolou seu projeto em um oleado. Deitou-se na cama e abraçou sua trouxa como se fosse um ursinho de pelúcia. Quando se virou para a parede, pude ver as estranhas cicatrizes em suas costas, como se alguém tivesse passado um arado por cima dele, com um trator.

Meu coração estava na boca... De onde...

– Papai sempre se preocupou comigo – fungou ele. – Agora... acho que ele foi malvado em ter um menino ciclope. Eu não devia ter nascido.

- Não fale isso... — falei. — Poseidon o reclamou, não foi? Então... ele deve se preocupar com você... muito...

Minha voz sumiu quando pensei em todos aqueles anos em que Tyler vivera nas ruas de Nova York, em uma caixa de geladeira de papelão. Como Tyler podia pensar que Poseidon se preocupava com ele? Que tipo de pai é esse que deixa aquilo acontecer com um filho, mesmo que ele seja um tanto... Diferente?

– Tyler... o acampamento será um bom lar para você. Os outros vão se acostumar com você. É Sério... Eu juro.

Esperei que dissesse alguma coisa. Então me dei conta de que ele já estava dormindo. Deitei-me em minha cama e tentei fechar os olhos, mas quando consegui me arrependi.

Eu estava de volta ao mundo inferior, Tântalo ria secamente na minha frente, atrás dele estava Tyler pendurado por algemas no teto e ao lado deste estava um garoto de olhos verdes e cabelos negros... Percy...

Eles estavam sendo torturados.

Então quando Percy Gritou o sonho mudou e eu via Hansel caindo naquele grande abismo no mundo inferior... O Tártaro.

Ele gritava e eu tentava desesperadamente alcança-lo, mas no fim ele desapareceu na escuridão infinita.

Acordei soando frio e esfregando a testa, eu caíra da cama.

A lua cheia brilhava pela janela. O som das ondas rugia na distância. Eu podia sentir o cheiro morno dos campos de morangos, e ouvir os risos das dríades perseguindo corujas pela floresta.

Levantei do chão e olhei para Tyler em seu sono pesado, deu um meio sorriso. Olhei para minhas próprias roupas, Calça de Moletom azul e uma blusa de alça grossa cinza, no meu pescoço estava o colar que eu ganhara de lembrança. Um pingente de concha feito de bronze.

- Quem é você... Mãe? — perguntei a mim mesma.

Peguei uma toalha de praia e uma embalagem de seis Coca-Colas embaixo da cama. As Cocas eram contra as regras. Não eram permitidos lanches ou bebidas de fora do acampamento, mas se a gente falasse com o cara certo no chalé de Hermes e lhe pagasse alguns dracmas de ouro, ele podia contrabandear quase tudo da loja de conveniência mais próxima. Dar uma fugida depois do toque de recolher também era contra as regras. Se fosse pega, estaria numa encrenca enorme, ou seria comida pelas harpias.

Mas eu queria ver o oceano. Sempre me sentia melhor ali. Meus pensamentos ficavam mais claros. Saí do chalé e fui em direção à praia. Estendi a toalha perto do mar e abri uma Coca. Por alguma razão estranha, desde a primeira vez que bebi Coca-Cola me fez bem... Então adicionei na lista de "Coisas que a Megan Gosta". Deve ser a Cafeina ou Açúcar...

Tentei decidir o que fazer para salvar o acampamento, mas não me ocorreu nada. Desejei que Poseidon falasse comigo, que me desse um conselho ou o que fosse. O céu estava claro e estrelado. Não era a primeira vez que eu via um céu assim. Mas era raro...

Quando pequena eu fazia pedido as estrelas, há apenas três no qual eu consigo me lembrar, "Sair do Orfanato" "Descobrir quem eu sou de verdade" e o último "Uma Família"... Desejos de uma criança órfã e sem nome.

Benjamin já havia me ensinado o nome de algumas estrelas, Sagitário, Hércules, Coroa Boreal... Eu contava todas elas em voz alta quando uma voz do além disse... Tá... A Voz não era do além :

– Lindas, não são?

Eu cuspi coca-cola como um chafariz humano. Em pé, bem ao meu lado, havia um cara de short de corrida de náilon e camiseta da Maratona de Nova York. Era magro, estava em boa forma, com cabelo grisalho e um sorriso zombeteiro. Parecia meio familiar, mas não consegui imaginar por quê...

Meu primeiro pensamento foi que ele devia estar dando sua corrida da meia-noite na praia e fora parar dentro dos limites do acampamento. Isso não era para acontecer. Mortais comuns não podiam entrar no vale. Mas, talvez, com o enfraquecimento da magia da árvore, ele tivesse conseguido se infiltrar. Mas no meio da noite? E ali não havia nada a não ser terras de fazendas e reservas estaduais. De onde aquele cara poderia ter saído?

– Posso acompanhá-la? – perguntou ele. – Há eras que eu não me sento, sabe como é não?

Já sei, Já sei... Um cara aparece no meio da noite para você não é um bom sinal... Uma das primeiras coisas que você aprende no Orfanato é "Não fale com estranhos" na língua Meganiana eu chamo isso de "Grita socorro e sai correndo",mas o cara agiu de modo tão calmo em relação a tudo que achei difícil ficar com medo.

- É... Sim... — falei.

Ele sorriu.

- Sua hospitalidade é louvável, Ah, é Coca-Cola! Posso?

- Claro. — falei.

Ele se sentou na outra ponta da toalha, abriu um refrigerante e deu um gole.

- Exatamente o tipo de coisa que se precisa... Paz e sossego...

Um telefone celular tocou no bolso dele. O corredor suspirou. Puxou o telefone e meus olhos se arregalaram porque aquilo brilhava com uma luz azulada. Quando ele puxou a antena, duas criaturas começaram a se contorcer em volta dela – cobras verdes, não maiores do que minhocas.

O corredor pareceu nem notar. Conferiu o visor e praguejou.

– Ligação importante.... Só um segundo... — disse ele. — Alô?

Ele parou um momento para escutar.

- Escute... eu sei, mas... Não me imporia se ele está acorrentado a uma rocha com abutres bicando seu fígado, se ele não tem um número de protocolo, não podemos localizar seu pacote... — disse ele — Um presente para a humanidade, grande... Tem ideia de quantos desses nós entregamos... Ah, deixe para lá! Escute, mande-o falar com Éris, no atendimento ao cliente. Preciso desligar.

Ele sorriu para mim.

– Desculpe-me. O negócio de expresso noturno está em alta. Mas como eu ia dizendo...

- Só para avisar... Você tem cobras no seu telefone. — avisei.

- Ah isso? Elas não mordem... Digam "olá!" George e Martha! — disse o corredor.

Olá, George e Martha, disse uma voz masculina fina dentro da minha cabeça.

Não seja sarcástico, disse uma voz feminina.

Por que não?, perguntou George. Sou eu que faço todo o trabalho de verdade.

- Isso não é normal... — falei.

Ai! Garota, pode não parecer mas eu tenho um sistema auditivo certo? disse George.

– Ora, não vamos começar com isso outra vez! – O corredor enfiou o telefone de volta no bolso. – Agora, onde estávamos... Ah, sim! Paz e sossego.

Ele cruzou os pés e olhou para as estrelas.

– Faz tanto tempo desde que consegui relaxar pela última vez! Desde o telégrafo é só... correr, correr, correr. Você tem uma constelação favorita, Megan?

Quase larguei a lata de coca-cola.

- Você não é mortal é? — perguntei.

- Claro que não. — disse ele ainda olhando sorridente para o céu como um retardado...

– Ahn, eu gosto de Hércules.

– Por quê?

– Bem... porque ele tinha um azar desgraçado. Pior ainda que o meu. Faz eu me sentir melhor.

O Corredor riu:

- Não é porque ele era forte, famoso e tudo mais?

- Ah... Não.

- Você é uma jovem interessante Megg... Posso te chamar assim? Não... Soa esquisito... Mas voltando... O que você pretende?

Entendi imediatamente o que ele estava perguntando. O que eu pretendia fazer a respeito do Velocino? Mas mesmo assim eu respondi :

- Desculpe, você parece saber quem eu sou, mas eu não sei quem você é. — falei.

- Observação nata. — disse ele. — Mas você ainda não sabe? Para uma garota esperta...

Mostre a ele!, implorou Martha. Não fico do tamanho normal há semanas!

Não dê ouvidos a ela!, disse George. Ela só quer se mostrar!

- Lá vamos nos de novo... — suspirou o homem pegando o telefone de novo. — Forma Original, Por gentileza.

O telefone luziu em azul brilhante. Alongou-se até virar um bastão um metro de comprimento e asas de pombos brotando no topo. George e Martha, agora cobras verdes de tamanho real, estavam enrolados no meio. Era um caduceu, o símbolo do Chalé 11. Senti um aperto na garganta. Percebi quem o corredor me lembrava, com suas feições de elfo, o brilho travesso nos olhos...

- Hermes. — conclui.

Ele Fincou o caduceu na areia como se fosse um cabo de guarda-sol.

- Hermes, Deus dos ladrões ou Deus dos mensageiros e dos viajantes, se quiserem ser gentis...

Deus dos ladrões soa melhor... disse George.

Ah! não ligue para George, Martha vibrou a língua para mim. Ele só está azedo porque Hermes gosta mais de mim.

Não gosta!

Gosta sim!

Não gosta!

Gosta sim!

- Quietos! — ordenou Hermes. — Comportem-se vocês ou vou transformá-los de novo em um telefone e pôr no vibra-call! Agora Megan...O que pretende fazer com a missão?

Percebi que demorei para responder pois estava alienada com as cobras, enfim... Respondi:

- Eu... Não posso ir, Tântalo...

- Isso vai deter você de fazer o certo? — perguntou ele. — Faça o que tem que fazer...

- Mas... Eu realmente quero ir, Tenho que salvar Hansel.

Hermes sorriu.

– Certa vez conheci um menino... Ah, de longe mais jovem que você! Apenas um bebê, na verdade.

Lá vamos nós de novo, disse George. Sempre falando de si mesmo e Bla bla bla...

Quieto!, disparou Martha. Quer ser posto no vibra-call?

Hermes os ignorou.

- Uma noite, quando a mãe do menino não estava olhando, ele se esgueirou para fora da caverna e roubou algumas cabeças de gado que pertenciam a Apolo.

- Então ele explodiu? — perguntei.

– Humm... não. Na verdade, tudo acabou muito bem. Para compensar o roubo, o menino deu a Apolo um instrumento que inventara... uma lira. Apolo ficou tão encantado com a música que se esqueceu da raiva.

- E... — incentivei ele a continuar.

- A Questão é que... "Roubar nem sempre é ruim"

- Não acho que isso se encaixa na minha situação... Se eu tivesse uma mãe com certeza ela não aprovaria isso...

Ratos são deliciosos, comentou George.

O que isso tem a ver com a história?, perguntou Martha.

Nada, disse George. Mas eu estou com fome.

- Sei como é... — falei.

- Bom, pelo o que eu sei... Você nunca foi de seguir regras Megan... — disse Hermes. — Vai começar com isso agora?

– Você está dizendo que eu deveria ir de qualquer jeito – falei – mesmo sem permissão?

Os olhos de Hermes brilharam.

- Martha... O Primeiro pacote por gentileza. — disse ele.

Martha abriu a boca... e continuou a abri-la até o vão ficar do tamanho do meu braço. Expeliu um recipiente de inox – uma garrafa térmica de lancheira à moda antiga, com tampa de plástico preto. Era decorada com cenas da Grécia Antiga em vermelho e amarelo – um herói matando um leão; um herói levantando Cérbero, o cão de três cabeças.

- Hércules... — falei. — Mas como é que...

– Nunca questione um presente – repreendeu Hermes. – Isso é um item de colecionador de Hércules arrebenta cabeças. Primeira temporada.

- Arrebenta... Cabeças? — repeti.

– Uma grande série – suspirou Hermes. – Da época em que a tevê Hefesto não era sóreality shows. É claro que valeria muito mais se eu tivesse a lancheira completa...

Ou se ela não tivesse estado na boca de Martha, acrescentou George.

Vou pegá-lo por isso. Martha começou a persegui-lo em volta do caduceu

- Vocês vão acabar dando um laço em si mesmos... de novo. — resmungou Hermes.

- Presentes? — perguntei.

– O primeiro de dois presentes – disse Hermes. – Vá e frente, pegue.

Quase deixei a garrafa cair, porque estava fria de congelar do um lado e queimando de tão quente do outro. O mais esquisito era que, quando eu virava a garrafa, o lado que ficava de frente para o oceano — o norte — era sempre o lado frio...

– É uma bússola! – falei.

- Muito esperto não é? Eu nunca tinha pensado nisso. Mas sua utilidade é muito mais radical. Destampe-a e vai libertar os ventos dos quatro cantos da Terra para despachá-lo mais depressa em seu caminho...

Comecei a virar a tampa.

- NÃO, AQUI NÃO, AQUI NÃO... — berrou Hermes tomando a garrafa de mim e a fechando e me dando novamente. — Aqui... Não...

- Ah...

- Os ventos são um pouco como eu: sempre inquietos. Se todos os quatro escaparem de uma vez... ah! mas tenho certeza de que você vai tomar cuidado, E agora, meu segundo presente. George?

Ela está encostando em mim, reclamou George enquanto ele e Martha deslizavam em volta do bastão.

- E Quando não esta? — perguntou Hermes. — Onde esta a droga do presente?

As cobras pararam de brigar. George desconjuntou a mandíbula e tossiu um pequeno frasco de plástico cheio de pastilhas de vitaminas.

- Você só pode esta de brincadeira... — falei. — Formato de Minotauro?

Hermes pegou o frasco e o chacoalhou.

- As de limão, sim. As de uva são Fúrias, eu acho... De um jeito ou de outro, essas são poderosas. Não tome uma delas a não ser que precise muito, muito mesmo.- avisou.

- E quando vou saber?

- Vai saber...

- Mas quando eu vou saber que saberei?

- Você vai saber que saberá quando souber na hora... certa. — disse ele. — Nove vitaminas essenciais, minerais, aminoácidos... ah! tudo o de que você precisa para se sentir você mesmo outra vez.

Ele me jogou o frasco. Não havia entendido nada, mas tá.

– Ahn, obrigado – disse eu. – Mas Senhor Hermes, porque está me ajudando?

Ele me deu um sorriso melancólico.

– Talvez porque eu espere que você possa salvar muitas pessoas nessa missão, Megan. Não apenas seu amigo Hansel.

Encarei ele mais uma vez.

- Esta falando de Luke Castellan? — perguntei.

Hermes não respondeu.

- Escute Senhor Hermes. — me levantei. — obrigado e tudo mais, mas você pode pegar de volta seus presentes. Luke não pode ser salvo. Mesmo que eu conseguisse encontrá-lo... Ele me disse que queria destruir o Olimpo pedra por pedra. Traiu todos os que conhecia. Ele... ele odeia você, especialmente. Acredite eu quero salva-lo e... Outra pessoa.

- A Filha de Afrodite certo? — perguntou ele. — Silena? Afrodite me falou dela, ela também pediu que você a salva-se.

- Eu queria ajuda-los... Mas...

- Minha cara jovem prima, se há algo que aprendi ao longo das eras, é que você não pode desistir da sua família, não importa quanto se sinta tentado a isso. Não importa que eles o odeiem, o envergonhem... Você não pode. você entende o que estou dizendo sobre a família?

- Não tenho certeza...

- Um dia entendera... — disse ele. — Enquanto isso, preciso ir andando. Você tem um prazo mais curto do que imagina para completar sua missão, Megan. Seus amigos devem estar chegando mais ou menos... agora.

Ouvi Jake chamando meu nome das dunas, Tyler gritava um pouco mais longe.

– Espero ter feito as malas para vocês direito – disse Hermes. – Tenho certa experiência com viagens. – Ele estalou os dedos e três sacos de viagem amarelos apareceram aos meus pés. – A prova d'água, é claro. Se você pedir educadamente, seu pai é capaz de ajudá-los a chegar até o navio.

- Que Navio?! — exclamei.

Hermes apontou. É claro: um grande navio de cruzeiro estava atravessando o estreito de Long Island, as luzes brancas e douradas brilhando na água escura.

- Um momento... Como você sabe que... Eu estou boiando agora...

– Eu me decidiria nos próximos cinco minutos, se fosse você – aconselhou Hermes. – É quando as harpias chegarão para comê-lo. Agora, boa noite, prima, e... será que ouso dizer? Que os deuses a acompanhem.

Ele abriu a mão e o caduceu voou para ela

Boa sorte, disse Martha.

Traga para mim um rato, disse George.

O caduceu se transformou no telefone celular e Hermes o enfiou no bolso. Ele saiu correndo pela praia. Vinte passos depois, tremeluziu e desapareceu, deixando-me sozinho com uma garrafa térmica, um frasco de vitaminas e cinco minutos para tomar uma decisão muito difícil.

Por que os deuses sempre fazem isso comigo?

Notas finais
comentem!