Crônicas Do Olimpo - O Mar De Monstros
6 Pombos Demoníacos Atacam! Juntando as Peças...
Notas iniciais
Megan : Quem é que raios escreve esses títulos? To falando sério! "Pombos Demoníacos não gostam de Dean Martin" é realmente uma opção? Eu vou ter que falar com meu empresário?
Lay : Você não tem empresário...
Megan : Então cria um, deuses!
Hansel : Megan não sei se você se lembra, mas eu estou a menos de um mês me preparando para casar com um ciclope canibal da natureza e comedor de bodes... Eu realmente gostaria que você voltasse para a história.
Megan : Ah... É... Tá... Mas, pensa em outro título, porque deuses do olimpo...
•••
São só pombos... São Só Pombos...
Tá, não são só pombos.
Quando as carruagens se alinharam, mais pombos de olhos brilhantes se juntaram nos bosques. Guinchavam tão alto que os campistas na arquibancada estavam começando a reparar, olhando nervosos para as árvores, que tremiam sob o peso dos pássaros.
Tentei me concentrar na corrida a frente, a biga de Dioniso e Demeter virou de repente. Então eu vi o problema... Travis Stoll que era o lutador, estava rindo da boa sorte então eu penso que talvez não fosse apenas sorte... Entendem? Bom, mesmo assim eu sei que Connor ajudou a armar a biga... Com certeza.
Benjamin não dava tempo para comemorar a "sorte" então apenas olhava para frente e deu um grito de guerra.
Eu lhe disse que não fizesse dupla com Hermes, mas ninguém ouve a "Cabeça de Alga" aqui não é? Logo, os cavalos de Demeter e Dioniso chocaram-se bruscamente contra os deles. Duas carruagens eliminadas nos primeiros seis metros. Adorei o esporte.
A Biga de Hefesto e Poseidon estava na frente de Ares e Apolo, Annie cambaleava na biga em cada curva. Tyler estava se saindo bem, pelo menos. Eu achei.
Mas Ares tinha a vantagem, Annie jogou para as rodas da Carruagem de Beckendorf e Tyler, um dos brinquedinhos detestáveis de Clarisse, acredito. Três conjuntos de bolas e correntes foram atirados diretamente para nossas rodas.
Seria realmente um problema se Tyler não as tivesse desviado para o lado com um movimento rápido de sua vara.
Mas eu tive que estranhar de verdade quando Tyler apontou na direção dos pombos e Beckendorf parou a carruagem.
- Isso é mal... — disse Jake atrás de mim.
- O que? — perguntei.
Ele estava prestes a responder quando ouvimos gritos.
Kim deu um pulo e deixou sua pipoca voar.
- Ai! Alguma coisa me picou... — disse ela.
Cinco pombos se escondiam debaixo dos bancos, senti que eu fui puxada para trás, Jake, Haley pulou em cima do banco e se juntou a nos.
Os pombos estavam se aglomerando – milhares deles mergulhando sobre os espectadores na arquibancada, atacando as outras bigas. Beckendorf estava cercado. Tyler tentava afastar os pombos com sua vara.
- O que vamos fazer? — perguntei sobre os gritos da plateia.
Na carruagem de Ares, Clarisse gritou uma ordem para Annie, que rapidamente jogou uma tela de camuflagem por cima de seu cesto. Os pássaros enxamearam em volta da tela, bicando e arranhando as mãos de Annie enquanto ela tentava segurar a rede no alto, mas Clarisse apenas trincou os dentes e continuou guiando. Seus cavalos esqueléticos pareciam imunes à distração. Os pombos bicavam inutilmente as órbitas vazias e voavam por entre suas costelas, mas os corcéis continuavam correndo.
Os espectadores não tiveram tanta sorte. Os pássaros atacavam qualquer pedaço de carne exposta, levando todos ao pânico. Agora que os pássaros estavam mais perto, ficou claro que não eram pombos normais. Seus olhos eram pequenos, brilhantes e perversos. Os bicos eram de bronze e segundo a minha própria pele, eram afiados como navalha.
Uma vez eu gritei, um dos pombos arranhou meu rosto.
– Pássaros de Estinfália! — gritou Jake.– Vão descarnar todo o mundo até os ossos se não os espantarmos!
Tentei empurrar alguns campistas, Jake veio junto. Finalmente estavamos fora da arquibancada, tirei Anaklusmos do bolso e cortei um desses pombos ao meio e ali ele virou cinzas. Tentei fazer o mesmo com os outros e Jake até tentou ajudar com seu sabre celestial, mas cada vez que um sumia outro aparecia.
Benjamin gritou se levantando do chão :
– Heróis, às armas!
- Como vamos espanta-los? — perguntei a Jake.
Alguns dos espectadores tentavam se defender. Os campistas de Atena gritavam por escudos. Os arqueiros do chalé de Apolo carregaram seus arcos e flechas, prontos para exterminar a ameaça, mas com tantos campistas misturados com os pássaros não era seguro disparar.
– Hércules usou barulho! Címbalos de bronze! Ele os espantou com o som mais horrível que conseguiu... – Os olhos dela se arregalaram. – ... A coleção de Quíron!
Entendi imediatamente.
– Acha que vai funcionar? - perguntei.
- Vamos! — ele me puxou na direção dos cavalos de Benjamin, que eram Pégasos na verdade.
Benjamin estava meio ocupado tentando espantar pombos com sua espada de lâmina curta. Eu afastei dois pombos que perturbavam um pégaso de Benjamin, e subi nele.
- Vou pegar emprestado, certo? — falei.
- Megan, não é hora para cortesia, vamos! — disse Jake subindo no Pégaso e se segurando na minha cintura, não tive tempo de falar nada, o Pégaso branco galopava na direção da casa grande.
Ele Galopava e algumas vezes ele dava uma guinada para o ar.
Clarisse acabara de cruzar a linha de chegada, sem adversários, e parecia só então ter notado como era sério o problema dos pássaros.
A biga passou com barulho pelos campos de morangos, atravessou a quadra de vôlei e parou bruscamente na frente da Casa Grande.
Jake e eu descemos e corremos para dentro disparando pelo corredor até o alojamento de Quíron.
O aparelho de som ainda estava na mesa de cabeceira, e também seus CDs favoritos. Agarrei o mais repulsivo que pude encontrar, Jake agarrou o aparelho e corremos juntos de volta para fora.
Na pista, as carruagens estavam em chamas. Campistas feridos corriam em todas as direções, com pássaros dilacerando-lhes as roupas e arrancando-lhes os cabelos, enquanto Tântalo perseguia doces do café da manhã em volta da arquibancada, gritando de vez em quando:
– Está tudo sob controle! Não se preocupem!
Me Digam, porque nenhum pombo picou o traseiro daquele morto esfomeado?
Parei o pégaso e descemos de novo. Jake preparou o som. Rezei para as pilhas não estarem fracas. Apertei o PLAY, e o favorito de Quíron começou a tocar – Os maiores sucessos de Dean Martin.
De repente o ar se encheu com o som violinos e de um bando de caras resmungando em italiano. Os pombos demoníacos enlouqueceram. Começaram a voar círculos, colidindo uns com os outros como se quisessem explodir seus miolos. Depois, abandonaram de vez a pista e voaram para o céu em uma enorme onda escura.
Ouvi Benjamin gritar :
- Arqueiros... Fogo!
Sem obstrução, a mira dos arqueiros de Apolo era infalível. A maioria conseguia disparar cinco ou seis flechas de uma vez. Em minutos, o chão estava coalhado de pombos de bico de bronze mortos, e os sobreviventes eram um distante rasto de fumaça no horizonte.
O acampamento estava a salvo, mas a devastação não era bonita de ver.
A maioria das bigas tinha sido completamente destruída. Quase todos estavam feridos, sangrando com bicadas múltiplas dos pássaros. As meninas do chalé de Afrodite gritavam porque seus penteados tinham sido arruinados e suas roupas estavam sujas de cocô de pombo.
- Bravo! Bravo! — aplaudia Tântalo, mas não era para mim e nem para Jake que ele aplaudia. — Temos nossa primeira vencedora! – Ele foi até a linha de chegada e premiou com os louros dourados uma Clarisse perplexa.
Ele então se virou e sorriu para mim.
- E, agora, a punição para os desordeiros que tumultuaram a corrida...
- Você... — comecei. — Isso só pode ser brincadeira! Você nem ao menos se importa se os campistas estavam em perigo...
- Os pássaros de Estinfália estavam simplesmente na deles, nos bosques, e não teriam atacado se Você e este filho de Ares insolente tivessem perturbado a corrida chamando a atenção dos pombos! — ralhou ele.
- Isso não é justo! — exclamou Jake.
- Irão prestar serviço na cozinha, lavar panelas e pratos a tarde inteira na cozinha subterrânea com as harpias da limpeza. — condenou ele.
- Vá persegui um dunet a tarde inteira! — exclamei.
- Megan... — advertiu Jake.
Mas Tântalo não havia me ouvido pois estava congratulando Clarisse.
Suspirei. Ia ser uma longa tarde...
As harpias lavavam com lava, em vez de água, para obter aquele brilho extra-limpo e matar noventa e nove vírgula nove por cento de todos os germes; portanto, Jake e eu tivemos de usar luvas e aventais de asbesto. Tyler não se importou com a lava, ele mergulhou as mãos sem proteção e começou a esfregar.
Jake e eu tivemos de sofrer durante horas de trabalho quente e perigoso, especialmente porque havia toneladas de pratos extras. Tântalo ordenara um banquete especial para celebrar a vitória da carruagem de Clarisse – uma refeição completa, incluindo pássaros-da-morte de Estinfália fritos à moda caipira.
A única coisa boa no nosso castigo foi ter proporcionado a Jake e a mim um em inimigo comum e muito tempo para conversar.
Jake ouvia atento a cada palavra que eu dava sobre meus sonhos com Hansel.
– Se ele encontrou mesmo aquilo – murmurou ele – e se nós pudermos resgatar...
- Um momento... — pedi. — O que Hades é aquilo?
– Vou lhe dar uma dica. O que você consegue quando arrancando pele de um carneiro?
- Ficar toda suja de pelugem e ser perseguida por um carneiro bem zangado? — perguntei.
Jake suspirou.
– Um velocino. A pele do carneiro se chama velocino. E se por acaso o carneiro tem lã de ouro...
- Um Velocino de Ouro? Você esta falando sério mesmo?
– Megan, lembra das Irmãs Cinzentas? Elas disseram que sabiam onde estava aquilo que você procura.
- 30, 31, 75, 12... — lembrei.
- É... esse lado agente ainda não...
- São coordenadas geográficas! — exclamei.
Jake me olhou como se eu acaba-se de dizer que estava com vontade de comer carvão com molho tártaro...
- O que foi? — perguntei.
- Como você sabe disso?
- Eu fiz o dever de casa. — pisquei para ele.
- Que seja... — ele sacudiu a cabeça. — Conhece a história de Jasão e dos argonautas?
- Sim – falei. – Aquele filme antigo com os esqueletos de barro que eles botaram para eu ver na escola...
- Não, não e Não! — exclamou ele. – Apenas ouça. Havia dois filhos de Zeus, Cadmo e Europa, Eles estavam para ser oferecidos como sacrifício humano quando imploraram a Zeus que os salvasse. Então Zeus enviou aquele carneiro voador mágico com sua lã de ouro, que os recolheu na Grécia e os transportou até Cólquida, na Ásia Menor. Bem, na verdade ele transportou Cadmo. Europa caiu e morreu no caminho, mas isso não é importante.
- Acho que para ela foi importante... — falei.
- Cala a boca e deixa eu falar! — disse ele.
- Sim, senhor... — falei.
– A questão é que, quando Cadmo chegou a Cólquida, sacrificou o carneiro de ouro aos deuses e pendurou o Velocino em um árvore no meio do reino. O Velocino levou prosperidade à terra. Sabe o que isso quer dizer?
- Ah! — exclamei. — Não...
Jake revirou os olhos.
- O Velocino é capaz de revitalizar qualquer terra onde for colocado. Cura doenças, fortalece a natureza, limpa a poluição...
- Então ele pode curar a arvore de Thalia!
– E deixar as fronteiras do Acampamento Meio-Sangue muito mais fortes. — disse ele. — O único problema é que Toneladas de heróis já buscaram por ele e não tiveram sorte. Entende? O Velocino esta desaparecido a anos!
– Mas Hansel o encontrou – falei. – Ele saiu à procura de Pã e encontrou o Velocino de Ouro em vez disso, porque ambos irradiam uma natureza mágica. Faz sentido! Podemos salvar Hansel e o acampamento ao mesmo tempo. É perfeito!
- E se for uma armadilha? Não acha isso um tanto perfeito demais? — perguntou Jake.
Encarei Jake, cheia de animação.
- Temos outra opção?
Jake deu uma olhada para Tyler, que perdera o interesse na conversa e estava alegremente fazendo barcos de brinquedo com copos e colheres na lava e cantarolando.
- Vamos ter de lutar contra um ciclope. Polifemo, o pior deles. E só existe um lugar onde pode estar a ilha dele. O Mar de Monstros... — disse Jake.
- Hansel falou sobre isso também... Mas onde fica esse lugar?
Ele pensou por um momento.
- Eu não faço ideia. — disse Jake.
- Quem tem benção de Atena aqui é você! — exclamei.
- Mas eu sou filho de Ares! — disse ele. — Mas, tem uma pessoa que pode nos ajudar...
Ele hesitou.
- Quem? — perguntei.
•••
- Vocês estão loucos... — disse Benjamin.
- Sabemos. — dissemos eu e Jake ao mesmo tempo.
Eu também achei loucura, mas eu e Jake só podíamos consultar Benjamin Chase para isso, podia sim, ser qualquer filho de Atena mas eu não me dou muito bem com eles...
- O Mar de Monstros? O Mar de Monstros... — disse Benjamin. — Sabem que estão buscando encrenca não é?
- Sabemos... — dissemos mais uma vez juntos.
As Paredes interiores do chalé 6 são atravancadas de livros em estantes, quando chegamos ali, o chalé estava quase vazia, apenas Benjamin e alguns outros filhos de Atena com a cara enterrada nos livros. Benjamin estava sentado na sua cama olhando para o nada como se pensa-se a respeito.
- Escuta... — disse Jake. — Não estamos pedindo para que você venha junto.
- Eu sei... — disse Benjamin pegando um caderno jogado na sua comoda e arrancando uma página em branco, ele pegou um lápis e começou a rabiscar o que parecia um mapa.
Ele franziu a testa e olhou para nos.
- Vocês sabem dos riscos que...
- Sabemos! — exclamamos já irritados.
- Tá então... O Mar de Monstros é o mesmo mar onde Ulisses navegou, e também Jasão, Eneias e todos os outros.
- Estamos falando do Mediterrânio? — perguntou Jake.
- Sim... e Não. — disse Benjamin.
- Adoro o jeito como os filhos de Atena são diretos... — ironizei.
- Escutem... o Mar de Monstros é o mar que todos os heróis atravessam em suas aventuras. Costumava ficar no Mediterrâneo, sim. Mas, como tudo mais, muda de lugar quando muda o centro de poder do Ocidente.
- Como os deuses e o Olimpo? — perguntei.
- Sim. — respondeu Benjamin.
- Mas os mortais não teriam notado coisas estranhas acontecendo?... tipo, navios sendo devorados e coisas do gênero? — perguntou Jake.
- E eles notam, mas como vocês sabem, eles só vêm o que seu cérebro permite e são enganados pela névoa. — ele deu uma risada seca. — Eles não entendem, mas sabem que algo é estranho naquela parte do oceano. O Mar de Monstros agora fica na Costa Leste dos Estados Unidos, logo a noroeste da Flórida.
Ele explicava rabiscando na folha.
- O Mar de Monstros também é conhecido como "O Triangulo das Bermudas".
Deixei aquilo amadurecer na minha cabeça. Acho que não era mais estranho do que as outras coisas que tinha aprendido desde que fora para o Acampamento Meio-Sangue.
– Certo... então pelo menos sabemos onde procurar. — falei.
- Mesmo assim. — disse Jake. — Procurar uma ilha minúscula em águas infestadas por monstros...
- Com medo? — perguntei.
- Claro que não, mas não é meio que um "sonho impossível".
- Tá mais para pesadelo. — disse Benjamin.
- Sou filha do deus do mar. É o meu território. Não pode ser tão difícil. E alias, já temos até as coordenadas. — lembrei.
- 30, 31, 75, 12... — relembrou Jake.
- Sabem que vão ter que pedir uma autorização para Tântalo não é? — lembrou Benjamin.
- Eu já tava chegando nessa parte... — gemi. — Não posso deixar Hansel escrever seu testamento agora.
- Megan... Você é tão dramática. — disse Jake. – Se contarmos hoje à noite junto à fogueira, na frente de todo mundo. O acampamento inteiro irá ouvir. Vão pressioná-lo. Ele não vai poder recusar.
- Talvez... — eu ainda estava incerta sobre isso.
- De qualquer jeito... — disse Benjamin. — Vocês sabem que estão preferindo enfrentar um Mar inteiro de Monstros a enfrentar Tântalo.
Olhei para Jake e dissemos juntos :
- Sabemos...
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