Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto

7 Marcada? O Chalé dos Cabeças de Javali


Notas iniciais
Vocês vão enlouquecer com esse capítulo... Cara... Vou morrer hoje por causa disso...

A sala da frente da Casa Grande estava estranhamente quieta. Eu estava acostumada a ver Dioniso em frente à lareira, jogando cartas e comendo uvas e amolando sátiros, mas o Sr. D ainda estava fora. E era tão em paz, sinistramente em paz quando sua falta de presença ocorria.

Eu caminhei pelo corredor, tábuas rangiam debaixo dos meus pés. Quando cheguei à base da escada, eu hesitei. Quatro andares acima haveria um pequeno alçapão que levava ao sótão. Jake estaria em algum lugar lá em cima fazendo não-sei-o-que-mas-quando-descobrir-fujam-para-as-colinas porque aquele bendito filho de Ares demora tanto? O que, esta discutindo jogos de guerra com o oraculo?

Eu fiquei em silêncio e atenta. Mas o que ouvi não foi o que eu esperava. Soluços. E estava vindo de algum lugar abaixo de mim.

Eu rastejei em torno da escada. A porta do porão estava aberta. Eu nem sabia que a Casa Grande tinha um porão. Eu espiei para dentro e vi duas figuras no canto mais afastado, sentados no meio de estoques de ambrosia e morango em conserva.

Uma era Clarisse. A outra era um adolescente hispânico em calças camufladas esfarrapadas e com uma blusa preta suja. Seu cabelo estava gorduroso e opaco. Ele estava abraçando seus ombros e soluçando. Era Chris Rodrigues, o meio-sangue que fora trabalhar para Luke.

– Está tudo bem – Clarisse estava dizendo para ele. – Tente um pouco mais de néctar.

- Você é uma ilusão, Mary. — disse ele se encolhendo ainda mais no canto. — V-vá embora.

– Meu nome não é Mary. – A voz de Clarisse era gentil, mas muito triste. Eu nunca pensei que Clarisse pudesse falar desse jeito. – Meu nome é Clarisse. Lembre-se. Por favor!

- Esta escuro... — ele tremia. — Tão escuro...

Doía vê-lo assim.

– Venha para fora – Clarisse sussurrou. – A luz do sol irá te ajudar.

- Mil... Mil caveiras. — ele murmurava. — Tão escuro... A Terra continua curando...

– Chris – Clarisse pediu. Parecia que ela estava prestes a chorar. – Você tem que melhorar. Por favor. Sr. D vai voltar logo. Ele é especialista em loucura. Só aguente firme.

Os olhos de Chris pareciam os de um rato encurralado – selvagem e desesperado.

- Não existe saída, Mary, não existe...

Então ele apanhou um vislumbre de mim e fez um som apavorante, estrangulado.

- A Filha de Poseidon! Ela esta marcada... Ela esta marcada... E o filho do Mar... Ele é grande e horrível... Ele vai nos matar, Mary.

Eu recuei, esperando que Clarisse não tivesse me visto. Eu esperei que ela me atacasse e gritasse comigo, mas ela apenas continuou falando com Chris em uma voz triste, pedinte, tentando fazê-lo beber mais néctar. Quando ele disse Filha até fazia sentido, mas depois ele disse filho... Como assim eu estava marcada? Isso não fazia sentido, mas Chris estava enlouquecendo...

Mas... Filho de Poseidon? Chris estivera olhando para mim, mas ainda assim porque eu tive a sensação que ele não falara sobre mim? Talvez porque eu sou uma filha... e não um filho. Ah, esqueçam...

E a ternura da Clarisse – nunca me ocorreu que ela poderia gostar de alguém; mas a forma que ela disse o nome de Chris... Ela o conhecera antes dele mudar de lado. Ela o conhecia muito melhor do que eu percebia. E agora ele estava tremendo em um canto do porão, com medo de sair, e balbuciando sobre alguém chamada Mary. Não era surpreendente que Clarisse não quisesse nada com o Labirinto.

O que acontecera com Chris lá dentro?

Eu ouvi um rangido em cima – como a porta do sótão abrindo – e corri para a porta da frente. Eu precisava sair daquela casa.

Minutos depois, Jake havia retornado para a arena.

- Minha criança. — disse Quiron. — Você conseguiu.

Antes de dizer qualquer coisa Jake me olhou por um longo tempo, como se soubesse algo sobre mim que eu não sabia, como se quisesse falar algo que não podia falar ali. Como se eu... Como se eu tivesse meus dias contados e ele estivesse começando a riscar esses dias no calendário.

- Eu ouvi a profecia. Eu vou liderar a busca para achar a oficina de Dédalo.

Ninguém comemorou. Quer dizer, Jake era legal diferente de alguns filhos de Ares ele era mais sociável com as pessoas e queríamos que ele tivesse uma missão, mas essa era insanamente perigosa. Depois do que eu vira de Chris Rodriguez, eu nem queria pensar sobre Jake descendo para aquele estranho labirinto de novo.

Quíron raspou um casco no chão sujo.

- E o que dizia a profecia, Jake? — perguntou Quiron. — As palavras são importantes. Lembre-se que podem ter duplo sentido.

Jake suspirou. E começou a citar:

Descerás na escuridão do labirinto infinito...

O morto, o traidor, e o perdido reerguidos.

Ascenderás ou cairás pelas mãos do rei espectral

E do marcado por Atena, a defesa final.

Todos se mexeram de modo desconfortado nas cadeiras. Hansel disse:

- O Perdido! Tem que ser Pã!

- Não sei... — eu falei sem pensar. — Pode ser que...

Eu hesitei, Quiron me olhou preocupado.

- Pode ser que o que, criança?

Eu não olhava ninguém diretamente, mas todos olhavam para mim.

- Nada... — murmurei. — Besteira.

A Verdade, até aonde eu sabia, o oraculo não ligava muito para gêneros, eu não queria abalar Hansel, mas alguma coisa dentro de mim dizia:É ela... Ela esta perdida. E se por acaso vocês pensarem que estou falando de Silena Beauregard...

Estão certos.

– Com o morto e o traidor – adicionou Travis. — Não me parece muito legal...

- Marcado por Atena. — disse Benjamin. — Marcado, uma benção?

Todos olharam desconfortavelmente para Jake que olhava ainda para mim, do mesmo jeito de antes.

- N-não devemos tirar conclusões precipitadas — gaguejou Beatrice. — Quer dizer... Duplo sentido, lembram?

– Mas quem é esse rei fantasma? – Beckendorf perguntou.

Ninguém respondeu. Eu pensei na mensagem de Íris em que eu vira Nico invocando espíritos. Tive um mau pressentimento que a profecia estava conectada com isso.

– Há mais linhas? – Quíron perguntou. – A profecia não parece completa.

- Algo como... O último suspiro do herói acontecer. — disse ele.

– E...? – Quíron perguntou.

- A questão é que eu irei. — disse ele. — Eu vou achar a oficina e impedir Luke. E... eu preciso de ajuda. – Ela se virou para mim. – Você virá?

Eu sequer hesitei.

- To dentro.

Ele sorriu para mim pela primeira vez em dias, e isso fez tudo valer a pena.

- Hansel, você também? O deus da natureza esta esperando.

Hansel pareceu esquecer o quanto ele odiava o subsolo. A linha sobre “o desaparecido” havia energizado-o completamente.

– Eu vou empacotar recicláveis extras para o lanche!

- Tyler, vou precisar de você também. — disse Jake.

- Oba! Vamos explodir coisas! — eu ri da animação do grandão. Tyler bateu palmas com tanta força que acordou a Sra. O’Leary que estava cochilando no canto.

- Um momento, Jake. — disse Quiron. — Para um herói somente é permitido dois companheiros.

- É importante Quiron, e já fizemos isso antes. — disse Jake.

Eu não sabia por que ele tinha tanta certeza, mas eu estava feliz por ele ter incluído Tyler na lista. Eu não podia me imaginar deixando ele para trás. Ele era grande e forte e ótimo entendendo coisas mecânicas. Diferente dos sátiros, os ciclopes não tinham problema no subsolo.

Quiron remexeu sua cauda freneticamente.

- Jake, considere bem. — disse ele. — Na primeira vez tiveram sorte e mesmo assim nem todos vieram juntos. No último inverno, cinco foram numa missão para salvar Ártemis. Apenas três voltaram. Pense nisso. Três é um número sagrado. Há três parcas, três fúrias, três filhos olimpianos de Cronos. É um bom número forte que se sustenta contra muitos perigos. Quatro... é um risco. Sempre é um risco e você sabe bem disso.

Jake respirou fundo.

- Eu sei disso. — disse ele. — Mas nós precisamos. Por favor.

Quiron realmente não gostou nada disso, e isso era obvio. Quintus estava nos observando, como se estivesse tentando decidir qual de nós voltaria vivo.

Quiron suspirou.

– Muito bem. Vamos parar por aqui. Os membros da missão devem se preparar. Amanhã ao amanhecer, enviaremos vocês para o Labirinto.

Assim que o conselho acabou e todos foram dispensados, eu ia direto junto a eles, falar com Jake sobre as nova informações, quando Quintus me puxou de lado.

– Eu tenho um mau pressentimento sobre isso – ele me disse.

Sra. O’Leary veio para perto de nós, abanando sua cauda feliz. Ela jogou seu escudo aos meus pés, e eu o joguei para ela. Quintus assistiu ela correr atrás dele. Eu me lembrei do que Emily dissera sobre ele ter ido explorar o Labirinto. Eu não confiava nele, mas quando ele olhou para mim, eu vi preocupação real em seus olhos.

– Eu não gosto da ideia de você ir lá embaixo – disse ele. – Nenhum de vocês. Mas se vocês precisam, eu quero que você se lembre de algo. O labirinto existe para confundir você. Ele vai distraí-lo. É perigoso para meio-sangues. Nós somos facilmente distraídos.

- Você já esteve no labirinto antes? — perguntei.

- Há muito tempo... — sua voz vacilou. — Eu quase não escapei com a minha vida. A maioria que entra não tem essa sorte.

Ele segurou meu ombro forte.

- Megan, preciso que mantenha sua mente focada no que mais importa, não se esqueça disso. Se você conseguir fazer isso, você encontrará o caminho. E aqui, queria te dar isso.

Ele me entregou um pequeno tubo prata. Era tão frio que eu quase o larguei.

- Um Apito?

– Um apito de cachorro – disse Quintus. – Para a Sra. O’Leary.

- Ah... Obrigada... Mas como isso...

- ... Vai funcionar no labirinto? — ele tirou as palavras da minha boca.- Bem, a Sra. O’Leary é um cão infernal. Ela pode aparecer quando chamada, não importa quão longe ela esteja. Eu me sentiria melhor se você ficasse com isso. Se você realmente precisar de ajudar, use isso; mas seja cuidadosa, o apito é feito de gelo estígio.

- Gelo estígio?

- Do rio Estige, muito trabalho para se fazer e também é muito delicado, ele nunca derrete. Por tanto tenha certeza de quando for usar pois só pode ser usado apenas uma vez, e uma vez usado ele se desintegrará.

Eu pensei em Luke, meu antigo inimigo. Antes de ir na minha primeira missão, Luke me deu um presente também – tênis mágicos que foram programados para me arrastar para a minha morte. Quintus parecia legal. Tão preocupado. E a Sra. O’Leary gostava dele, o que devia contar para alguma coisa. Ela largou o escudo pegajoso aos meus pés e latiu excitadamente.

Me senti mal por ter desconfiado dele. Mas... Benjamin pensava assim de Luke, e ninguém acreditava nele... E eu confiava em Silena também, depois ela tentou me matar, assim como Luke. Mesmo assim eu estava determinada a traze-la de volta.

- Obrigada. — eu disse. Coloquei o apito congelante no meu bolso, prometendo a mim mesmo que eu nunca o usaria, então corri para encontrar Jake.

Desde que entrara para o acampamento, eu nunca estivera dentro do chalé de Ares, aliás eu não tinha intimidade com ninguém lá sem ser Jake, mas dessa vez o chalé parecia vazio, ou quase, exceto por Jake.

O Chalé de Ares era um edifício vermelho mal pintado, o numero cinco no topo e uma cabeça de javali cujo os olhos pareciam me seguir. Eu me aproximei da porta.

- Olá? — chamei, mas ninguém respondeu.

Eu respirei fundo como se estivesse entrando na cova do inimigo. Mesmo assim entrei.

O Chalé de Ares por dentro também era vermelho mal pintado, lá eles não ligavam muito para decoração, haviam centenas de armas e lembrancinhas de monstros — como a cabeça de uma hidra, e seus olhos vidrados pareciam me seguir... Macabro. — ocupando as prateleiras, nada extravagante com suas cortinas em um branco meio amarelado, quase sujo. Conjuntos de armaduras estavam pendurados abaixo da janela, seus pratos de bronze brilhando no sol. Havia um quadro também, ela uma pintura de um homem que eu já conhecia, ele segurava firmemente uma lança, a lança sangrenta. Era Ares, o deus da guerra.

Jake estava sentado no seu beliche revirando seu sabre de um lado para o outro como se relembrasse de todas as histórias que passara com aquela arma.

- Toc, Toc? — eu disse e ele pareceu tomar um susto.

- Ah... Megan, eu não te ouvi. — disse ele.- O que esta fazendo aqui? Os filhos de Ares não são seus maiores fãs, sabe disso.

- Sei, mas tinha que falar com você sobre algo importante. — falei. — Você esta bem?

- Sim... Só, pensando. Nas histórias do labirinto... — aquilo não me convenceu. — Como o labirinto tenta distrair você... Sabe...

- Encontraremos uma solução. — falei me sentando ao seu lado.

Seus olhos negros estavam cheios de preocupação, via em seus olhos alguém que não dormia em paz fazia tempo.

- É a primeira vez que lidero uma missão. — disse ele. — Será que... E se eu falhar?

- Jake, você não vai falhar. Você vai ser incrível. Eu sei disso.

Ele me olhou agradecido, ele mudou de posição ficando de frente para mim.

- Obrigado, mesmo. — disse ele. — Mas... Eu odeio admitir isso, mas estou preocupado... Talvez fosse melhor não ter te colocado nisso.

Ele desviou meu olhar.

- Jake, eu sou sua amiga, mesmo que não me escolhesse... Eu iria atrás de você, somos companheiros de missão desde... sempre. Você não vai se livrar de mim tão fácil.

Ele riu.

- É. Acho que isso é bom.

Mas ele disse isso de um modo... estranho, parecia tão deprimido. Ele me olhava com pena. Na verdade, como se eu fosse uma ilusão e desapareceria logo.

- Eu... Odeio dizer isso, mas eu estou com medo... De tanta coisa, não dos monstros, eu não ligo, nem dos perigos, apenas...

Ele hesitou.

- O que? — perguntei. — É a profecia?

- Não... É que...

- Qual era a última linha?

Ele mudou de posição ficando ao meu lado e ainda me olhando daquele mesmo jeito — eu estava começando a acreditar que a última linha se referia a mim, ou algo assim. — então ele fez uma coisa que realmente me surpreendeu, ele me puxou para um abraço, eu fiquei vermelha, lilás, azul, verde... — Excuse me! Sou uma ninfa! — e tive a impressão de que borboletas reviraram no meu estomago.

Eu apenas retribui seu abraço.

– Ei, está... está tudo bem. — eu disse.

- Eu fiz besteira... Eu estou quebrando as regras. Mas eu não sei mais o que fazer. Eu preciso de vocês três. Apenas parece certo.

- Sempre fazemos besteira. — falei sorrindo para ele, me afastando do abraço, mesmo assim nossos rostos continuavam bem próximos. — E sempre conseguimos sair vivos... Juntos.

Eu não sabia dizer exatamente o que estava acontecendo, mas parecia um imã lento demais, Jake olhava bem nos meus olhos, nossos rosto estavam quase colados, eu não sabia o que eu faria a seguir quando alguém pigarreou e nos afastamos rapidamente.

- Estou atrapalhando? — era um filho de Ares, e não parecia feliz de eu estar ali, mesmo assim parecia estar realmente se divertindo com a situação.

- Ah... — eu gaguejei, sentindo meu rosto esquentar. — Não... Eu... Já estava de saída mesmo.

Olhei para Jake.

- A gente vai ficar vivo. — falei. — Não se preocupe com isso.

Ele me olhou e assentiu. Eu queria sair correndo de tão vermelha que estava e confusa também.

Notas finais
Para quem quiser matar aquele filho de Ares que interrompeu o momento Jegan, O NOME DELE É CHRISTIAN ARMSTRONG!!!