Crônicas Do Acampamento- A Lira Roubada
12 Um adeus.Por enquanto
Pov Drew
Não acreditei no que via. A pequena e delicada Helena estava morrendo aos poucos. Dependente de qualquer coisa, eu sabia que ela iria para os Campos Elíseos, desfrutar da Ilha dos Abençoados.
–Não é o fim para essa jovem caçadora... — Uma das garotas empresaria havia quebrado o silencio
–O que querem dizer com isso?- perguntei com um pouco de esperança.
–Quanto tempo acha que chegamos a uma de nossas bases, Pony?- Ela me ignora completamente e pergunta para a amiga. — Uns dois a três dias?
–Provavelmente Milly. Seattle demoraria demais. Talvez em um de nossos esconderijos nas campinas...
Eu não estava entendendo a conversa delas. Eu fui ignorado completamente. Uma de minhas amigas estava em direção do Mundo Inferior. Não agüentei.
–Olhem para mim!- gritei explodindo de raiva.
Os caçadores que rodeavam o corpo imóvel de Helena desviaram o olhar para mim. As garotas se entreolharam e disseram:
– Ela não morrera hoje. Bem, morrera. Ao menos que a levemos conosco.
Maravilhoso. Duas garotas completamente estranhas querem levar uma caçadora ferida com elas. Eu possuo opções? Não.
–Conte-me mais. — disse começando a me interessar.
–Se não perceberam, somos Amazonas. – Quem teria percebido isso?- Nossos métodos de cura, estão em um nível mais alto que o de vocês. Mesmo dois de vocês fazendo parte de uma Legião Romana.
Olhei para Lavínia. Somos os únicos presentes que fizeram parte da Legião Romana. Era evidente que se referia a nós.
–Obrigada pelo elogio — murmurei ironicamente.
–A levaremos para umas de nossas bases. Há medicamentos lá. Vocês pelo que vejo,não possuem tempo para isso.
A Amazona chamada Milly estava certa. Não havíamos tempo.
– E como irão fazer isso? Vocês pelo jeito não possuem transportes.
– Claro que não. — A Amazona chamada Pony dissera em resposta.- vocês que tem carruagens mágicas.
Ao dizer isso, ela tirou um pequeno apito que pendia em uma corrente de prata e o assoprou. Um som fino como o papel sendo rasgado atravessou o local.
–Estará aqui em menos de um minuto- Disse a Amazona apontando para o céu.
Uma mancha marrom vinha voando rapidamente em nossa direção. A mancha fez uma curva no céu antes de pousar.
O animal era incrível. Uma mistura de águia e cavalo. O pelo castanho-avermelhado parecia fogo á luz do sol. As asas compridas e finas bateram duas vezes ao tocar o solo. O animal se endireitou e estalou o bico. Um bico fino e dourado.
Um hipogrifo. As Amazonas havia domesticado um Hipogrifo.
–Caçadores- disse Marry acariciando o animal- Ela não é uma beleza? Cumprimentem, a Lady.
Curvei o corpo na frente do animal, parecia um bobo fazendo isso. Nunca se sabe o que uma Hipogrifo fêmea pode fazer.
Pony, Marry, Lady. Amazonas com nomes estranhos dão nomes estranhos á seus animais.
–E vocês pretendem amarrar a garota na cauda dessa coisa?- Lavínia parará de chorar. E olhava espantada para o animal. Na verdade todos os caçadores estavam. Willian não tirara os olhos de Helena.
Ouve um estalo de algo sendo desdobrado. Em poucos segundos uma carruagem de prata estava entrelaçada nas costas do animal.
–O que você disse querida?- Pony deu uma curta risada.
Lavínia não respondeu, olhou-a com uma cara de “tanto faz” e se levantou.
– Estão esperando o que? Coloquem a garota na carruagem
Lucian e Bill me ajudaram a colocar Helena na carruagem. Pony se acomodou ao lado da ferida, enquanto Marry montava nas costas de Lady.
– bem, está tudo pronto?- Marry perguntou por cima do ombro.
–Parece que sim- respondi.
– Isso é um adeus por enquanto- Pony disse mantendo os olhos em mim- Um dia quem sabe, ela voltará à ativa. Totalmente curada.
Concordei com a cabeça. Os caçadores e Bill mantiveram os olhares nas Amazonas.
– Ei Pony! Não alimente as esperanças deles com isso. — Marry retrucou. — Vamos indo. Ela bateu com a lateral da perna no lombo do Hipogrifo. O animal alçou vôo.
Pony acenava da carruagem enquanto ela subia e partia rumo á um local que nenhum de nos chegaríamos a conhecer. Acenei uma ultima vez. A carruagem, o Hipogrifo, as Amazonas e Helena desapareceram lentamente no céu.
Aquilo não era um adeus. Não mesmo.
Olhei para os semideuses ali presentes. Todos com aparências abatidas e tristes. Mas senti uma pontada de esperança em cada um deles.
Dei um sorriso forçado e por fim lembrei-os:
– Vamos galera, ela iria querer que terminássemos isso por ela.
Todos se entreolharam e sorriram.
Eu estava começando a achar que isso tudo nos levaria para situações piores. Mas se trabalhássemos juntos conseguiríamos avançar em nossa missão.
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