Crônicas De um novo Tempo
16 O segredo revelado Shina x Helena
Notas iniciais
–- Cinco Picos
Alta noite e todos dormem em seus quartos.
Em uma esteira para casal, Milo e Helena dormem juntos.
Ela levanta para pegar um pouco de água, caminha pela casa escura, alcançando a cozinha.
Mal encontra os copos e sente um cosmo estranho...nem deu tempo de pensar em quem poderia ser, Helena é atacada e arrastada para fora da casa rápidamente.
Caída no chão, ela olha para a criatura que a arrastou, curiosa para saber de quem era tamanha força:
Era Shina, que a mais de um ano havia sumido.
– A intrujona que apareceu no Santuário — disse Shina em tom acusador — sabia que um dia teria a oportunidade de te encontrar.
– Shina, o que está fazendo. Por que me ataca?
– Cala a boca! Levante-se e lute! Quero ver se tornou-se mesmo uma amazona — desafiou Ofiúco.
Shina apesar de usar a mesma armadura e máscara, possuia agora uma névoa negra em seu cosmo. Shina estava sem sua armadura, usava uma roupa de treino, Helena usava apenas uma camisa xadrez de Milo com a qual dormia.
Helena levantou-se:
– Não quero lutar, mas se insiste...será um prazer te mostrar o que aprendi Shina!
– Uhuu! Vejo que aprendeu mesmo com Milo! Tal mestre, tal aprendiz! Até a arrogância ele te ensinou!
– Ele me ensinou tudo! Tudo o que você também era louca pra aprender com ele — provocou Helena — pensa que não sei Shina?
Shina sente seu cosmo queimar de ódio com tais palavras e parte para cima de Helena que desvia do soco que viria em sua direção. Mal Shina tem tempo de se virar e Helena pega seu braço, atirando-a longe. Shina reage, mas não consegue superar Helena que aplica golpes rápidos de luta, nas pernas, no abdome, até que um último chute lhe acerta em cheio o rosto fazendo Shina cair.
Helena permanece de pé olhando Shina, que se levanta.
A amazona de Ofiúco percebe que Helena fora treinada para ser uma amazona de ouro, e sente que seu poder é tão grande quanto o dos demais Golds. Shina percebe que não pode vence-la, mas não se entrega:
– Não vou me render a você Helena. Se quiser me vencer, terá que me matar...
– Parem com isso!! — diz Milo, interrompendo as duas — o que pensam que estão fazendo?
– Deixe-nos Milo! Isso é um assunto meu e dela! — diz Shina
Milo olha Shina e percebe a névoa negra em seu cosmo, Helena apenas os observa. Milo e Shina ficam frente a frente.
– Não posso acreditar no que está fazendo Shina — diz ele — não voce...
A amazona o olha firmemente e percebe que ele nota seus sentimentos. É como se ele visse por trás de sua máscara.
– Eu esperaria isso de qualquer pessoa Shina, jamais de voce. A amazona mais forte entre todas...eu te admirava, te considerava leal e poderosa, te respeitava e lhe tinha carinho, como um amigo. E agora voce faz isso.. — diz ele sério
– Não venha me dar lição de moral Milo... — disse Shina
– Pensa que não senti seu cosmo a horas rondando a casa? Só estava esperando pra ver o que voce ia fazer. Eu estou decepcionado demais com voce...essa não é a Shina que eu conheci. Que decepção...- diz ele entristecido
– Mestre, me desculpe.. — diz Helena, abaixando a cabeça
– E quanto a você Helena, esqueceu-se do que te ensinei? Que não deve lutar por outra causa que não seja defender Atena e o Santuário? O que pensa que está fazendo?
Ao proferir tais palavras, Milo entra na casa dando um último aviso ás duas:
– Parem com essa cena ridícula, não quero que acordem os donos da casa, somos apenas hóspedes aqui, tenham respeito.
Helena e Shina se olham sérias. Não havia mais clima para lutarem, Shina apesar do ódio não estava mais disposta a encarar sua rival, não naquele momento. Sentia-se vencida, enquanto Helena se preocupava com o fato de uma amazona de Atena agir daquela forma. Era estranho e desproporcional.
Ofiúco entra na casa contrariada e junta suas coisas, saindo rápidamente.
– Avise ao Mestre Ancião que voltarei ao Santuário e que estou bem — ordena Shina, secamente, indo embora sem se despedir.
Helena concorda com a cabeça e vê a amazona sumir no breu da noite.
Por baixo da máscara, as lágrimas desciam pelo rosto de Shina, as palavras de Milo a machucaram. Ela sentiu falta de Ikki, iria rápido ao Santuário pois queria vê-lo.
Helena entrou na velha casa e encontrou Milo de cabeça baixa, sua decepção é notória. Ela o consola:
– Não fique assim, Shina foi para o Santuário. Ela ficará bem meu amor.
– Shina nunca teve aquele cosmo Helena, ela não está bem...estou preocupado.
– Me perdoe por ter lutado, não deveria ter aceitado a provocação de Shina e nem tê-la provocado — disse ela
– Tá tudo bem, mas aprenda a controlar suas emoções e não lutar por causas banais, já te ensinei isso, não ensinei? — disse sério, mas com voz doce
– Sim, me perdoe..
– Vem, vamos dormir...ou tentar dormir...logo o dia irá amanhecer.
Os dois voltaram para a cama, ela deitou a cabeça no peito dele e adormeceram.
–- Santuário
Saori e Saga estão no salão, ele a leva até onde guardou a Armadura de Sagitário.
Saori ve a armadura e explica a Saga que esta armadura é a mesma usada por Aiolos, mas se adaptará automaticamente ao corpo feminino da nova dona.
O Mestre se encanta com a armadura passada de pai pra filha, era o primeiro caso de hereditariedade que se tinha notícia entre os cavaleiros de Atena, mas Saori logo explicou que não seria o único.
– E quanto a ordem para dar a Milo de Escorpião a missão de treiná-la? — quis saber ele, que só obedecera a Atena, mas não sabia o porque.
– Milo e Helena nasceram predestinados. Não é a primeira vez que uma mulher veste uma armadura de ouro, mas é a primeira vez que uma Amazona e um Cavaleiro de Ouro da mesma geração se juntam, isso os torna mais fortes em tudo.
– O poder do amor se torna ainda mais forte e os cosmos queimam com ainda mais intensidade...- conclui ele
– Isso mesmo! — diz Saori — isso faz com que seus golpes sejam ainda mais fortes. Milo e Helena juntos, tem poder para derrotar o mais forte dos inimigos, até mesmo matar deuses. O poder da Antares Escarlate junto a Flecha da Justiça tem a força equivalente a Exclamação de Atena e um enorme poder destruidor.
– É impressionante! Esta é uma arma poderosa em nosso favor — disse o Mestre.
Depois de passada a tensão pela revelação feita, Saori e o Grande Mestre conversaram sobre o Santuário e de como Artemis rompeu a promessa e por isso lhe devolveu o báculo, pressionada por Zeus.
Ele a olhava, admirado. Saori já não era mais aquela menina, se tornara uma mulher linda, já com seus vinte anos.
– Nunca imaginei que um dia poderiamos conviver assim — disse ele, levantando-se e caminhando até o meio do salão, ficando de costas para ela. Saori sentindo a angústia de Saga, vai até ele tocando seu braço esquerdo, e aproximando-se timidamente.

– Saga, voce é um dos meus cavaleiros mais poderosos e leais. Mostrou arrependimento por todos os erros cometidos, uma prova de sabedoria. Sempre me orgulhei de você — disse ela docemente, tocando de leve o rosto do Mestre, que não usava seu elmo, e em seguida lhe dando um abraço.
Inesperadamente Seiya entra no Salão, surpreendendo os dois abraçados. Ele acariciava os cabelos dela, e ela recebia o carinho dele de olhos fechados.
Irônicamente, Seiya começa a aplaudi-los. Os dois se largam, rápidamente
– Que cena tocante — diz o Pégaso — lindo! Saori Kido nos braços do homem que um dia tentou matá-la. Voce gosta mesmo de viver perigosamente não é mesmo?
Seiya tinha consideração e respeito por Saga, mas estava visívelmente ciumento, e Saori o lembrou do arrependimento do Cavaleiro de Gêmeos e de como ele vinha sendo leal, desde a Batalha contra Hades.
Saga percebendo o ciume de Seiya, retirou-se para evitar um confronto desnecessário, deixando o Pégaso indignado
– Atena, me dê licença, preciso analisar as novas formações no Star Hill. Se precisar de algo, mande um soldado me chamar — fez reverência á deusa, colocou o elmo dourado de Mestre e saiu.
– Ele ainda foge! É um covarde!
– Pare com isso Seiya! — ordenou Saori — não seja tolo, não existe nada para que você reaja desse jeito. Pare com isso.
Seiya sabia do que já havia acontecido entre Saori e Saga e não gostava nada da proximidade dos dois, mas ela tratou mais uma vez de lembrá-lo:
– Já te disse que não posso pertencer a ninguém. Não posso ser sua, nem de Saga, nem de ninguém. — disse ela retirando-se.
Mas Seiya não se daria por vencido...
Não pode agora — pensou ele — mas um dia poderá, e será só minha.
Seiya também saiu e o Salão ficou vazio. O que ninguém percebeu é que todo tempo alguém ouvia toda a conversa, escondida em um canto sem ser notada.
Ela agora sabia do segredo da ligação entre Escorpião e Sagitário e sabia também onde estava escondida a armadura de Helena.
–-
Shina havia chegado faziam poucas horas ao santuário, e ninguém ainda a tinha visto, conseguiu subir as 12 casas ocultando seu cosmo e sem ser vista, e percebeu o que os outros ainda não haviam notado: Artemis havia tirado o selo que proibia o teletransporte entre as 12 casas, mas relaxados demais com o período de paz, ninguém percebeu.
Ao ver Shina descer, Marin ficou surpresa por não ter visto a amiga antes, correu até ela e a abraçou:
– Shina!!! Voce voltou e eu nem tinha visto! Que saudade, que bom que está de volta querida!
– Sim Marin...estou aqui — disse largando um suspiro profundo, não demostrava alegria nem tristeza, apenas alguém que se conformava com sua situação.
– Nossa, melhora essa cara amazona, e me conta como foi seu período fora — disse Marin pegando a amiga pelo braço para um passeio
As duas foram andando em direção ao alojamento, Shina contava a Marin tudo o que havia feito enquanto esteve em Rozan, mas não disse onde andou durante os anos que esteve desaparecida, conservando o mistério sobre seu paradeiro.
Marin notou que a mágoa que sentia no cosmo de Shina só havia aumentado e ficou preocupada.
Vamos para a arena! — disse Shina animada — quero ver os novos aspirantes!
Ao chegarem, Shina avistou Ikki e Shun treinando. Ela e Ikki se olharam, de longe.
Shina ficou satisfeita em ve-lo, mas não quis demostrar isso. Ele também ficou eufórico mas não deixou transparecer.
Shun, percebendo os dois, foi direto:
– Não sei o que voce está esperando para se aproximar de Shina. Já notei que gosta dela Ikki.
– Não seja tolo Shun..
– Não sou tolo, e você sabe que não estou enganado. Ela precisa de você Ikki. — disse Shun com sua doçura típica, fazendo o irmão ficar pensativo.
Tão pensativo que Shun lhe acertou um golpe certeiro, fazendo-o voar longe.
–- Cinco Picos
Milo e Helena permanecem em Rozan alguns dias, com o Mestre Ancião ela aprende mais algumas lições valiosas e ouve sobre a honra dos Cavaleiros de Atena, as antigas guerras santas e os antigos Cavaleiros que já se foram.
Passado esse tempo, era hora de retornar ao Santuário.
O casal junta suas coisas, e se prepara para partir rumo ao Santuário, para finalizar este longo período de treinamento.
Milo sentia que estava próxima a hora de prestar contas e estava preparado para assumir todos os seus atos. Sabia que não havia falhado em sua missão, que preparara Helena para ser uma Amazona de Ouro e ela estava pronta, mas sabia também do risco que corria ao envolver-se com ela.
Mas o que estava feito, estava feito.
Guardou as palavras do Mestre Ancião, e de fato não havia qualquer arrependimento, livrou-se do sentimento de culpa e estava pronto para enfrentar o que viesse. Confiava em Helena, e sabia que ela estaria do seu lado.
Despediram-se do Mestre, de Shiryu, Shunrei e do pequeno Ryuho, e partiram rumo ao Santuário.
Olhando a vista do alto dos Cinco Picos, pela estrada que leva ás cidades, os dois caminhavam em silêncio. Milo estava pensativo...
"Será que vao me julgar por ter me apaixonado por minha aprendiz? O que dirão os outros cavaleiros? E Aiolia?....se me julgarem, que seja. Ao menos Camus sei que me apoiará, me entenderá..."
Mas logo tratou de cortar pensamentos pessimistas e animar sua pupila:
– Helena, em poucas horas você conhecerá seu tio, Aiolia — disse Milo olhando-a confiante.
– Sim, estou ansiosa para vê-lo! Estou pronta para encarar este desafio, com você ao meu lado.
– Eu estarei sempre ao seu lado, nada de mal te acontecerá, eu prometo — disse ele acariciando o rosto de Helena.
O sol do fim de tarde os aquecia e iluminava, abraçados, trocaram um beijo gostoso e continuaram sua caminhada.
Logo não estariam mais a sós....
"Ah como era bom, só nós dois e a montanha...sentiremos saudades"
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