Notas iniciais
Personagens principais do capítulo: Milo, Helena, Aiolia Boa leitura!

–- Santuário

Mu de Áries mal pode acreditar quando vê chegando ao longe Milo e Helena. De mãos dadas, trazendo a bagagem em pesadas mochilas nas costas, o casal se aproxima das 12 casas. Estavam exaustos, haviam viajado muitas horas da China até a Grécia. Tudo o que desejavam era um bom banho e comida que não fosse de avião. Se fazer passar por pessoas comuns era até divertido, mas a vida de cavaleiros era muito melhor do que a vida comum que a maioria das pessoas levava. Milo estranhou os olhares o condenando pelos longos cabelos, a aparência diferenciada dos Santos de Atena causava estranheza fora do Santuário, mas alí dentro ele podia ser o que era sem ter que se envergonhar dos cabelos longos, do porte atlético e dos poderes que precisava esconder sempre que estava entre "pessoas comuns".

Milo sente o cheiro familiar daquele lugar: estava morto de saudades! Saudades dos amigos, de sua casa, de sua armadura, de sua rotina. Mal podia esperar para abraçar cada um.

Helena sente um frio na barriga, o peso da responsabilidade de fazer parte daquele mundo agora parece sufocantemente maior. E o mais difícil: conhecer Aiolia e revelar que seu irmão deixou uma sobrinha para ele, pensou no susto que o leonino levaria, e não sabia como seria recebida por ele.

Milo a olha, e com o olhar a encoraja, estavam em frente a casa de Áries

– Milo!!!! — grita Mu, descendo na direção deles

Milo e Mu se jogam em um forte abraço, fazendo toda a bagagem das costas do escorpião desabar no chão.

Logo todos percebem o burburinho, Aldebaran ve a movimentação e vai alertando a todos, a notícia subindo de casa em casa: Milo estava de volta!

Ao ouvir que o amigo havia chegado, Camus desceu de sua casa indo até a parte mais baixa para encontrá-los, com sua serenidade típica. Hyoga veio logo atrás.

– Camus!!!!! — Milo exclama ao vê-lo, mal se desfazendo do abraço de Kanon e Aldebaran, recebe nos braços o amigo, os dois se abraçam longamente.

– Milo, que saudade!

– Camus — Milo suspira fundo — estou de volta!

E mais abraços, logo chegam Shaka, Shura, MDM, Afrodite, Aiolia...todos fazem uma grande algazarra na entrada da casa de Mu, todos vestiam suas armaduras douradas, fato que chama atenção de Milo

– Ainda estamos em estado de alerta pelo que vejo — disse ele reparando os companheiros

– Sim, a iminência de perigo persiste, apesar de não termos tido nenhum alerta todo esse tempo, permanecemos guardando as casas, preparados para tudo — esclarece Shaka

Milo entende e um ponta de preocupação deixa seu semblante sério

– Bah! Mas isso não nos impede de comemorar a chegada de vocês!! — grita Shura animado, fazendo todos gargalharem

Os Cavaleiros de Ouro haviam se tornado unidos, amigos de verdade.

Helena assiste a tudo emocionada e feliz em ver tamanha sintonia, logo eles também a cumprimentam, abraçando-a.

– Então, como se saiu sua pupila Milo? — pergunta entusiasmado Camus

Milo olha Helena com carinho e sorrindo diz:

– Helena se tornou uma grande amazona, ela é uma jóia rara — diz, derretido.

Os cavaleiros que não são nada inocentes percebem imediatamente a química entre os dois, os olhares, as mãos...mas ninguém se atreve a dizer nada, preferiram esperar para ver o que aconteceria.

Aiolia observa a tudo, até agora não tinha se pronunciado, alheio ás brincadeiras, a aprendiz de Milo estranhamente o deixava mais constrangido que o normal, não de forma maliciosa, mas como quem sente algo estranho. O leonino olha fixamente Helena sentindo vir dela um cosmo familiar. Mas discreto como é típico dele, prefere nada falar.

Helena também o olha com carinho, mas prefere deixar que seu Mestre faça a mediação dessa conversa.

– Preciso ver minha casa! — diz Milo pegando as bagagens do chão

– Helena, venha, vamos tomar um chá. Estou te convidando — diz Shaka com cortesia.

Todos vão retornando ás suas casas, Helena fica com Shaka na casa de Virgem. Milo, Camus e Aiolia sobem para Escorpião.

Ás portas de sua casa, Milo suspira:

– Minha casa!

– Cuidei de tudo por aqui, descanse um pouco — disse Aiolia

– Obrigado Aiolia, nem sei como te agradecer, realmente está tudo perfeito — disse admirado

Até os escorpiõezinhos que criava estavam alimentados e bem cuidados.

Milo foi direto vestir sua armadura para ficar como os outros, com exceção do elmo, tinha saudades dela

– Que saudades de sentir o peso de minha armadura. Como é bom voltar a vida de Cavaleiro!

– Sei como se sente — diz Camus — quando passei um longo período treinando Hyoga também senti muitas saudades de vestir a minha. Parece que não somos os mesmos sem elas.

– É verdade Camus, parece mesmo que não somos os mesmos — disse Milo, que enquanto conversava com Camus sentiu Aiolia de canto, com um semblante pesado e confuso. Sabia que era algo que precisava ser conversado entre eles.

Camus, sempre atento a tudo, notou o clima entre o escorpiano e o leonino

– Bom Milo, vou subir á casa de aquário com Hyoga pois temos afazeres a terminar. Passe lá mais tarde para falarmos

Milo concordou e se despediram. Milo e Aiolia ficaram a sós, o escorpiano convidou o leonino a sentar, este escolheu uma confortável poltrona de espuma, o outro recostou-se no sofá, logo á sua frente.

Eles tinham um assunto importante e difícil a tratar.

Milo queria falar de Helena, só não sabia por onde começar.

– Aiolia, não vou enrolar muito pois ambos somos diretos. Tenho algo muito importante a lhe dizer — disse Milo, dessa vez bastante sério, fazendo o semblante de Aiolia fechar também.

– É sobre Helena, não é?

– Sim, como sabe? Sentiu algo? — perguntou Milo desencostando do sofá, arqueando o corpo para frente.

– Um cosmo muito familiar..

– E de fato é

– Como assim?

Milo respirou fundo, era melhor ser direto e jogar a bomba de uma só vez, em doses homeopáticas seria pior.

– Helena é filha de Aiolos, uma filha que ele teve e nunca disse a ninguém.

O susto fez Aiolia levantar-se súbtamente, sentiu-se atordoado.

–Aiolia sente-se por favor...

– Milo...o que você tá me dizendo? — a voz de Aiolia mal saía

– Por favor... — Milo fez um gesto apontando a poltrona, queria que o amigo se acomodasse para ouvir tudo o que tinha que ouvir. Aiolia então sentou-se novamente, olhando Milo com o semblante carregado.

Milo olhando-o firmemente contou toda a história de Helena, deixando Aiolia num misto de emoção e surpresa. Ele não sabia o que sentir.

– Você tem certeza? Ela não chegou como uma intrusa? Quem sabe não..

Milo não permitiu que Aiolia concluísse, interrompendo-o antes que completasse a frase

– Acha que Atena mentiria? Que a armadura de seu irmão mentiria?

Diante das palavras do escorpião, Aiolia caiu em si. Como podia duvidar de sua deusa e de seu irmão. Uma armadura de ouro jamais mentiria. Finalmente Aiolia caía em si.

– Uma sobrinha...Aiolos me deixou uma sobrinha...por que nunca me falou. Meu Deus, por que??!!!! — revoltou-se desta vez, levantando-se mais uma vez, caminhando de um lado a outro da sala. Milo permanecia sentado, tentou apaziguar o nervosismo do leonino.

– Não sabemos, talvez ele quisesse protege-la, depois de tudo o que aconteceu com ele. O fato é que ela veio atendendo a um chamado sem saber, e foi escolhida para ser sucessora de seu irmão, pai dela.

Aiolia pensa em silencio, digerindo tudo o que acabara de ouvir. Podia parecer loucura, mas era a verdade. Andava de um lado a outro, enquanto o escorpiano atônito permanecia sentado olhando a cena.

– Quero vê-la Milo! Precido ver minha sobrinha — diz Aiolia num ímpeto

– Vamos, ela foi com Shaka para a casa de Virgem.

Os dois descem até a casa de Shaka, ao entrarem, veem o vrginiano e Helena numa animada conversa em volta de duas xícaras de chá bem quente, sendo interrompidos pela chegada dos dois cavaleiros.

Helena os observa, Milo estava de armadura, ela não o via assim a anos e se encantou em vê-lo daquele jeito.

Milo e Aiolia estavam tensos e nada falavam. Mas seus olhares falavam mais que mil palavras, especialmente o olhar de Aiolia.

– Shaka, pode me oferecer seu chá também? Parece ótimo — pergunta Milo tentando tirar o virginiano do local — gostaria de ver como está seu jardim, tive saudades dele.

Shaka entende o que Milo quer e assente seu pedido, os dois se retiram para o jardim da casa de virgem, deixando Aiolia e Helena a sós.

Aiolia se senta no lugar onde estava Shaka, ficando frente a frente com Helena, olhando-a nos olhos, fixamente

– Seus olhos...impressionante, parece que eu o vejo — disse Aiolia visivelmente emocionado

Helena entendeu que Milo já havia contado tudo á ele, e sorriu

– Eu não via a hora de estar assim, frente a frentre com voce — disse ela — Aiolia de Leão, irmão de Aiolos de Sagitário....

A voz de Helena embargou, mal as palavras saiam. Aiolia permitiu que as lágrimas lhe descessem. Já chorando, ela continuou:

– Ele falava tanto em voce tio, tanto..eu só vim porque queria ver a casa de meu pai..

Sem segurar o choro, tio e sobrinha se jogaram nos braços um do outro, num abraço emocionado. Aiolia só havia chorado desse jeito no túmulo de seu irmão, e Helena só havia derramado tantas lágrimas no túmulo de sua mãe. Dois pedaços separados do mesmo sangue, podiam agora se encontrar e fechar o único elo que sobrara.

Aiolia segurava o rosto de Helena, admirando sua face..."como é linda" — pensava, "como Aiolos fez uma filha linda!"

– Que presente meu irmão me deixou — disse rindo de si mesmo, fazendo Helena rir também.

Discretos, Milo e Shaka observavam o encontro, felizes pelo que viam.

Helena os chamou, e os quatro tomaram mais algumas xícaras de chá. A amazona sentou-se ao lado de Milo, enlaçando seu braço no dele, ambos se olhavam e sorriam.

Lado a lado, Helena e Milo não conseguiam esconder o que estavam vivendo juntos, e logo Aiolia percebeu o envolvimento que transparecia sutilmente em gestos e olhares entre os dois.

– Quando vou finalmente ver a casa de Sagitário? — pergunta Helena a Milo, afinal, era isso o que ela procurava alí desde o início

– Ninguém melhor que Aiolia para levá-la até lá — diz Milo olhando para o cavaleiro de Leão

– Claro, eu a levarei agora mesmo. — disse Aiolia, em um misto de surpresa e felicidade por Helena, mas ao mesmo tempo de preocupação por vê-la tão próxima ao cavaleiro de escorpião — Helena, voce conhecerá a casa de Aiolos, o honrado Cavaleiro de Sagitário.

Os dois se levantaram e sairam, subindo rumo a nona casa que estava vazia faziam anos.

Milo os observou saindo juntos e suspirou preocupado. Sabia que teria problemas com Aiolia.


**

Sozinhos, Shun e June passeavam pelo gigantesco campo de flores. O frio do inverno que se aproximava fazia soprar uma brisa gelada.

Percebendo o leve arrepiado nos finos pelos dela, Shun retirou o casaco que usava e a cobriu.

– Obrigada Shun, voce é sempre tão doce, gentil...é tão bom ter voce perto de mim — disse ela já não fazendo questão de esconder seus sentimentos.

– Por mim ficaria sempre aqui June. Está mais quente agora? — perguntou baixinho

– Sim, agora sinto menos frio

– E se eu te esquentar mais? — disse ele, abraçando-a, enlaçando June em seus braços fortes, colando totalmente seu corpo ao dela — melhor agora?

As bocas próximas podiam sentir a respiração um do outro. June sentiu um frio na barriga, queria beijá-lo, queria mais do que tudo.

– E se eu...esquentar ainda mais...assim...

Shun colou seus lábios nos de June, que se entregou sem resistencia em um beijo esperado e cheio de carinho. As línguas se enlaçavam numa dança gostosa e lenta, por longos segundos, demoradamente, saboreando o primeiro beijo de um casal que já se desejava a muito tempo.

Foram juntos para debaixo de uma parreira, sentaram-se em um velho tronco de árvore e lá trocaram infindáveis beijos, abraços, carícias...por horas e horas, até o cair da noite.

Shun estava completamente apaixonado, e June estava pronta para pertencer a ele.

–--

Aiolia e Helena já estavam a horas na casa de Sagitário, envoltos em lembranças e histórias de Aiolos e lutas em defesa de Atena e da Terra. Ele contou a ela todas as glórias de seu pai, que não foram poucas. Ela escutava a tudo atenta e admirada. Se orgulhava ainda mais de seu sangue, de sua origem, de sua futura armadura. Olhava aquelas paredes mas não as via como sua futura casa, as via como casa de Aiolos. E seria assim sempre.

Aiolia foi tomado por uma dúvida lançante que quase o revoltava...porque Milo fora seu Mestre?

Aiolia não tinha nada contra Milo, os dois eram amigos desde meninos, mas eram extremos opostos. Aiolia era contido, altamente regrado e rígido moralmente. Milo era liberal, a favor de viver intensamente e não se prender a convenções. Isso fazia com que Aiolia o visse como alguém desregrado, que não leva nada a sério (com exceção de sua função como Cavaleiro de Ouro, nisso Aiolia jamais o criticara, sabia que ele era leal e um bravo guerreiro, dos mais exigentes quanto a fidelidade á Atena), mas com relação ás pessoas e a vida fora do campo de batalha, em especial nas relações amorosas.

– Helena, e quanto a Milo? — quis saber ele

– Milo é o melhor Mestre que eu poderia desejar, meu tio. Ele me ensinou muita coisa, me preparou e se hoje tenho condições de pisar este chão, devo á ele. Eu o amo. — disse ela com sua naturalidade típica.

Mal disse essas palavras, saiu a observar as partes mais internas da grande casa, deixando Aiolia sem oportunidade para novas perguntas.

Aquele "eu o amo" ecoou na cabeça de Aiolia, o que ela queria dizer com isso...o ama como Mestre? Como homem? — pensou, confuso.

– Querida, tenho um compromisso agora mesmo e preciso ir

– Sim tio, se importa se eu ficar um pouco mais?

– Claro que não, se quiser depois tomar um banho, trocar suas roupas e comer algo pode ir á casa de leão, fique á vontade lá. Mais tarde nos vemos!

Saiu Aiolia descendo as escadas em direção á casa de Escorpião.

Tiraria essa história a limpo agora mesmo.

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Notas finais
Humm, será que isso vai dar briga? Obrigada pelos reviews! Todas as meninas que estão acompanhando a fic, valeu mesmo pela força, isso é MUITO importante pra quem escreve!