Crônicas De um novo Tempo

5 Até que a última guerra nos separe!


Notas iniciais
Personagens principais do capítulo: Marin e Aiolia. Shina e Milo.

Marin e Aiolia voltaram a se encontrar outras vezes, entre um treinamento e outro, entre uma reunião e outra. Naquela tarde ela havia terminado de treinar novas aspirantes e amazonas e ele se desfazia de sua armadura dourada depois de uma reunião com o Mestre e os demais cavaleiros de ouro, colocou roupas normais e desceu as escadas da casa de leão. Ambos correram para os mesmo ponto no pomar, para mais um fim de tarde juntinhos...

Deitados em baixo de uma grande macieira, Aiolia e Marin ainda se recompunham de mais uma vez que haviam se entregue um ao outro.

Ela permanecia deitada, ele de lado a beijava e protegia. Ambos já vestidos, Aiolia pensava em como seu irmão, Aiolos estaria feliz com sua felicidade. Era como se ele estivesse alí, abençoando aquele momento.

Marin se sentia tão plena que queria que aquele momento fosse eterno. E porque não ser? Pensou consigo mesma.

Ergueu a cabeça súbtamente e olhou seu cavaleiro no olhos, sériamente.

– Aiolia de Leão, quer casar comigo? — disse a amazona, séria e decidida.



Marin era corajosa e direta, o que sempre deixava Aiolia desconcertado. Como naquele momento.



– Ca...casar?! Mas Marin, nunca nenhum cavaleiro de Atena se casou antes. Será que podemos?



– Voce não quer? — disse ela, querendo saber o que realmente ele queria e não os seus receios.



– Marin, querer eu quero tudo. Quero tudo com voce...casar, ter filhos...eu iria morar no submundo de Hades com voce. — afirmou sériamente Aiolia — Mas olhe nossa vida, vivemos de guerra em guerra, desde que fui escolhido cavaleiro, minha prioridade é servir Athena e dar minha vida por ela. Voce se casaria com um homem disposto a morrer por uma deusa? Se sua resposta for sim, me casarei com voce.



Marin o olhou fixamente:



– A minha resposta é sim, eu quero voce nas condições em que voce vier pra mim. Se tivermos que morrer, morreremos. Se voce tiver que ir em missão, irá, casado comigo ou não. Isso não mudará.



Aiolia ficou satisfeito com as palavras de sua amada e sorriu propondo:



– Então, vamos aproveitar esse período de paz para nos casarmos? Faremos uma grande festa!



– Sim! Vamos juntos falar com o Mestre do Santuário.



Os dois levantaram-se, se vestiram e depois de trocar mais beijos, foram em direção a sala do mestre, passando juntos á frente de cada uma das 12 casas e despertando a curiosidade de cada cavaleiro que viam pela frente.

Ao passar pela casa de Câncer, MDM foi direto:

– Até quem em fim hein leoa!!!! Vai desencalhar! — gritou animado, arrancando risos de Aiolia e Marin.



*** Sibéria — Rússia ***



Hyoga recebeu o telegrama enviado por Ikki, orientando o Cisne a ir para os Cinco Picos.

Ele se animou com a novidade e sabia que tinha tudo a ver com a carta de Camus.

Arrumou suas coisas, apenas o necessário, poucas roupas, 2 pares de tênis, o inseparável mp3 com uma playlist com muito rock clássico, como ele gostava, um dicionário russo-ingês e os biscoitos feitos por seu tio para comer no caminho.

Poucas horas depois Hyoga já embarcava no avião, rumo á China.

*** Santuário ***



Com a autorização do Mestre (Saga já não era o tipo que esquentava a cabeça com muita coisa), em poucos dias foi organizada uma gigantesca festa de casamento.

A organização toda ficou por conta de Afrodite de Peixes, que quando soube do casamento, chamou para si esta responsabilidade (para ele, uma diversão).

O cavaleiro organizou a festa em estilo medieval, já que o Santuário era o local perfeito para ambientar uma festa assim.

Todos os homens vestiriam fardas medievais, feitas em veludo, cada uma em uma cor diferente. Os homens com cabelos muito longos, como o próprio Afrodite, Mu, Saga e Kanon, Milo, Shaka e Camus, usariam seus cabelos presos no meio das costas por fitas negras de cetim.

As mulheres vestidos de princesas medievais e flores nos cabelos.

Na decoração, o pisciano simplesmente lotou o lugar de suas lindas rosas vermelhas, elas estavam em todas as partes. Ao ar livre foram colocadas as pesadas mesas de madeira do refeitório, e nelas mais arranjos com rosas azuis e flores do campo.

Algumas cozinheiras do vilarejo foram chamadas para fazer o cardápio que foi elaborado por Camus (ele também entendia de culiária)



[Off]- N.R: do que Camus não entende? — N.R. 2 "De mulher!!!!! Gritou Milo -



voltemos a história -



O aquariano escolheu comida irlandesa para combinar com o tema medieval da festa. Camus escolheu como entrada Boxty, e prato principal Guinness Stew com Batatas aos Murros e também o Dublin Coddle [1] e ele mesmo preparou todos com a ajuda das cozinheiras.



Mal deu a hora marcada para a festa e o jardim já estava lotado. Como não havia um líder religioso no Santuário, não haveria uma cerimonia formal. Todos os convidados já estavam lá, cavaleiros de ouro e prata, aprendizes, aspirantes e amazonas.

Os noivos sairam juntos da casa de Leão e vieram descendo as escadas, cercadas de rosas vermelhas nas laterais, e no chão as pétalas jogadas para que eles passassem por cima.

Marin vestia um lindo vestido rosa claro e pérola, usava jóias finas, seus cabelos estavam adornados por uma tiara de pérolas e flores. Uma princesa que enchia os olhos do seu príncipe!

Aiolia vestia uma farda negra e seus cabelos estavam revoltos. Ele usava um grande anel de prata com a cabeça de um leão exibindo as presas.

Todos admiraram os noivos e os saudaram quando eles chegaram ao jardim, logo aos pés da casa de Áries.

Shaka, vestido com uma linda farda em tom de púrpura escura, saudou os noivos e falou brevemente sobre amor, fidelidade e glória, sentimentos que cercavam todos os Cavaleiros de Atena. Os noivos se olhavam todo o tempo, Aiolia não conseguia parar de olhar a beleza de Marin. Se beijaram arrancando aplausos e gritos de felicidades de todos.

Logo o conjunto de música celta começou a tocar e todos se alegraram, dançando, bebendo as inúmeras canecas de vinho e comendo sem parar, a fartura era enorme e todos por um momento se esqueceram da angústia causada por Artemis e se divertiram como nunca.

Aparentando certa timidez, estavam Shina e June juntas.

Shina usava um vestido azul claro, no mesmo estilo de princesa medieval, que ia até os pés. Os cabelos verdes estavam presos pela metade por um lindo arranjo de pequenas flores cor de rosa, deixando a franja e mais fios soltos. Ela não sabia como se portar com aquela roupa, não estava acostumada ás flores no cabelo, brincos, colares, nem nada daquilo. Ela queria usar sua máscara, mas Marin e June não deixaram.

– Toda linda e com máscara na cara? Pelo amor de Deus Shina!! — June havia protestado, convencendo a Ofiúco.

Ah, todas as mulheres, incluindo Marin, estavam sem suas máscaras.

June usava um vestido igual ao de Shina, mas de cor rosa, que combinava mais com seu jeito de menina, e os cabelos estavam presos em uma enorme trança que escorria por suas costas.

As duas permaneciam juntas, olhando a bagunça dos cavaleiros que conversavam entre eles animados, contando histórias, piadas e dando risadas altas. Alguns até já sentiam o efeito do vinho.

Shina observava Milo, o cavaleiro de Escorpião usava uma farda azul marinho e tinha os cabelos presos no meio das costas, parecia um nobre. De tanto ser observado, o olhar da amazona atraiu o dele, que a princípio não entendeu bem o que estava acontecendo.

Junto com Milo, Shura, Kanon, Aldebaran, MDM e Mu riam descontroladamente das histórias contadas pelo cavaleiro de Capricórnio. Em outro canto, Saga e Shaka conversavam mais reservadamente com Afrodite e os noivos.

Milo sentiu um certo tédio, pois já conhecia as histórias de Shura, já havia escutado ao menos tres vezes cada uma delas e por isso, já não via tanta graça.

Para se livrar dos amigos, ele caminhou em direção á Shina e June.

June sabia que o negócio não era com ela e tratou de deixar os dois sozinhos, mesmo com os protestos de Shina.

– Quer dançar? — perguntou ele, meio sem jeito e sem ter nada melhor pra dizer.



– Vamos.. — disse ela, fingindo indiferença.



Começaram a dançar a musica lenta que tocava, para dançar a dois. Shina nunca havia ficado tão perto de Milo. Não daquele jeito.

O mais próximo que ficaram foi na arena de treinos, quando ao treinarem juntos alguns golpes, ela caiu acidentalmente em cima dele, jogando o no chão. Mas aquilo foi muito rápido, e aquela dança era diferente.

O cavaleiro usava um perfume suave e amadeirado e no dedo anelar da mão que Shina segurava, um anel de prata escura trazia um escorpião negro, cujo a calda dava uma volta inteira no dedo de Milo.

Ele, por sua vez, reparou nas flores e em como Shina ficava linda e feminina daquele jeito e como seu rosto era angelical. Ver os rosto dela era algo muito raro, que ele presenciara poucas vezes.

E sempre via a mesma tristeza no olhar. Como naquele momento.

Milo pensou em aproveitar o momento para tentar entender o porque da enorme tristeza de Shina. Não podia ser só por Seiya. Será? Pensava ele...mas logo mudou de idéia e resolveu nada perguntar. Aquele assunto poderia magoá-la e ele não queria estragar a festa de seus amigos.

Os dois permaneceram dançando em silencio, o silencio que nem ele, nem ela tinham coragem de quebrar.

Ela sentia o cosmo dele quente, aliás, o cosmo do cavaleiro de escorpião sempre estava assim, era seu estado natural e aquele calor aquecia o corpo dela também.

Sem se falar, mas com pensamentos borbulhantes, os dois dançaram por horas sem perceber, fazendo até com que outros começassem a comentar.

Então os músicos aceleraram o rítimo e começaram uma série de músicas animadas, para todos dançarem fazendo uma grande roda!

Todos pularam no meio dos casais dançando e uma enorme roda se abriu no meio do jardim. Nesse movimento, Milo e Shina foram obrigados a se desgrudar, uma amazona aprendiz (aluna de Shina e interessada em Milo, pra variar, e com ciume) entrou súbtamente no meio dos dois e a grande roda se formou.

Shina sentiu a ausencia do calor do cosmo do escorpião, "tava tão bom"...pensou ela.

No meio da enorme roda, os noivos dançavam animadamente. Todos batiam palmas enquanto giravam a roda, cantando todos juntos:

"O leão encontrou uma águia

HEI!!

E com ela quis se casar

HEI!!!

Mas o que a águia não sabia

HEI!!

É que o leão não sabia voar

HEI!!"

E rodavam cantando animadamente os mesmos versos, entre risos e gritos.

Até Saga livrou-se de sua dura angústia e cantou, riu, comeu e bebeu até voltar torto para a Sala do Mestre e dormir no tapete mesmo.

Alguns golds beberam tanto que não conseguiram ir para suas casas e dormiram alí na grama mesmo.

Nunca o Santuário havia visto tamanha farra!

Notas finais
[1] Guinness Stew com Batatas aos Murros - prato típico da culiária celta/irlandesa, á base de mistura de carne, salsinha, cenoura, pimenta, alho e cerveja. Dublin Coddle - Também da culinária irlandesa. Ensopado a base de linguiça de porco e batatas.Boxty - espécie de panqueca de batatas, prato irlandes servido frito.E saiu o quinto capítulo! Acho que agradei aos fans de Marin e Aiolia hein!!Obrigada aos que estão acompanhando!