Notas iniciais
Personagens principais do capítulo: Artemis, Atena, Hermes, Seiya, Milo, Helena, Shina.

Poucos dias depois...

Longe do Santuário, acima das nuvens, no olimpo dos deuses...

Zeus conversa com Hermes e mostra que não está disposto mais a tolerar a raça humana.

– Homens são destruidores, estão acabando com o planeta, com a água, a natureza. Estou cansado dos humanos e quero destruí-los. — disse Zeus insatisfeito — Se Artemis pretende mesmo proteger os humanos, como Atena fazia, é bom que se prepare.

Hermes é um dos deuses do Olimpo, ele usa uma longa túnica verde até os pés, no pescoço um colar de cristais e pussui duas enormes asas de anjo, tem longos cabelos loiros (como os de Shaka) e uma face lindíssima, é um dos deuses mais bonitos do Olimpo, mas também é um dos que possui personalidade duvidosa, não gosta de humanos e nem de Atena, e preferiria que a Terra fosse inabitada, assim como Zeus.

Ele ouve tudo atento e gosta da fúria de Zeus.

Ao ver Artemis, ele logo conta a ela o que ouviu e se surpreende com a reação da deusa, que lhe responde com ar de indiferença:

– Voce acha mesmo que eu pretendo defender os pobres mortais? Não sou como Atena, não defenderei nenhum deles, se Zeus ou qualquer outro deus quiser destruir a humanidade, não serei eu a impedir. — ela continuou, agora dando as costas a Hermes e saindo — Hades não conseguiu, se mais alguém quiser tentar, terá meu apoio.

Hermes riu, mas o que eles não sabiam é que Atena havia escutado as palavras de Artemis, e não ia deixar de agir. Artemis lhe prometera proteger os mortais quando recebeu o báculo, e agora a promessa estava quebrada.

*** Cinco Picos ***

Ikki e Shun chegam com Seiya a Rozan e são recebidos com alegria por Shiryu e Shunrei. O Cavaleiro de Dragão tenta se comunicar com Seiya, mas não tem sucesso.

– Amigo, como é triste te ver assim...logo voce, não me conformo. — diz Shiryu

– Não fique assim Shiryu — consola Shun — ele está reagindo, será só questão de tempo.

– Isso mesmo, apenas questão de tempo!

Estas palavras são ditas pelo Mestre Ancião que logo aparece entre eles, andando vagarosamente e aparentando ser ainda mais velho que da última vez que o viram.

– Mestre Ancião! — Ikki vai até ele e se abaixa, mostrando a sua admiração pelo antigo Cavaleiro de Libra.

Logo chega também Hyoga, e todos os Bronze Boys se encontram e se confraternizam, todos estão em volta de Seiya e seu cosmo se alegra.

Á noite todos sentam á mesa posta por Shunrei, ela havia cozinhado para todos e todos comeram com vontade. Depois do jantar o Mestre reuniu a todos em volta de uma grande fogueira, onde podiam sentir a briza vinda das quedas d'água. Então o Mestre começou, em seu rítimo lento devido a idade, a falar:

– Voces sabem porque estão aqui? Sabem o que está prestes a acontecer?

Todos ficaram perplexos com as perguntas do Mestre, achavam que era apenas por causa das cartas de Camus, e pela chegada de Arthemis ao Santuário.

Então o Mestre prosseguiu:

– Artemis não é amiga dos mortais, mas algo no Santuário está prestes a mudar. — diz o ancião, em tom misterioso.

– O que pode mudar Mestre? — quer saber Ikki.

– Uma arnadura perdida está prestes a encontrar novo dono, sua descendência foi escolhida. — Disse ele, sério.

Ninguém entendeu nada, todos se entreolharam, curiosos.

– Como assim Mestre? Uma armadura perdida? É de ouro? — Quis saber Hyoga

– Sim. — disse o ancião — é uma das 12 armaduras de ouro prestes a encontrar um novo guerreiro para vesti-la. Mas existe um segredo, algo que nunca aconteceu antes. Um poder especial será liberado! — disse o velho, entusiasmado.

Aí é que ninguém entendeu mesmo, tentaram cavar mais informações do Mestre, mas ele caiu em sono profundo.

– Não reparem — disse Shunrei — é assim mesmo, ele está conversando e do nada dorme, em questão de segundos. E quando é assim, só acorda amanhã. Vamos dormir — decretou ela.

Todos foram deitar, com aquelas palavras na cabeça.

Seiya era o único que havia entendido as palavras do Mestre.

Em sono profundo, o Cavaleiro de Pégaso recebe o recado de sua Saori:

– Seiya! Ouça: Artemis me traiu, ela não protegerá os mortais e eu preciso pegar Nike de volta. Artemis pretende matar todos os Cavaleiros. Preciso que voce reaja Seiya!

*** Santuário ***

Nos aposentos do Mestre, Saga dorme e recebe também o recado de Saori, o mesmo recebido por Seiya, mas a deusa fala mais:

– Saga! Ouça: Helena chegará em breve. Pegue a armadura que deixarei no grande salão e guarde-a bem, com voce. Eu confio em voce Saga!

Na manhã seguinte Saga desperta e lembra do recado de Athena. Ele pula da cama e corre até o grande salão, no meio dele, encontra a caixa dourada da armadura de ouro de Sagitário. Saga não entende o que aquela armadura faz alí, e nem quem é a tal Helena, mas apenas obedece sua deusa, levando a caixa para seus aposentos, guardando em um canto escondido.

*** Cinco Picos ***

Seiya abre seus olhos e percebe que já é dia. Ele não percebia a presença dos cosmos dos outros e notou que estava só.

Ele lembrou-se do recado de Saori e imediatamente sentiu seu cosmo queimar. Pégaso sentiu suas pernas e braços, sentiu seus músculos. Usou suas forças e conseguiu movimentar um pouco as pernas, o suficiente para mudar de posição.

E logo sentiu o cosmo de Hyoga se aproximar.

O loiro entrou no quarto e percebeu o esforço de Seiya, chamou os outros e todos comemoraram mais um avanço na recuperação do Pégaso.

Ele estava reagindo, por Saori.

*** Santuário ***

Saga logo vestiu sua túnica e seu elmo, convocou a todos para uma reunião, mandou que todos vestissem suas armaduras e viessem ao grande salão.

Com todos os Cavaleiros de Ouro reunidos no salão, o Mestre á frente do trono os comunicou:

– Artemis é nossa falsa defensora! Ela traiu Atena e nos entregou nas mãos dos deuses. Preparem-se, pois podemos ser atacados. Eles pretendem matar todos os Cavaleiros de Atena, para que ela não tenha com quem contar na defesa da humanidade. Precisamos vigiar o Santuário dia e noite, incessantemente.

Todos os cavaleiros concordaram com o Grande Mestre e prometeram vigiar o Santuário todo o tempo.



Acabada a reunião, todos se retiraram e foram para suas respectivas casas. Milo ofereceu ajuda a Mu:

– Mu, sua casa é sempre a primeira a ser atacada, se quiser, posso ficar com voce para vigiarmos e reforçar a segurança. — disse o escorpião.

– Claro Milo, é bom que não me sinto tão sozinho. Aceito sua ajuda — sorriu o lemuriano.

Caiu a noite, Milo e Mu permaneciam com suas armaduras na entrada da Casa de Áries e perceberam um cosmo familiar: era Shina.

Ofiúco gostava daquela casa "Seria minha se eu fosse uma gold" pensava ela, que era ariana como Mu.

A amazona também estava com armadura e máscara e se ofereceu para fazer compania aos cavaleiros:

– Boa noite Senhores, vim ajudá-los na vigilia. Algum cosmo estranho?

– Nada Shina — disse Mu — tudo tranquilo até agora.

Milo nada disse, apenas a olhou e lhe deu um sorriso tímido. Ele admirava Shina, mas não sabia como se portar diante dela.

Os tres então começaram a conversar sobre o que pode acontecer com essa nova ameaça, mas sem perder a atenção e o estado de alerta.

Shina então silencia e sente um cosmo estranho.

– Sentem esse cosmo?

– Sim — diz Milo — estranho...vem do campo de flores logo á frente.

– Vou até lá — decide a amazona

Ela sai andando em direção a escuridão do gigante campo de flores, iluminado apenas pela luz da lua cheia.

Milo e Mu, observam atentos cada passo de Shina.

Ao chegar no meio do campo, a amazona se depara com alguém usando uma capa negra com capuz [2] que cobria totalmente seu corpo e rosto.

– Quem é voce? — pergunta a amazona em voz alta

A criatura nada responde e ameaça vir para cima de Shina que não pensa duas vezes:

– Garras de Trovão!!

O movimento de Shina chama atenção de Mu e Milo. O Escorpião corre para o local onde Shina está e Mu permanece guardando a casa de Áries.

A estranha figura consegue desviar do golpe de Shina, e ergue seus braços para o contra ataque:

– Trovão Atômico!!!

Mas o golpe sai fraco e fere levemente Shina, que contra ataca e consegue ferir seu oponente, que cai no chão.

Shina aproveita para desmascarar o misterioso intruso, se abaixa e remove o capus de seu rosto.

Para surpresa da amazona, é uma mulher.

Milo chega e ao ver toda a cena de longe, também deseja ver o rosto da intrusa. Os olhos do escorpião mal podem crer no que veem.

– É uma mulher — diz ele, em voz baixa — quem é voce?

Antes que a intrusa pudesse responder, Shina decreta:

– Vamos acabar com ela Milo, ela é uma inimiga, devemos matá-la. Quem fará isso, eu ou voce? — diz Ofiúco, impaciente.

Mas o escorpião não parece lhe ouvir

– Quem é voce? — repete Milo sem tirar os olhos da tal mulher.

Milo pressentia (e seu pressentimento jamais falhara) que ela não representava perigo.

A intrusa permanecia muda, assustada.

Ele continuou:

– Voce invocou o Trovão Atômico. Como conhece essa técnica?

– Essa técnica pertenceu a Aiolos de Sagitário — afirmou Shina, confusa.

– Sim, eu conheço — disse a intrusa, olhando para o cavaleiro.

Finalmente ele ouviu sua voz, uma voz doce. Ajudou-a a levantar e arrancou, sem cerimônia, sua capa negra.

A jovem tinha pele alva, cabelos claros e longos, os olhos tinham um colorido diferente e estavam assustados, atônitos. Estatura mediana, parecia ter seus 18 anos. Ela vestia uma roupa de couro marrom e tecidos azuis claros, com muitos adornos de metal. Seu corpo era bem trabalhado, de alguém que havia se preparado para lutar e sua cintura fina estava á mostra. Era possível ver as borboletas tatuadas na parte inferior das costas, na cintura, como se voassem costas á cima em seu corpo.

Milo ficou tocado com tamanha beleza, tamanha delicadeza em um golpe tão forte e numa coragem tão grande. Que mulher era aquela? Ele quis saber agora mais do que nunca.

Mas seu dever de cavaleiro falou mais alto.

– Quem te mandou aqui? — indagou sério, sem erguer a voz, mas em tom firme. Ela nada respondeu, estava nítidamente acoada e com medo por ter sido descoberta. Milo logo percebeu que era infrutífero fazer peguntas, ela estava acoada demais pra responder, e a presença de Shina também a intimidava. Eram dois pressionando-a, ela deveria realmente estar com medo. Logo, ele decretou o desfecho daquele momento, perdendo a paciência com a intrusa.

– Vamos moça, vou levá-la á sala do Mestre, ele decidirá o que fazer com voce.

Milo e Shina levaram a intrusa até o Grande Salão. Ao passarem pela casa de Áries, avisaram a Mu que estava tudo sob controle. O ariano também se impressionou com a beleza da estranha mulher.

Enquanto subiam, Shina de um lado, Milo de outro e a intrusa entre eles, Milo e Shina discutiam sobre os destino da pobre garota

– Ainda acho que isso é loucura, ela pode ser uma ameaça, vamos acabar com isso aqui mesmo, Milo

– Quieta Shina, eu decidi que levamos o caso pro Saga, e é assim que vai ser. Me obedeça!

A amazona bufou de raiva, mas não havia como discutir, Milo era um Gold, sua patente lhe dava autoridade para mandar nela e em qualquer cavaleiro de patente mais baixa. O escorpião prosseguiu:

– Acho que a mocinha não oferece perigo algum, um inimigo não se deixa ser capturado tão fácilmente. — Disse sem olhar para a intrusa, que se sentiu subestimada, mas naquela situação nada poderia fazer.

Milo torcia internamente para que estivesse certo, do contrário, Shina iria humilhá-lo por dez reencarnações!

Ao chegarem no grande salão, fizeram reverência ao Mestre.

Saga se aproximou na moça.

– Mestre, achamos esta intrusa tentando invadir o Santuário. Mas eu a impedi. — disse Shina.

Milo permaneceu calado, a espera da confirmação de sua intuição. Ela não era uma simples intrusa, intuiu ele.

Sem responder Shina, Saga olhou bem para a jovem e lembrou-se do recado de Atena: "Quando Helena chegar, voce saberá o que fazer"

Saga sorriu e perguntou:

– Voce é Helena, não é?

A jovem se surpreendeu:

– Sim, me chamo Helena e vim da Romênia. Não queria invadir o Santuário, eu apenas queria ver este lugar, viajei muitos quilometros pra isso — finaliza ela.

Ao ouvir as palavras da moça, Milo soltou um suspiro aliviado, sua intuição fora confirmada. Era reconfortante saber que não precisariam matar uma garota bonita daquela. Olhou para Shina de canto de olho e lhe lançou um sorrisinho no estilo "viu? eu tinha razão", o que fez a amazona enrubescer de raiva por trás da máscara. "Idiota" pensou ela devolvendo mentalmente a provocação do cavaleiro.

Alheio á "conversa" em códigos de Milo e Shina, Saga recebeu Helena com cordialidade.

– Eu sei meu anjo, eu sei... — diz o Mestre. — Shina! Leve Helena até o alojamento para que ela possa descansar.

Shina faz reverencia e sai, esperando que Helena a siga:

– Vamos logo, não tenho a noite toda — diz nervosa a amazona.

Saga completa:

– Milo, amanhã falaremos, quero voce aqui em minha sala antes do nascer do sol.

– Sim senhor — diz o cavaleiro fazendo reverência.

Milo e Helena se olham profundamente, e ela sai rápido, antes que perca Shina de vista.

Ele sai logo depois, feliz por estar certo em sua intuição.



Milo volta para o lado de Mu e não consegue pensar em mais nada que não fosse Helena, o resto da noite.

Notas finais
Mais um capítulo saindo! Espero que estejam gostando :)[2] Capa negra com capuz como as que foram usadas na Saga Santuário por Shion, Saga, Shura e Camus ao chegar á Casa de Áries, escondendo seus rostos e suas identidades.Obs: Helena é a personagem na capa da nossa fic, junto com o Milo de Escorpião. Obrigada pelos comentários e pelo apoio, que bom que estão curtindo ler como eu estou curtindo escrever essa história!