Crônicas De Um Casal De Semideuses

11 One-Shot 4 - PERCY... I... I LOVE YOU


Notas iniciais
Oi! Para o leitor que me pediu os eventos anteriores à One-Shot Revelações. Tem algumas partes que podem parecer confusas, mas foi proposital. Em uma narração em primeira pessoa mistura a narração de ações e pensamentos, emoções do narrador, coloquei sensação de nervosismo, medo na narração, com todas aquelas sensações que sentimos quando estamos prestes a se declarar para alguém. ALERTA DE SPOILER PARA QUEM NÃO LEU A CASA DE HADES. Agora o capítulo:

NICO’S POV

Eu desisti diversas vezes e depois voltei a me colocar a caminho, somente para desistir de novo. Parava e sentava em algum banco, e a louca borboleta que tentava resistir em vão ao frio inverno que atingia Nova York, se tornava um ótimo motivo para eu desistir e voltar para o submundo. Mas segundos antes de entrar nas sombras eu parava e refletia. Não ia aguentar mais por muito tempo, aquilo estava me destruindo por dentro. As coisas que vi e ouvi no Tártaro me atingiam mais do que nunca.

Percy e Annabeth tinham contado que caíram no Rio Cócito, o rio das lamentações. Pelo menos eles tinham um ao outro, eu tive que enfrentar esse rio à nado, sozinho. Quase me deixe vencer pelos pensamentos negativos que me perfuraram lá. “Você nunca o terá!”, “Você irá morrer sozinho, sem ninguém ao seu lado”, “Ele não te dá atenção, você não é nada para ele”. Eu tentava não acreditar do que as vozes do Cócito diziam, mas eu sabia, no fundo, que era verdade. Eu não tinha chance nenhuma com ele. Percy e Annabeth eram o casal mais perfeito que você poderia imaginar, eram aquele tipo de casal que só vai ser separado pela morte. Aí que me vem aquele pensamento do mal, o diabinho de desenho animado que fica no seu ombro:

–Você é a morte Nico! – tentava o diabinho – Seu pai é o deus dos Mortos, o senhor do submundo. E só fazer um pedido que ele varre a loira da face da terra.

O que eu sabia que não era verdade. Se meu pai fizesse alguma coisa contra Annabeth o Olimpo inteiro se viraria contra ele. Os dois eram unanimidade no Olimpo, “casalzinho favorito de Afrodite”, filha favorita de Athena, Arquiteta Oficial do Olimpo. Meu pai nunca faria algo contra ela. Até porque eu não teria coragem de pedir.

Por mais que Annabeth seja a grande muralha de Troia que me impede de tentar algo com Percy, eu gosto muito dela, muito mesmo, mesmo que não pareça. Ela me ajudou em muitos momentos, principalmente agora, depois que voltamos da Europa. Ela tem conversado comigo sobre coisas que não converso nem mesmo com Hazel, coisas que eu conversava com a Bianca.

Bianca... Minha irmã. Somente duas pessoas sabem o que eu sinto pelo Percy. Ela e o Grace. Bianca é a única que me entendia até Eros, na verdade Cupido, me ter obrigado a confessar na frente de Jason o que eu sentia pelo herói de olhos verdes. Eu venho me encontrando regularmente com o filho de Zeus. Foi ele quem conseguiu me convencer a fazer o que estou prestes a fazer.

Dobrei a esquina, provavelmente ele deve fazer essa rota. Se ele não passar por aqui eu não vou falar com ele. Só falo se ele passar por aqui. Isso. Só se ele passar por aqui.

Oh Hades! E se ele rir de mim? Começar a caçoar pelo o que eu sinto? Será que ele vai contar para Annabeth? Será que ele vai espalhar para todo mundo? Oh Estige! Eu não sei se devo. Talvez seja melhor guardar para mim esse sentimento. Jason vai ficar furioso, vai esbravejar, dizer que eu tenho que contar para ele, senão nunca vou conseguir seguir em frente. Mas depois vai se acalmar e me abraçar, dizendo que tudo vai ficar bem.

Pensando melhor, acho que Percy não vai rir de mim. Ele não faria isso. Percy, por mais que seja bobalhão, faça brincadeiras e seja lento, ele é uma pessoa muito séria quando o momento pede... Ele não vai rir de mim. O máximo que vai acontecer é ele ficar confuso, principalmente porque ele é meio lerdo. Talvez eu tenha que explicar duas vezes para ele, será que eu consigo? Vai ser difícil falar para ele, imagina se eu tiver que repetir para ele entender?

Eu comecei a andar rápido, não conseguia olhar para lugar algum, estava tudo embaçado, meu coração pulsava fortemente, o sangue rugia em meus ouvidos. Quando eu percebi era tarde demais, escorreguei e fui com tudo para o chão. Fui segurado por alguém, que impediu que minha cabeça se chocasse com o chão duro.

–Opa! Peguei você, Nico. Cuidado por onde anda cara! Você estava correndo nesse chão cheio de gelo, é praticamente um convite para escorregar.

Eu não estava acreditando, aquela voz parecia uma melodia nos meus ouvidos, tinha um tom sarcástico e divertido, e então eu levantei e me virei. Foi quando eu o vi. Ele estava com um meio sorriso, seus olhos verdes estavam vibrantes, porém duas grande olheiras preenchiam suas pálpebras, ele parecia que não dormia bem há dias. Estava com um sobretudo preto, calças jeans, e um cachecol verde, da cor dos seus olhos.

–Que coincidência eu te encontrar por aqui! – continuou ele. – O que você está fazendo em Nova York, a cidade que nunca dorme? Finalmente agora eu entendo esta estrofe do Theme of New York. Venho praticando há dias essa história de não dormir.

–Por causa do Tártaro? – consegui perguntar com muita dificuldade.

–Sim, ‘tá difícil Nico. Não sei como você conseguiu passar por tudo aquilo sozinho. Eu não sei como eu e Annabeth estamos vivos hoje. – ele fez uma pausa, aperto a ponte do nariz, como se estivesse com dor de cabeça e continuou:

–Mas pergunto de novo: o que o traz a Nova York? Fico feliz de ver você aqui. Estava com saudades cara!

Estava com saudades cara!, aquilo ficou ecoando em minha mente durante alguns segundos antes de eu responder.

–Você. – eu falei.

–Eu o quê? – perguntou. Eu indiquei um banco, na beirada de um parque. Sentamo-nos.

–Você é o motivo que me traz a Nova York.

–Sou eu é? – perguntou, abrindo um sorriso. – O que é? Seu pai precisa dos meus serviços? Diz a ele que eu e Annabeth estamos aposentados. Chega dessa história de monstros e buscas e etc...

–Não! – falei, com um pouco de raiva – Meu pai não tem nada com isso. É coisa minha.

Ele pareceu um pouco chocado com a minha reação, então baixei um pouco o tom e falei:

–Eu preciso falar com você.

–O que foi? Você está com problemas? – o sorriso que ele abriu desapareceu. Sua testa franziu e as sobrancelhas se juntaram, um sinal claro de que ele estava genuinamente preocupado. – Eu posso ajudar?

Ele estava fazendo as perguntas erradas, só estava complicando mais ainda a minha situação. Eu já estava inventando alguma história para contar no lugar do que eu ia realmente dizer a ele, mas agora já era tarde demais. Não tinha volta. Eu ia falar com o Percy o que eu realmente sentia por ele.

–Percy, eu não sei por onde começar. Eu não sei se devo... Você...

–O que tem eu?

–Percy você só está dificultando as coisas fazendo essas perguntas fora de hora... – falei entre os dentes. Tudo estava começando a rodar, estava com falta de ar e minha mão tremia. Acho que ele percebeu, pois colocou a mão no meu ombro e perguntou:

–Está tudo bem Nico? Você parece que está passando mal...

–Eu estou bem... Quer dizer... Oh, Estige!

Trovões rugiram ao longe.

–Percy... Eu... Eu amo você! – pronto falei. Um alívio percorreu todo o meu corpo, parecia que eu tinha tirado o peso do mundo de minhas costas, Jason havia me alertado que ia me fazer muito bem falar com o Percy.

Ele tirou a mão do meu ombro. Eu virei meu rosto na direção dele, ele me olhava confuso, sem saber o que pensar, o que dizer.

Eu não sei o que me passou pela cabeça, mas eu me inclinei na direção dele e o beijei. Sim, eu beijei Percy Jackson. Eu esperava no mínimo um empurrão, quem sabe até um soco, mas ele não resistiu. Porém também não retribuiu, ele ficou estático, não se mexia. Eu me afastei, meu rosto estava em brasa.

–Desculpe! Me desculpe Percy... Eu...

–Você não precisa pedir desculpas Nico... – eu senti a voz dele arrasada. Senti meus olhos marejarem.

–Eu que preciso. Eu não sabia... Juro que não sabia Nico. – falou ele, desconcertado.

Olhei para ele, acho que percebi uma lágrima escorrendo, mas ele a secou rapidamente.

–Nico, eu sinto muito mesmo. Mas eu só vejo você como amigo, e um amigo muito querido, do coração.

Eu lutava contra a vontade de chorar. Eu sabia e já estava me preparando para ouvir essas palavras, mas ouvi-las de fato era muito doloroso. Doía mais que ser ferido por uma espada, doía mais do que as palavras do Cócito...

–Eu tenho certeza que você encontrará alguém que faça você muito feliz. E pode ficar tranquilo cara, você ainda é o meu amigão e eu não vou julgar você por causa das suas escolhas... – falou um pouco encabulado.

Eu não aguentei. Eu deixei todo aquele sentimento fluir e chorei compulsivamente. Para a minha surpresa, Percy me abraçou, me abraçou bem forte. O cheiro da brisa marinha logo chegou até mim.

Eu então me separei, já mais calmo e entrei na primeira sombra que vi, deixando o meu herói, o meu amor, o grande filho de Poseidon, Percy Jackson, sozinho no meio da calçada. Ainda abalado com a nossa conversa.

Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim... Atualização (08/10/2014) - SPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILERSPOILER Devido a acontecimentos no Sangue do Olimpo, essa One-Shot (assim como a One-Shot 1 - "REVELAÇÃO") passa a ser classificada como UA (Universo Alternativo).