Notas iniciais
Boa leitura :)

Lana olhava para seus colegas, que riam dela de uma maneira cruel. Aquilo a machucava um pouco, mas ela se acostumou com a maldade deles de qualquer maneira.

Acabara de falar, na frente de todos, que gostava de um colega seus. Ela nem tivera a intenção de falar que o amava, somente de dizer que ele era agradável e gentil com ela, mas mesmo assim ela virou motivo de risadas. O garoto não estava mais ali.

Lana suspirou, chateada.

A garota que comandava o grupo de risadas era Gina, uma filha de burguês que fazia comércio coma alta corte das fadas e por isso achava que tinha o direito de falar o que quisesse para uma camponesa como Lana.

Ela tinha que sair dali.

Ao ver que Lana não esboçava reação alguma quanto as risadas, aos poucos os garotos foram se dispersando, incluindo Gina. Quando ficou sozinha ela rumou para casa, pois não havia mais nada a fazer ali e seu pai a estava esperando com as compras.

Lana era motivo constante de risadas na escola, e não porque fosse feia ou algo tipo. Não, nada disso. Muito pelo contrário, Lana era uma meio-fada como todos os plebeus do reino, e isso a tornava naturalmente bonita. Todos os semi-fadas tinham características raras, alguns eram meio animais, outros tinham a cor da pele peculiar ou com manchas específicas em cores vibrantes. E ainda haviam aqueles com cores de cabelos impossíveis, e as vezes mais de uma. Os elfos, ou os semi fadas, eram o povo mais belos que se possa imaginar.

Lana não era diferente, pois era uma fada com cabelos brancos como neve e olhos verdes como folhas. Os cabelos brancos puxara do pai, elfo de inverno com olhos como gelo, e os olhos ela puxara da mãe, que já morrera, que era uma fada de outono ruiva de olhos verdes.

Isso a transformara em uma meia-estação, sendo que tinha habilidades tanto de outono quanto de inverno, mas infelizmente mais de inverno. Do que adianta uma fada de inverno viver entre camponeses? Suas habilidades não rendem colheitas, e o pouco de outono que sabia era para sua defesa, pois é no outono que a natureza se prepara para enfrentar o inverno, o que torna elfos de outono muito resistentes.

Elfos de inverno servem somente para guerra.

Seu pai não ia para a guerra porque seus poderes haviam sido roubados, embora ele nunca tenha contado a Lana por quem. Agora ele trabalhava como carpinteiro, o que era um trabalho que pagava pouco e não era típico de um elfo de inverno, mas ele podia sustentar as duas filhas, e isso era o que importava.

Lana tinha uma irmã mais nova, de nove anos, chamada Zia, que era ruiva de olhos azuis, puxando inversamente os traços da irmã mais velha. Curiosamente as duas eram parecidas ao extremo, mesmo tendo cores tão diferentes.

- Lana! – um grito interrompeu os pensamentos dela, e ela virou para o pequeno elfo de cabelos verdes que corria em sua direção, desesperado.

- O que houve? – perguntou ela, segurando o pequeno para que ele não caísse quando chegou até ela.

- Seu pai! Há um ataque... – aquelas palavras congelaram o coração de Lana, e ela levantou rápido, esquecendo as compras ao lado do garotinho no chão, e correu para casa o mais rápido possível, desesperada com o que estava acontecendo.

Eram ladrões? Inimigos?

A casa não era muito longe, e quando ela atingiu o topo da estrada podia ver sua simples casa lá em baixo. Haviam cerca de dez soldados élficos de gelos ali, e eles estavam lutando contra...

... seu pai?

Ele usava seus poderes livremente, juntamente com uma espada de gelo translúcida, derrotando seus inimigos rápida e eficientemente, deixando Lana paralisada. Parto dali estava Zia, olhando para o pai com a mesma intensidade que Lana, sem nem mesmo notar a irmã.

Lana correu até Zia e a pegou no colo, se escondendo entre os arbustos rapidamente. A irmã resistiu um pouco antes de notar que se tratava da mais velha, e logo ambas se puseram a observar o pai.

A luta não durou mais cinco minutos. Seu pai tinha ganhado.

- Por quê? – perguntou a pequena Zia, encarando com seus olhos azuis os olhos azuis do pai.

- A rainha morreu. – disse Orion, o pai, e Lana notou que ele estava chorando.

- É raro um ser tão antigo morrer... mas porque está chorando, pai? – perguntou Lana, que já estava deduzindo a situação, embora não quisesse aceitar os fatos.

- Lanayriel... Zialyiriel... minhas filhas... eu, eu tenho mentido durante muito tempo, por bons motivos... mas agora, agora temos que ir, não temos tempo... – Ele falava, enquanto abraçou as duas e as levava para dentro da casa. – peguem algumas coisas, não muitas.

- Por quê? – perguntou novamente Zia, agora seus olhos também lacrimejavam, ao ver a tristeza do pai.

- Porque vamos ao castelo, vida. Papai tem que pegar algo de volta.

Notas finais
Gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.