Cowboy Sedutor
12 Brigas e mais brigas
Notas iniciais
Edward colocou outra pá de estéreo em um barril e encerrou a tarefa. Normalmente um dos empregados cuidava desse serviço, mas naquele dia ele precisava lembrar-se de suas raízes para não se envolver com uma garota da cidade coberta de seda como Bella.
Edward a estivera ignorando durante todo o dia, mas Bella era teimosa feito uma mula e finalmente o seguiu até o celeiro. Ele deixara a mesa de jantar antes da sobremesa, como se seu bolo de chocolate fosse algo a ser temido.
Mas o bolo de caixinha ficara realmente bom, já que seguira as instruções simples e não fizera nada errado, ela trazia-lhe um pedaço de bolo e planejava uma conversa sobre os gêmeos.
Era a primeira vez que entrava em um celeiro. Já vira alguns na televisão, claro. Mas não se podiam sentir aromas através da tela, por isso aspirou a doçura do feno fresco e o cheiro dos cavalos.
O pôr-do-sol trazia consigo uma luz mágica que, embora linda, tornava difícil a visão. A noite seria fria.
Fez uma pausa para pensar melhor no que dizer quando sentiu que alguém a agarrava.
Atônita, virou-se apenas para descobrir que o ousado era um cavalo.
— Já tive problemas suficientes sem um cavalo tentando me perturbar — murmurou, dando diversos passos apressados para afastar-se.
Nunca vira um cavalo rir antes, mas estava convencida de que aquele fazia exatamente isso ao balançar a cabeça e a cauda enquanto fazia barulhos engraçados.
— Muito engraçado. Mantenha seu nariz distante do meu cabelo.
Havia cavalos em ambos os lados do estábulo. Tentou não dar um pulo quando um a sua direita bateu a pata... ou seria um barulho no telhado?
O pedaço de bolo de chocolate no prato escorregou perigosamente para o lado, mas ela conseguiu salvá-lo a tempo.
Continuando pelo corredor central, avistou alguém. Não era a camisa de Edward pendurada em um prego perto dos fundos do celeiro?
Ele estava no último estábulo, distribuindo uma grossa camada de palha fresca no chão. Parecia mais do que nunca um autêntico cowboy, o peito nu com musculatura delineada, a calça jeans moldando as pernas.
— Eu... — disse ela. — Eu lhe trouxe algo.
Mal havia dito aquelas palavras quando sentiu algo úmido, frio e grande bater em seu cotovelo, empurrando o braço e a mão que segurava o bolo. Gritando assustada, inclinou-se para a frente para pegar a sobremesa antes que caísse do prato.
Mas conseguiu apenas perder o equilíbrio e cair em cima de Edward, que se virara para encará-la e ver que confusão era aquela.
Ele mal teve tempo de deixar a ferramenta de lado antes de Bella cair sobre ele, jogando a ambos na cama de feno que acabara de ajeitar.
Ela não sabia onde o prato ou o bolo tinham ido parar, mas tinha consciência apenas de estar deitada sobre Edward, os seios pressionados contra o peito nu dele, a coxa esquerda descansando contra as pernas fortes.
Era como se estivessem de volta a seu quarto, um calor pairando entre os dois. O coração dele batia fortemente contra o seu.
Bella tentou pedir desculpas por ter se jogado contra seu corpo,seus olhos se focaram em um par de olhos verdes que lhe olhavam intensamente, mas antes que pudesse formular qualquer frase. Edward a beijou.
Os lábios de Bella ainda estavam entreabertos de surpresa quando a boca dele capturou a dela. Não houve uma provocação, um momento de hesitação ou constrangimento. Apenas um desejo imenso, capaz de tirar-lhes o fôlego.
Edward esgueirou os dedos pelos cabelos sedosos, prendendo os fios castanhos atrás da cabeça de Bella, suas mãos grandes e ásperas puxando-a para poder saboreá-la completamente.
Onde ele aprendera a beijar daquele jeito? Bella estava atônita sentindo seu corpo pegando fogo.
Sentia-se encantada e induzida a retribuir o beijo com um pequeno gemido.
A reação deve tê-lo incentivado, porque momentos mais tarde ele rolava na palha para ficar sobre Bella. A mudança de posição alterou o beijo, para melhor. Edward podia mapear o caminho pelo lábio inferior dela antes de devorar-lhe a boca.
Passou a ponta da língua pelo céu da boca de Bella em um movimento muito sedutor. Mantinha uma mão debaixo da cabeça dela e esgueirou a outra pela lateral do pescoço, a ponta dos dedos fazendo um caminho do queixo até... onde?
Ela não sabia onde seria tocada em seguida, e havia tantos lugares de seu corpo que ansiavam por uma carícia.
Os beijos de Edward mantinham-na distraída enquanto movia a mão vagarosamente por cima do tecido da blusa, até um seio.
Não o agarrou com firmeza. O que fez foi apenas assanhar um bico com o polegar. E isso bastou para fazê-la derreter-se como mel quente. Ele repetiu o carinho, acrescentando investidas de língua no beijo enquanto a ouvia gemer contra sua boca e com ansiedade retribuir algumas investidas sensuais.
Aquele primeiro beijo transformou-se em muitos conforme os carinhos tornavam- se cada vez mais íntimos e o contato dos quadris confirmava a excitação de Edward.
Ele rolou novamente, invertendo as posições para que Bella mais uma vez se deitasse sobre seu corpo.
Puxou-lhe então a blusa, fazendo com que se soltasse completamente da calça jeans. As mãos de Bella estavam espalmadas no peito másculo e nu.
Deixou que sua blusa fosse retirada, e Edward acabava de abrir o sutiã quando ela sentiu uma respiração pesada nas costas seguida por um toque molhado que, definitivamente, não vinha do homem debaixo de seu corpo.
Interrompendo o beijo, Bella gritou. Atônito, Edward afastou-a de si e a colocou sobre o feno.
Quando ela ficou de costas, viu-se encarando a enorme cabeça de um cavalo. O focinho do animal estava a poucos centímetros de seu rosto e parecia que ele queria chegar ainda mais perto.
— Pare com isso, Ajax! — Edward ordenou, os cabelos acobreados assanhados, e o chapéu perdido em algum lugar pelo feno.
Demorou-lhe um segundo para perceber que fora ela quem assanhara seus cabelos quando passara os dedos pelos fios durante os beijos que trocaram.
Bella finalmente acordou do transe. O que fizera? Aquele homem era seu patrão! Foi para o canto mais distante do estábulo e olhou para Edward com um misto de espanto e algo não identificado. Ele a fitava exatamente da mesma maneira.
— Isto nunca aconteceu antes — Edward falou, a voz ríspida ao levantar-se e colocar mais distância entre os dois corpos.
— O cavalo me assustou... — Bella começou a falar, mas foi cortada bruscamente.
— Aquele beijo nunca aconteceu. Foi um grande erro. — continuou ele evitando seu olhar.
Bella nunca fora um "grande erro" antes e não gostou da situação. Edward viu o brilho de raiva naqueles olhos castanhos que o atormentava. Era melhor do que o calor sensual que lera ali um momento ou dois antes.
— Escute, eu já me dei mal com uma garota da cidade, minha ex-esposa. Desta vez busco uma mulher que não tenha vontade de seguir uma carreira e que faça dos meus filhos sua prioridade. Alguém que seja sólida como pedra. Você não preenche estas qualificações.
Bella ficou feliz pelo forcado estar do outro lado do estábulo, caso contrário poderia ter se sentido tentada a usá-lo.
— Foi apenas um beijo, sem importância para ambos.
Bem, era uma mentira, mas justificável.
Bella sentiu vontade de revidar:
— Posso lhe garantir que também não estou ansiosa por ter um relacionamento com você. Acabei de romper um noivado porque, entre outras coisas, peguei meu noivo me traindo. Foi por isto que eu quis sair de Nova York por uns tempos. Não para ter um caso no meio do feno com um cowboy arrogante e idiota! — Ficando em pé, passou os dedos pelos cabelos e o fitou com desdém. — Este incidente já está esquecido.
Saiu do estábulo, marchando por cima do pedaço de bolo de chocolate, mas não se detendo por nem um instante sequer.
Considerava-se afortunada. Afinal, a única coisa que perdera no episódio fora um par de sapatos. Poderia ter sido bem pior.
A despeito de suas palavras, não era fácil para Bella esquecer-se do beijo. A raiva levou-a de volta à casa da fazenda, onde limpou os sapatos sujos de chocolate na lavanderia localizada nos fundos da casa.
Como Edward ousava beijá-la daquele jeito e então agir como se fosse culpa dela?
— Conversou com papai? — Luke perguntou no instante em que Bella adentrava o recinto.
— Seu pai tem o cérebro de uma mula. Não. Isto provavelmente não é justo para com a mula. Tem o cérebro de uma pulga!
Luke arregalou os olhos à visão de Bella fora de controle. Luce estava com a mesma expressão.
— Não insulte nosso pai! — a garotinha falou, colocando ambas as mãos nos quadris e encarando Bella. — Ele é o homem mais inteligente do universo. Sabe muito mais do que você.
— O que está acontecendo aqui? — Billy quis saber. — Eu pude ouvir os gritos lá da varanda! Como um homem pode apreciar um filme de John Wayne com toda esta confusão por aqui?
— Não está havendo confusão nenhuma — disse Luke, franzindo a testa.
— Seu avô está se referindo ao barulho — explicou Bella.
— Ela estava gritando! — falou Luce, apontando um dedo acusador para . Bella— Disse que papai tem o cérebro de uma pulga.
— Oh-ho, ela falou isto, é? — O olhar de Billy era divertido — Fico pensando em que meu filho pode ter feito. Você se importaria em ser mais clara, senhorita?
Bella balançou a cabeça. Já dissera o bastante.
— Alguém quer um pouco de limonada?
Sem esperar por resposta, Bella pegou uma jarra de vidro e foi até a geladeira, onde selecionou alguns limões e os colocou dentro do espremedor de suco que trouxera consigo.
Fora um presente de casamento. Como ganhara-o de sua amiga Alice, levou-o consigo quando partiu.
— Tentem manter a conversa em um nível sensato — Billy sugeriu antes de voltar para seu filme.
Deixada sozinha com os gêmeos, Bella colocou açúcar dentro da jarra de vidro já cheia de suco de limão e água.
Não precisavam comprar água ali. Edward lhe dissera que a água que servia a casa era limpa. Também falou que Bella não era sólida como pedra, deixando implícito que a julgava uma tola.
Mexeu a bebida tanto que estava com um pouco de espuma por cima quando a colocou nos copos para as crianças.
Depois de tomar um gole, Luke fez uma careta e proclamou:
— Você faz limonada como uma garota da cidade.
— Garotas da cidade não fazem limonada. Elas compram — Bella revidou.
— Você...
Luke fez uma pausa quando uma bolha gigante formou-se em seus lábios entreabertos. Uma bolha de sabão!
Bella tarde demais percebeu que não havia tirado adequadamente o sabão da jarra quando a lavara. Tirou a limonada dos gêmeos e rapidamente esvaziou os copos na pia.
Um gole de limonada levemente ensaboada não faria mal ao garoto, certo? Nos velhos tempos, os pais costumavam lavar a boca dos filhos com sabão quando falavam palavras feias. Mas as crianças não precisavam engolir.
Deveria chamar um centro de controle de envenenamento?
Não, estava exagerando. Ele não havia bebido uma dose de sabão concentrado, apenas um pouco de resíduo dissolvido em bastante água com limão.
— Você ia até o celeiro conversar com papai sobre ele passar mais tempo Era para falar com papai e não para nos envenenar!
As palavras de Luce, ditas em tom de ultraje, foram acompanhadas por uma expressão de afronta.
— Eu não os envenenei — negou Bella, tentando não dar vazão ao assunto. Devia saber que não se formavam bolhas em uma limonada.
— Seu pai estava ocupado. Mas conversarei com ele mais tarde.
"Se não lhe der um soco antes" pensou.
— Está indo embora? — Luke perguntou, esperançoso.
— Não.
Franziu a testa enquanto fazia limonada fresca, tomando bastante cuidado ao lavar a jarra antes de usá-la novamente.
— Eu já disse que não vou embora daqui tão cedo.
— Nossa mãe foi. Está morta — Luke falou. — Ela não nos queria. Deixou-nos para trás quando éramos apenas bebês.
Suas palavras foram ditas com tamanha naturalidade que a resposta instintiva de Bella em negá-las simplesmente não saiu.
— Mas está tudo bem porque nosso papai nos quer duas vezes mais — Luce acrescentou rapidamente
— Eu posso lhes dizer que seu pai os ama muito — Bella disse com voz rouca.
— E nós o amamos muito, muito. Não precisamos de ninguém mais. Não precisamos de você aqui.
A frase desafiadora de Luce fez Bella lembrar-se de como reagira quando seus próprios pais morreram em um acidente de carro. Estivera determinada a provar que era forte o bastante para prosseguir sozinha.
Assim como os gêmeos, não achava que precisava de ajuda naquela época. E justamente como eles, estivera blefando e escondendo seus temores atrás de grosserias.
Tia Esme percebera isso e entrara na vida de Bella, ignorando suas reservas e oferecendo seu amor, calor e amizade.
Oh, sim, sabia exatamente como os gêmeos se sentiam. Podiam não querer sua presença ali, mas quase que certamente necessitavam dela.
Fale com o autor