Covered in the Colors
1 Shiny Purple Treasure
O brilho caloroso do sol de verão estava particularmente forte aquela tarde. Não que a criançada do acampamento precisasse de um motivo para pular no lago, porém aquele dia estava mais quente do que o normal. Estava tão quente que as solas dos pés de Noah queimavam a cada pulinho que ele dava para chegar ao lago.
A maior parte dos campistas estava no lago, brincando na água, se empurrando e participando dos já típicos jogos aquáticos do acampamento Lakeview Pride. Por apenas um milagre, esse ano Noah se sentia à vontade em participar, especialmente depois de tomar conhecimento de quem era sua parceira para as gincanas.
Parando a margem, Noah se preparou para dar um salto na água destinado a ser épico, quando um par de mãos o atingiu nas costas, empurrando-o na água. Noah caiu como um saco de batatas e – tão logo se recuperou do susto da queda na água – se virou para ver uma garota loura com o sorriso decorado por um aparelho ortodôntico de cor berrante que o fazia sentir arrepios na barriga.
— Pulo de bomba! – Amethyst berrou alertando-o para sair do caminho antes que fosse atropelado pelo salto da garota. Noah aplaudiu o salto, rindo e em seguida jogando agua contra sua mais recente melhor amiga e fugindo a nado para perto das outras crianças.
Amethyst riu e começou a contra-atacar, movimentando seus braços pouco bronzeados com força na água, nadando em perseguição ao garoto. Apesar das aparências, Noah já havia testemunhado no dia anterior o quão boa nadadora Amethyst era, tendo quase conquistado para eles o primeiro lugar na competição – Ficaram em quarto, por que Noah havia passado mal devido a competição de comer cachorro quente meia hora antes – não podia subestimar sua amiga de modo algum.
Noah batia os braços e pernas na água, esbarrando em outros garotos que surgiam em seu caminho enquanto – nas raras olhadas que dava para trás – podia ver Amethyst e seu olhar competitivo que quase era assustador. Eram amigos a poucas semanas e Noah já conhecia o quanto a garota podia ser competitiva quando queria. Foi numa dessas olhadas que acabou trombando e derrubando o salva-vidas do acampamento.
O dia depressa deu espaço para a noite, com a maioria das crianças do acampamento vermelhas como pimentão de tanto tomar sol e cansadas de passar o dia dentro da água. Os instrutores organizaram um jantar ao ar livre, com tudo que se espera nesses acampamentos, incluindo reunião em volta da fogueira, assar marshmallows e contar histórias de acampamento. Noah estava particularmente entediado com a repetida lenda do fantasma do lago – que era um antigo índio que escondia um tesouro no fundo do lago e assombrava os chalés a noite com seus uivos de guerra para espantar os invasores de perto do tesouro da sua tribo – que todos os anos era contada ao redor da fogueira. Em todos os verões, Noah tentou achar o tesouro, mas acabou aprendendo mais tarde que era só uma lenda. Amethyst por outro lado parecia empolgada com a estória e estava prestando atenção tanto quanto outros que estavam participando daquele acampamento pela primeira vez.
Quando todos estavam bocejando e os campistas mais velhos retornando de seus “passeios sem supervisão” na mata próxima, finalmente Noah foi para um dos chalés de madeira onde dormiam. O sono logo lhe derrubou e sonhos logo enevoaram sua mente.
Em seus sonhos, Noah se via em um oceano vasto, porem de um tom de azul brilhante e incrivelmente belo. Aguas calmas, límpidas como um céu sem nuvens. Aos poucos, sentia-se afundar, mas nem de longe parecia algo desagradável. Logo, começou a sentir cutucões pelo corpo. Primeiro foram os pés sendo cutucados, sempre direito e esquerdo. Em seguida subia para as coxas, então pulava para barriga, braços e por fim um cutucão forte na bochecha, junto de uma luz brilhante acima de si, que parecia ser o sol. Talvez aquele mar dos sonhos não fosse tão legal quanto parecia, pois algum tipo de fantasma ficava lhe cutucando.
Noah sentiu outro cutucão na bochecha e abriu os olhos, sendo cegado por uma luz forte virada diretamente contra seu rosto. O garoto se sentou rápido na cama e bateu a cabeça no beliche, porém não gritou, pois uma mão de pele macia e suave lhe tapou a boca.
A visão de Amethyst ali o encarando foi um alivio para Noah, que em um primeiro momento havia cogitado estar sendo sequestrado ou até coisa pior. A garota o encarou, seus olhos verdes intensos traziam uma sensação mista de empolgação e excitação de quebrar as regras.
— Vamos ao lago achar o tesouro. – Ela sussurrava em voz baixa. Noah esticou a mão pra cabeceira, procurando os óculos e encarou a garota.
— Não existe tesouro, Ame. Todos os anos eu procurei desde a primeira vez que ouvi essa história. Um monte de campistas mais velhos também procurou. Simplesmente não existe.
— Você está enganado. Eles procuraram errado. – Ela colocou as mãos na cintura de um modo totalmente autoritário como alguém que é dono de verdades indiscutíveis. – Eu SEI onde está o tesouro dos índios e vou mostrar pra você, por que amigos compartilham coisas, e tesouros também.
Noah começou a rir e ganhou um soquinho no braço. Por um lado, se ela soubesse mesmo onde o tesouro estava, ele queria ver, mas por outro lado, não queria um castigo gratuito por sair fora do toque de recolher.
Se Amethyst não o tivesse arrastado de pijama para fora do chalé, Noah provavelmente teria desistido, mas a garota sabia como convencê-lo. Quando percebeu, já estava a ajudando a empurrar um dos caiaques do acampamento para a água enquanto Amethyst se autopromovia ao posto de almirante capitã do barco e ele passava a ser seu remador oficial.
Enquanto Amethyst ditava as direções, cabia a Noah usar o remo para leva-los ao centro do lago. Durante todo o trajeto, Amethyst olhava para cima e para a água, como se procurasse algo.
— Aqui está ótimo, marujo. Agora olhe para a água. – Enquanto falava, Amethyst procurava se ajeitar do melhor modo possível para evitar virar o caiaque onde estavam.
Noah parou de remar e encarou a água. A princípio não parecia haver coisa alguma ali, apenas a água e o reflexo das estrelas. Noah estava prestes a dizer que não havia nada quando viu um raio luminoso e arroxeado refletir. Foi muito rápido. Noah olhou para o céu e nada viu. Quando voltou a encarar as águas calmas, viu o reflexo de mais daqueles raios brilharem.
— Olhe para cima, Noah.
Noah ergueu o olhar mais uma vez e encarou o céu, boquiaberto. Centenas daqueles curtos raios manchavam o céu por instantes, contrastando com o brilho das estrelas de uma forma que Noah só podia se permitir balbuciar algo como “incrível”.
— Vai chover?
— Não, meu pai me mostrou isso uma vez, são Elves, luzes roxas que parecem raios, tem outras cores também, mas era isso que a história falava. Francamente, só eu prestei atenção?
Noah riu. Não estava nem um pouco preocupado agora, pois estava vendo um efeito magnifico de luzes, e talvez fosse o sono, ou só o momento, mas Amethyst estava parecendo muito bonita, quase como uma deusa do lago.
Fale com o autor