Covenant of Risk
11 Shadows Everywhere - Parte 2
Notas iniciais
Assim que acordei eu me arrumei e fui até o apartamento da Ally para que pudéssemos ir juntas à escola. Na escola, eu fiquei muito ocupada com a apresentação do trabalho de história. Estava tudo praticamente perfeito quando eu fui mostrar os slides da apresentação, tudo o que apareceu foi um vídeo em que eu estava tentando esganar a Riley naquela festa de halloween. Olhei para a porta envergonhada e vi a dita cuja olhando para dentro da sala e rindo.
SERÁ POSSÍVEL QUE NEM ESTANDO UM ANO ADIANTADA EU ME LIVRO DAQUELA PRAGA?
E eu nem revidaria se fosse algum tipo de ataque, agora, NINGUÉM ME FAZ TIRAR NOTA RUIM E SAI IMPUNE! NINGUÉM!
AQUILO IA TER VOLTA!
Na hora que eu ia me reunir com o Grupo de Ciências eu notei que provavelmente a Riley deveria estar treinando na equipe de dança, aquela poderia ser a oportunidade perfeita. Eu fingi não estar me sentindo bem e consegui que me deixassem ir ao banheiro, me senti culpada por ter mentindo para eles, mas o que a Riley fez era imperdoável.
Fui até a quadra onde a Riley e o resto da equipe de dança iam treinar. Antes do treino elas foram até o vestiário e algumas teriam que tomar banho.
A Riley foi a última a tomar banho, o que por consequência a tornaria a última a sair do banheiro. O plano era bem simples, pegar qualquer roupa que ela pudesse vestir depois de sair do banho e sumir com elas, assim ela não poderia sair de lá e não poderia treinar.
Por um momento, eu até pensei em desistir. Não sei por qual razão, talvez um choque de consciência. Eu realmente pensei em desistir e deixar por aquilo mesmo. Quando eu ia colocar a roupa da Riley de volta no lugar, ela saiu do banho e me viu lá.
— O que você está fazendo aqui? — A Riley me surpreendeu.
— Sabe, eu estava pensando em não ser tão cruel e deixar isso para lá, mas mudei de ideia — eu respondi e saí correndo segurando as roupas dela, enquanto ela ficou lá no vestuário enrolada na toalha. Quando eu já havia saído do vestuário, me surpreendi com a Riley enrolada na toalha e correndo atrás de mim. Ela é mais determinada do que eu havia imaginado.
— Kat, eu vou te matar! — A Riley gritou comigo enquanto corria atrás de mim, mesmo me sentindo bem na hora, eu estava sentindo algo esquisito, sei lá, eu meio que estava indo contra todos os meus princípios, na hora eu não pude pensar muito nisso por estar sendo perseguida pela Riley, mas sei lá, eu me senti meio mal por ela.
Enfim, a perseguição durou até que chegamos a um corredor cheio de gente, daí a Riley percebeu que estava apenas de toalha na frente de quase toda a escola. Todos começaram a rir da Riley enquanto eu sentia um misto de orgulho e culpa. De repente a diretora passou no meio de todos e as risadas cessaram, ela olhou para mim e para a Riley com uma cara bem séria, nós estávamos completamente ferradas.
A inspetora tomou as roupas da minha mão e as devolveu para Riley.
— Você, vá se vestir e depois me encontre na diretoria — a diretora disse para a Riley e em seguida olhou para mim. — E você, você vem comigo!
A diretora me levou até a sala dela e ficamos esperando pela Riley, quando ela chegou, finalmente a diretora começou a dar o sermão.
— Vocês têm alguma ideia do que fizeram? — A diretora questionou enquanto continuávamos caladas. — Você Kat, eu ainda me lembro do que você fez no semestre passado, achei que tinha tomado jeito, mas aparentemente, eu estava errada. Enquanto à você Riley, você sempre foi uma boa aluna, eu esperava mais de você.
— Mas ela pegou as minhas roupas e saiu correndo, eu sou a vítima! — A Riley argumentou.
— Você sabotou o meu trabalho de história — eu argumentei e percebi que aquilo havia sido um pouco idiota.
— Precisava me deixar pelada na frente da escola inteira? — A Riley questionou.
— Primeiro, você não estava pelada, tinha uma toalha tampando tudo e segundo, não era para você ter saído correndo atrás de mim, era para ter ficado quieta no banheiro e perdido o treino — eu expliquei.
— E como isso poderia amenizar as coisas? — Ela questionou.
— Hey, você me deixou bêbada naquela festa e vem implicando gratuitamente comigo há meses — eu argumentei.
— Foi você que começou! — A Riley respondeu.
— Ei, eu só te respondi a altura, ok? Eu não sou do tipo que aguenta as coisas calada — eu respondi.
— Se você fosse menos vadia eu não teria te chamado de Puta Vermelha — ela respondeu, quer saber de uma coisa, foda-se o arrependimento, foi bem feito para ela!
— O que eu visto não te dá o direito de me insultar! — Eu respondi.
— Chega! — A diretora gritou parando a discussão. — Não interessa a razão ou quem começou! Kat, você jamais deveria ter feito isso e Riley, deveria ter agido com mais descrição — e o prêmio da mais machista vai para… — Enfim, por essa ser a primeira vez que faz algo assim Riley, você apenas ficará na detenção hoje, quanto a você Kat, receberá o mesmo castigo, tem sorte de estar na FGI ou seria expulsão na certa. Espero que as duas aprendam. Agora saiam da minha sala.
E assim aconteceu, eu e a Riley passamos o resto das aulas na detenção, e como erámos as únicas lá e a professora nem estava se importando com a nossa existência, era como se estivéssemos sozinhas.
— Se está achando que eu vou pedir desculpas, é melhor continuar esperando — eu disse para aquela sonsa.
“Se você fosse menos vadia…” Tem que ser muito babaca para dizer isso. Quem a Riley pensa que é para ditar o que eu tenho e o que eu não tenho que fazer para não ser uma vadia. As pessoas são muito chatas, principalmente pelo jeito que tratam as mulheres. “Nossa, você é legal, inteligente e tudo o mais, mas não faça isso, isso e isso ou diremos que você é uma vadia e te condenaremos por isso”
Uma mulher não pode fazer o que quer porque tem sempre um chato que se irrita. Eu nunca vou entender isso!
— O que foi que eu te fiz? — A Riley questionou, é sério isso? Até parece que ela é a vitima da história e eu sou a bruxa má, tudo bem que eu humilhei ela na frente de toda a escola, não era a minha intenção, mas aconteceu. Mas poxa, já faz meses que ela vem implicando gratuitamente comigo, ou eu aguentava calada ou eu respondia a altura e para ser sincera, não sou muito boa em aguentar calada.
— Começa com a sua implicância gratuíta e continua em nossas divergências de ideias — eu respondi e ela começou a me olhar confusa, não sei se ela apenas estava pensando ou se não tinha entendido o que eu disse.
— Não precisava me humilhar na frente de toda a escola — a Riley respondeu, eu até ficaria com pena dela, mas não fiquei.
— Há um monte de coisas que você não precisava ter feito, implicar comigo gratuitamente e me embebedar são algumas delas — eu respondi.
— Você bebeu porque quis, não foi culpa minha se você aceitou o desafio — aquilo me deixou um pouco confusa. Eu não concordava totalmente, mas havia um certo ponto de razão ali.
— Você me desafiou, esse é meio que o meu ponto fraco — isso Kat, sua “Hinteligente” com H maiúsculo e gigante, diga a sua inimiga o seu ponto fraco! O que pode dar errado?
— É um ponto fraco meio estranho — ela comentou e eu tive de concordar.
— Pontos fracos são estranhos — eu rebati. — Você nunca leu uma HQ na vida? Ou viu um desenho animado?
— Talvez eu tenha sido um pouquinho idiota as vezes! — Um pouquinho Riley? UM POUQUINHO? TEM CERTEZA?
— Sim, é claro, só um pouquinho, nada demais — eu ironizei.
— Me deixar apenas de toalha na frente da escola toda foi realmente uma atitude muito madura — ela também ironizou.
— Sim, eu fui um pouco infantil…
— Um pouco? — Aquela idiota me interrompeu.
— Ei, quem aqui sabotou o trabalho de história de alguém que nem está mais nas mesmas turmas que você, mesmo? — Eu questionei, ela havia sido tão infantil quanto eu, isso é fato!
— É só um trabalho de história, não precisava levar tão a sério — a Riley tentou amenizar, mas fracassou feio. Só um trabalho de história? SÓ UM TRABALHO DE HISTÓRIA?
SÓ UM TRABALHO DE HISTÓRIA ONDE EU TIREI UMA NOTA RUIM! SÓ ISSO!
— Só um trabalho de história em que eu tirei uma nota ruim! — Eu gritei, por um momento, a professora encarou a mim e a Riley e ficamos quietas até que a professora voltasse a ler o livro dela.
— É só uma nota ruim em um mar de notas boas, fica calma — a Riley tentou acalmar, mas definitivamente, ela é péssima nisso.
— É uma pequena mancha que pode fazer toda diferença no futuro! — Espero que agora, aquela sonsa tenha entendido.
— Ah sim, claro, como se ninguém tivesse gravado aquilo no corredor, eu provavelmente sou piada no twitter agora — quanto a isso. Realmente, não dá para discordar, ela está certa, talvez eu deva me sentir um pouco mal por isso.
— Quanto a isso, me desculpe, quanto ao resto, nem em mil anos eu te pedirei desculpas — Justo! Justissimo!
— Me desculpe, pronto, podemos acabar com isso logo de uma vez? — Isso realmente aconteceu? A Riley me pediu desculpas. Uau, isso é meio…. Hã… Surpreendente. Eu não esperava por essa. Riley me pediu desculpas. É UM MILAGRE.
— Me desculpa por ter exagerado as vezes, mas não me desculpo pelas vezes em que eu apenas me defendi — agora estamos quites!
— Tudo bem, já é um começo — começo de quê? Da nossa convivência em um nível tolerável? Quer saber, deixa para lá. Já estou cansada de brigar com a Riley, é sempre a mesma coisa. Nós brigamos tanto que até esqueci o porque disso.
— Espera um pouco, já notou que estamos nessa há meses? — Eu questionei. — Quer dizer, desde os meus primeiros dias de aula nós temos respondido ofensas, no entanto, não estamos brigando por causa de alguma coisa, sei lá, estamos parecendo duas crianças que pegaram birra uma da outra.
— É, tenho que concordar, estamos brigando sem nenhuma razão aparente — WOW! Eu e a Riley concordamos em algo. Outro milagre!
— Quer dizer, geralmente, pessoas brigam por alguma coisa, mesmo que seja algo estúpido, no entanto não estamos brigando por nada e pior, estamos nos rebaixando apenas para vermos quem está certa, e no final, estamos as duas erradas — quem precisa de terapia quando tem o meu raciocínio? — Nós somos mulheres, temos alguns gostos parecidos, estudamos no mesmo colégio, não temos muitos motivos para brigarmos.
— É, você tá certa — ela concordou. — Nós podemos ser amigas ao invés de brigarmos.
— Não necessariamente amigas, mas, não precisamos ser inimigas, certo? — Percebi que talvez, eu e a Riley pudéssemos viver pacificamente.
— Sim — ela respondeu. — Então, sem brigas a partir de agora, certo?
— Certo — sem brigas, nem implicâncias. Esse dia finalmente chegou.
— Enfim, agora que nos damos bem, já notou que estamos sentadas aqui feito idiotas, enquanto ela nem está prestando atenção na gente? — Ela perguntou e eu percebi, que realmente, a professora nem estava se importando com a gente, tivemos toda aquela discussão e ela continuou lendo aquele livro.
— Agora eu notei — eu respondi.
— Talvez não precisemos ficar aqui — a Riley disse sugerindo que saíssemos da sala.
— Você não está sugerindo para sairmos escondidas, está? — Era óbvio que ela estava sugerindo isso, mas eu precisava ter certeza, porque de todas as pessoas naquele colégio, eu com certeza jamais esperaria que logo a Riley sugerisse aquilo.
— Por quê? Resolveu virar a senhorita certinha agora? — A Riley questionou.
— Não, é só que nunca esperei que logo você teria uma ideia dessas — eu expliquei. — Sem ofensas.
— Por quê? — Ela perguntou.
— Eu não sei como explicar — eu respondi. — Mas enfim, nós vamos mesmo sair da sala?
— Eu não sei você, mas eu vou — a Riley se parecia comigo falando aquilo. Isso é meio assustador.
— Espera um pouco — eu levantei e cheguei perto da mesa da professora. — Podemos sair? — A professora nem notou que eu estava lá e continuou lendo aquele livro. Então eu fui até a mesa da Riley que se levantou. — Agora nós temos autorização.
Após sairmos da sala, ficamos conversando até encontrarmos a Ally. Ela parecia surpresa quando viu eu e a Riley nos dando bem. Eu entendo, se eu fosse ela também ficaria surpresa, na verdade, eu ainda estou surpresa.
— O que está acontecendo? — A Ally perguntou confusa..
— Eu e a Kat somos amigas agora — a Riley explicou.
— O quê? — Pobre Ally, parecia completamente perdida, aquilo parecia bem cômico.
— Percebemos que temos mais motivos para sermos amigas do que inimigas, então deixamos todas as nossas rixas de lado — eu respondi.
— E vocês fizeram isso em menos de três horas? — Ok, falando assim, é estranho mesmo.
— Sim — eu respondi. — Ela tem bom gosto e gosto do cabelo dela. Além dela ser uma ótima dançarina.
— E ela é alta, fala um monte de idiomas que eu nem sabia que existiam e é a pessoa mais inteligente que eu já conheci — a Riley completou e eu fiquei surpresa.
— Eu sou? — A Kat perguntou.
— Você levou a nossa escola para a FGI, então sim, você é — a Riley completou.
— Enfim, temos mais motivos para sermos amigas do que para brigarmos — virei uma hippie pacifista.
— Então vocês são mesmo amigas? Tipo de verdade, verdade mesmo? Sem armação ou pegadinha, certo? — A Ally perguntou.
— Sim Ally, nós viramos amigas — eu respondi..
— É sério mesmo, né? — Eu segurei a risada, mas que estava engraçado a Aly toda confusa, estava..
— Sim Ally, é sério! — Eu respondi..
Depois das aulas acabarem, eu me despedi da Riley e fui embora com a Ally para o apartamento dela, ok, confesso que se eu pudesse, eu moraria com a Ally, a tia dela quase não está lá porque fica trabalhando, mas quando está é uma pessoa legal, fora que gosto mais do apartamento dela do que da minha casa, porque pelo menos lá eu me sinto bem. Quando chegamos lá, nós lanchamos e a Amy e a Carrie foram até lá, está meio estranho como elas se reaproximaram ultimamente, eu não sei porque, mas acho que elas estão aprontando alguma.
E para comprovar a minha teoria de que elas estão aprontando, assim que eu falei da FGI, a Amy mostrou um interesse repentino. Aquilo estava estranho.
— Bem que eu queria ir — a Amy fez uma carinha de coitada, aquilo não me enganava, mas fiquei admirada pela iniciativa e resolvi fingir que caí naquilo.
— Sabe, eu posso levar três pessoas comigo, e como a Ally já vai como convidada da Escola por causa do jornal e eu com certeza não vou levar os meus pais, talvez eu possa levar você e a Carrie — eu disse de maneira conveniente para ver qual seria a reação dela, aquilo era mesmo verdade e não acharia nada mal levar a Amy e a Carrie, na verdade, se elas tivessem me pedido logo de uma vez ao invés de fazerem aquele joguinho, eu ia levar elas de qualquer forma, mas eu queria ver onde elas chegariam com aquele joguinho, então me fingi de tonta.
— Sério? — Ela fingiu surpresa tão bem, que eu quase acreditei..
— Sim, mas como vocês são crianças e eu e os outros somos menores de idade, provavelmente o pai de vocês terá que ir com a gente e ocupar a terceira vaga — eu expliquei.
— Ok, depois você me ajuda a convencê-lo? — Ela pediu, bem, precisavamos de alguém maior de idade que não fosse um dos nossos professores para o caso de algo acontecer e o Josh parecia perfeito.
— Eu vou tentar — eu respondi, o Josh fazia de tudo pela Amy, então era óbvio que ele ia deixar. De repente, a Ally e a Carrie saíram assustadas da cozinha, como se tivessem descoberto que o mundo explodiria em um minuto. — O que aconteceu?
— Apenas ouçam — a Ally colocou o celular dela no viva-voz.
— Olá! — Uma garota disse do outro lado da ligação. Shadow, sua filha da puta!
— O que você quer? — Aquela doida havia sumido por um mês e agora liga do nada. Sério, qual é o problema dela com a gente?
— Nossa Kat, sabia que stress faz mal? — Ter uma faca perfurando os seus belos olhinhos também não faz muito bem a saúde, no entanto eu estou cogitando seriamente fazer isso com você. Criatura irritante!
— Fala logo o que você quer! — A Carrie insistiu.
— É simples, resolvam o enigma e me encontrem — é sério isso Mestre dos Magos?
— Que enigma? — A Amy perguntou.
— O lugar onde a Ally colocou uma arma na cabeça do passado e a invenção da Kat quase não foi o suficiente para salvar a Amy — em seguida ela desligou a ligação. Eu fiquei confusa quanto aquilo, eu entendi a parte do Soldado Invernal, mas não a da Amy quase ter morrido.
— Acho que a resposta para esse enigma é bem óbvia — a Amy concluiu, eu pensei que ela estava falando daquele prédio abandonado em que quase fomos mortas pelo Soldado Invernal, no entanto eu estava em dúvida se era isso mesmo, mas aí elas explicaram e eu entendi..
Fomos até o tal prédio abandonado e fomos andando sem rumo por lá até encontrarmos um cartaz com os escritos:
Andar 21 – Sala 2
— Acha que é para irmos lá? — A Ally perguntou.
— Eu não me lembro desse cartaz na última vez que estivemos aqui, então é provável que sim — a Carrie respondeu e então subimos as escadas até chegarmos ao vigésimo primeiro andar. Chegando lá, nós fomos até a tal sala dois e quando entramos não havia ninguém lá. Não havia nada lá, a sala estava completamente vazia, a Shadow havia nos feito de otárias.
— Merda! — A Amy gritou.
— Qual o objetivo disso tudo? — A Ally não conseguia entender aquilo.
— Nos deixar ainda mais doidas do que já somos! — Cara, essa Shadow me irrita bastante. Qual é o problema dela? Sete bilhões de pessoas no planeta e ela resolve incomodar logo nós?
— Legal, estamos andando em círculos em um jogo no qual não sabemos merda nenhuma, tudo porque uma doida cismou com uma equipe que nem temos mais, ou temos, sei lá! — A Amy desabafou.
— Então, vocês são as heroínas de Seattle? — O Roger simplesmente apareceu, valeu Amy, estamos ferradas por sua causa! Lá se vai a nossa identidade secreta.
— Roger? — Nós quatro perguntamos juntas sem saber o que diabos estava acontecendo.
— O que você está fazendo aqui? — A Ally questionou.
— Agora tudo faz sentido! Vocês estavam na lanchonete na primeira aparição delas, quer dizer, na de vocês. E ainda teve aquela conversa da Ally de dar cobertura as amigas. Até mesmo o cabelo da Kat e a personalidade da Carrie deixavam tudo óbvio! Como eu não vi? — Lembrete para a vida: nunca mais deixar a Ally nos dar cobertura.
— Sempre achei que se alguém nos descobrisse, seria por causa do cabelo da Kat — é mesmo Carrie? Pena que ninguém te perguntou!
— Isso ainda não explica como veio parar aqui — eu intervi e do nada a Bianca entrou lá, agora, o que a Bianca tem a ver com isso, eu não faço a menor ideia.
— Bianca, o que você está fazendo aqui? — A Ally perguntou bastante confusa.
— O que todos vocês estão fazendo aqui? — A Bianca perguntou, mas o que ela estava fazendo lá?
— Meu deus, quanto drama! — A Shadow apareceu do nada fazendo jus ao apelido Mestre dos Magos.
— Tá de brincadeira, né? — A Carrie disse exatamente o que eu ia dizer.
— Na verdade, eu não estou — A Shadow respondeu.
— Ok, o que está acontecendo aqui? — A Bianca perguntou.
— Vou agilizar a conversa, Roger, Bianca, essas são as tais ‘Heroínas de Seattle’ — Obrigada Shadow, mais uma que sabe as nossas identidades secretas. — Heroínas de Seattle, sei que odeiam esse nome, então sugiro arrumem um melhor, mas enfim, a garota que estão vendo ali, é a tal heroína sem nome que vem agindo em Seattle, ou como ela gosta de se chamar, ‘Fortis’
Ah, isso explica o que ela estava fazendo lá. ESPERA UM POUCO! A BIANCA ERA AQUELA GAROTA FODA DO RESTAURANTE?
— Espera! Você é a garota do restaurante? — A Amy não parecia acreditar.
— Eu sou sua fã! — EU ESTUDO NA MESMA ESCOLA QUE ELA! QUE LEGAL!.
— Qual é o motivo disso tudo? — A Ally questionou. —Por que nos trouxe aqui? Que jogo é esse? E o que a Bianca tem a ver com isso?
— Vocês querem mesmo todas essas respostas? — A Shadow perguntou.
— Não parece óbvio, Mestre dos Magos? — Eu questionei.
— Aliás, cadê a sua guarda-costas, a doida que tentou nos matar? — A Carrie questionou e e verdade, cadê aquela doida que tentou nos matar?
— Primeiro, eu não preciso de um guarda-costas e segundo, a Amanda não precisa andar comigo o tempo todo — ou a sociopata estava apenas esperando para nos matar.
— Dá para falar logo o que você quer? — Eu pedi.
— Todos aqui, menos a Bianca, já devem estar familiarizados com os PRODÍGIOS, que no caso Bianca, os PRODÍGIOS são uma organização que sequestra crianças, as torturam e transformam e mini soldadinhos malignos — A Shadow explicou de uma maneira bem light, só que não.
— E o quer que façamos? — O Roger questionou.
~*~
Fazia meses que Shadow planejava aquilo, não daquela maneira, mas a essência era a mesma, colocar todas as peças necessárias em seus devidos lugares. Ela planejava destruir os PRODÍGIOS há tempos, ela não sabia o direito a razão de estar fazendo aquilo, mas sabia que se o fizesse poderia se lembrar de pelo menos um pequeno fragmento do que era, como aprendeu todas aquelas habilidades. Mas não seria uma missão fácil.
Por mais habilidosa que fosse, ela jamais conseguiria derrubar toda uma organização sozinha. Então ela se infiltrou de todos os lados sem ser vista, S.H.I.E.L.D., PRODÍGIOS, redes de tráfico humano, quadrilhas, ela precisava saber todos os detalhes. Ela nunca ficava tempo o suficiente para ser notada, essa era a habilidade da Shadow, notar sem ser notada.
Depois de reunir todas as informações, ela começou a pensar em um plano, e convenientemente, por um golpe do destino, ela soube sobre o recente surgimento das heroínas de Seattle, elas não eram bem as melhores aliadas que alguém pode ter, mas eram os peões perfeitos. Não demorou muito tempo para a Shadow descobrir o verdadeiro nome de cada uma delas, as garotas eram tão descuidadas que não foi muito dificil para Shadow descobrir quem elas eram e tudo o que faziam.
Shadow passou a vigia-las e a testa-las, ela ia quase todos os dias na escola da Ally e da Kat, ela se passava por aluna, entrava e saía facilmente, além de roubar armários completamente aleatórios, em uma tentativa de deixar uma mensagem ou chamar a atenção delas, mas nenhuma das garotas pensou em nenhum momento em procurar saber o que estava acontecendo.
Além das Heroínas de Seattle, haviam também Roger, Denise e Anastasia. Roger era um blogueiro do Liberdade Sem Fronteiras que teve a identidade exposta após irritar o próprio Tony Stark, na versão de todos, o vazamento da identidade do Roger havia sido apenas um descuido, mas não havia sido dificil para Shadow descobrir que Tony Stark ou alguém em nome dele havia vazado a identidade do Roger como represália pelo vazamento de alguns documentos antigos das Indústrias Stark que os ligavam a várias violações de direitos humanos durante décadas.
Shadow de uma maneira que não fosse notada, deu a Roger uma pista que os levou até os PRODÍGIOS, e ela sabia que como o jornalista que era, Roger com certeza iria querer investigar aquilo e ele acabou pedindo ajuda a Denise que conseguiu achar alguns documentos.
E ainda havia a Anastasia, Shadow achava que ela estava morta, e depois de um bom tempo nas sombras, ela acabou descobrindo toda a verdade sobre a “morte” da Anastasia, sobre o disfarce dela em Seattle, a necessidade dela estar sempre de olho em Carrie, por causa do pai da menina, e em Roger, por causa do que ele estava investigando.
Mas para Shadow, a Anastasia era uma carta na manga, que ela deveria apenas ficar de olho e usar quando fosse a hora certa, afinal, não há ninguém mais útil para derrubar uma organização do que a pessoa que mais anseia por isso, e nesse caso, era a Anastasia.
Mas as coisas se complicaram quando os PRODÍGIOS começaram a se irritar quando os seus líderes começaram a ser mortos por uma pessoa na qual não conseguiam saber nada. E para piorar, eles perceberam que o Roger e a Denise estavam os investigando e então aqueles por trás dos PRODÍGIOS mandaram o Soldado Invernal para fazer a “limpeza” e Shadow teve que se esconder para que não fosse notada e virasse um alvo.
Denise foi morta, Roger quase perdeu os arquivos da investigação, mas por sorte, a Anastasia também estava de olho na investigação dele e fez uma cópia e conseguiu entrega-la ao jornalista que dessa vez começou a ser mais discreto quanto a investigação. E ainda haviam a Ally, a Kat, a Carrie e a Amy, que haviam tido mais conhecimento sobre os PRODÍGIOS.
Após isso, Shadow voltou para as Sombras e repensou seus planos enquanto continuava de olho naqueles que considerava as peças do jogo. E nesse meio tempo a mãe da Carrie acabou morrendo e Shadow pela primeira vez acabou tendo contato direto com uma das garotas, quando ela e Kat conversaram por alguns segundos no velório da Emily.
E após o ocorrido entre a Anastasia e a Amanda em que a segunda largou os PRODÍGIOS, Shadow pensou bastante sobre onde a Amanda poderia se encaixar no plano, ela não era a prodígio mais útil de todas, mas ainda poderia ser útil, fora que Shadow sabia que Amanda era bem mais frágil que a Anastasia e ela poderia usar aquilo a seu favor.
Então ela salvou a Amanda de ser morta pelos PRODÍGIOS e a fez ficar do seu lado. Shadow decidiu incluir a Bianca bem tardiamente no plano após descobrir sobre as atividades dela em Seattle e Nova Iorque, aquilo era bem útil.
Agora com todas as peças em seus lugares, ela precisava reuni-las e fazê-las cooperar. Primeiro, ela se revelou para a Kat, a Ally, a Amy e a Carrie, para que essas voltassem com a equipe. Após isso, ela esperou passar por volta de um mês para que reunisse todos.
Para começar, ela ligou para o Roger um pouco antes de ligar para as garotas.
— Alô? — Roger disse ao atender o celular.
— Você está com uma camiseta branca, calça jeans e agora está olhando assustado para a janela — ao ouvir aquilo, Roger começou a procurar por algo que servisse como uma arma. — E agora você provavelmente deve estar procurando algo para se defender, uma dica, facas não desviam balas.
— O que você quer? — Roger perguntou assustado.
— Preciso que me encontre no mesmo lugar que deveria encontrar a Harriet sei-lá-o-quê. Tenho quase certeza que o sobrenome dela era Hornet — Shadow explicou.
— Como vou saber que isso não é uma armadilha para que você me mate? — Roger questionou.
— Acredite, se eu quisesse te matar, eu o faria agora e ainda faria parecer um acidente — Shadow respondeu. — Afinal, acidentes domésticos são bastante comuns.
— Eu…
— Até mais! — Shadow desligou a ligação e em seguida ligou para Ally, Kat, Amy e Carrie e após isso, ela mandou as mensagens para a Bianca. Quando todos se reuniram, eles discutiram bastante antes de Shadow explicar todo o plano, ela omitiu as partes sobre a Anastasia, mas revelou como havia feito o Roger investigar os PRODÍGIOS, que estava vigiando a Ally, a Kat, a Amy, a Carrie e a Bianca, e que planejava derrubar os PRODÍGIOS.
— Ok… Acho que entendi o lance todo da conspiração, mas onde é que nos encaixamos? — Kat questionou confusa.
— Quer dizer, até dá para entender onde o Roger se encaixa ou a Bianca já que ela luta bem, mas nós? — Ally se referia a ela e a Kat, a Amy e a Carrie. — Nós nem somos, ou éramos, heroínas muito boas, talvez a Carrie seja útil, ou a Kat, mas eu e a Amy? A Amy não é uma hacker muito extraordinária e eu… Eu não tenho nada de especial.
— Vocês se subestimam demais — Shadow comentou.
— Mas em um ponto elas tem razão, qual é o papel de todos nós nisso? — Roger questionou.
— Roger é a imprensa, enquanto as outras é porque eu preciso de uma distração para eles — Shadow explicou deixando todos mais confusos. — Eu quero derrubar os PRODÍGIOS, mas isso só será possível se eles forem completamente expostos, mas além da parte jornalistica, ainda há a parte em que precisamos desarticula-los antes que possam fazer uma transferência e encobrirem tudo, mas para isso, precisarei de uma distração e é ai que entram as Heroínas de Seattle e a Fortis, vocês interceptam o principal carregamento deles e chama atenção o suficiente para que não possam me ver chegando.
— Carregamento? — Ally perguntou confusa.
— Uma vez de meses em meses, chegam crianças novas em um aeroporto particular deles, em seguida eles colocam as crianças em um caminhão e as levam até a base principal — Shadow explicou. Estamos falando de doidos que sequestram criancinhas e as transformam em assassinas treinadas e sem sentimentos, não se esqueçam disso.
— Isso parece um pouco com aquele antigo projeto soviético, o Viúva Negra — Roger comentou.
— É porque um inspirou o surgimento do outro — Shadow explicou.
— Sempre achei que Viúva Negra fosse aquela mulher que está nos Vingadores — Bianca comentou.
— E até algum tempo atrás, para mim isso era o nome de uma aranha — Kat completou.
— Então, só para entender, você quer que resgatemos as crianças? — Ally perguntou.
— Sim, finalmente vocês entenderam! — Shadow respondeu.
— Só uma coisa: como você espera que consigamos resgatar crianças, lutar contra soldados provavelmente muito bem treinados e ainda armar toda uma estratégia para interceptar o tal caminhão e é claro, sem chamar atenção? Ally questionou.
— Vocês sobreviveram ao Soldado Invernal, isso não vai ser tão difícil — Shadow respondeu.
— Nós demos sorte naquela vez, não dá para contar com a sorte sempre — Ally argumentou.
— Bem, a Kat é um gênio da ciência e pode ajudar com o dinheiro, a Carrie é uma mini ninja esquisita, a Amy é uma hacker, mediana, você, Ally, provavelmente arrumarão uma função para você, a Bianca pode treina-las e o Roger pode conseguir todas as informações que precisarem — Shadow explicou. — Mas são vocês quem escolhem, se seguem o lógico e seguro e não resgatarão aquelas crianças, ou se escolhem o ético e arriscado e as salvam.
— Chantagem emocional não é legal — Kat comentou.
— Teoricamente, não é uma chantagem emocional — Shadow respondeu.
— Se, hipoteticamente, em uma hipótese, nós aceitássemos, qual seria o plano? — Carrie perguntou considerando a hipótese de aceitar aquilo.
— Vocês planejarão e treinarão para salvar aquelas crianças e no dia marcado vocês colocam o plano em ação e quando terminarem, me avisarão para que eu entre com a minha parte do plano — Shadow explicou.
— E como faríamos para te avisar? — Bianca questionou.
— Na hora certa vocês saberão — Shadow respondeu. — Estão todos de acordo.
Todos ainda estavam bastante hesitantes quanto aquilo, não parecia uma boa ideia, mas o fato de haver crianças inocentes envolvidas os deixavam em dúvida.
— Pensem nas crianças — Shadow estava manipulando eles usando os sentimentos deles para que aceitassem e estava funcionando.
— Você pode garantir que nenhum de nós morrerá? — Ally questionou.
— Eu não posso garantir isso, mas posso garantir que no final do dia vocês saberão que estão fazendo a coisa certa — Shadow respondeu e então todos entreolharam-se e olharam para Shadow com um olhar bastante significativo. — Acho que isso é um sim, enfim, aguardem por mais instruções. — Shadow disse ao sair da sala e deixar os outros seis jovens lá, completamente confusos. Ela se encontrou com Amanda ao sair do prédio que logo notou o quanto Shadow estava confiante.
— Pelo visto você conseguiu — Amanda comentou.
— E não foi muito difícil — Shadow respondeu.
— Eu realmente achei que eles não aceitariam, por mais persuasiva que fosse — Amanda respondeu.
— Você só não contava que eu usaria uma das táticas de manipulação mais usadas e eficientes que existem — Shadow respondeu. — Induzir alguém a fazer algo manipulando as emoções do indivíduo, até os PRODÍGIOS a usam com as crianças.
— Isso não funcionaria mais em mim — Amanda respondeu.
— Nem em você e nem na Anastasia que aprenderam a burlar isso, mas funcionaria em qualquer pessoa comum — Shadow respondeu.
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