Covenant of Risk
15 Cartas na Mesa
Notas iniciais
Final do semestre, dia da cerimônia de formatura para Ally e Kat. As duas estavam bastante animadas com isso, mesmo que significasse que em breve cada uma tomaria um caminho diferente. Aquele era o dia em que o resto da vida delas começariam. Era animador e ao mesmo tempo assustador. Após pegarem seus diplomas e tirarem fotos, os formando se sentaram em algumas cadeiras e ouviram o discurso da oradora da turma que se chama Milicent Fisher.
— Hoje acaba um ciclo que provavelmente começou há mais de dez anos atrás. O fim de um ciclo e o começo de um novo completamente diferente. É praticamente uma vida acabando para uma nova começar. Os amigos que fizemos, há aqueles que levaremos para o resto da vida, e aqueles que provavelmente nunca mais veremos. Coisas que fizemos influenciarão nos restos de nossas vidas, e as coisas que deixamos de fazer também. Não será mais a mesma vida, e não seremos mais os mesmos. Mas, este ainda é o último dia, podemos usá-lo para nos despedirmos dessa vida que fica para trás, podemos usá-lo para nos prepararmos para essa nova vida, ou para os dois, por que não? De qualquer forma, é o último dia de algo para todos nós, então tudo o que eu tenho a dizer é que aproveitem-no, antes de entrarem em um estranho mundo novo.
Após isso, os alunos aplaudiram Milicent e em seguida eles foram se encontrar com seus pais, familiares e amigos fora da plateia e Ally e Kat foram se encontrar com a tia de Ally e com o Josh que tinha levado a Amy e a Carrie para verem a formatura.
— Alyssa, estou tão orgulhosa de você! — Ally foi abraçada pela tia. — Nem acredito que você vai para Stanford. — Ela desfez o abraço.
— Nem eu, estava tão nervosa na entrevista — Ally comentou sobre a entrevista que teve que fazer semanas antes para ir para Stanford.
— Você cresceu tão rápido — a tia de Ally comentou com lágrimas de felicidade nos olhos.
— Eu estava pensando, bem que podíamos sair para comer alguma coisa — Kat sugeriu.
— Nachos — Carrie sugeriu.
— Ou bolo com sorvete — Amy também sugeriu.
— Milk-Shake com batatas fritas seria legal — Ally comentou.
— Isso, se você deixar, papai — Amy olhou para Josh que não queria deixar porque a Amy e a Carrie ainda estavam de castigo, mas ele se lembrou que provavelmente eram os últimos dias de Ally e Kat na cidade, e provavelmente Amy e Carrie iriam querer aproveita-los.
— Podem, mas ainda estão de castigo — Josh avisou.
— Obrigada papai! — Amy abraçou Josh.
— Prove que posso confiar em você novamente — Josh pediu antes de desfazer o abraço.
— Provarei, prometo — Amy prometeu e saiu com Carrie, Kat e Ally. Elas foram a uma lanchonete perto dali onde se sentaram em uma mesa ao lado da vitrine de vidro.
— O que vão querer? — Uma garçonete perguntou.
— Nachos — Carrie pediu.
— Bolo com sorvete — Amy pediu.
— Batata frita e Milk-Shake — Ally pediu.
— Um cheeseburger e um Milk-Shake — Kat pediu e a garçonete se afastou após anotar os pedidos. — Esse lugar me traz uma sensação de nostalgia. — Kat comentou se lembrando daquela confusão de quando elas salvaram um restaurante de um assalto.
— Não é o mesmo lugar — Ally lembrou.
— Mas é parecido — Carrie notou.
— O que teria acontecido se nunca tivéssemos ido lá? — Ally se questionou ao perceber que tudo o que aconteceu depois daquilo, eram, de certa forma, consequências daquele ato.
— De um lado, nossas vidas estariam mais simples, porque não estaríamos participando do plano da Shadow — Kat respondeu. — Por outro lado, não saberíamos o que teria acontecido com aquela menina sequestrada, o Roger poderia ter sido morto pela falsa Harriet e eu provavelmente ainda estaria morando com... Você sabe quem. — Kat se referia aquela que por anos, ela achou que fosse a família dela.
— Sobre o Roger, moramos no mesmo prédio, então talvez nós ainda teríamos nos conhecido e talvez eu ainda teria o desviado do tiro — Ally disse.
— Sim, mas provavelmente não teríamos formado a equipe, e logo não estaríamos naquele prédio quando o Roger se encontrou com a falsa Harriet, e ele provavelmente teria morrido — Kat explicou.
— Verdade — Amy concordou. — Mas talvez o encapuzado tivesse salvo o Roger.
— Ou teria morrido junto — Carrie interviu.
— De qualquer forma, é uma linha do tempo alternativa, provavelmente, se a teoria do multiverso for real, será um universo alternativo — Kat disse. — De qualquer forma, as coisas seriam muito diferentes.
A garçonete passou por ali e entregou os pedidos delas e Kat entregou a gorjeta a garçonete que agradeceu e se afastou. Surpreendendo as outras três, Kat pegou o celular e tirou uma foto das quatro juntas.
— Por que você fez isso? — Ally questionou ao ver que Kat tirou uma foto delas.
— Para guardar de lembrança — Kat explicou. — Não se preocupe, depois eu mando uma cópia para cada uma de vocês.
— Vocês já têm um plano para a faculdade? — Carrie perguntou curiosa.
— Mudar meu sobrenome seria legal — Kat respondeu. Hargen era o sobrenome da antiga família dela e ela queria apagar de vez aquele passado. — E você, Ally?
— Um estágio, tirar boas notas, ainda estou pensando nisso — Ally respondeu.
— O que vocês farão quando formos embora? — Kat quis saber de Amy e Carrie.
— Maratona de séries, quando sairmos do castigo, é claro — Carrie respondeu.
— O meu pai e o Stark estão pensando em nos colocar em um colégio para crianças acima da média. — Amy chamava o pai biológico de Sr. Stark, ou apenas Stark, por não vê-lo como pai. Josh já havia conversado sobre a possibilidade de mandar Amy para o tal colégio, mas ela ainda tinha alguns receios quanto a isso.
— Deixe eu adivinhar, Menderly Hills? — Kat perguntou.
— Sim, parece que o Stark estudou alguns anos lá quando ele era criança — Amy explicou.
— E eu passei boa parte da minha infância lá — Kat comentou. — Até era legal, os professores gostavam de mim, porque, eu era uma das melhores alunas. É um lugar legal, meio competitivo, mas antes de vir para Seattle, foi a melhor "casa que eu tive". Alguns alunos eram bem competitivos e faziam de tudo para te colocar para baixo se achavam que eu era ameaça, mas alguns eram legais, e descobri meu amor pela ciência lá.
— Parece um lugar legal — Carrie comentou.
— Não sei se quero passar tanto tempo longe de casa. — Menderly Hills ficava em Londres, que é bem longe de Seattle. Além disso, o colégio só permitia que os alunos fossem visitados nos feriados, e eles só podiam ir para a casa nas férias de verão e no natal.
— Aparentemente, o Josh e o Stark estão unindo o útil ao agradável — Kat deduziu. — Carrie vivia reclamando que a escola onde estudava estava muito abaixo da capacidade dela, você é uma hacker até que boa. — Kat se referia a Amy. — Isso as colocaria em um colégio que atendessem as suas necessidades e as deixariam longe de encrencas como as da FGI. Josh quer sempre fazer o que é melhor para vocês e o Stark não confia em vocês.
— Exatamente — Amy concordou.
— Incrível como confiam plenamente em você — Kat ironizou.
— Bom, estamos prestes a participar de um plano suicida contra assassinos treinados e nem sabemos se sairemos vivas disso, então, até certo ponto, até que eles estão certos — Ally observou.
— Verdade — Carrie concordou.
— Podia ser pior — Kat comentou. — Pelo menos nossas identidades secretas continuam secretas, quer dizer, tudo bem que a Shadow sabe, aquela doida que está sempre com ela e que tentou nos matar também sabe, aquele mascarado esquisito provavelmente, é uma possibilidade, a Bianca sabe e o Roger também, mas pelo menos, a HYDRA não sabe, os PRODÍGIOS não sabem, a SHIELD... Bom, a SHIELD não existe mais. Os Vingadores não sabem, mesmo a Amy sendo, tecnicamente, filha de um deles, mas, pelo menos, boa parte da população mundial não sabe nossas identidades secretas, então, ainda temos uma identidade secreta.
— Por incrível que pareça. — Ally percebeu que elas estavam bem longes de serem discretas com suas identidades secretas.
— Então, um brinde a nossas identidades secretas — Kat levantou o milk-shake, Ally também levantou o milk-shake dela, Carrie levantou um dos nachos dela e Amy levantou uma colher do bolo com sorvete dela, e assim, as quatro brindaram ao extraordinário fato de que elas ainda tinham identidades secretas.
— Isso foi fofo — Shadow comentou após o brinde, surpreendendo as garotas que não sabiam que ela estava ali.
— Você é o Mestre dos Magos, usa algum tipo de tele transporte ou só é estranha mesmo? — Kat já nem ficava mais tão surpresa com as aparições repentinas da Shadow, já que elas estavam virando rotina.
— O que quer? — Ally questionou.
— Só vim avisar que está na hora — Shadow avisou. — O carregamento chega hoje a noite, vocês precisam pará-lo, pegar as crianças e saírem antes que os reforços cheguem, só isso.
— Só? — Amy perguntou de modo irônico, já que não achava aquele plano nada simples.
— Não se preocupem, ficaram com a parte mais fácil — Shadow disse antes de ir embora. Ao sair dali, Shadow teve que andar alguns metros até encontrar Amanda, que esperava por ela.
— Tem certeza que elas darão conta? — Amanda sabia que os PRODÍGIOS não eram fáceis de serem vencidos, especialmente, por garotas que treinaram alguns meses, mas que passaram quase a vida toda sem pegar em uma arma.
— Não se preocupe, eu pensei em tudo — Shadow a avisou e Amanda ficou se perguntando o que Shadow realmente planejava.
Quando saíram da lanchonete, Carrie e Amy foram para o apartamento onde moravam, para Amy se preparar para o que faria logo a noite. Ally e Kat fizeram o mesmo, mas no apartamento de Ally.
— Aquela luva que você estava fazendo, está pronta? — Ally perguntou.
— Sim — Kat respondeu. — Também terminei as alterações na sua moto, agora ela está ainda mais rápida.
— Espero que consigamos sair vivas dessa — Ally disse.
— Eu também...
Mais tarde, cada uma delas recebeu uma mensagem informando onde teriam que ir e a que horas. Amy se despediu de Carrie e saiu, enquanto Carrie dava cobertura. Amy encontrou Bianca, Ally e Kat na garagem do prédio e enquanto Amy levaria Amy até o local do plano, Ally levaria Kat de moto.
— Então, acho que esse é o momento em que vamos fazer o que temos que fazer, certo? — Kat estava confusa, assim como as outras três garotas, elas não achavam que aquele era um bom plano e sabiam que não poderiam voltar atrás.
— Eu realmente espero que voltemos vivas — Ally disse.
— Acho que isso é o básico — Amy comentou.
— Eu não sou muito boa em dizer palavras nesse tipo de situação, então vamos fazer isso logo e parar de conversa? — Bianca apenas queria que aquilo acabasse logo. — Já definiram seus codinomes, para nos comunicar pelo rádio?
— Ghost — Ally avisou.
— Invisible — Amy disse logo em seguida.
— Não era o contrário? — Kat questionou confusa.
— A Ally aceitou trocar de codinome comigo — Amy explicou. — Desculpa não ter te avisado antes.
— E o seu codinome, Kat? — Bianca perguntou.
— Red — Kat completou. — E o seu provavelmente é Fortis, acertei? — Bianca concordou com a cabeça. Em seguida, Bianca saiu com Amy, enquanto Ally foi de moto com a Kat até o local combinado. Ao chegarem lá, elas desceram da moto e checaram para ver se estava tudo certo.
— A luva? — Ally quis saber da luva que a Kat estava projetando há algum tempo desde que a Shadow lhe entregara um projeto dela.
— Está aqui — Kat colocou a luva e apertou um botão que começou a carrega-la. Após um tempo, Ally ligou o comunicador para saber como a Amy e a Bianca estavam.
— Fortis? Invisible? — Ally perguntou no comunicador.
— Tudo ok, Ghost — Bianca avisou pelo comunicador.
Enquanto isso, em um aeroporto clandestino perto dali, várias crianças foram tiradas de um avião de carga e colocadas em um caminhão.
— Estão todas aí? — Um homem perguntou.
— Sim — uma garota alta respondeu antes de entrar no caminhão. Após alguns soldados e o motorista também entrarem no caminhão, ele partiu rumo ao seu destino.
Enquanto isso, na estrada, Ally, Kat, Amy e Bianca estavam escondidas, já devidamente uniformizadas, com suas devidas máscaras e Amy estava com o traje invisível.
— Tem certeza que agora o traje fica invisível para câmeras também? — Amy perguntou pelo comunicador. — E principalmente, não tem surpresas como me deixar cega.
— Sim, eu tenho — Kat respondeu pelo comunicador. Na verdade, ela não tinha certeza daquilo, mas disse que tinha para que a Amy não ficasse desesperada. Bianca, que estava vigiando o movimento na estrada com um binóculo, viu o caminhão se aproximando e Amy ficou invisível.
— Red, Ghost, está na hora — Bianca avisou e Kat e Ally subiram na moto novamente, e Ally dirgiu até estarem alguns quilômetros à frente do caminhão. -- Em seguida, as duas desceram da moto e Kat levantou o braço, o apontou para a frente e apertou o botão da luva que disparou uma rajada de energia eletromagnética forte o suficiente para que o caminhão quase caísse, mas ele parou completamente, por consequência, a força da rajada havia sido forte o suficiente para também jogar Kat para trás.
— Kat, está tudo bem? — Ally perguntou preocupada após ver a amiga caída no chão.
— Sim — Kat levantou com escoriações no ombro e as costas doendo. — Eu devia ter previsto isso. — As duas perceberam que os que estavam no caminhão já haviam descido e percebido elas ali.
— Fortis, Invisible, é com vocês! — Ally avisou no comunicador. De repente, os soldados tiveram a visão comprometida por uma repentina fumaça e Bianca começou a ataca-los por trás, enquanto Amy, que estava invisível, abriu a porta da parte de carga do caminhão, que era onde as crianças estavam, e viu que haviam mais soldados ali, que apontaram as armas para a direção da porta tentando identificar o que havia a aberto, o que fez com que Amy permanecesse imóvel para que não atirassem nela. Eles estavam discutindo sobre um deles sair do caminhão e ajudar os que estavam do lado de fora, mas antes que pudessem escolher alguém, a garota alta, que estava no meio deles, e que, aparentemente, havia os ajudado, ela os surpreendeu e atirou em todos eles quando menos esperavam.
— Eu sei que está aí, menina invisível — a garota alta avisou, mas mesmo assim, Amy não ficou visível porque não sabia se podia realmente confiar nela. — De qualquer forma, a garota sombra mandou lembranças. — A garota alta saiu do caminhão e deixou as crianças ali, confusas e assustadas.
De repente, um carro parou ali perto e dentro dele saiu Anastasia, que estava encapuzada para não ser reconhecida por ninguém. Ela, assim como a garota alta, pegou uma arma e atirou no restante dos soldados, o que surpreendeu Kat, Ally e Bianca.
— Quem é você? — Kat perguntou apontando para a garota alta e em seguida se virou para a Anastasia. — E como consegue estar de maneira conveniente em todas as confusões possíveis?
— Eu disse para não se meterem mais nisso — Anastasia disse ao ver as garotas ali.
— Não foi como se tivéssemos muita escolha — Ally explicou.
— De qualquer forma, acabou, vão embora e não se metam mais nisso — Anastasia ordenou.
— O que acontecerá com as crianças? — Bianca questionou.
— Eu cuidarei delas — Anastasia respondeu.
— Como sabemos se elas ficarão bem? — Bianca questionou e Amy ficou visível, elas não confiavam em Anastasia.
— Acredite, tudo o que eu quero é a segurança dessas crianças — Anastasia garantiu. — De qualquer forma, a localização do caminhão foi desativada, então não demorará muito e esse lugar estará cheio de soldados, então sugiro que saiam logo daqui.
Bianca, Kat, Ally e Amy se viram sem escolha, mas como elas poderiam saber se podiam confiar em Anastasia?
— Se eu souber que algo aconteceu com essas crianças, eu vou atrás de você — Bianca ameaçou antes de ir embora com Amy. Ally e Kat subiram na moto e também foram embora.
— Você também pode ir, Carly — Anastasia disse para a garota alta que ficou surpresa por ela saber seu nome.
— Como sabe o meu nome? — Carly questionou.
— Digamos que eu tenha uma memória excelente — Anastasia respondeu sem dar mais detalhes adicionais. — Está livre para ir, não podem fazer mais nada contra você.
— Quem é você? — Carly perguntou.
— Alguém — Anastasia respondeu de maneira vaga.
— Os reforços chegarão a qualquer minuto, acha que terá tempo de tirar as crianças daqui? — Carly questionou.
— Eu dou meu jeito — Anastasia respondeu e começou a tirar as crianças do caminhão.
— Então, te vejo por aí, alguém — Carly disse antes de ir embora.
Longe dali, Shadow e Amanda vigiavam a base dos PRODÍGIOS e viram vários soldados saindo dela para recuperarem o caminhão.
— Então, o tempo todo, o plano era fazer os prodígios acharem que o caminhão estava sendo atacado pelas Heroínas de Seattle? — Amanda questionou.
— Eu disse que precisava de uma distração — Shadow lembrou, ela havia pensado em tudo, ou pelo menos, quase tudo.
— Eu realmente achei que elas lutariam contra alguns PRODÍGIOS — Amanda comentou.
— Elas perderiam feio — Shadow respondeu.
— O que faremos agora? — Amanda perguntou.
— A base ficará desprotegida, quando isso acontecer, nós entraremos, libertaremos o máximo de crianças possível e roubaremos informações — Shadow mostrou um pen-drive para Amanda.
— O que tem aí? — Amanda questionou.
— Algo que consegui com uma Dama Vermelha — Shadow respondeu.
— O que faremos contra os outros PRODÍGIOS? — Amanda questionou, ela sabia que não conseguiria lutar contra os prodígios, e não queria ver Shadow cortando todos eles ao meio, por serem, praticamente irmãos e irmãs.
— Não precisaremos lutar contra eles — Shadow explicou.
— Por que tem tanta certeza disso? — Amanda questionou.
— Porque sei a razão pela qual eles lutam — Shadow respondeu.
***
Anastasia levou as crianças para longe do caminhão, onde encontrou Maria Hill a esperando. Anastasia se ajoelhou para ficar na mesma altura que as crianças e olhou nos olhos delas.
— Eu sei que estão assustadas, mas não se preocupem, ela cuidará de vocês — Anastasia tentou tranquiliza-las.
— Podemos confiar nela? — Uma menina questionou.
— Sim, ela seria corajosa e burra demais se tentasse fazer algum mal contra vocês — Anastasia respondeu olhando nos olhos de Hill. — E se ela for, terá que se entender comigo. — Anastasia se levantou e resolveu ir embora.
— Aonde você vai? — Hill questionou.
— Terminar — Anastasia respondeu e continuou andando.
— Já não acha que suas emoções colocaram demais a perder, Agente Unbroken? — Hill questionou e Anastasia parou de andar e olhou para Hill. — Os massacres, especialmente aquele no hotel, acha que foi fácil encobrir os seus passos? Era para você mandar informações e agir apenas quando necessário, mas isso foi tudo o que você não fez quando estava por aí agindo como se fosse uma vigilante.
— E faço de novo se for necessário — Anastasia afirmou.
— Você quer mesmo ajudar aquela garota a arruinar tudo? — Hill questionou.
— Acredite, estou tentando evitar que ela faça isso — Anastasia argumentou. — Além de que pelo que vi dela, ela é bem minuciosa no que faz, há a probabilidade de ser um bom plano.
— Os objetivos dela com tudo isso não são muito claros — Hill argumentou.
— Sim, mas se for algo ruim, então eu estarei lá para impedi-la — Anastasia argumentou e Hill fez um sinal que significava que Anastasia podia ir.
***
Jason estava na base escutando o rádio dos soldados que haviam ido verificar o caminhão.
— Senhor, não há mais nada aqui — um dos soldados avisou pelo rádio.
— Como assim? — Jason não conseguia entender. — O alerta dizia que elas estavam perdendo a luta.
— Creio que a Carly mentiu já que não há nenhum sinal dela aqui — o soldado respondeu e algo passou pela cabeça de Jason. Aquilo não fazia nenhum sentido, estava errado, estava tudo errado, ele não precisou pensar muito para perceber que aquilo era algum tipo de plano, uma armadilha.
— Voltem para a base, agora! — Jason ordenou, ele olhou em um monitor e percebeu que todas as câmeras da base haviam sido desligadas. Aquilo significava que haviam invasores na base. Ele pegou um microfone e resolveu dar um aviso que seria escutado em toda a base. — Atenção todos, temos invasores na base, achem eles! — Jason ordenou e percebeu que precisava verificar a sala de controle geral que tinha uma vista para um grande pátio e controlava grande parte da base.
— Senhor, as crianças das celas sumiram — um prodígio avisou.
— Então as ache! — Jason ordenou.
— Senhor, isso não é possível — o prodígio respondeu.
— O quê? — Jason questionou.
— Acreditamos que elas nem estão mais na base — o prodígio respondeu deixando Jason ainda mais irritado.
Enquanto isso, Shadow e Amanda estavam escondidas na sala geral acompanhando tudo.
— O que fazemos agora? — Amanda perguntou.
— Nós esperamos — Shadow explicou.
— O quê? — Amanda achava que ficar ali, esperando, era uma péssima ideia. Mas logo os pensamentos dela foram interrompidos por Anastasia entrando e trancando a sala para que ninguém mais entrasse.
— Agora, me diga, onde quer chegar com tudo isso? — Anastasia perguntou a Shadow.
— Na verdade, estava apenas te esperando — Shadow explicou e Anastasia notou que tinha um pen-drive conectado em um dos computadores e que estava extraindo um monte de informações.
— Por quê? — Anastasia questionou.
— É simples, você falará com eles — Shadow explicou e mostrou um microfone que estava ali perto do vidro que dava vista para o pátio.
— O que te faz achar que isso é uma boa ideia? — Anastasia questionou.
— Bom, você é uma deles, tem um passado parecido com o deles, com pequenas diferenças, mas por alguma razão, você decidiu se rebelar — Shadow disse. — Por quê? O que você viu que eles ainda não conseguiram ver?
— Como sabia que eu viria? — Anastasia questionou.
— Porque você se importa com as pessoas. — Shadow apontou para o microfone. — E mesmo se não viesse, a Amanda seria o meu plano b, afinal ela é uma prodígio também, mas com você é mais impactante por ser a garota que não pode ser morta. — Shadow continuou apontando para o microfone. Anastasia foi até o microfone e o ligou, ela respirou fundo e resolveu dizer o que lhe vinha à cabeça.
— Olá a todos — Anastasia chamou a atenção de todos aos alto-falantes. Soldados, prodígios e o Jason foram até o pátio e olharam para o vidro, muitos não sabiam direito quem ela era, mas também haviam aqueles que se lembravam dela, ou conheciam as histórias.
— Anastasia? — Jason perguntou ao olhar para o vidro. O cabelo dela estava diferente, o rosto estava diferente, ela era uma mulher confiante, muito diferente da garota assustada e com raiva que ele conhecia.
— Muitos aqui já devem ter ouvido falar de mim, e os que não ouviram, eu posso me apresentar. Não sei o meu nome de nascimento, mas, por enquanto, podem me chamar de Anastasia, o nome que me deram após me arrastarem para um lugar estranho e me tratarem como mercadoria. Sim, é aquela Anastasia, a garota que não pode ser morta, e que não se submete a ninguém. Hoje, eu sou livre, mas querendo ou não, eu sou uma de vocês, sempre serei, a diferença, é que eu sei algo, que eles tentam esconder de vocês. Toda vez, que eu ia contra uma ordem, que eu tentava fugir, não era apenas por insubordinação, mas também porque eu nunca entendi muito bem o sentido disso. Eles dizem que são nossa família, que temos que agradá-los, e em troca nos dão liberdade. Mas, há algumas contradições, a primeira, é que eles não nossa família, são nossos raptores. A segunda, é que eu não sei se perceberam, mas eles nunca realmente libertam, na verdade, apenas prendem mais. E a terceira, e a mais importante, é que a liberdade que eles prometem, é a mesma da qual eles nos privaram, quando nos pegaram, nos quebraram e nos fizeram acreditar que éramos monstros. Mas há algo, que não querem que saibamos, mas que creio que alguns de vocês já devem saber, é que eles não podem nos tiram ou nos dar liberdade, porque a nossa liberdade pertence apenas a nós mesmos, nós decidimos quem somos, e nós decidimos o que queremos, eles sabem que a partir do momento, em que todos nós soubermos disso, não poderão nos controlar mais. Então, escolham o que querem fazer, o que quer que queiram fazer, porque essa decisão cabe a vocês, não a eles e nem a ninguém que tentar nos acorrentar, porque eles querendo ou não, pertencemos a nós mesmos.
Anastasia desligou o microfone e todos do lado de fora ficaram pensativos quanto ao que ela disse.
— O que estão esperando, peguem-na! — Jason ordenou, mas os prodígios continuavam pensativos. Eles se olhavam ente si e se perguntavam, se eles queriam mesmo servir aquilo. Não demorou muito para começar um confronto entre os prodígios que não queriam mais seguir ordens e aqueles que queriam continuar fiéis aquelas ordens.
— Você conseguiu o que queria — Anastasia disse para Shadow.
— Sim — Shadow respondeu e uma pequena lembrança lhe veio à cabeça. Era ela mesma, em algum tipo de cela de vidro, ela estava sozinha lá, mas parecia estar exposta como algum tipo de peça. Ela parecia estar desesperada naquela memória, ansiando por sair daquela cela, ou vitrine. — De certa forma, eu consegui.
Anastasia olhou no computador e viu algo que lhe chamou a atenção. Parecia algum tipo de investigação. Ela abriu os arquivos e percebeu que eram sobre Kat, Ally, Amy e Carrie, Jason sabia quem era elas. Jason sabia de tudo.
— Merda! — Anastasia pegou o pen-drive que já havia terminado de coletar informações.
— Onde está indo? — Shadow questionou.
— Lembra daquelas garotas nas quais eu disse para manter fora disso? — Anastasia questionou. — A vida delas está em risco por sua causa!
— Não, eu saberia — Shadow respondeu. Ela não conseguia acreditar que algo havia falhado, ela sempre pensava em tudo, ela nunca falhava.
— Parece que não sabe de tudo, garota sombra — Anastasia respondeu.
— Mas não é possível, eu saberia se isso acontecesse. — Shadow não conseguia acreditar.
— Parece que não é capaz de saber de tudo, e agora, aquelas garotas podem morrer por sua causa! — Anastasia disse.
— Precisamos fazer alguma coisa. — Amanda não queria ser a culpada pela morte de uma daquelas garotas, ela não conhecia muito elas, mas não se sentiria bem tendo sido indiretamente responsável pela morte de um inocente.
— O que acha que vou fazer? — Anastasia começou a sair da sala e Amanda foi atrás dela.
— Eu vou com você — Amanda avisou e Shadow foi atrás delas.
— Eu também vou — Shadow avisou fazendo Anastasia e Amanda pararem. — Querendo ou não, elas são, meio, que de minha responsabilidade.
— Está certo, vocês podem vir, mas terão que fazer exatamente o que eu disser — Anastasia avisou. — Dessa vez será do meu jeito.
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